27 de jul de 2012

Cap 25 - Porque Fazer Caridade - Parte 11 (Final)


A PROJEÇÃO DAS OBRAS

“4TENHO, PORÉM, CONTRA TI QUE DEIXASTE O TEU PRIMEIRO AMOR. 5LEMBRA-TE, POIS, DE ONDE CAÍSTE, E ARREPENDE-TE, E PRATICA AS PRIMEIRAS OBRAS; QUANDO NÃO, BREVEMENTE A TI VIREI, E TIRAREI DO SEU LUGAR O TEU CASTIÇAL, SE NÃO TE ARREPENDERES.” APOCALIPSE 2:4-5

“EU CONHEÇO AS TUAS OBRAS, E O TEU AMOR, E O TEU SERVIÇO, E A TUA FÉ, E A TUA PACIÊNCIA, E QUE AS TUAS ÚLTIMAS OBRAS SÃO MAIS DO QUE AS PRIMEIRAS.” APOCALIPSE 2:19

A gente não pode começar sem mencionar que o mestre disse “dá a quem te pede”.

É isto aí, você não leu errado. Dar a quem pede é bem diferente de dar o que se pede.

E para dar, para poder transformar o que recebemos de cima em recursos que no projetem para uma linha mais feliz, nós temos que utilizar os padrões que nos é possível.

Isto, sem falar que temos que passar esse suprimento alimentício dentro de uma linha de adequação, e que somente pela simplicidade conseguimos diagnosticar os focos de carência.

Outro detalhe relevante é quanto aos departamentos assistenciais. Num mundo de expiações e provas, caminhando a passos largos para a regeneração, estes não deveriam mais limitar-se a assistência social, porque a assistência social é um plano operacional bonito de amor, mas ineficiente quanto aos resultados. Hoje deveria ser assistência e, também, promoção social.

Você concorda? Uma sistemática eficiente que atenda as necessidades materiais do pão, da água, da roupa, e que, simultaneamente, promova o elemento auxiliado na luta de libertação da carência dele. Porque a caridade maior é a de iluminar as consciências humanas em dificuldade no sentido de não mais se comprometerem. Em uma linguagem simbólica, você oferta o alimento, mas também ensina quanto ao plantio do trigo e as técnicas de elaboração do pão. Ou seja, você auxilia de forma efetiva, ajuda o indivíduo a crescer.

Imagine um cooperador do plano físico desencarnando e chegando ao mundo espiritual dizendo: “Em minha experiência terrena eu estive vinculado a uma religião na qual realizei uma tarefa por bom período de tempo em que cuidei de aproximadamente duzentos necessitados. Cuidei deles.” E alguém pode dizer: “Tudo bem, isso é ótimo, muito bonito, mas eles estão necessitados até hoje.” Acompanhou o raciocínio? Nós vamos chegar ao final da tarefa e aqueles que atendemos vão continuar às portas de novo, pedindo. Talvez sem progresso, sem crescimento, sem melhoria real. Podemos até encontrar com alguns no futuro, mas com grande possibilidade de estarem ainda na mesma situação.

Se você avaliar com carinho vai notar que em quase todas as circunstâncias de nossa queda nós esquecemos a lei maior. Literalmente esquecemos a lei do Pai. Repare para você ver. Toda queda nossa se dá em razão do esquecimento à lei divina, que toda ela objetiva uma ação positiva para o encaminhamento da redenção dos seres. Parece muito esquisito, mas é a grande verdade, na proporção em que vão se refinando os conhecimentos intelectuais vamos tendo a impressão de que passa a haver menos respeito no homem para com as dádivas sagradas. Se a porta é estreita e o caminho é apertado não podemos desconsiderar a nossa condição de velhos reincidentes no abuso da lei. E cada um de nós vai observar que nos primeiros passos de edificação no bem ficamos suscetíveis de cair, pois não há, em tese, uma redenção de forma linear.

O que se dá é uma subida a uma escada, e com alguns tropeços, um crescimento estruturado como que em uma espiral.

