13 de jun de 2012

Cap 24 - O Rico e O Pobre no Evangelho - Parte 10


NÃO SE CRESCE SEM HUMILDADE

“BEM-AVENTURADOS OS POBRES DE ESPÍRITO, PORQUE DELES É O REINO DOS CÉUS.” MATEUS 5:3

“SEDE UNÂNIMES ENTRE VÓS; NÃO AMBICIONEIS COISAS ALTAS, MAS ACOMODAI-VOS ÀS HUMILDES; NÃO SEJAIS SÁBIOS EM VÓS MESMOS;” ROMANOS 12:16

É preciso assimilar muito bem que não há como projetar a vida hoje fora do componente da humildade. Não há como a gente evoluir sem humildade. Ela representa o caminho que projeta efetivamente para Deus. Isto não pode ser esquecido mais. Apenas somos realmente ricos quando reconhecemos a nossa pobreza.

É o reconhecimento da pequenez que nos coloca em um plano de equilíbrio. O dia em que a gente aprender isso, mas aprender mesmo, nem vamos mais precisar ir à missa, assistir a cultos religiosos, fazer reuniões espirituais, não vamos mais precisar acessar o blog evangelhoplus. Em se tratando de virtudes, a humildade ainda é o maior desafio que nós temos. Alguém pode até levantar o dedo e dizer que com ele não é assim. Não gostamos de ouvir isso e até parece que somos humildes. Mas não. Estamos longe disso. Às vezes, nos achamos humildes e nos colocamos na posição de vítimas, mas a verdade é que existem muitas pessoas em nosso círculo de ação que custam a nos aguentar.

Todavia, se estamos distantes deste componente, pelo menos já podemos equacionar com certa convicção o que venha a ser humildade e o porquê de a cultivarmos. As expressões transitórias de poder humano não atestam o reino de Deus e a realização divina sempre começará no íntimo das criaturas. A humildade, se não é a fundamentação básica de toda a instrumentalidade, com toda certeza é a base de toda a proposta educativa com vistas a uma evolução.

Os pobres de espírito são os humildes, e para toda proposta de crescimento faz-se necessária uma postura de humildade e simplicidade. Você pode até não querer assimilar, pode querer bater com a cabeça na parede, porém não existe evolução plena e eficiente sem humildade. Se nós não reconhecermos que somos pequenos diante do universo vai ser muito difícil alcançarmos êxito no nosso trabalho. Sem humildade nós ficamos suscetíveis de sermos desautorizados.

Não tem como ser servo de Deus e ser orgulhoso, querer crescer espiritualmente e se manter prepotente. É preciso saber ser humilde na hora correta, no instante certo. Se não houver uma condição de forjar com tranquilidade este valor, de se modelar com segurança, a gente vai cair amanhã. Sem dúvida, vai. Sem contar que eu também não tenho como evoluir achando que sou o maior. Não dá. Eu posso até ser o mais bem informado em determinado terreno, mas existe uma diversificação em que cada um de nós tem um ponto a operar. É preciso ter esta ótica. Em qualquer tempo não te credites em condições excepcionais, e nem te situes acima dos outros, acima de quem quer que seja. Quando alguém te envolver no confete da lisonja, insuflando-te vaidade, não te permita superestimar os próprios valores. Abraça nos deveres diários o caminho da elevação e recorda que Jesus, o enviado divino e governador espiritual da Terra, comparou a si mesmo com o pão puro e simples.

A humildade, respeito, reverência, submissão à vontade divina, pobreza evangélica, é o componente de virtude máxima que nos dá o sentimento de nossa fraqueza. O próprio mestre disse que não veio de si mesmo, que traz pensamento de cima, amplia o relativo e entre em relação com o infinito. Logo, diante da verdade nova preparemo-nos para nova linha de ajuste. Nos sistemas de projeção evolucional curvemo-nos diante da lei de Deus e nos projetemos com ela. Acontece em muitas circunstâncias de Deus nos honrar com a sua confiança e nós desvirtuarmos os verdadeiros títulos de serviço. É por isso que quanto mais fala dentro de nós a humildade, virtude mais difícil para o crescimento, mais nós ganhamos autoridade. Autoridade, aliás, que nos candidate a servir mais e melhor. Sendo assim, vamos buscar crescer, sempre, mas não para nos engrandecermos, e sim para servir mais eficientemente. Somente sendo grande nas pequenas tarefas seremos humildes nas grandes.

