28 de ago de 2012

Cap 26 - Livre-Arbítrio - Parte 8 (Final)


HAJA PACIÊNCIA

“PORTANTO, MEUS AMADOS IRMÃOS, SEDE FIRMES E CONSTANTES, SEMPRE ABUNDANTES NA OBRA DO SENHOR, SABENDO QUE O VOSSO TRABALHO NÃO É VÃO NO SENHOR.” I CORÍNTIOS 15:58

Não tem como alguém eleger uma padronização a nível mental de modo adequado e seguro se não houver uma disposição clara e nítida de investir naquilo que busca. De investir em um ponto capaz de criar registro interior dentro da intimidade ao nível de reflexo.

Razão pela qual ler e estudar, abrindo o campo de informações, é muito importante. Só que vai ser muito valioso para nosso progresso quando conseguirmos perseverar naquele componente que podemos definir como sendo a paciência. 

Exatamente. Paciência. Sistema vigorante que todo mecanismo de sustentação e elevação precisa ter. Não dá para menosprezá-la, para evoluir a paciência tem que ser chamada. E ela consiste em persistir, fixar o objetivo e buscar, pois tivemos a oportunidade de ver que é com o decorrer do tempo que nós fixamos os novos padrões. Resultado: paciência é uma ciência de manter a paz, elemento fundamental da libertação, virtude que afere a conquista legítima.

Se a paciência é saber esperar, a esperança, por sua vez, não é inação. E sabe o que isso representa a nível prático? Que não vale a esperança com inércia. Que a pretexto de garantirmos a própria serenidade não devemos nos demorar na inércia.

Sejam quais forem as nossas dificuldades e objetivos esperemos fazendo em favor dos outros o melhor que pudermos. Entre o objetivo e a meta faz-se imperativo o esforço constante e inadiável. Paciência não é parar, não significa esperar parado.

Ela é dinâmica porque a dinâmica está em todos os lugares. Não tem caráter acomodatício, é sinônimo de intensificação e continuidade. É perseverar, ter calma e investir naquilo que elegemos como prioridade. Esperar é persistir sem cansaço e alcançar expressa triunfar definitivamente. Olhe ao seu redor. O tijolo é essencial na construção, mas as nossas mãos devem buscá-lo. A natureza ensina que a fonte, ajudando onde passa, espera pelo rio e atinge o oceano; a árvore, prestando incessante auxílio, espera pela flor e ganha a bênção dos frutos; a enxada que espera, imóvel, adquire a ferrugem que a desgasta, e o poço que espera, guardando águas paradas, converte-se em vaso de podridão.

Você, por acaso, já passou por aquela situação em que durante toda a semana aguardou um evento importantíssimo no final de semana, do qual nutria elevadíssimo percentual de interesse, mas que passou os dias próximos que o antecedia de forma relativamente ociosa? Só esperando, desejando, sem interesse em fazer outra coisa a não ser esperar? Se já passou deve saber o que estou dizendo. A melhor maneira de esperar é fazer. Esperar fazendo, esperar operando, porque aquele que não espera operando quase sempre se decepciona.

A misericórdia divina nos deu a paciência. Tem muitas pessoas que não a usam e acabam perdendo-a. Os dias e semanas passam céleres aos nossos olhos e no fundo já estamos envolvidos em um sistema chamado impaciência e irritação.

E frustramo-nos quando caímos na impaciência. É algo para avaliar. Se eu não exercitar a paciência nas mínimas situações eu não vou ter paciência na conversa com o meu semelhante no serviço. E a perda energética que ocasionalmente sentimos nem é tanto resultante do acúmulo de problemas, e sim devido à ansiedade. Essa deficiência nasce geralmente da aflição doentia com que aguardamos ansiosamente os resultados de nossas ações, sequiosos de destaque pessoal no imediatismo da Terra. Queremos uma resposta imediata do mundo aos nossos anseios e esquecemos que no bem e no mal tudo vem a seu tempo: primeiro, a semente e depois os frutos. De que adianta afligir-se?

Embora nos atormentemos pela escuridão da madrugada a alvorada não brilha antes da hora prevista. Interessados no fruto de certa árvore, não o colheremos antes do justo momento. Acerto e erro são um processo da própria vida.

Errar e retificar. É preciso ter paciência com a gente, saber pedir desculpas a si mesmo no campo da consciência ou àqueles que porventura magoamos e que se sintam onerados pela nossa posição. Porque senão vai subir à flor da pele a nossa soberba, o nosso orgulho, e isso não é nada bom. Logo, paciência. O fruto que alimenta representa, às vezes, um ano inteiro de trabalho silencioso da árvore generosa. E se cada noite é nova sombra, cada dia também é nova luz.

A verdadeira paciência é sempre a exteriorização da alma que realizou muito amor em si mesma para dá-lo a outrem mediante a ação de seu exemplo. Quanto a isto, o excelso carpinteiro foi no mundo o paradigma de semelhante virtude.

Em todos os aspectos da paciência é necessário recordar Jesus. Ele tem paciência conosco. Nunca obrigou, constrangeu ou perseguiu quem quer que fosse para que esse alguém pudesse assimilar e incorporar seu evangelho de luz.

Nunca se apassivou diante do mal, conquanto lhe suportasse as manifestações, diligenciando meios de modo a tudo renovar para o bem. E se revelou tão paciente que não hesitou em regressar, depois da morte, ao convívio das criaturas humanas que o haviam abandonado. O mestre desceu, e ainda desce da espiritualidade solar para dissipar-nos a sombra. Rebeldes que somos, negamos-lhe guardiã, mas ele não nos priva de sua augusta presença. Vamos aproveitar para nos lembrar dessa paciência perfeita que nos beneficia e cultivemos de igual forma a paciência para com todos os outros irmãos.

Na vida, resolvem-se os problemas, ficam as lutas. E por falar nisso temos que lutar e nos aprimorar trabalhando e realizando com Jesus, confiantes no futuro e na certeza de que a vida de hoje nos espera amanhã. É imperiosa uma marca decisiva dentro das realizações, saber selecionar valores, pensamentos e atitudes, deixar que a serenidade gerencie as nossas ações. A paciência e a determinação são valores que traduzem obstinação pacífica na obra que propomos realizar.

Em qualquer circunstância esperemos com paciência, mantendo-nos confiante, embora a preço de sacrifício, porque sem paciência os mais altos projetos resultam em frustração. Sigamos em frente, como quem tem a certeza que a colheita farta pede terra abençoada pelo arado, saneando o destino e vivenciando positivamente os acontecimentos que nos visitam, de modo que a esperança que nutrimos seja convertida em luz. Se provas imperiosas nos mantém encarcerados nas grades constringentes do dever satisfaçamos com paciência as obrigações a que enlaçamos, administrando a oportunidade de operar no bem na retomada de uma posição segura. A paciência tem por objetivo nos trazer a possibilidade de refletir, projetar e traçar melhores estratégias.

