12 de jul de 2012

Cap 25 - Porque Fazer Caridade - Parte 7


JUSTIÇA E AMOR

“PORQUE VOS DIGO QUE, SE A VOSSA JUSTIÇA NÃO EXCEDER A DOS ESCRIBAS E FARISEUS, DE MODO NENHUM ENTRAREIS NO REINO DOS CÉUS.” MATEUS 5:20  

“UM NOVO MANDAMENTO VOS DOU: QUE VOS AMEIS UNS AOS OUTROS; COMO EU VOS AMEI A VÓS, QUE TAMBÉM VÓS UNS AOS OUTROS VOS AMEIS.” JOÃO 13:34

Nós podemos encontrar duas pessoas passando por um mesmo tipo de problema, sendo que uma delas pode estar vivenciando ao nível do amor, ao passo que a outra pode se manter, ainda, no plano de justiça. Uma pessoa pode ter sob sua responsabilidade, hoje, alguém próximo que está enfermo, e que por sua vez ela machucou na reencarnação passada. Não pode?

Isso não é comum de acontecer? O próprio Jesus nos disse que “os inimigos dos homens serão os seus familiares”. Uma pessoa conversa com esse alguém e ele fala assim, melancólico: “É, vamos ver até onde eu vou aguentar”. E costuma essa criatura reclamar com o vizinho, com o amigo, com o irmão, com o tio: “A barra está pesada, está muito difícil de levar, não sei se eu vou ter forças, mas fazer o que, eu tenho que aguentar, eu sou o pai, eu tenho que aguentar.”

Não tem gente assim? Está pagando debaixo da justiça, da coação, pagando por um processo de justiça. Vai levando de forma arrastada: “Ah, meu Deus, o que foi que eu fiz com essa criatura no passado? Não estou aguentando, mas vou pagar.” A gente nota que existe reação da parte dela, apesar de ser mãe, ou pai.

É por isso que não é fácil avaliar até onde o amor de alguém por outrem é um amor legítimo ou tem o sentido de respaldo com o passado. Não estamos aqui para medir a resistência ou o grau de afetividade, apenas citando exemplos didáticos. Por outro lado, nós podemos ter um caso análogo, em que a criatura fala assim: “Está difícil para o meu lado, não está fácil, mas a gente vai levando. Deus é bom”. E sorri. É bonito e gostoso encontrar gente assim, que demonstra evolução e sabedoria. Nós olhamos uma mãe, por exemplo, vivendo um sacrifício tremendo, sem dormir direito durante dias por causa de problema de saúde do filho. “A senhora está passando um momento muito difícil”. “Ah, mas eu vou indo, Deus não me falta com as forças. Este é um filho querido, enquanto precisar sacrificar eu estou aí”. O que é que eu estou querendo dizer? Que debaixo de mesma situação há diferença grande entre justiça e amor.

O evangelho sistematicamente revela para nós a alegria de entendermos a grandeza da vida e sentirmos o quanto temos que aprender. O quanto precisamos operar na seara do bem e o quanto nós temos que aprender a amar. Isso mesmo. Precisamos aprender a amar. Porque não amamos de verdade.

O nosso amor ainda não é aquele amor legítimo, mas um amor ligado ao ser amado, pois encontramos resistência ao amor incondicional. Nosso amor tem cheiro de ser amado e até mercantilizamos o amor. Não estou dando uma de pessimista, mas isso é a pura verdade. Estou é chamando a atenção para uma análise. Nós nos mantemos até os dias de hoje em um grau elevado de mercantilismo.

Por exemplo, vemos no cair da tarde a Cláudia cuidando com todo o carinho do seu João, uma pessoa simples. É algo bonito de ser ver. Amor legítimo? Bem, é que atrás desse cuidado existem interesses outros por parte da Cláudia. Seu João, que ela está cuidando, é quem sobe para tirar as goteiras do telhado  dela quando começa o período de chuva, é ele quem quebra a parede e conserta o vazamento da sua torneira. Percebeu o sentido? O que eu estou falando faz parte da nossa vida ou é fantasia da minha cabeça? Por enquanto faz parte. “Está vendo aquele rapaz ali? Puxa, eu adoro ele. Porque tudo o que eu preciso ele resolve para mim. Tudo. É uma beleza. Você tem que ver. Capina meu quintal, dá banho no cachorrinho, me ajuda a carregar as compras de supermercado.” E por aí, vai. Então, dentro das relações pessoais não é fácil avaliar até onde vigora essa linha que apresenta uma expressão viva de interesse.

“Se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus.” (Mateus 5:20) Realmente é muito difícil operar para além da justiça. Podemos até dizer mais, passar de justiça para amor é uma das maiores dificuldades da nossa vida. O que ocorre é que escribas e fariseus operam com uma justiça lógica, ferrenha. São aqueles elementos que operam dentro de uma absoluta coordenação, com os dispositivos restritos da lei.

Então, note que dentro da justiça dos escribas e fariseus você vibrou com alguma coisa? Não, não vibrou com nada, apenas cumpriu a lei. Cumpriu o que? Justiça de escribas e fariseus. Assim, podemos nos deparar com dez pessoas operando da mesma forma e nessas dez podemos ter oito que operam a justiça e, quem sabe, duas que conseguem operar com amor. Essas duas vibram com o que fazem. Elas vibram, efetivamente, e podem estar se abastecendo, enquanto os outros podem, também, permanecerem famintos, defasados. Este é um desafio para todos nós. Por isso, não podemos nos comparar com quem ama realmente. Quem ama se abastece e vive vibrando. E vive feliz.

“Um novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros, com eu vos amei.” Isso Jesus disse aos discípulos dias antes do seu sacrifício. E trazia uma novidade, o modo de amar. O mestre não só prescreveu o amor, como também a maneira de amar: “amai-vos como eu vos amei”. O amor é aquilo que excede para além da justiça. Aparece quando o dever e a obrigação cessam.

O que vai para além do que é exigido é amor. Quando Maria diz “eis aqui a escrava do Senhor, faça em mim segundo a tua palavra” quis definir que para ela mesma não queria nada, que ela estava para servir, incondicionalmente. E vamos depreendendo que para a gente chegar a esse ponto a gente vai ter que estudar o evangelho mais algumas vezes. No entanto, não precisamos ficar tristes, se conseguimos discernir o bem do mal já é sinal que já conhecemos o mal e o bem, e se o Senhor nos permite identificar as necessidades alheias é porque de um modo ou de outro já podemos auxiliar. Esse processo tem sido desafiador para nós, mas a gente com certeza vai chegar lá.

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