A humildade tem que funcionar em dois ângulos distintos da nossa evolução. Primeiro, para nos dar a coragem de descobrir o grau de verdade que a gente sabe, bem como o grau de ignorância que a gente ainda nutre. É o primeiro passo da humildade, pelo qual traçamos um diagnóstico. E o outro ângulo é no que se refere ao plano operacional da vida, o plano de relação e interação com as pessoas. Entender que para utilizar a minha possibilidade em função do bem estar do semelhante, a minha ajuda, seja qual for a natureza da ajuda, a princípio eu não posso ajudar sendo menor do que ele no componente específico do auxílio. Isto é, se ele naquela área tem ignorância, eu posso ter conhecimento, se ele não tem dinheiro, eu tenho, se ele não tem saúde, eu tenho.

Você provavelmente tem sonhos, traz consigo aspirações e objetivos bem definidos. Agora, se você não se dotar de humildade no crescimento, fique onde você está mesmo, que talvez seja melhor por enquanto. A humildade define a todo instante que quanto mais nós conhecemos menos a gente sabe, que quanto mais achamos que somos ajudados mais nós temos que auxiliar. Podemos conhecer muitas coisas, porém, quanto mais nós conhecemos mais entendemos que não sabemos, que somos crianças; quanto mais nós podemos comandar mais sentimos que o nosso comando tem autoridade na medida em que exercitamos a nossa capacidade de obedecer; quanto mais alguém pode comandar mais está inerente nele a capacidade de disciplina, de obedecer; quanto mais alguém sabe mais ele estuda, mais ele aprende; quanto maior a liberdade maior a responsabilidade. Na humildade o indivíduo sabe que conhece, mas sabe também que no fundo é imensa a sua parte de desconhecimento. E este é um entendimento integrante do mecanismo ascensional.

Quem não sabe obedecer, por exemplo, pode ter certeza de que nunca será um bom comandante. Por outro lado, aquele que sabe obedecer pode ficar tranquilo, porque no dia em que tiver que exercer algum comando, alguma direção, ele vai ser feliz, porque vai ser ouvido e obedecido. É preciso compatibilizar a responsabilidade de operar com a necessidade de ajustar-se à pequenez que marca a nossa presença no próprio universo. Quanto mais nós relacionamos com os outros, e quanto mais alto o piso que ascendemos, maior a nossa responsabilidade com o que a gente vê para baixo. O crescimento íntimo significa redução do nosso personalismo. Só se cresce apequenando-se, e isso é evidenciar a fonte legítima. Somente pela simplicidade conseguimos identificar os focos de carência. Para ajudar, embaixo, a criatura, que já teve o vislumbre de cima, tem que entender que ele tem que ser servo. Até mesmo para que não deixe escapar as dificuldades incrustadas no seu próprio subconsciente. A grandeza de cada qual reside na possibilidade de apequenar-se.

Quanto mais nós sabemos mais temos que identificar a nossa pobreza, afinal, podemos ter relativo conhecimento acerca de algo, mas não na sua abrangência.

Para ajudar alguém, para ensinar, cooperar com alguém, nós temos que ter uma alta capacidade de adequação, uma profunda disposição de apequenar-se. E é aí que temos complicado a nossa jornada, por impaciência e, também, negligência no exercício da repetição e da persistência. Veja bem, se eu vou trabalhar no plano do auxílio, no sentido de tentar minorar o sofrimento de uma criatura, eu não posso jogar para ela o que eu tenho. Eu preciso adequar. Para ajudar eu preciso adequar o valor canalizado, de forma a fazê-lo chegar a um campo de compatibilidade com a capacidade perceptiva do receptor. É bonito isto, e nós estamos treinando para isto. Estamos treinando para adotar esse procedimento em cada momento da vida. Eu tenho que adequar, e neste mecanismo de adequação tenho que ter humildade. Quanto mais o espírito evolui mais ele sente a necessidade de apagar a sua luz para que os outros cresçam.

Basta relembrar que Jesus tinha poderes extraordinários, no entanto, se lançou até ao sacrifício pessoal para que a paciência ou a pedagogia do tempo pudesse clarear o verdugo. Vamos auxiliar a quem necessitar, e auxiliar sem criticar, porque se vamos auxiliar criticando a nossa crítica por si só tira a nossa humildade interior.

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