Sobretudo, é a capacidade de verificar a dificuldade ou o desacerto nas engrenagens do cotidiano, buscando a solução do problema ou a transposição do obstáculo, sem toques de alarde e sem farpas de irritação. O papel do seguidor do evangelho não é colocar uma bíblia debaixo do braço e sair para pregar, mas sim o de viver situações de apaziguamento. Além do que, é bem mais importante lição silenciosa no tempo do que mero verbalismo apressado na hora da ocorrência.

Hoje temos os nossos interesses, os nossos objetivos, as nossas prioridades. Sem dúvida, todos eles com uma ótica centrada no agora. Todavia, a misericórdia do alto tudo vê sob uma ótica que envolve o ontem e o amanhã, a curto, médio e longo prazo. E pode acontecer de nutrirmos no coração uma proposta que não vai ser cumprida agora como queremos, e sim cumprida muito mais à frente. Não pode? Porque às vezes é preciso esperar o encaminhamento natural das circunstâncias e dos fatos. Não dá para desconsiderarmos isso.

Pense comigo, não desfrutaríamos a paz no triunfo aparente sem o resgate aos débitos que nos encadeiam ao problema e à dificuldade, nem repousaríamos ante a exigência do credor que nos requisita. Os nossos planos de ventura serão materializados pelo destino, obviamente, só que ainda estamos presos a círculos de certas obrigações, e é necessário liquidarmos com paciência as dívidas que contraímos perante a lei. E não adianta fechar a cara. Então, conservemo-nos na força da paciência e onde estejamos façamos sempre o melhor.

Para finalizar, um lembrete: use a paciência no dia de hoje. Use, sem avaliar medida. Mesmo que não entenda o porquê, use. Amanhã, com toda a certeza, entenderá.

25 de ago de 2012

Cap 26 - Livre-Arbítrio - Parte 7


O MOMENTO DA ESCOLHA

“A LEI E OS PROFETAS DURARAM ATÉ JOÃO; DESDE ENTÃO É ANUNCIADO O REINO DE DEUS, E TODO O HOMEM EMPREGA FORÇA PARA ENTRAR NELE.” LUCAS 16:16  

Os múltiplos conhecimentos que nos visitam na atualidade em todas as áreas sugerem de nossa parte uma firme adesão em um sistema reeducativo e operacional no bem.

O berço nos confere a existência, todavia, a vida é obra nossa e viver bem não pode ser algo levado a efeito de qualquer maneira. É preciso adotar algumas estratégias dentro de um plano de crescimento consciente, e a transformação e o alcance do objetivo que propomos realizar exigem dinâmica continuada. 

Aliás, podemos até ir mais longe e resumir dizendo que o êxito representa a capacidade de realizarmos aquilo que está proposto, e que tudo depende de uma postura de decisão nossa. Decisão, palavra marcante que representa o ápice daquilo que a gente já pode realizar e que define o ponto de ousadia e implica sempre na necessidade de desconexão, resultante da determinação e fé.

Cada um de nós, espíritos encarnados jornadeando nas estradas da vida, busca a ascensão e a luz. Cada qual a seu jeito, claro, só que não existe uma projeção libertadora sem programação. Não existe libertação renovadora sem planejamento, por mais que alguém desconsidere essa ideia e queira bater com a cabeça na parede. Os companheiros espirituais investem nos potenciais que conseguimos levantar em nós mesmos, os espíritos superiores investem em nossas fragilidades, no entanto, o aproveitamento final depende de nós, sempre vamos evoluir em função da nossa determinação pessoal. Existe um grande desafio lançado no sentido de aprendermos a administrar os componentes que nos circundam, sejam eles favoráveis ou difíceis, e seremos amplamente felizes se, em meio às decepções que nos atingem, soubermos identificar os caminhos seguros de soluções no reencontro da harmonia que queremos.

Cada um de nós não é aferido e avaliado propriamente por aquilo que já possui, mas sempre pelo grau de disposição realizadora, pela determinação em fazer.

Ocorre que aquilo que possuímos pode já estar gasto, superado, saturado no espaço e no tempo, pode ser coisa ultrapassada. O que estamos dizendo não é difícil de ser entendido, basta olharmos no mundo do trabalho, nas linhas seletivas de pessoal, nos critérios de seleção adotados pelas empresas de uma forma geral. Tanto no plano social quanto no empresarial os investidores estão atrás de pessoas que tem iniciativa, que se predispõe a vestir a camisa da organização, daquele que não faz corpo mole e não levanta apenas problemas e limitações na área funcional. Porque uma das coisas mais gratificantes é poder lidar com quem quer crescer, com quem apresenta aquela índole de manifestação dos seus potenciais. Muitas vezes é melhor investir naquele que quer se afirmar, que quer crescer, do que trabalhar com quem acha que se firmou.

Agora, veja bem, se no meio material esse procedimento acontece, no âmbito espiritual essa valorização se faz com uma nitidez e aprofundamento muito maiores.

Andamos prá lá e prá cá, relacionando com pessoas a todo o tempo, e é grande o número delas que falam que não compreendem os textos bíblicos. Que não conseguem entender, por mais que leem, e que falta objetividade a eles. Não há como discordar desses posicionamentos, no entanto, no que se referem às sagradas escrituras não podemos esquecer que estudamos em cima de registros figurados, e não linhas objetivas. E o registro figurado, que normalmente vige por parte dos reveladores, insere uma soma muito ampla de informações que vamos conseguindo abranger segundo o nosso próprio crescimento.

De forma que o conteúdo bíblico é um conteúdo que todo ele vai permanecer. Inalterado, ele não tem que ser renovado de maneira objetiva como muitos pretendem. Ele apresenta um sentido amplo de revelação, e em razão disso não pode apresentar uma diretriz de percepções restritas, limitadas, únicas, o que denota a necessidade de o trabalharmos sob o aspecto globalizado e ampliado.

Há muitos indivíduos que costumam questionar o porquê do evangelho não ser tão objetivo. Parece que gostariam no fundo que ele fosse qual uma cartilha com as suas opções devidamente programadas: “em uma situação dessa natureza você age assim, dessa forma, em uma outra você faça daquele jeito”, e assim por diante. Será que gostaríamos mesmo que ele fosse assim? Pare e pense.

Na eventualidade do evangelho ser assim tão simples e objetivo, como uma cartilha com manual de instruções, em vez do conteúdo ampliado e revelador que ele aponta e propõe, nós não seríamos filhos de Deus, com responsabilidade e liberdade de escolha, mas sim autômatos e robozinhos dele.

