30 de jun de 2012

Cap 25 - Porque Fazer Caridade - Parte 4


CONCEITO DE CARIDADE

O que é o amor? Difícil uma definição sob a nossa ótica acanhada, mas ele é o sentimento por excelência. Aliás, dele derivam todas as virtudes, que não são mais do que suas modalidades e aspectos. O amor representa a lei máxima no campo filosófico e abrangente universal. Até podemos dizer, sem qualquer exagero, que ele é a essencialidade que mantém e sustenta o equilíbrio de todo o universo.

O amor é a energia, a vibração que a tudo circunda e envolve, e cultivar o amor é educar o espírito, é formar e consolidar o caráter, realizar em verdade o objetivo supremo da existência. O universo é uma corrente de amor em movimento incessante e o mais interessante de tudo é que o amor foi feito para ser dinamizado. O criador não age represando e cerceando o amor, como a galinha que mantém o seu envolvimento restrito aos filhotes debaixo de suas asas.

E se o amor foi feito para ser dinamizado, quando falamos no plano operacional e dinâmico do amor nós falamos em caridade. Ou seja, caridade é a materialização do amor, aplicação do amor, representa a dinamização dessa energia sublime. Está dando para acompanhar sem nenhuma dúvida? Ela é o amor aplicado, elemento operacional, a aplicação do amor, a materialização da teoria, a expressão crística. Diz-se que é a expressão tangível do amor, a dinâmica do amor. E tanto ela é a dinâmica do amor que é muito comum as pessoas misturarem os termos: uma fala caridade, outra fala amor e ambas dizem a mesma coisa. Mas um detalhe precisa ficar claro, a caridade não é o amor total. De forma alguma ela é o amor como um todo. É uma faceta do amor, é parcela do amor aplicado, é como se fosse o campo ou terreno onde o amor opera.

E você pensa: “Ah, espera aí, Marco, você está querendo me dizer que amor e caridade é a mesma coisa?” Bem, para ser mais preciso, há uma distinção bem nítida.

Se colocarmos ambos em um microscópio e fizermos a comparação, um exame de profundidade, nós vamos observar com tranquilidade e convicção que o amor é muito mais do que a caridade. Claro, afinal de contas nós acabamos de dizer a pouco que o amor é a essencialidade que mantém o equilíbrio do universo.

Então, ele é muito maior, ao passo que a caridade é o amor em sua faixa de aplicação, o seu plano de dinâmica. Até frisamos que a caridade não é o amor total. Detalhe: toda caridade legítima traz consigo o amor (óbvio, pois a caridade é o plano aplicativo do amor), mas nem todo amor é caridade. Deu para entender? Vamos exemplificar. Imagine alguém dizendo: “Nossa, você não tem ideia de como eu amo essa pessoa. Faz quarenta e oito anos que eu a acompanho, desde o seu nascimento.” Tudo bem, ela pode mesmo amar realmente a criatura a que se refere, e por outro lado nunca ter feito nada por ela.

O amor, em sua essência, em sua contingência total e abrangente universal, não é com a gente, é com o Pai. Não tem jeito, é um fato, amor não é conosco, pois perfeição, bondade e misericórdia são inerentes a Deus. Mas nem por isso precisamos ficar chateados. O universo inteiro é uma corrente de amor em movimento incessante e não podemos lhe interromper a fluência das vibrações.

Se conosco não é amor, conosco é amar, porque somos amor em potencial, e a questão é transformarmos o amor em amar, em expansão, pelo exercício da bondade e caridade. A dinâmica é lei maior a imperar em todo plano e o que nos chega a nível positivo de conquista é para ser dinamizado. É importante saber que tudo o que é guardado a sete chaves define a soma de amor não operante, e não há como dinamizarmos amor sem passarmos pelo exercício de amar.

O que nos chega vem como informação, sempre batemos nessa tecla, ao passo que o que sai propicia formação. O que eu quero dizer? Que quando aplicamos o verbo amar nós passamos a entender, e muito mais do que isso, passamos a fundamentar o amor que, até então, estava teoricamente incrustado em nós. Isto é, passamos a tomar posse dele. Não adianta a gente querer apropriar de algo sem executar. Não temos como nos apropriar do amor sem vivenciá-lo. É só amando que aprendemos o que é o amor. Não tem outro jeito. 

Por esta razão temos que ser misericordiosos para entendermos a misericórdia de Deus, só vamos entender o que dimana de cima na medida em que sentimos um anseio íntimo de penetrar em nova faixa. Sem falar que quando começamos a deixar expandir de nós determinados fatores magnéticos bem positivos passamos a adquirir uma capacidade de sensibilizar corações. Quando começamos a fazer iniciamos o cumprimento da parte que nos compete na grande luta. A vida exige cooperação, e o amor, faixa operacional que se estende para além da justiça, espera um pouco mais de nós. Vale ter isso em conta.

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