8 de jul de 2012

Cap 25 - Porque Fazer Caridade - Parte 6


BENEFÍCIO PRÓPRIO E CONHECIMENTO

Os espíritos de luz comumente nos recomendam a prática da caridade. Até podemos dizer que o fazem com certa insistência, e não é à toa. A bem da verdade, assim eles estão nos orientando no sentido de nossa própria evolução.

Para início de conversa, a caridade é um exercício espiritual e quem pratica o bem coloca em movimento as forças da alma. E outro ponto da maior importância, e que vamos pedir muita atenção na leitura agora, é que auxiliamos os outros a benefício de nós mesmos. Isto é, no exercício da caridade eu estou para resolver o meu problema. Na essência do amor cada qual dá a si próprio, não dá ao outro. Porque nas leis da cooperação nós não podemos esquecer que cada criatura transporta consigo questões essenciais e necessidades intransferíveis, e não vai ser o meu auxílio, o seu, ou de quem quer que seja que vai resolver o campo cármico de alguém. Percebeu? Não tem nenhum de nós que seja capaz de mudar as linhas cármicas de outrem. No plano da estrutura evolucional dos seres cada qual tem que passar a sua dificuldade.

Vamos tentar dar uma ilustração disso agora. Veja bem, o que nos chega vem como justiça, é instrumento de toque, de indução, componente de despertamento. O que sai é amor. Está acompanhando? O que chega é informação (não modifica nenhuma estrutura interna, prepara), o que sai, o que aplico é que produz formação. Tanto que o simples conhecimento intelectivo não altera em nada o meu ser, apenas prepara para a mudança. No exercício da caridade imagine o seguinte: A → auxiliando → B. Conseguiu observar? B, o auxiliado, recebe, ao passo que A, o auxiliador oferece. Isso mostra o que falamos agora, que a caridade que B pratica é em benefício de si próprio. 

Resultado: o processo de cooperação não consiste em resolver a dificuldade da outra pessoa, tirá-la da dificuldade, porque a dificuldade é instrumento para o crescimento. O serviço do próprio resgate é pessoal e intransferível. Toda caridade tem o objetivo de auxiliar o recebedor, o auxiliado, no despertamento da necessidade de seu reajustamento íntimo e intransferível, porque na vida a lei preceitua que cada um semeia e colhe na medida do que lançou.

“Ah, deixa-me ver se entendi. Você está dizendo que quem sofre, sofre porque precisa, logo, eu não preciso ajudar? Não preciso e não devo fazer nada?!” Não, não é isso, de forma alguma, vamos clarear. Cada pessoa tem os seus compromissos na vida e as nossas obrigações são sagradas. Ok? Mas também não podemos nos esquecer do minuto de apreço aos outros. Não podemos ignorar fazer alguma coisa na extensão da felicidade comum a nosso próprio benefício.

A gente não pode, em razão da clareza que o nosso raciocínio já apresenta, marginalizar alguém ao sofrimento e à dor por causa da nossa indiferença, da nossa lógica, neutralidade ou frieza do sentimento. Não posso deixar a minha vida para viver uma vida exclusiva em função do semelhante. Isso não devo fazer, porque senão eu me alieno. A vida não reclama o meu sacrifício integral em favor dos outros, mas por outro lado tenho que pensar nas necessidades do outro.

Não fique desapontado comigo, mas Jesus não resolve o problema de ninguém. Ele mesmo disse: “Vinde a mim, os que estão cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei”. Mas nós, não, não queremos só isso. Em várias ocasiões queremos até mesmo ser mais do que Jesus, queremos resolver. E entramos de cabeça nas dificuldades dos outros como se nós pudéssemos saná-las. Ora, o processo não é resolver a dificuldade da pessoa, tirá-la da dificuldade, pois já vimos anteriormente (A Conversão) que a dificuldade é instrumento para crescer.

É certo que devamos trabalhar tanto quanto esteja ao nosso alcance pelo bem do próximo, todavia não podemos exonerar os nossos semelhantes das obrigações contraídas. Precisamos avaliar, com carinho, as nossas ações, até onde acreditamos estar auxiliando e até onde estamos sento coniventes com os erros e disparates do outro. Pois nossa ação não pode impedir a caminhada de ninguém.