Sem contar que as profecias apresentam um conteúdo abrangente a ser trabalhado conforme o patamar ascensional de cada individualidade que o interpreta. E a linguagem não é tão objetiva por causa de outro ponto essencial: para não interferir no momento de decisão do espírito, que é sagrado.

Os valores informativos nos chegam ao plano perceptivo de fora para dentro por assimilação e esse conhecimento se dá por várias formas. Investimos e assimilamos, só que temos que lembrar que na hora da aplicabilidade dele a decisão é puramente nossa. No momento da aplicação do padrão assimilado vamos ter uma decisão sem qualquer interferência exterior. Vai ser uma postura totalmente calcada na espontaneidade do ser. Não é para nos inquietarmos, porém, temos muitos momentos na vida em que precisamos decidir sem a proteção ostensiva. É desse jeito que a coisa funciona. No instante do testemunho estaremos sempre sozinhos com as nossas aquisições íntimas.

Mesmo diante da porta estreita, dilatando conquistas eternas, iremos também só. Aliás, muitas vezes, diante das dificuldades mais profundas e expressivas, costumamos ter mesmo esta sensação de estarmos sozinhos. E a sensação de estar só é que nos projeta para um plano mais avançado no campo da segurança, pode ter certeza. Quando este momento chega é aproveitar a chance.

É como a criança aprendendo a andar de bicicleta, que em determinado momento o pai ou a mãe necessita tirar as rodinhas de apoio. Quantas vezes, em momentos de grande culminância, vivemos sozinhos o processo, e em volta está toda uma equipe de espíritos nos observando e orando. Observam e torcem, só que não podem interferir, porque senão cerceiam a oportunidade nossa do passo à frente. Todas as vezes, também, em que uma entidade espiritual complicada encontra campo de conexão conosco pela nossa escolha infeliz no campo da sintonia, entidades outras estarão a postos para tentarem neutralizar essa influência. No entanto, elas tem que respeitar o padrão optativo ou de escolha de cada um de nós. Então, veja bem, nunca a ajuda espiritual vai ter um caráter constrangedor. A misericórdia divina não projeta os seres ao nível do empurrão. Quem nos empurra, às vezes, é a vida, nunca o criador.

E espíritos iluminados não impõem, alertam. Da mesma forma, quando nos deparamos com uma criatura que está ainda acentuadamente envolvida em uma padronização materialista temos que acatar e não sufocar pela nossa ótica o meio de vida dessa criatura. Não se pode violar a decisão e a postura de ninguém.

21 de ago de 2012

Cap 26 - Livre-Arbítrio - Parte 6


A FORÇA DA VONTADE

A partir do momento em que vamos estudando e aprendendo vamos sabendo administrar melhor as elaborações mentais, por meio das quais nós podemos dar extraordinários passos na jornada evolutiva. 

É pela perseverança que nós ganhamos o componente que objetivamos no espaço e no tempo. Podemos dizer que a assimilação e o progresso se dão na horizontal do conhecimento, ou seja, esta conquista se faz análoga à promoção de um servidor público mediante o critério de antiguidade. A formação dos padrões que precisamos, ao nível das virtudes, aqui ocorre pela extensão repetitiva, ganhamos pela linha contínua de ação, na ação continuada, na horizontal do tempo.

O mundo é uma bola, essa bola não para de girar e muitas pessoas esperam as coisas caírem do céu. E o engraçado é que meu irmão costuma dizer que o que cai do céu é chuva e avião sem gasolina. Agora, deixando a brincadeira de lado, se a nossa maneira de ser cria uma aura toda específica que segura, prende e entretece o nosso campo mental com o automatismo, a vontade fixa e determinada, por sua vez, é capaz de gerar, através de um dínamo instaurado no coração, um campo também suficientemente forte para promover a desvinculação desses padrões e a entrada em um terreno novo de vida.

A vontade abastecida, continuamente sustentada com carinho e determinação,  propicia êxito, pois ela é capaz de criar um campo magnético suficientemente capaz de comparar-se e até mesmo superar o magnetismo irradiador da nossa intimidade.

Na proporção em que a nossa estrutura mental homologa um conceito como válido e acertado, nós vamos notar que ao nível da vontade esse conceito tem que ter tanta força de aplicabilidade quanto a força automática do nosso subconsciente, já concretizado ao nível das ações vividas. O que eu estou querendo dizer com isto? Que a componente vontade no nosso terreno mental têm que ter forças pelo menos iguais às forças que dominam o nosso automatismo.

Que quanto mais queremos progredir mais necessitamos exercitar a capacidade de operar e manter a segurança de modo a não sermos tragados pelas próprias faixas circunstanciais. Assim, para sermos mais abençoados no conhecimento da verdade do que na insinuação do homem velho, que chega todo o momento para nos desafiar, façamos um sacrifício maior, nos esforcemos mais.

Se você achar que está sem força, que está indeciso, desestimulado, testemunhe de maneira ainda mais firme contra essa influência que está dentro de você, uma vez que sabemos que a concupiscência está dentro. Não se esqueça, o reino dos céus é dos fortes e a sua posse depende de conquista. Não vem de graça. É pela vontade que o alcançamos, pois sem  utilização ampla dessa energia chamada vontade nós não conseguimos superar a nossa animalidade.

No lançamento de uma espaçonave todas as forças são empreendidas no início. Um grande consumo de combustível é usado na sua decolagem. E na medida em que ela vai conquistando altura, essa força vai se reduzindo em função da ausência de resistência, até chegar a um ponto em que a energia vai ser usada para redirecionar o rumo. Conosco não é diferente. O que aponta que esse elemento vontade no terreno mental tem que ter forças pelo menos iguais às que dominam o nosso automatismo. Parece muito difícil, todavia, as grandes personalidades vivem em função da capacidade operacional ao nível da vontade. Porque se a vontade não for acionada, de forma resoluta, não avançamos, ficamos apenas perdendo tempo, e o homem velho continua nos dominando.

E tem uma coisa interessante. Se até ontem o tempo vinha operando o encaminhamento dos nossos destinos dentro do plano de cumprimento natural da lei de ação e reação, e o nosso crescimento se fazia na linha da repetição, por uma ação continuada, que até comparamos a uma promoção no serviço público pelo critério de antiguidade, hoje notamos que temos a oportunidade de adotar novo sistema de avanço no campo da evolução. Um método não mais impulsionado pelo impacto dos acontecimentos, e sim pela apreensão de um conteúdo e pela capacidade de trabalho nesse conteúdo. Está conseguindo acompanhar?

