26 de mai de 2012

Cap 24 - O Rico e O Pobre no Evangelho - Parte 5


O DESENCANTO

“E OS QUE USAM DESTE MUNDO, COMO SE DELE NÃO ABUSASSEM, PORQUE A APARÊNCIA DESTE MUNDO PASSA”. CORÍNTIOS I 7:31

“20MAS DEUS LHE DISSE: LOUCO! ESTA NOITE TE PEDIRÃO A TUA ALMA; E O QUE TENS PREPARADO, PARA QUEM SERÁ? 21ASSIM É AQUELE QUE PARA SI AJUNDA TESOUROS, E NÃO É RICO PARA COM DEUS.” LUCAS 12:20-21

“POIS QUE APROVEITA AO HOMEM GANHAR O MUNDO INTEIRO, SE PERDER A SUA ALMA? OU QUE DARÁ O HOMEM EM RECOMPENSA DA SUA ALMA?” MATEUS 16:26

A gente se defronta na caminhada terrena com um grupo grande de pessoas que se julga forte. Um deposita sua fortaleza nos recursos financeiros vultosos, esquecido de que estes surgem e depois vão. Ou na propriedade de terras, que amanhã ou mais tarde transferir-se-ão para as mãos de novos donos. Aquela se considera poderosa e melhor do que os outros pelo fato de possuir percentual elevadíssimo de beleza física, desatenta de que esta beleza, como a flor, floresce, brilha e passa. E aquele se julga acima de muitos em razão dos amigos e parentes que tem e que se encontram em posição de prestígio e destaque nos círculos sociais. Por fim, diversos exemplos poderiam ser enumerados.

O que não podemos esquecer em momento algum é que a experiência terrena, confrontada com a eternidade, não passa de um simples sonho ou pesadelo de alguns minutos.

E que, independente de onde estivermos e como estivermos, tudo na vida é por um pouco de tempo. Nada mais que isso. Que tudo favorece ou aflige a criatura terrestre simplesmente por um pouco de tempo. Que o destino é um campo restituindo invariavelmente o que recebe, e que pela demonstração do pouco é que caminhamos para o muito de felicidade ou de sofrimento, e que muita gente, valendo-se da mínima fração do que tem complica-se por longo período.

O apóstolo Paulo nos diz com extrema sabedoria: “E os que usam deste mundo, como se dele não abusassem, porque a aparência deste mundo passa.”

De fato o mundo fica, permanece, a aparência é que passa. E nem sempre, segundo a nossa visual deficitária e incorreta, os que aparentam ser vitoriosos o são realmente. Por esta razão, ante o caminho eterno, não podemos nos embrenhar na selva humana despreocupado de nossa habilitação à luz espiritual.

Temos que aprender a enxergar melhor a essência, despir da nossa mente a roupagem dos enganos materiais, caminhar sem trocar a realidade pelas aparências.

Não são poucos os que buscam a paz nas conquistas dos bens materiais, que por sinal são necessárias e fundamentais e carecemos delas. O problema é quando a busca limita-se unicamente a essa forma de êxito, o que não raras vezes ocasiona a frustração e o desencanto. Exemplo disto é o número de pessoas que vivem cercadas pelos recursos amoedados e ainda alimentam no coração aquele vazio de alma. Tem tudo o que precisam, e bem mais do que precisam, todavia não são felizes. Desconhecem a felicidade na sua acepção legítima. 

E o pior é que grande percentual dessas pessoas sente que o fato de não terem alcançado uma satisfação íntima duradoura, embora as inúmeras realizações no campo material, significa que o preenchimento do vazio se fará automaticamente mediante o alcance de realizações materiais ainda mais vultosas. Não é fácil. A conta bancária cheia de moedas, quando o titular tem a alma vazia de educação, significa roteiro seguro para a morte dos valores espirituais. 

Acabamos de dizer agora que tudo é por pouco tempo. Aliás, o tempo passa célere e diariamente retiram-se da Terra criaturas cujo passo se imobiliza nos angustiosos tormentos da frustração. Por trás do sepulcro, ponto de chegada de todos os que saíram do berço, a verdade aguarda o homem e o interroga: “O que trouxeste?”