Se o assunto é cooperação, que auxiliemos dando o melhor que pudermos, tenhamos o discernimento de fazer ao outro o que gostaríamos que nos fizessem.

Mas observe, uma coisa é ajudar alguém a levantar a sua cruz, e até mesmo dar alguns passos com ela, e outra coisa bem diferente é querer carregar a cruz do outro. É diferente o que representa cooperar com o outro e o que seja avocar o problema do outro. Sem contar que se eu avoco totalmente a dificuldade do outro eu estou impedindo a caminhada dele. Se ficamos apenas nos problemas alheios podemos vir a nos alienar. A conclusão é simples: é de bom senso, questão lógica, que nós não venhamos a assinar promissórias de quem quer que seja nesse sentido, ou seja, não avocar o débito alheiro, não avocar a dificuldade de cada qual. Precisamos servir, sim, mas sem nos prendermos. Do contrário, quase sempre que o fazemos costumamos enveredar por áreas que geram ressonâncias que costumam nos levar a várias preocupações.

Nosso grau de aflição é muito grande. Ainda faz parte de nossa índole querer tudo de imediato. Até mesmo na linha de cooperação e de ajuda nós queremos realizar a toque de caixa, de forma que mesmo estando-nos na melhor das intenções muitas vezes a aflição de implementar o amor nos faz sofrer. 

Vamos ter calma. Pode não parecer, mas tudo está debaixo da abrangência da visão cósmica ou da visão superior em Deus. Vamos fazer o que pudermos, com carinho e sem precipitação, porque a precipitação tem levado muito gente às lágrimas. Ignoramos que no plano natural da vida, às vezes, a solução nossa de um problema alheio pode significar colocar em risco a nossa estabilidade, pois passamos a dificultar a manifestação da lei. À medida que progredimos a nossa mente vai alcançando novos parâmetros, ficando mais elástica e ampliada.

É por esta razão que para ter misericórdia nós temos que conhecer. Ela não pode ser por simples processo de manifestação de sentimento periférico. Precisamos operar sem permitir que os acontecimentos de fora, do mundo exterior, venham nos precipitar em aspectos negativos da emotividade. Não se ajuda o criador apenas por um curso ou impulso de sentimentalismo nosso. Tanto o sentimento doentio como a frieza correta não edificam o bem. Investimos no evangelho para nos habilitarmos a ser servos fieis, e o servo fiel não é aquele que chora ao contemplar as desventuras alheias, nem as observa de modo impassível a pretexto de não interferir no labor da justiça. O bom trabalhador é o que ajuda sem fugir ao equilíbrio necessário, construindo todo o trabalho benéfico que esteja ao seu alcance consciente de que seu esforço traduz a vontade divina.

É por isso que temos que conhecer. O verdadeiro cooperador tem uma capacidade profunda de análise e a projeção daquele que conhece vem do tempo e do espaço. Nós temos que aprender observar a marcha dos acontecimentos.

Nos terrenos da cooperação e do auxílio quanto mais valores nós tenhamos em nossas mãos, quanto mais conhecimento, mais temos que ponderar quanto à nossa ação em favor do semelhante para que nós, na melhor das intenções, no exercício da caridade, não venhamos a torpedear o encaminhamento natural da evolução de alguém.

Agir em nome do criador, como um instrumento útil dele, exige uma capacidade de abrangência de passado, de futuro e de conhecimento das leis divinas. Porque, às vezes, a resolução do problema, sob a nossa ótica, significa a quebra da oportunidade ao filho do criador, sob a ótica divina. Assim, nós precisamos entender de forma adequada que o que manda agora não é o fato de fazer ou não fazer, mas a tranquilidade e a serenidade de agir de maneira correta.

Um comentário:

  1. Olá gostaria de apresentar a todos o site www.vouajudar.net.

    Um site sem fins lucrativos onde Instituições de caridade encontram doadores.

    Se você é uam instituição e precisa de ajuda ou alguém querendo ajudar, acesse o site www.VouAjudar.net e veja como.

    Obrigado,
    Juliano Ribeiro

    ResponderExcluir

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...