Essa promoção por antiguidade, pela extensão do tempo, pela linha horizontal da continuidade, pela repetição, pode ser suplantada por uma dinâmica de intensificação. Pela autenticidade da vontade, o que vai proporcionar uma alteração fundamental em toda a proposta do nosso crescimento rumo a um futuro melhor. O que quero dizer é que intensificando a ação nós podemos ganhar de modo muito mais rápido. Como no serviço público, dessa vez a promoção vem mais rápida, se dá por merecimento. Aqui a conquista é na linha vertical ao nível das virtudes, ocorre pela intensidade operada, em um curto prazo pelo nosso grau de entusiasmo, de determinação e de investimento.

Ganhamos na verticalização do aproveitamento do tempo, de forma mais determinada, e para isso é preciso que utilizemos, de maneira ampla e determinada, o elemento fundamental chamado vontade. É um processo em que a vontade realmente toma as rédeas da nossa proposta de crescimento. Passamos a ganhar com intensidade e aproveitamento o que levaríamos tempo considerável para conquistar nos caminhos da extensão horizontal. Não quer dizer que passamos a trabalhar saindo da paciência e entrando na precipitação. Nada disso. Apenas a vontade passa a alimentar e impulsionar toda a estrutura íntima, ela vai dando condições de irmos selecionando melhor o campo alimentício, por meio da qual obtemos a realização de grandes milagres na vida.

A vontade hoje é componente inarredável da proposta de crescimento, é exatamente o botão que marca e define o movimento ou a inércia da máquina. Não podemos negligenciar que o grande segredo da trajetória nossa é todo um sistema de euforia, realização, crescimento e alegria em recolher e servir no devido tempo. Não adianta, toda a nossa luta, sem vontade, já é decretada na base: fracasso, frustração e incapacidade. Dentro de um plano de projeção e de proposta de evolução consciente, selecionar componentes e aplicá-los sem vontade não dá, não resolve, é papo furado. O processo em que estamos matriculados é o de alimentação da vontade. Não existe êxito na nossa proposta de regeneração pessoal e não se penetra em nova etapa sem a capacidade plena de utilização da vontade. Não se progride em terreno de novas realizações sem a constante presença dela, é ela que tem que apresentar variáveis enormes desde o início da caminhada. A vontade, que é o componente básico da vida mental, vai conseguir trabalhar com sucesso todo o processo.

É muito bonito falar disso, e falando chega até a parecer que é fácil. Só que geralmente a nossa vontade costuma ser bem menor que a nossa capacidade. Muitas vezes a nossa mentalidade absorve conteúdo, mas a vontade é incapaz de operar, e não tem como progredir numa situação nova, no rumo de uma nova faixa de vida sem a utilização adequada da vontade. Pare prá pensar um pouco e observe que a vontade fraca e deseducada muitas vezes é a causa dos fracassos, dos desapontamentos e das quedas. A gente diz, na prece do pai nosso: “seja feita a tua vontade”, só que insistimos em dar preferência à nossa.

Não é assim? Às vezes a criatura está debaixo de outra tutela que comanda a intimidade dela ao nível dos desejos de maior profundidade. E acabamos por dar campo não à boa vontade, mas à má vontade. E a má vontade é decorrente de uma vontade outra que supera a pretensa vontade que a gente quer alimentar.

Em outras palavras, nós temos uma vontade para adquirir tal coisa, mas a nossa vontade não é suficiente, e tem uma outra que emerge e que nós damos campo a ela de maneira muito mais ampliada dentro do terreno dos desejos. A gente sente isso, que a má vontade é alimentada e realimentada por uma vontade que ainda predomina na nossa intimidade. Assim, estamos fazendo um trabalho aqui de levantamento de estratégias de vida, de escolha de uma proposta que traz conteúdo, e que consiga polarizar o nosso grau de interesse. Valores que podem nos induzir a trabalhar o campo mental no plano de dedução e de seleção para que possamos realmente fazer tudo isso de forma globalizada.

A gente tem uma ideia, e logo já quer fazer coisas altamente sofisticadas, altamente ampliadas. É comum a criatura nem ter dado sequer o primeiro passo e já querer cultivar o desejo de grandeza. Vamos começar de forma consciente e sólida pelas menores coisas que nós guardamos. Guerra, a gente sabe que começa a ser vencida na sala de estratégia, e precisamos começar do princípio, dos pontos básicos. Como no erguimento de um edifício, é levantando e solidificando ponto a ponto que conseguimos. Enquanto não houver uma proposta educacional de base, e de educação da vontade, nós ficamos, ainda, carregando conosco as nossas dificuldades e as nossas mazelas.

O tempo e o espaço correm por conta da disposição divina. Até aí, tudo bem, só que ficamos rendendo tempo ao tempo, prolongando e esquecendo que aproveitamento do tempo é investimento para o futuro. A justiça cobra e não espera, todavia, o amor não tem como ser socado dentro da gente. Por ter uma característica de espontaneidade, ele tem que ser aceito, é necessária uma adesão interna. Jesus efetivamente é aquele que vem ao nosso encontro, mas só é capaz de nos ajudar se de nossa parte houver uma abertura no plano da percepção.

Quando o quarto permanece sombrio somos nós que destravamos o ferrolho da janela para que o sol nos visite. E se a semente é auxiliada pela adubação, pela água e pelo sol, ela é, também, obrigada a trabalhar dentro de si mesma a fim de produzir. Por isso, vamos dedicar alguma cota de esforço no investimento da lição para que a lição, por sua vez, nos responda com suas graças e bênçãos. Pessoa nenhuma consegue manter um sorriso de satisfação em cima de uma coisa que está estagnada. Não é possível crescer sem investir.

Podemos mesmo dizer que sem ousar ninguém caminha e obtém dias melhores, e o ousar pressupõe um processo de inteligência no lançamento dele. 

É de nosso próprio interesse levantar o padrão da vontade, estabelecer disciplinas para o uso pessoal e reeducar a nós mesmos ao contato com o mestre divino. Uma das coisas que estamos fazendo aqui é exatamente assimilar conhecimento para o grande encorajamento. Se aprendemos e não fazemos, o que estamos esperando? Se nos encontramos interessados no próprio aperfeiçoamento a palavra de ordem é aproveitar. Para não chorarmos depois.

