4 de jul de 2012

Cap 25 - Porque Fazer Caridade - Parte 5


O MELHOR CAMPO

“PORTANTO, TUDO O QUE VÓS QUEREIS QUE OS HOMENS VOS FAÇAM, FAZEI-LHO TAMBÉM VÓS, PORQUE ESTA É A LEI E OS PROFETAS.” MATEUS 7:12   

“MAS, SOBRETUDO, TENDE ARDENTE AMOR UNS PARA COM OS OUTROS; PORQUE O AMOR COBRIRÁ A MULTIDÃO DE PECADOS.” I PEDRO 4:8

A gente está aqui estudando o evangelho, juntos, a conta gota, e o evangelho está sendo trabalhado para nos ensinar que acabou aquele período de cada qual viver para si. Definitivamente. 

Porque a lei de interdependência, ou de cooperação, funciona na extensão do universo. É tônica no universo, ponto de maior realce. Nós vivemos em função dos outros porque a interdependência mora na base de todos os fenômenos da vida, e não tem o que se discutir.

A vida é interação. Todos nós dependemos uns dos outros na desincumbência dos compromissos que nos competem, e não estamos mais em um processo de cada qual viver por si. Achamos-nos magneticamente associados uns aos outros, queiramos ou não, e é erro lamentável despender nossas forças sem proveito para ninguém, sob a medida de nosso egoísmo, vaidade ou limitação pessoal.

Com a ótica que temos acerca da divindade, ou melhor, de que o plano dinâmico da divindade, como sempre falamos, compete a nós, e não a Deus, pois Ele é o plano emissor, criativo, e nós as áreas operacionais da própria divindade, passamos a depreender que daqui para frente a nossa felicidade reside em fazer outros felizes. Não tem mais como encontrar a felicidade encasulando-se num processo egocêntrico. Não tem jeito. Hoje ninguém é feliz por si próprio e ninguém vive só. Necessitamos uns dos outros e não tem como encontrar a sustentação de felicidade naquela má regra egocentrista que trazemos.

Não há como querer encontrar a felicidade plena envolto nas amarras do egocentrismo, não tem como evoluir esquecido dos outros. Se de um lado estão aqueles que nos canalizam recursos de cima, de outro estão os que se encontram abaixo esperando a nossa cooperação. E o laboratório que vai nos dar acesso efetivo a um estado melhor vai depender dessa interação com os outros, com as coisas, com os fatos e situações, com o mundo em si. E se eu dissociar o meu interesse das pessoas à minha volta eu fico trabalhando em um plano de egocentrismo e o egocentrismo leva à morte, à perda da vida no sentido essencial.

Passamos a não viver bem, pois a felicidade não consegue se multiplicar quando o amor não sabe dividir. E este encaminhamento no plano de compreensão desse sistema de interação me leva a encontrar um estado de  equilíbrio. O mundo dá muitas voltas e muitos indivíduos se esquecem, hoje, de que amanhã serão, talvez, os necessitados e os réus, carentes de perdão e de socorro.

A gente não cresce sozinho. Isso tem que ser levado em conta. Deus nos espera nos outros. Se o evangelho é o código perfeito do amor, e o amor é apenas aquilo que exteriorizo, enquanto eu não colocar a linha de interação em minha vida o meu dar fica desativado, fica estiolado na base. E se a questão é doar, doar para quem? Para quem eu vou oferecer? Para quem eu vou dar? É nessa hora que observo que eu não posso viver sozinho no meu mundo, fechado, eu tenho que interagir com as pessoas e valores em volta. Ao falar em amor universal, não quer dizer que nós perdemos o direito de amar uns aos outros no campo pessoal e particular de eleição. De forma alguma. Mas esse amor no campo pessoal das relações afetivas diretas só vai encontrar uma ressonância satisfatória, no sentido de amplas sedimentações, na medida em que a individualidade se abre no interesse dos outros no campo geral.

De forma que quem quiser em si mesmo ser feliz tem que fazer algo pelos outros, abrir-se no interesse dos outros. É preciso abrir se quisermos ser feliz. Quem quiser estar bem consigo próprio tem que viver para o completo, para o grupo, para o geral no campo universalista, tem que colocar as suas possibilidades ao dispor de outros. Porque ninguém deve amealhar vantagens da experiência terrestre somente para si mesmo. Mas também não quer dizer temos que sair procurando os outros não, os outros chegam a nossa porta toda hora.

