15 de jul de 2012

Cap 25 - Porque Fazer Caridade - Parte 8


A PROVIDÊNCIA DIVINA

“TODA A BOA DÁDIVA E TODO O DOM PERFEITO VEM DO ALTO, DESCENDO DO PAI DAS LUZES, EM QUEM NÃO HÁ MUDANÇA NEM SOMBRA DE VARIAÇÃO.” TIAGO 1:17

“ASSIM RESPLANDEÇA A VOSSA LUZ DIANTE DOS HOMENS, PARA QUE VEJAM AS VOSSAS BOAS OBRAS E GLORIFIQUEM A VOSSO PAI, QUE ESTÁ NOS CÉUS.” MATEUS 5:16

“POSSO TODAS AS COISAS EM CRISTO QUE ME FORTALECE.” FILIPENSES 4:13

“CONHEÇO AS TUAS OBRAS; EIS QUE DIANTE DE TI PUS UMA PORTA ABERTA, E NINGUÉM A PODE FECHAR; TENDO POUCA FORÇA, GUARDASTE A MINHA PALAVRA, E NÃO NEGASTE O MEU NOME.” APOCALIPSE 3:8

Imagine uma pessoa chegando perto de outra e dizendo assim: “Nossa, você me deu um passe magnético outro dia, ou fez uma oração para mim. Não sei se você se lembra, mas foi tão bom, não faz ideia do quanto me ajudou.” Não é problema nenhum ele falar isto, nem tão pouco o ouvinte sorrir diante do comentário sincero. O problema pode estar diante da aferição que o ouvinte faz dos seus próprios padrões. Se ele disser “Ah, é isso mesmo, eu realmente sou uma criatura muito evoluída espiritualmente, aliás, estou cada vez melhor, eu estou ótimo”, ele pode, talvez, estar caminhando para um setor complicado. Mas se ele disser “puxa vida, isso é um sinal de que eu estou sendo amparado” provavelmente seja uma colocação mais acertada para a situação.

O que isto tem a ver com a parte do nosso estudo é que adotando a última postura o indivíduo passa a glória a quem a merece por direito. Sabe por quê? O próprio evangelho define: “resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso pai, que está nos céus”. (Mateus 5:16)

A luz tem que resplandecer, mas temos que agir de maneira tal que não venhamos a ser o centro essencial do júbilo. O que pode parecer meio difícil e complicado, em razão do nosso egoísmo e da nossa vaidade, porém, fazendo-o demonstramos a relação com a grande fonte do universo que é Deus, fonte do amor.

E sentimos que quando nos aproximamos dos planos superiores da vida, no campo da irradiação, tudo fica muito mais simples. É natural que quando fazemos alguma coisa positiva sintamos a alegria no que fazemos, todavia, não precisamos ficar com a preocupação de ficarmos nos vangloriando o tempo todo.

O apequenar-se é de uma grandeza espetacular, significa saber evidenciar a fonte legítima. Por ele a gente começa a entrar em ressonância com as fontes em que a luz brilha, aprende a se relacionar com a luz e passa a operar e vibrar com carinho. Agora, quando a gente começa a trabalhar, e ainda fica preocupado com a extensão da ressonância do que fazemos, já não passa a falar a voz serena do criador, mas os nossos padrões puramente humanos, puramente inferiores e egoísticos da nossa personalidade, uma espécie de autoexaltação.

“Conheço as tuas obras; eis que diante de ti pus uma porta aberta, e ninguém a pode fechar; tendo pouca forca, guardaste a minha palavra, e não negaste o meu nome”. (Apocalipse 3:8) Pouca força, vamos pensar. Mostra para nós que na proporção em que a gente avança em força, a nossa força se perde para a força maior do criador. Se a barra está pesada, a luta está difícil, quando nós temos pouca força quem resolve são eles, os espíritos superiores. Veja, por exemplo, alguém poderia dizer ao Chico Xavier: “Nossa, Chico, você é uma pessoa formidável, tem uma mediunidade e um poder fantástico.” E o Chico, por sua vez, poderia responder que muito de seu trabalho se faz em razão da assistência do Emmanuel. E o Emmanuel, também, poderia falar que seus recursos vinham mais de cima. E por aí adiante. Isto é, no fundo, dentro dessa escala vai-se chegar no criador, no Pai celestial, onde residem todos os recursos.