15 de ago de 2012

Cap 26 - Livre-Arbítrio - Parte 5


MELHOR AÇÃO, MELHOR REAÇÃO

“DE MANEIRA QUE AGORA JÁ NÃO SOU EU QUE FAÇO ISTO, MAS O PECADO QUE HABITA EM MIM.” ROMANOS 7:17

“CHEGAI-VOS A DEUS, E ELE SE CHEGARÁ A VÓS. ALIMPAI AS MÃOS, PECADORES; E, VÓS DE DUPLO ÂNIMO, PURIFICAI OS CORAÇÕES.” TIAGO 4:8

Vivemos todos, sem exceção, em esteiras amplas de reflexos. Reflexos esses que são disparados pelos nossos sentidos tradicionais como ondas volumosas que adentram em nosso território pessoal. O apóstolo Paulo diz que “agora já não sou eu que faço isto, mas o pecado que habita em mim.” (Romanos 7:17) 

O instinto que em muitos pontos nos domina é sempre uma soma daquilo que cada um de nós incorporou. O reflexo gera a emoção, que gera a ideia, que gera a palavra e que, por sua vez, gera a ação. Então, notamos que até o reflexo a manifestação é automática, e esse automatismo está ligado em função dos desejos profundos da nossa intimidade, e que quer nos empurrar para eles. Esses padrões condicionados dentro de nós realmente não são fáceis, até muito pelo contrário, são difíceis, duros, irreverentes, não cedem caminho com facilidade. Repare que por mais que a gente tente eles estão sempre ali, sempre prontos. É como uma sombra que nos acompanha. Na hora em que bobeamos um pouco, que baixamos a guarda, que desguarnecemos a vigilância, eles nos jogam para trás. É exatamente assim. Na hora que a gente acha que ficaram para trás, que já são coisa velha, passada, superada, eles vem.

Vem, e “pimba” na gente. E o que é pior, não vem apenas o reflexo condicionado nesta vida, mas inúmeros outros que participam profundamente do nosso psiquismo em função das experiências arregimentadas ou levadas a efeito e agrupadas em reflexos dentro de nós em vidas passadas. A eles o Cristo de Deus faz referência no “acautelai-vos dos homens”. É preciso mesmo paciência. Vamos nos lembrar que esses reflexos podem ser desativados mediante a implantação de outros padrões, mas nunca serão erradicados. E o que precisamos fazer é criar uma base para amenizar as suas manifestações, seus efeitos.

O tempo passa e temos vivido ao longo de um passado em cima de emoções arraigadas. Não tenha nenhuma dúvida, é pelas nossas reações que nós somos aferidos. A ação nós sabemos que pode ser pensada, avaliada, mas a reação, que é automática, afere. A reação afere e nós somos aferidos nos impactos da vida pelas nossas reações. Somos aferidos pela forma como reagimos diante das mais variadas circunstâncias. Pelo impacto das emoções definimos o que efetivamente tem representado a soma dos caracteres constituídos no bloco íntimo a que já nos referimos. Muitas vezes a criatura, diante de certas situações, exterioriza de improviso certas atitudes, certos registros, como no trânsito, por exemplo, quando diante de uma situação inesperada ela se irrita com outro condutor e solta aquela palavra “linda”, aquele “elogio”, em que lhe deseja “toda a felicidade do mundo”, e desta forma demonstra que de fato possui esses padrões pulsantes na sua própria intimidade. 

Assim, observamos que o que estamos soltando em meio às nossas reações revela o que temos. Mas a boa notícia é que podemos mudar esses padrões. Aliás, não só podemos como devemos. E constantemente estamos alterando o circuito desses instintos, porque muita coisa que fazemos instintivamente com o decorrer do tempo sentimos a necessidade de reavaliar, redirecionar, alterar.

É necessário e faz parte do mecanismo evolucional consciente que cada individualidade aprenda a liderar a si próprio. E o que é liderar a si próprio? É ter uma postura resoluta, não permitir que a instintividade governe a nossa vida. Já ficou claro que a instintividade não pode ser eliminada, pois ela é um componente importante que facilita a nossa caminhada. Só que os instintos, esses padrões conquistados, não podem ficar soltos sem controle, necessitam ser dirigidos. Jesus faz referência a eles quando exorta a vigilância. E temos aprendido por experiência própria que quando eles assumem o controle complica.

Então, tudo bem. Está claro que grande parte das nossas atitudes não constitui necessariamente ação, mas, sim, reação, e ninguém também vai questionar que precisamos trabalhar o íntimo educando a nossa forma de reagir. Só que tem um detalhe: trabalhando a reação unicamente vai ser muito difícil a gente conquistar.

Para esperar melhores resultados com segurança precisamos operar com discernimento, e muitas vezes temos que aprender na ação para amenizar a reação.

Está dando para captar? Esse campo novo que nós dinamizamos mediante uma segurança e certeza que a fé é capaz de alimentar na mudança, para que ele passe a ser automático na irradiação dessa energia ele tem que ir escapando de forma gradativa da chamada atividade mantenedora e consciente. Em outras palavras, é o somatório do mínimo a cada instante que consolida o condicionamento dentro de nós. Para que a gente adquira padrões comportamentais de segurança é preciso investir na ação, selecionar e partir para a ação. É por ações instituídas e direcionadas que adquirimos o direito de mudar, mediante um sistema repetitivo, a nossa forma de sentir, de agir e operar.

Porque a ação ajuda na conquista de novos valores. Ela estrutura e projeta, ao passo que a reação unicamente afere. Percebeu? Por esta razão é imperioso nós investirmos muito no plano da ação para que possamos ganhar na hora da reação.

Investir na ação em uma linha de atitude mais equilibrada para sermos felizes na reação, porque é a ação direcionada que vai proporcionar condições de uma reação feliz nos momentos mais complexos. Por isto, mais um lembrete de suma importância: quem quiser desativar reflexos incomodatícios, menos felizes, passe a instaurar outros mais seguros, mais positivos, que possam vir a preponderar no plano das manifestações no dia a dia acima daquela imagem anterior, daquela sombra que vem nos acompanhando durante longos caminhos.

Se quisermos melhorar nossas reações, melhoremos nossas ações. Sem contar que precisamos melhorar nossas ações no campo dos relacionamentos também. Mas melhorar a postura não somente com aquele indivíduo chato, aborrecido, não só com o que incomoda e desagrada, melhorar com os outros igualmente.

Eu preciso de um sacrifício maior para conquistar. Necessito testemunhar de maneira mais clara, decisiva e nítida contra essa influência que está dentro de mim, uma vez que sei que a concupiscência está dentro de mim. Sem essa postura a minha vontade em muitas ocasiões fica subordinada ao reflexo já condicionado. E para que ocorra uma sobreposição a esse bloco de registros íntimos, que tem um denominador fixo, resultante de várias experiências lá de trás e desta vida também, é preciso, como diz o apóstolo Tiago, um duplo ânimo. 

