30 de jul de 2012

Cap 26 - Livre-Arbítrio - Parte 1


LIVRE-ARBÍTRIO

“16E ORDENOU O SENHOR DEUS AO HOMEM, DIZENDO: DE TODA A ÀRVORE DO JARDIM COMERÁS LIVREMENTE, 17MAS DA ÀRVORE DO CONHECIMENTO DO BEM E DO MAL, DELA NÃO COMERÁS; PORQUE NO DIA EM QUE DELA COMERES, CERTAMENTE MORRERÁS.” GÊNESES 1:16-17

“TODAS AS COISAS ME SÃO LÍCITAS, MAS NEM TODAS AS COISAS CONVÉM. TODAS AS COISAS ME SÃO LÍCITAS, MAS EU NÃO ME DEIXAREI DOMINAR POR NENHUMA.” I COR 6:12

“TODAS AS COISAS ME SÃO LÍCITAS, MAS NEM TODAS AS COISAS CONVÊM; TODAS AS COISAS ME SÃO LÍCITAS, MAS NEM TODAS AS COISAS EDIFICAM.” I COR 10:23

A palavra arbítrio refere-se àquela resolução que depende unicamente da vontade. Nada mais. Sendo assim, livre-arbítrio é a liberdade de manifestação das ações humanas, diz respeito ao poder que cada individualidade tem de decidir e agir por si mesmo, de ser independente. Daí, vamos notar que Deus confia à consciência a escolha do caminho que devamos seguir, bem como a liberdade de ceder a uma ou outra das influências contrárias que se exercem sobre nós.

Assim funciona o mecanismo a nosso próprio benefício. Sem a existência do mal nós ficaríamos privados do direito de escolha, além do que, a criatura só vai provar se aprendeu realmente sofrendo o assédio. Trata-se de concessão ímpar. Alcançando a razão, por atestado de madureza própria, o espírito é chamado ao livre-arbítrio, como um filho que atingiu a maioridade na criação divina.

E chegado a essa fase ilumina-se pela chama interior do discernimento para a aquisição das experiências que lhe cabe realizar, de modo a erguer os seus próprios méritos, podendo escolher o caminho reto ou sinuoso, claro ou escuro em que mais se apraza. Os espíritos foram criados por Deus simples e ignorantes, com tanta aptidão para o bem quanto para o mal, e eles não precisam passar pela experiência do mal para chegarem ao bem. Passam, sim, pela ignorância, e livre-arbítrio representa o fator de escolha do caminho a seguir.

“Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convém. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma” (I Coríntios 6:12). Interessante isto. Tudo me é lícito indica que tudo pode ser feito, que não existe restrição no plano educacional do ser. Somos livres na escolha do caminho e o uso dessa faculdade decorre das aspirações elevadas ou egoístas que norteiam a individualidade. A restrição é de forma velada e está embutida no “mas”. Veja bem, como não há violência no império do amor, como não há violência de cima para baixo, todo homem tem o direito de utilizar-se do seu livre-arbítrio da forma que quiser. E é aí que está a chave da questão, o problema não é a licitude, o que podemos ou não fazer, pois podemos tudo.

O problema está na conveniência, saber avaliar e decidir, pois o que é conveniente para alguns pode não ser para nós. Por preferir certa realização, cada um investe em correspondente recurso e o livre-arbítrio realmente é uma faculdade que expressa o estado evolutivo do ser. Só não podemos esquecer que se trata de concessão divina de caráter relativo, não absoluto, e que não pode ser facultado sem a responsabilidade por aquele que o utiliza. Que na esteira do destino todos escolhem e plantam. E todos colhem. E que das respectivas ações resultam os frutos amargos ou apetecíveis do que foi lançado. 