O materialista pensa, reflete, analisa e responderá que reuniu inúmeras vantagens materiais. Não só isso, óbvio. Que trabalhou muito, também, para dar boa condição aos seus. Que se esforçou sem medidas para assegurar uma posição tranquila a si mesmo e aos dependentes. Que tudo fez em prol daqueles que ama. Entretanto, analisada a bagagem do que levou consigo quase sempre notará que suas vitórias foram derrotas fragorosas. Não constituíram valores da alma e tampouco trouxeram o selo dos bens eternos. Ele estende os braços para o ouro que amontoou, contudo esse ouro apenas lhe assegura o mausoléu em que se lhes guardam as cinzas. Alonga a lembrança ao nome em que se ilustrou nos eventos humanos, porém quase sempre a fulguração pessoal de que se viu objeto apenas lhe recorda o coração para a dor do arrependimento tardio. Contempla o campo de luta em que desenvolveu transitório domínio, mas não enxerga senão a poeira da desilusão que lhe soterra os sonhos mortos.

É triste, mas é a verdade. Situações assim não ocorrem com pouca frequência como podemos imaginar, pelo contrário. Os anos passam e o evangelho continua a questionar as almas humanas nos momentos de culminância: “E o que tens preparado, para quem será?” (Lucas 12:20) Nem todos sabem responder com exatidão. Muitos, infelizes, percebem que o grande percentual dos seus lucros não passou de perdas desastrosas. Circularam no mundo em carros de triunfo na política, na fortuna, nas artes, na ciência, na religião e no poder, entretanto, incapazes do verdadeiro serviço aos semelhantes enganaram a si próprios no culto ao egoísmo e ao orgulho, à intemperança e vaidade que lhes devastaram a vida. E despertam, além da morte, sem recolher a luz.

Há muita gente que supõe vencer hoje para acabar vencida amanhã. Quer ganhar a vida, e acaba perdendo-a no seu sentido intrínseco de bem estar e harmonia pessoal. Poderá guardar inúmeros títulos de posse sobre as utilidades terrestres, mas se não for senhor de tua própria alma todo o seu patrimônio não passará de simples introdução à loucura. Empilhará moedas de ouro e prata, à sombra das quais falará com autoridade e influência aos ouvidos do próximo, todavia, se os teus haveres não se dilatarem, em forma de socorro e trabalho, estímulo e educação, em favor dos seus semelhantes, será apenas um viajante descuidado, no rumo de pavorosas desilusões. “Assim é aquele que para si ajunta tesouros e não é rico para com Deus” (Lucas 12:21). E “que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma?” (Mateus 1:26).

É preciso analisar com cuidado. O mestre divino não recomendou que o homem deva movimentar-se despido de objetivos e aspirações de ganho. Não tem nada disso. Isso não existe no evangelho. Ele salientou apenas a necessidade de se conhecer o que procura, avaliar que espécie de lucros almejamos, a que finalidade nos propomos em nossas atividades e trajetórias terrestres.

É importante abrirmos os tesouros da alma para que não nos iludamos com as fantasias da inteligência quando procuramos agir sem Deus. Os títulos e valores materiais constituem-se em prova ímpar, capaz de aferir as verdadeiras disposições de desprendimento do ser em sua atividade espiritualizante.

Os interesses imediatistas do planeta clamam o tempo todo que tempo é dinheiro, para, em seguida, recomeçarem todas as obras incompletas na esteira das reencarnações. O munda grita o tempo todo, e pelos perigos que corremos o criador nos adverte da nossa fraqueza e fragilidade de nossa existência. Mostra-nos que entre suas mãos está a nossa vida e que ela se acha presa por um fio que pode se romper no momento em que menos esperamos.

Jesus define “eu venci o mundo”, pois precisamos viver com o mundo, estar integrados no mundo, mas o mundo não pode ser o gerenciador das nossas decisões.

Pare e pense. Se teus desejos repousam nas aquisições factícias, relativamente a situações passageiras ou a patrimônios fadados ao apodrecimento, renova, enquanto é tempo, a visão espiritual, porque de nada vale ganhar o mundo que não te pertence e perderes a ti mesmo, indefinidamente, para a vida imortal. Recorda os que padecem na derrota de si mesmos, depois de se acreditarem vencedores, dos que choram as horas perdidas, e procura, enquanto é hoje, enriquecer o próprio espírito para o amanhã que te aguarda. Afinal, conforme o ensino de Jesus, nada vale reter por fora o esplendor de todos os impérios do mundo, conservando a treva no coração.

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