É imperioso um ânimo dobrado porque já existe impulsionado todo um sistema de vida que é o automatismo dos nossos reflexos, e que fica engatilhado. Por exemplo, se chega uma notícia específica o indivíduo já expõe determinada reação. Se ele recebe certa instrução no local de trabalho já pressente que vai haver chateação, e assim vai. Ânimo duplo é sinônimo de ânimo redobrado. Ante o automatismo irreverente tem que haver ânimo redobrado para que possamos enveredar por processo diferenciado, laborando novos componentes para o campo reeducacional nosso. A primeira metade do ânimo neutraliza a insinuação do reflexo e a outra metade efetiva a conquista.

Em diversas ocasiões é comum ficarmos cogitando acerca do que temos que fazer, o que precisamos fazer, só que enquanto nos mantemos nessa etapa de cogitações tudo se mantém muito precário e duvidoso. E na medida em que vamos investindo na realização da proposta e materialização da ideia é como se iniciasse o funcionamento de uma máquina geradora de curso d’água. Aquela ação passa a se manifestar de forma normal, contínua, não se faz mais necessário ficar alimentando o processo pelo consciente, o mecanismo passa a ser alimentado e realimentado pelo próprio impulso interior. Não quer dizer que vai passar a ser algo inconsciente, não, não é isso. Apenas ocorre que a sistemática se torna automática, vamos trabalhando de maneira continuada. É como quando desligamos o carro, saímos dele e acionamos o alarme sem pensar.

Passa a ser automático. Repare que por enquanto a nossa caridade é laborada mental e intelectivamente. A gente pensa e pondera: “Vou lá, vou fazer assim, daquele jeito, e tal”... E enquanto pensamos se fazemos ou não fazemos um outro já pulou na nossa frente e fez. Ele foi movido por quê? Por uma questão acentuadamente automática do psiquismo dele. Ele já não precisa pensar tanto, já é natural para ele. Ele já sente aquilo, não labora intelectivamente. 

Uma pessoa que se sente bem com determinada ótica, com aquilo que ela está recebendo e aplicando, ela não pensa. Logo, em toda empreitada nova nós temos que alimentar e realimentar a vontade com material pujante, pois aquilo que objetivamos não está, ainda, incorporado ao nosso psiquismo. É preciso reter.

11 de ago de 2012

Cap 26 - Livre-Arbítrio - Parte 4


GUARDAR E RETER

“10COMO GUARDASTE A PALAVRA DA MINHA PACIÊNCIA, TAMBÉM EU TE GUARDAREI DA HORA DA TENTAÇÃO QUE HÁ DE VIR SOBRE TODO O MUNDO, PARA TENTAR OS QUE HABITAM NA TERRA. 11EIS QUE VENHO SEM DEMORA; GUARDA O QUE TENS, PARA QUE NINGUÉM TOME A TUA COROA.” APOCALIPSE 3:10-11

“10NADA TEMAS DAS COISAS QUE HÁS DE PADECER. EIS QUE O DIABO LANÇARÁ ALGUNS DE VÓS NA PRISÃO, PARA QUE SEJAIS TENTADOS; E TEREIS UMA TRIBULAÇÃO DE DEZ DIAS. SÊ FIEL ATÉ À MORTE, E DAR-TE-EI A COROA DA VIDA.” APOCALIPSE 2:10

“25MAS O QUE TENDES, RETENDE-O ATE QUE EU VENHA. 26E AO QUE VENCER, E GUARDAR ATÉ AO FIM AS MINHAS OBRAS; EU LHE DAREI PODER SOBRE AS NAÇÕES.” APOCALIPSE 2:25-26

“3LEMBRA-TE, POIS, DO QUE TENS RECEBIDO E OUVIDO, E GUARDA-O, E ARREPENDE-TE.” APOCALIPSE 3:3

O apocalipse em várias passagens sugere a gente guardar o que tem. Ótimo, isso é bom, mas o que é guardar? A gente tem que saber. É por no guarda-roupa? Acondicionar numa gaveta? Ele chega a dizer mais ainda: “Eis que venho sem demora; guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa.” (Apocalipse 3:11)

Bem, geralmente a gente guarda valores, e valores guardados a gente, em tese, não utiliza. Como em um cofre, ou em um banco. Fica lá. Pode acontecer de o indivíduo herdar uma fortuna do pai e ela fica lá, guardada no cofre do banco, e às vezes nem usufrui. E a primeira coisa que a gente precisa entender é que valores são para ser usufruídos. Para que “ninguém” tome a nossa coroa. Ora, esse ninguém vamos entendê-lo de imediato como sendo alguém no campo das pessoas, no entanto, são determinados departamentos da nossa própria intimidade. Esse alguém que pode tomar a coroa pode ser a nossa órbita íntima vinculada ao orgulho, à avareza, e outros ângulos que podem preponderar tomando conta ou apropriando-se de um componente que nos tinha concedido uma autoridade de operar em determinada área do crescimento.

Verdade seja dita, se quisermos crescer daqui para frente de forma efetiva precisaremos saber guardar. Guardar dá uma ideia de acondicionar, pressupõe um cuidado da nossa parte. Afinal, como é que alguém vai guardar alguma coisa se não tiver cuidado? E se estamos guardando é porque aquilo deve ser uma coisa boa, algo que possui algum valor, que é importante para nós. Uma criatura em seu juízo perfeito não vai guardar algo que não lhe interessa, que não tenha utilidade. Logo, é guardar no seu sentido utilitário, guardar para ser usado. E no que reporta aos padrões do evangelho, para além de decorar a mensagem, é preciso guardá-los nos seu aspecto afetivo, na sua acepção positiva.

Vamos encontrar no evangelho de João a seguinte colocação: “Jesus dizia, pois, aos judeus que criam nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” (João 8:31-32) Temos aqui a presença do verbo permanecer, que é também uma ideia do guardar. Guardar os mandamentos. O que significa isso?

Os valores, nós já sabemos, são para ser usufruídos. Então, de cara entendemos que o guardar não é no sentido de simplesmente inserir numa gaveta ou colocar na geladeira. Também não é guardar no aspecto de arquivar mnemonicamente, ou seja, na memória. Nada disso. O guardar, segundo Jesus, projeta para um plano operacional devidamente selecionado. Guardar os mandamentos significa operar com eles, é guardar consigo no sentido de realizar.

“Lembra-te, pois, do que tens recebido e ouvido, e guarda-o. E arrepende-te.” (Apocalipse 3:3) O guarda-o e arrepende-te que dizer que precisamos guardar o que temos e nutrir um processo de recomposição do destino relativamente ao que temos feito. Guardar tem por objetivo manter acesos os caracteres positivos no sentido operacional, no campo da aplicabilidade, no âmbito aplicativo.