E se por um lado a queda se dá pelo esquecimento, a ascensão se faz mediante a lembrança. Nada mais lógico, uma vez que é simplesmente impossível evoluir sem lembrar. Lembrar tem um sentido bastante aplicativo, equivale a pessoa reter consigo o que aprendeu em um sentido prático, de ação, diz respeito a assimilação para a implantação de um sistema novo de vida. Afinal, a propaganda nos ensina que o que não é visto não é lembrado, e aquilo que a gente não exercita a gente tende a esquecer. Logo, é preciso um trabalho de levantamento de nossas possibilidades, uma postura positiva no sentido de se aderir à capacidade operacional em nome dele. Lembrar para se reerguer.

A primeira caridade é “amar a Deus acima de todas as coisas”. Tudo bem, isso não é novidade, só que o amar a Deus é algo amplo demais, razão pela qual não dá para saber qual é a primeira caridade. Dá para saber? Não, não tem jeito, não é assim tão sistematizado. E tanto não é possível concluir qual é que o versículo nos sugere lembrar onde caímos (“Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor. Lembra-te, pois, de onde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras.” Apocalipse 2:4-5). É preciso lembrar onde caímos porque a primeira caridade vai se dar no âmbito da consciência de cada um.

A primeira caridade, nos movimentos iniciais de sensibilização para com o próximo, se encontra muito ligada ao impulso da própria consciência. São manifestações daquelas almas ansiosas que ainda se acham nas primeiras esperanças, em meio a disputas mais ásperas por arrebentarem o casulo das paixões inferiores na aspiração de subir. É um trabalho que se faz com um amor relativamente sumido e despercebido no contexto, uma ação no bem com um peso muito voltado ao nosso lado reeducacional, que apresenta uma ligação bem forte com a justiça. É aquela necessidade que sentimos no íntimo de fazer alguma coisa ao outro para resolvermos a nossa dificuldade, o nosso problema, motivo pelo qual fica difícil definir se agimos por justiça ou por amor.

E à medida que permanecemos na prática do amor, resolvendo ou desativando a dificuldade que está nos prendendo lá atrás, vamos notar que esses valores novos, positivos, vão ganhando corpo. Então, é o seguinte: no momento nós estamos trabalhando com os outros, na linha de cooperação, para resolver os nossos problemas. Tanto que nos primeiros lances o amor ainda apresenta um sentido muito forte de justiça. No futuro, com os nossos problemas resolvidos, passamos a atender o necessitado sem a marca e a lágrima do próprio débito anterior.

Na medida em que o débito interior vai sendo sanado (“o amor cobre a multidão de pecados”), nós respaldamos a justiça e abrimos o sol do amor, e vamos passando a atuar por amor. É bonito demais entender isto. Atestamos o amor pelo que fazemos e o amor surge nas linhas da espontaneidade. E este é o segredo do crescimento: as últimas obras passam a ser, naturalmente, maiores do que as primeiras. Claro, pois aquele que se encontra matriculado no plano do aprimoramento espiritual, da melhoria, do aperfeiçoamento, ele não pode estar conformado com si próprio, não pode estagnar, ele tem que sequenciar.

“E que as tuas últimas obras são mais do que as primeiras.” (Apocalipse 2:19) Ótimo, é uma beleza, é tudo que a gente quer. Crescimento, projeção. Só tem uma coisinha: na medida em que começamos a ver que as obras seguintes vão sendo maiores do que as anteriores, como é que a gente deixa a vaidade de lado?

Porque não dá outra. Imagine se alguém chegar perto de você, após ter recebido um atendimento seu, e falar: “Puxa, você me auxiliou e eu me senti tão bem”. E você diz: “Bem, o primeiro já apareceu. Vamos ver se aparece outro.” Não, sem essa, porque aí você já começa a empolgar-se e a se envolver totalmente num plano complexo e difícil. Não, você não precisa também sair com falsa humildade. É natural que você sinta dentro do coração um momento de alegria, de regozijo, por ter sido útil. Que bom, agradeçamos a Deus.

A vaidade se desativa é quando nós fazemos e sabemos nos calar. Quando operamos e silenciamos. E a primeira coisa que bate é o seguinte: sem o amparo e sem a sustentação o auxílio não seria possível. Normalmente, o indivíduo que é dotado de efetiva sabedoria ele cala. Abre a boca na hora certa, não dilui e nem torna inexpressiva a sabedoria dele. E vamos notar que nessa hora em que adquirimos esse sistema, que penetramos pelo calar no templo do silêncio, e as grandes filosofias orientalistas definem isso, e tem muita gente que não consegue captar, nós entramos no verdadeiro campo irradiador do amor.

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