Ora, essa pouca força não significa que nós vamos vir a nos enfraquecer. A bem da verdade, nossa força diminui porque passamos a operar com outras forças. Se formos analisar a fundo, de nós mesmos nada podemos, mas tudo podemos naquele que nos fortalece. Pode até parecer meio contraditório, mas essa pouca força indica que apesar dela diminuir a criatura cresce em poder. Em vez de pouca força, podemos até mesmo compreender como sendo pouca resistência.

Ao ajudar alguém em desequilíbrio, um necessitado dessa ordem, se você começar a usar apenas a força, daqui a pouco você vai estar cercado de forças iguais contrárias, porque é da lei. A cada força usada na ação implica em outra correspondente ao nível da reação. Sendo assim, quanto ao que fazer o bom senso indica: projete-se no plano elaborador e geratriz da força, no entanto, não trabalhe com ela. É preferível o trabalho realizado com a força que é universal, aquela que tem a sua fundamentação básica e segura no amor. Porque esta não machuca, não constrange, não coage. Este é o sentido da pouca força. “Tendo pouca força guardaste a minha palavra e não negaste o meu nome”. Guardar a palavra e não negar o nome sugere a permanência na aplicabilidade do conhecimento dentro do padrão de coerência com o que se recebe.

É extremamente importante o que vamos dizer agora. É para ser lido, metabolizado e bem compreendido. Jesus é o amor em sua grandeza. Alguém tem dúvida? Creio que não. Ninguém nos amou e nos ama mais do que ele. E Cristo representa a expressão material desse amor. Por isso o espírito crístico é unigênito, a unidade crística é uníssona em todos os seres (havendo dificuldade para entender, releia o capítulo A Porta Estreita, na parte específica).

Pois bem, onde queremos chegar? Que a necessidade de atendimento de uma criatura não vai estar condicionada àquele elemento específico que tem que ajudá-la. Por quê? Porque quem vai ser ajudado não vai ser ajudado pelo Antônio, por exemplo, vai ser ajudado pelo cristo. Suponhamos que o Antônio na reencarnação passada seja o elemento que trabalhou a confusão desse companheiro, logo, ele é hoje o número um da fila para atender esse paciente, o que é comum de acontecer. As famílias e os vínculos afetivos diversos exemplificam isso a todo instante. Então, ele é o numero um para atender. 

Mas se ocorre dele não atender vem o número dois. Se o número dois não atende vem o número três, vem o número quatro, e por aí adiante, até que vem um e atende. Pois nunca uma criatura que deve ser atendida, que está na pauta divina para atendimento vai deixar de ser. Isso se chama providência divina.

Logo, vamos praticar a caridade com a expressão crística íntima nossa, que é capaz de fazer cair o nosso interesse pessoal. Percebeu? Começa a cair o interesse pessoal quando, em vez de dinamizar o interesse do Antônio, dinamiza o interesse crístico através do instrumento Antônio. Porque no fundo cada um de nós tem esta essência crística no coração. Agora, se aquele cristo íntimo do Antônio não opera, talvez opere o cristo de um Carlos, de uma Fátima, de um Guilherme, ou de outro. Isso é lindo demais. No fundo, toda a nossa atividade, quando devidamente filtrada no amor e no bem, representa a extensão da bondade e da misericórdia do criador em favor de quem precisa, e nós é que somos acionados.

Mas se não quisermos, se estivermos cansados, indiferentes e não sensibilizados, outros irão. Logo, usar expressão crística na operacionalização do amor nos conforta, e feliz daquele que usa o cristo íntimo no atendimento, feliz daquele que se vale da oportunidade. Pois o esforço máximo e desinteressado no bem dos outros, segundo nos parece, é sempre o maior apoio nosso a nós mesmos.

A conclusão é evidente: o trabalho em nome do bem, que se a gente puder fazer e tiver êxito nessa realização, não é um trabalho para a evidência de A, de B, de C, de Antônio, de Priscila, de Cláudia, de Marco. Não importa quem seja o intermediário, é um trabalho do cristo. Ele é que tem que ser evidenciado para que haja melhor harmonia, maior entrosamento e equilíbrio entre os seres.

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