“Como guardaste a palavra da minha paciência, também eu te guardarei da hora da tentação que há de vir sobre todo o mundo, para tentar os que habitam na terra.” (Apocalipse 3:10) O que vem a ser esse “guardar a palavra da minha paciência?” Define para nós, com muita tranquilidade, que temos que reter essas informações assimiladas com persistência para serem utilizadas de forma segura diante das circunstâncias que nos chegam. Guardar porque vamos aplicá-las. É preciso reter e guardar ao nível da aplicação se quisermos conquistar. Guardar aqueles valores que foram perfeitamente assimilados no campo perceptivo e intelectivo nosso é realizar com eles, ao passo que reter é perseverar.

É lindo isso. Basta pararmos um pouco prá pensar, mas de forma aprofundada, para constatarmos que é maravilhosa a trajetória da renovação pessoal. É de uma grande beleza. Só que não é fácil. O nosso íntimo grita, deseja e busca por constante melhoria, e em função dessa busca nós apreendemos valores novos.

Esse aprendizado já propicia um conforto e nos coloca na antesala da libertação.

E é exatamente na hora em que os aplicamos que praticamente se instaura a grande luta da redenção ou da renovação. Como diz um ditado popular, é aí que “a chapa esquenta”. É aí a hora da prova. As dificuldades surgem quando colocamos esses valores apreendidos em relação, ou em choque, com os padrões que, até então, nós estamos vivenciando. Queremos instaurar um processo liberal em nosso coração e o conservadorismo já existente quer nos segurar na marra, não quer perder terreno facilmente. Na hora em que pegamos a planta da nova casa idealizada ainda fala muito a planta antiga da casa, e se bobear caímos nas mesmas valas, nas mesmas linhas anteriormente programadas, nas mesmas medidas, nos mesmos alicerces. Não se trata de algo exclusivo a algumas pessoas, é algo extremamente normal. Geralmente os que instauram novos mecanismos, os liberais, são sempre rejeitados pelos conservadores.

É com o decorrer do tempo que vamos fixando os novos padrões. A formação está para além da informação. Se eu retenho esses valores recebidos, no sentido de uma aplicação constante, eu começo a gestar caracteres novos em mim. Da informação, que era uma espécie de esboço, eu passo a dar forma, eu começo a formar novos padrões, e isso é que é reter. E vou perceber que o que eu recebi conseguiu se formar porque na minha faixa eu fiz, na minha órbita eu apliquei, eu realizei. Em qualquer área imaginável da vida não tem como progredir sem fixar. É necessário insistir para que os novos padrões ganhem corpo. Como na parábola do joio e do trigo, a questão é continuar a semeadura.

O campo íntimo é um ponto acolhedor, um vaso receptivo. Captamos a verdade de cima e essa verdade se transforma em vida quando continuadamente aplicamos esses valores em nossa personalidade. Assim, os reflexos que estavam presentes em nós começam a perder autoridade, embora não sejam extirpados, e o componente novo que chegou, inicialmente pela informação, passa a incorporar nosso terreno, passa a ser nosso valor, o novo reflexo.

O problema é quando rejeitamos o padrão novo. Quando visualizamos a porta, mas constatamos que queremos mesmo é ficar no ambiente antigo. Aí é que a coisa emperra. A gente sente que fica travado, a coisa não anda. Queremos a cura do problema, mas desanimamos diante do amargor do remédio. É por essa razão que não é fácil mudar, e continuamente nos situamos trabalhando em conflito.

Todas as vezes que um componente novo nos visita o plano educacional nós entramos nessa grande luta: o que eu sou e o que quero me tornar, o que sei e o que tenho aprendido, o que faço e o que preciso passar a fazer. E se rejeitamos o padrão recolhido é sinal claro de que estamos de algum modo apaixonados.

Estamos, ainda, de certa forma, vinculados vibracionalmente com as faixas anteriores. Apesar da consciência definir que aquelas áreas precisam ser vencidas, superadas, e os reflexos desativados, ainda sentimos um magnetismo que aglutina, que prende a gente, uma atração envolvente que nos mantém em face dos nossos desejos que continuam sendo realimentados em cima daquela proposta antiga. Deu para notar? É por essa razão que comumente o indivíduo quer lagar o álcool, mas é apaixonado pela bebida, quer abandonar um vício, no entanto, se mantém fascinado pelo prazer relativo que ele proporciona, vê a solução, mas no fundo gosta da vivência do tumulto.

7 de ago de 2012

Cap 26 - Livre-Arbítrio - Parte 3


PERSEVERANÇA

“MAS AQUELE QUE PERSEVERAR ATÉ AO FIM SERÁ SALVO.” MATEUS 24:13

“NÃO NOS DESANIMEMOS DE FAZER O BEM, POIS, A SEU TEMPO CEIFAREMOS, SE NÃO DESFALECERMOS.” GÁLATAS 6:9 

Uma coisa nós temos aprendido e podemos afirmar com toda a certeza: o processo da evolução tem que ser fixado na perseverança. Podemos até ir além, na linguagem de várias entidades espirituais a perseverança é o instrumento fundamental da conquista. É a base da vitória, o componente básico da realização, diz respeito à permanência. É conservar-se firme e constante, persistir, continuar, manter a força ou a ação, é ter firmeza, permanecer sem mudar ou variar de intento. Representa a busca que alguém elege.

Consiste no caminho seguro para toda ocasião em que a individualidade se desperta e quer conquistar, principalmente quando queremos ter acesso a algo novo que não conhecemos, que é inédito para nós. Perseverança aponta a linha asseguradora dos componentes acondicionados dentro da gente, e não temos como operar a linha de alterações no contexto evolucional do amor sem perseverar.

O sistema nosso de aprendizado, todo ele, é embasado sob o ângulo da experiência e da repetição. De fato, é pela repetição que chegamos lá. Sem a perseverança não há caminho para a felicidade. Ela tem um sentido de clareza interior e é imprescindível investir e sustentar o investimento, perseverar no serviço de forma firme. Não tem como ser diferente, para obtermos a melhor parte da vida é preciso servir e marchar incessantemente para que não nos modifiquemos em sentido oposto à expectativa superior. Basta lembrar que a semente tem que vencer o obstáculo apertado da cova escura para poder germinar, que não se lavra o solo sem retificá-lo ou feri-lo, e que somente a terra tratada produzirá erva proveitosa, alimentando e atendendo a esperança do horticultor.

Todos querem crescer e o crescimento real se faz mediante um processo, e em qualquer pessoa não tem como ser de forma diversa. A etapa inicial é a informação, pela qual nos chega uma soma de recursos provenientes do plano superior, e que nos penetra de forma bem sutil. É a etapa inicial, o plano informativo.