Se todo ser humano tem o direito de opção e de escolha, pode utilizar essa liberdade da forma que achar conveniente, até mesmo para se comprometer. Trata-se de livre-arbítrio, que tem caráter relativo, porque cada qual, conforme as suas ações terá o ensejo oportuno de reparar, recomeçar e libertar-se. E o livre-arbítrio é prerrogativa relativa porque acima dele vigora o determinismo, que preceitua que todos nós estamos determinados a evoluir, determinismo que, por sua vez, se fundamenta no componente absoluto do amor. Determinismo este que também não é absoluto, diante dos recursos da liberdade de escolha que está sempre alterando o destino e os rumos da nossa vida.

Caminhamos o tempo todo elaborando sonhos e projetos. Só precisamos de critério na formação dos planos de ação, porque acreditemos ou não, aceitemos a verdade ou a recusemos, seja errando para aprender ou acertando para nos elevar, não vamos necessariamente até onde definimos como objetivo, mas a nossa tarefa chegará simplesmente até o ponto em que o Senhor permitir. Nenhum passo a mais. “Se o Senhor quiser, e se vivermos, faremos isto ou aquilo.” (Tiago 4:15) Além do que, se a criatura humana dispõe do livre-arbítrio para criar o destino, é fato que cada individualidade, nesse ou naquele plano de existência, atua num campo determinado de tempo.

Nada é para sempre. A vida é dinâmica. Tiranos e santos, malfeitores e heróis, atingem sempre um limite da estrada em que o mundo maior lhes impõe uma pausa para exame. E quando chega a esse ponto não tem jeito. Todas as grandes figuras de ontem e todas as grandes personalidades do hoje na terra conheceram e sempre conhecerão o momento em que a vida lhes adverte: “não mais além.” E a oração que aprendemos diz “pai nosso, seja feita a tua vontade”. Tem disso, a gente aprende que não há limite no uso do livre-arbítrio, então, vai. Só que às vezes nós somos torpedeados em nossos ideais porque a espiritualidade entende que nós vamos nos complicar, vamos criar desajuste em torno dos nossos pés, e ela nos cerca em determinadas ocasiões, de modo a impedir que determinados fatos negativos venham a nos acontecer.

Cada qual tem o seu livre-arbítrio e individualidade nenhuma pode interferir negativamente no processo evolucional de qualquer criatura. É algo tão importante que eu vou até repetir: embora nem sempre pareça, não se pode interferir negativamente na dinâmica evolucional de quem quer que seja. A liberdade de alguém termina onde começa outra, e cada um responderá por si, um dia, diante da verdade divina. Preste bastante atenção: arbitrário é o que independe de lei ou regra e resulta apenas do arbítrio ou mesmo do capricho pessoal, e o livre-arbítrio é livre até o momento em que ele passa para a arbitrariedade.

Acompanhou? Em um planeta ainda de provas e expiações, onde não existem vítimas, a arbitrariedade somente é aceita pelo plano superior enquanto os ultrajados encontram-se sob o jugo da lei, enquanto ainda estão pagando aqueles que têm dívidas com o destino. Não se pode afligir quem não deve. O livre-arbítrio é respeitado, no entanto, não é permitida a arbitrariedade dentro de uma área em que não compete às vítimas ou pacientes receberem a arbitrariedade.

Lembra-se de Saulo e as primeiras perseguições aos cristãos? Pois, então, alguns ele afligiu, mas quando ele foi atrás de Ananias a história mudou. Afinal, foi mexer com quem não devia à lei. De fato, cada individualidade responde pelos seus atos e o detentor de certa autoridade que exige mais do que lhe compete transforma-se em déspota que o Senhor corrigirá através das circunstâncias que lhe expressam os desígnios, no momento certo. Certeza que deve funcionar como fator de tranquilidade para que o servo do evangelho, em hipótese alguma, quebre o ritmo da harmonia e mantenha a  consciência em paz.

Um comentário:

  1. Parabéns Marco Antônio Plus!!!
    Estou aprendendo muito com estes estudos.
    Abraços!!

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