6 de jun de 2012

Cap 24 - O Rico e O Pobre no Evangelho - Parte 8


O POBRE NO EVANGELHO

“3BEM-AVENTURADOS OS POBRES DE ESPÍRITO, PORQUE DELES É O REINO DOS CÉUS.” MATEUS 5:3

“5OS CEGOS VÊEM, E OS COXOS ANDAM; OS LEPROSOS SÃO LIMPOS, E OS SURDOS OUVEM; OS MORTOS SÃO RESSUSCITADOS, E AOS POBRES É ANUNCIADO O EVANGELHO.” MATEUS 11:5

“1NAQUELA MESMA HORA CHEGARAM OS DISCÍPULOS AO PÉ DE JESUS, DIZENDO: QUEM É O MAIOR NO REINO DOS CÉUS? 2E JESUS, CHAMANDO UM MENINO, O PÔS NO MEIO DELES,” MATEUS 18:1

Até o aparecimento de Jesus em nosso planeta, o destino dos pobres, sofredores e desvalidos era a desconsideração total e a marginalização sem limites.

A partir daí se abrem as válvulas de uma nova visão com a perspectiva e o investimento em dias melhores. No capítulo cinco do evangelho de Mateus, bem no iniciozinho, vamos encontrar o mestre dizendo as bem-aventuranças: “Bem aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus”. Ele disponibiliza esperanças de sustentação e consolo aos corações. Sim, porque o termo bem-aventurado significa muito feliz. Conseguiu perceber? Sob a visão deficitária do mundo, felizes são todos aqueles que contam vitórias em cima de vitórias nos terrenos da materialidade. São os portadores de títulos, detentores de posições sociais de prestígio e possuidores de riquezas, por sinal, muitas vezes nem sempre alcançados de forma digna. E há um detalhe importante. Quando os vitoriosos do mundo não sabem conquistar e administrar com justiça, e mantém-se no orgulho, vaidade, prepotência e egoísmo, sem assegurar a paz ao coração próprio e propiciar o bem ao semelhante, não passam de meros afortunados do momento que o tempo se encarrega de modificá-los.

Então, a gente observa que Jesus veio trazer, de forma abrangente, a ótica nítida e definitiva acerca dos que são verdadeiramente felizes. Ou seja, no sermão da montanha ele menciona os que são muito felizes aos seus olhos, os que são bem-aventurados sob a ótica do plano espiritual, os donos da riqueza espiritual que, se constituindo os amados de Deus, sentem-se identificados com o Pai em qualquer parte a que sejam conduzidos. Ninguém neste mundo é melhor do que ninguém. E sendo o evangelho a boa nova, ele é a mensagem divina para os tristes, os desesperançados e deserdados na imensa família humana.

Os termos rico e pobre, no evangelho, não são resultantes de uma conceituação externa. Não tem como eu diagnosticar alguém exteriormente: “Esse é rico, aquele é pobre, o outro ali também é pobre.” Não tem como. Vai muito além disso, é algo intrínseco, íntimo. Pobreza decorre de um estado de autoanálise.

Os pobres de espírito, na ótica do evangelho, são os humildes, os que se reconhecem sempre necessitados de valores espirituais. São aqueles que visualizam o peso e a extensão das próprias necessidades de renovação. O pobre é aquele que se identifica carente. É quando nos identificamos precisando daquilo.  Ao mencionar os pobres de espírito Jesus referia-se às almas simples e singelas, despidas de orgulho e egoísmo. Os pobres são os humildes.

E humildade é aquele estado que apresenta uma pobreza que naturalmente encaminha o ser a um ponto novo de reflexão. Esta expressão pobre apresenta todo um processo de possibilidade perceptiva do conhecimento. E nós vamos notando que quanto mais nos enriquecemos nas informações, nos caracteres que nos são encaminhados pela bondade do alto, no campo da aprendizagem, mais o mecanismo da humildade é convocado a estar presente na nossa intimidade.

“E aos pobres é anunciado o evangelho”. (Mateus 11:5) Isso mesmo. Os vencedores da terra não necessitam deste tipo de anúncio. Os vitoriosos do mundo não necessitam destas boas notícias. Para quê? A preocupação máxima de algum vencedor do mundo é a de defender o fruto de sua vitória material. Por isso não adianta pregar o evangelho para rico. O próprio evangelho diz que o rico já tem o seu galardão. É o pobre que busca. Aos pobres é que ele é anunciado.

Se frequentamos algum núcleo de natureza espiritual, seja católico, espírita, evangélico ou de qualquer outra denominação, é porque nos identificamos pobres. Lá não é lugar de rico. Aqui também, neste nosso estudo que levamos juntos a efeito, também não é lugar de rico. Porque algum deles investiria seu tempo em estudar conosco? O rico não tem necessidade de estar aqui. Claro. Por que estaria? Ele já tem tudo. Quem está aqui, inclusive eu, é porque sente que tem necessidade.

Em certa ocasião, questionado pelos discípulos acerca de quem é o maior no reino dos céus, o mestre chamou um menino e o pôs no meio deles (“naquela mesma hora chegaram os discípulos ao pé de Jesus, dizendo: quem é o maior no reino dos céus? E Jesus, chamando um menino, o pôs no meio deles.” Mateus 18:1)

Muito interessante. E se Jesus colocou um menino no meio é porque o menino tem grande significância no evangelho, tem um sentido importante na acepção do evangelho. Não o pôs em qualquer lugar. Poderia tê-lo colocado no cantinho, quietinho lá. Mas não, pôs no meio. E no meio é na posição central, no centro. É equilíbrio, posição de destaque, é ponto de referência. Não há dúvida. Menino no meio é significado de destaque. É para ficar muito bem exposto.

O menino é um símbolo. No sentido figurativo que o evangelho propõe ele tem o sentido de pequenez, de inocência, de pureza. Com capacidade de perdoar sem distinção, tem alto poder perceptivo e recolhe com facilidade e entusiasmo aquilo que lhe é trazido. Além do que, é um elemento acentuadamente dócil ao sistema educacional e apresenta dentro de si uma proposta voltada ao crescimento.

O Cristo quis trazer com o menino o exemplo, a mentalidade e os padrões que caracterizam, em tese, a criança. E uma relação dela com os caracteres que marcam todo o estágio evolutivo nosso no planeta: a simplicidade, as condições receptivas, a autenticidade, a confiança, a obediência aos padrões superiores, a pureza de sentimento, a espontaneidade, a capacidade de esquecimento das ofensas, entre várias outras linhas que poderiam ser preenchidas com os valores que definem e caracterizam uma criança dentro desse contexto.

E qual a relação com o que nós estamos estudando? É que o pobre é aquele que se identifica carente, como a criança também é, uma vez que ela é constantemente voltada ao mecanismo do aprendizado. E dentro daquilo que representa a postura de uma criança, há o desejo também de afirmar-se, aquela índole natural de crescimento, que é inerente ao espírito nesse estado. Assim, vamos aprendendo que o maior no reino dos céus não é o grande, o que acredita ter-se afirmado. O maior é o que quer crescer. E quanto mais a gente cresce, mais criança a gente tem que avocar, mais humildade temos que ter.

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