Cada qual está tentando adquirir condições de investimento para que a vida seja mais clara e feliz. O planeta tem as suas leis imutáveis e eternas, quer alguém acredite e as considere, ou não, e dentro dos planos do universo infinito o amor traça a linha reta da vida para todas as criaturas e representa a única força que anula as exigências da lei de talião. Somente o bem pode conferir o galardão da liberdade suprema e constitui a única chave suscetível de abrir as portas sagradas da eternidade à alma ansiosa. Eu não estou aqui para desanimar ninguém, mas sabemos que um percentual enorme de indivíduos que estão trabalhando como operadores no bem em todas as religiões, com testemunhos diversos e uma alta dose de amor em suas ações, estão trabalhando, em tese, debaixo de carmas. É fato. E não acredito que seja novidade para alguém aqui. Além do que, é mil vezes melhor alguém pagar débitos trabalhando que pagar débitos com sofrimentos. É melhor pagar construindo do que pagar com destruição. É muito melhor o saneamento dos erros passados com suor do que com lágrimas. A misericórdia divina é fantástica e ninguém precisa esperar reencarnações futuras envoltas em dores e lágrimas, em ligações expiatórias, para diligenciar a paz com os inimigos do pretérito.

Por quê? Porque o criador quer o trabalho do amor, e não o estigma do pagar. E conforme a contabilidade do amor, o bem que se faz sempre diminui o mal que já se fez. Em outras palavras, amor dinamizado sempre “cobre a multidão de pecados”.

Em todos os núcleos religiosos, sem exceção, fala-se em caridade e da necessidade de se praticá-la. Muitos entendem o sentido científico que ela apresenta para um bem viver. Aliás, é importante compreendermos isto. Sabermos o porquê de exercê-la, bem como o que ela pode nos propiciar de significativo em nossa vida. Como, também, há um número considerável de pessoas que alimenta a ideia de que é preciso equacionar tudo, resolver todas as dificuldades e obstáculos antes de se poder pensar no semelhante. Os argumentos são os mais variáveis: “Olha, eu queria ajudar outras pessoas. Queria mesmo, mas você sabe, eu estou sem tempo, cheio de problemas. Não tenho como fazer nada agora. Preciso resolver minhas coisas primeiro...” E por aí vai.

Assim, vamos fazendo das nossas dificuldades um casulo. Um circuito fechado. Só que esquecemos que se na extinção dos nossos problemas pequeninos solicitamos o máximo de proteção ao Senhor, é natural que o Senhor nos peça o mínimo de concurso na supressão dos grandes infortúnios que abatem o próximo.

O processo ascensional não se encontra no fechar, mas no abrir. Definitivamente não temos como resolver problemas íntimos dentro de um sistema fechado em nós mesmos, em uma luta fechada conosco em um quarto fechado.

Se buscamos o Pai, precisamos de nossa parte ajudar nossos irmãos. Porque o próximo é a nossa ponte de ligação com Deus, ao qual não se chega sem obras realizadas junto aos seus filhos. Não se recebe sem dar. Na parábola do semeador, por exemplo, o semeador não agiu através do contrato com terceiras pessoas, ele mesmo saiu a semear. Como servidores do evangelho somos compelidos a sair de nós próprios a fim de beneficiarmos corações alheios, aqueles que transitam no mundo em meio a dificuldades maiores do que as nossas.

É assim que as coisas funcionam. O trabalho realizado no bem é o melhor campo para ser resolver problemas. Todo esforço no bem, por mínimo que seja, redunda invariavelmente a favor de quem o realiza e toda ação pela felicidade geral é concurso na obra divina. Muitas vezes temos que trabalhar com a aflição de muitos para resolvermos a nossa. Lidando com os que sofrem os nossos problemas começam a desaparecer. Atendendo ao necessitado talvez consigamos administrar pontos necessários em nosso íntimo. Isto não é filosofia, é ciência.

O bem constante por nós realizado gera o bem constante, e mantida a nossa movimentação infatigável no bem todo o mal por nós amontoado se atenua, gradativamente, desaparecendo ao impacto das vibrações de auxílio nascidas a nosso favor em todos aqueles aos quais dirigimos mensagem de entendimento e amor, sem a necessidade expressa de recorrermos ao concurso da enfermidade para eliminar os resquícios de treva a que eventualmente se nos incorporem ainda no fundo mental. Começamos a regeneração trabalhando com aqueles a que estamos vinculados, para depois trabalharmos com o desconhecido.

Quando conseguimos superar as nossas aflições para criarmos a alegria dos outros a felicidade alheia nos busca onde estivermos para improvisar nossa ventura.

Por devotamente ao próximo atraímos simpatias valiosas com intervenções providenciais a nosso favor. E a partir do momento em que passarmos a dar, efetivamente, daqui a pouco nós seremos perfeitamente atendidos dentro de um suprimento da misericórdia, que preceitua “a cada um segundo as suas obras”.

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