10 de jun de 2012

Cap 24 - O Rico e O Pobre no Evangelho - Parte 9


A PEQUENEZ E A DISTRIBUIÇÃO

A ideia que trazemos acerca de infinito e eterno, dentro das linhas que essas expressões trabalham, é um desafio para a nossa mente. Por mais abrangente que esta possa ser, no que reporta aos seus potenciais, essa concepção ainda é uma parcela diminuta ante a mente ampla do criador.

Não é necessário ir muito longe para exemplificar. Durante muito tempo a civilização, até por volta do século XV, estava embutida nos territórios da Europa e da Ásia, para depois, aquele oceano que servia como fronteira intransponível, até então, abrir uma perspectiva nova de amplidão para a Terra.

Vamos observar que na horizontal dos conhecimentos, na medida em que ampliamos os nossos pontos de percepção, é como se a ideia de infinito e eternidade redimensionassem tudo dentro de nós. Por exemplo, é como se eu julgasse inicialmente que o mundo fosse circunscrito à cidade em que eu moro. Na hora em que me elevo um pouco acima, a minha mente, a minha visão, abrange territórios muito mais extensos, e assim funciona em todas as áreas. Assim funciona nossa capacidade perceptiva na medida em que vamos avançando. Quando embutimos algum novo ensinamento a nossa percepção acerca do criador aumenta de modo geométrico, logo, nós crescemos em progressão aritmética e verificamos a grandeza de Deus ampliando na razão geométrica.

E dentro da projeção do que é eterno e do que é infinito cada lance que se abre mostra a extensão da nossa pequenez. “O filho do homem não tem onde repousar a cabeça” mostra o reconhecimento de uma pequenez diante da grandeza do universo. E cada vez que embutimos um conhecimento novo nós adquirimos a convicção de que somos muito mais pobres do que pensávamos ser.

Até parece uma incoerência, mas quanto mais cresce o indivíduo mais ele descobre que é pobre. Ao vermos no planeta uma imensa escola de trabalho, todos nós, perante a grandeza universal, devemos reconhecer a nossa condição de seres humildes, necessitados de aprimoramento e iluminação. O mestre Jesus quis ensinar para nós que quanto mais avançamos no conhecimento e na capacitação operacional mais nós temos que caminhar para o campo da humildade. Não tem outro jeito, para crescer eu tenho que descobrir que sou pequeno. Quanto mais se agiganta no conhecimento mais se cresce nessa compreensão, como disse Platão que “por tanto saber sei que nada sei.”

Certificando-se o homem de que coisa alguma possui de bom sem que Deus lho conceda, a vida no orbe ganhará novos rumos. Na proporção em que a humildade está presente, não precisamos sair correndo atrás, todos os valores passam a configurar a nosso favor, no campo do crescimento, em função da grandeza de Deus. O espírito foi criado simples e ignorante. E se a conquista da sabedoria é meta com o objetivo de se extirpar a ignorância, a simplicidade tem que ser mantida, no entanto, errando e reincidindo no erro nós perdemos a simplicidade e tempos que trabalhar para consegui-la. Quando começamos a crescer nós perdemos a humildade e continuamos na ignorância. Perdemo-nos no percurso quando buscamos o infinito distanciados da humildade e da simplicidade. Mais de dois mil anos se passaram desde que o evangelho nos foi trazido. Passaram-se séculos e nós continuamos excelentes doutores da lei. A questão é que para sair da condição de doutor da lei e penetrar no terreno novo tem que ser humilde, tem que tirar o título, e a gente não quer abrir mão dele. Porque ele ainda é muito importante para nós no contexto.

Uma das coisas extraordinárias que o evangelho revela para nós, e são muitas as pessoas que dizem, é a alegria que a gente tem em entender a grandeza do universo. E sentir o quanto nós temos que aprender ainda, o quanto nós temos que operar na horizontalidade da vida, o quanto nós temos que aprender a amar.

Entender que a concessão de tudo o que recebemos tem um caráter relativo, ou seja, o que recebemos nos é disponibilizado para o trabalho, para a dinamização. Que objetivamos não apenas o acesso às informações elevadas, mas laborar pontos que nos propiciem segurança para as realizações, e que essa linha horizontal representa as nossas ações positivas junto aos irmãos da humanidade.

A capacidade de recolher pela linha vertical (o que dimana do plano superior) vai depender da disposição em se dinamizar o valor em nosso plano (horizontal).

A fixação do que recebo sempre vai depender da minha capacidade de transferir.

Quando vamos sabendo administrar com segurança os componentes que nos visitam, que já detemos, nós recebemos investimentos outros do plano da misericórdia. É o caso dos talentos. Os padrões que você já consegue recolher passam a ser instrumentos para novas conquistas, porque o que você recebe se amplia cada vez mais à medida que faz irradiá-lo através do reflexo. Está percebendo? A mente é o espelho da vida em toda parte. É instrumento refletor porque vai emitir o que você já recebeu antes e também o que está recebendo agora.

E na medida em que ela consegue emitir ela abre padrões para receber mais, em um plano de integração. Na medida em que a criatura opera com acerto ela vai sendo elemento depositário de novos valores oriundos do plano maior. O processo de assimilar os recursos divinos será sempre o serviço prestado aos outros.

A humildade é a forma de se abrir o coração para receber. Resultado: se você quer ser um bom médico, se quer ter o dom de curar, comece amando os doentes, interessando-se pela solução de suas necessidades. Se espera o dom da virtude, discipline-se. Se deseja acesso aos círculos sagrados do Cristo, aproxime-se dele, não apenas pela conversação elevada, mas também por atitudes de sacrifício. Afinal, o operar sublima a capacidade de conhecer. E quando perdemos a humildade perdemos também a nossa capacidade intuitiva, quando recebemos e não damos fecham-se as válvulas para novas aquisições.

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