Desce do alto uma chuva de valores, que quando atingem nosso campo perceptivo penetra de maneira suave. É como se fosse um esboço, e esses padrões novos que recebemos podem desaparecer diante da soma da repetição que temos dentro de nós em inúmeros reflexos. Podem desaparecer quando em contato com as pirâmides de sombra da nossa personalidade milenar.

E “como guardaste a palavra da minha paciência, também eu te guardarei da hora da tentação que há de vir sobre todo o mundo, para tentar os que habitam na terra.” (Apocalipse 3:10) Está bem definido que não se elege uma padronização a nível mental de modo adequado e seguro se não tivermos aquela disposição de investir naquilo que elegemos, de investir no ponto capaz de criar o registro interior dentro de nós ao nível de reflexo. Então, veja bem: ler e estudar, abrindo a horizontal da heterogeneidade de informações é importante e não se discute, mas também é extremamente valioso para nosso progresso o exercício de conseguirmos realmente perseverar naquele componente inarredável, e que se denomina paciência, que é a capacidade de persistir. 

A mudança que você objetiva na sua vida, a alteração que você deseja para melhor, com certeza não vai ocorrer pelo constrangimento, pelo bloqueio, pelo cerceamento, mas por uma capacidade assimilativa. Por exemplo, você não vai erradicar um vício unicamente pelo refreamento da ação. Isso tem que ficar muito claro. A proposta é a assimilação. Não dá para avançarmos no estudo sem o devido entendimento a este respeito. É necessário que um outro elemento, um valor novo, seja capaz de apresentar um grau de interesse acima daquele ponto a ser superado. Sabe por quê? Porque se ocorrer simplesmente um tamponamento no interesse é provável que aquilo que se quer superar volte novamente, e volte ainda de forma bem mais intensa na frente.

Percebeu? De forma resoluta, lutemos para fixar os componentes novos no intuito de apaziguarmos o espírito, pois o nosso estado de alma, esse embrião do filho do homem que é o que objetivamos na jornada, ele está mais ou menos automatizado pelo tempo em que permanecemos no estado negativo. E a paciência e a perseverança são decisivas para toda a conquista legítima, afinal de contas, o desafio é mantermos esse embrião, que quer nascer, fertilizado.

Não tem mistério nenhum. A metodologia da evolução implica em repetição. É por isso que ficamos aqui repetindo coisas, batendo em vários ângulos muitas vezes já conhecidos nossos. Não falamos faz pouco tempo do plano conceitual? Pois então, ele tem que se manter firme e por isso lemos, estudamos, batemos nas teclas que são conhecidas nossas: a necessidade de fazer caridade, o cultivo da fé, a importância do trabalho, a reforma íntima, e por aí adiante. 

A sistemática de ação precisa ser fixada no componente da perseverança. O método de  aprendizado é embasado sob o ângulo da experiência e da repetição. A sedimentação e a fixação dos valores conquistados decorrem da repetição, e por isso o evangelho ensina a todos que “aquele que perseverar será salvo.” É preciso a repetição continuada para que se dê a fixação. A experiência única não tem a mínima condição de sobrepor-se ao condicionamento da criatura, e isso tem que ser compreendido, tem que ficar nítido.

3 de ago de 2012

Cap 26 - Livre-Arbítrio - Parte 2


SEM PRESSA

É fato que carreamos conosco o somatório de reflexos que viemos arregimentando e formalizando no psiquismo ao longo dos milênios. O que isso quer dizer? Que a alma registra todas as suas experiências no aprendizado das lutas da vida no próprio patrimônio íntimo. Que todas as características morais que arregimentamos em cada existência física ficam incrustadas em nosso organismo perispiritual. Que os padrões morais de um espírito são herdados do próprio espírito.

E que cada espírito é um registro de si mesmo, trazendo nos caminhos da vida os arquivos de si próprio. Todas as trajetórias, desde as mais recuadas, nele se encontram gravadas, podendo ser penetradas quando circunstâncias permitem e por quem esteja habilitado a fazê-lo. Logo, os maus exibem o inferno que criaram para o íntimo enquanto os bons revelam o paraíso que edificaram no coração.

O interessante é que todo passado milenar que carreamos apresenta para nós um sistema em bloco. E o espírito, ao reencarnar no plano físico pelas portas do nascimento, traz consigo miríades de caracteres que formam esse bloco, envolvendo toda a experiência de trás e embutida dentro da individualidade. Está acompanhando? Quando um espírito reencarna ele carrega na estrada terrena essa mochila, esse bloco. É impossível deixar essa bagagem para trás e pegar uma mala com novos caracteres, zero quilômetro de tendências e registros.

Não dá. Todos esses registros embutidos acompanham a criatura e são fatores didáticos de aprendizagem que projetam o ser para um crescimento a Deus. É por essa razão que entendemos que por estar a maioria dos homens em lutas expiatórias é possível figurá-los como alguém que luta para desfazer-se do próprio cadáver, que é o passado culposo, de modo a ascender para a vida maior.

A gente acorda, mais cedo ou mais tarde, para as realidades maiores da vida e o que constatamos, na maioria das vezes, é que nos identificamos circulando dentro de um túnel. Exemplificação perfeita esta. Comumente somos apanhados na luta reeducacional dentro de um túnel. E porque túnel? Porque quando uma luz nos toca e nos sensibiliza a alma, reconhecemos que antes do despertar estávamos nos escuro. E daí nos localizamos dentro de um túnel. E mais, que toda a sombra em volta, toda a complicação dentro dele, foi criada por nós mesmos lá atrás, mediante escolhas menos felizes que efetivamos no passado.

Escolhemos indevidamente e agora a vida nos colocou nesse ponto até mesmo para refletirmos. Criaturas insubordinadas à vontade divina que somos, geralmente procuramos a luz quando cansados da solidão da treva. Acordamos no meio das dificuldades, e nessa hora haja prece. Tecemos as mais comovedoras orações, e haja pedido, haja solicitação e haja vibração para que a gente consiga se desonerar desse sistema difícil. É um túnel escuro e a gente tem que caminhar, e vê uma abertura com uma claridade na ponta. O que fazer?

Temos que percorrer atrás dela com paciência para sair. Redimensionamos conceitos, pensamos em melhorar posturas, mas ainda ficamos sujeitos ao trânsito dentro do túnel em que estamos vivendo. Essa é a nossa realidade hoje. Estamos pensando na luz, entusiasmados com a luz. A nossa semente está produzindo luz, porém, estamos ainda em meio às trevas. E temos que sair desse túnel. Não podemos explodi-lo, do contrário fechamos a saída e corremos o risco de ficarmos por mais algumas reencarnações na confusão toda.

De uma forma geral, a maioria esmagadora das criaturas humanas quer o homem aperfeiçoado de um dia para outro. Isso mesmo, não é exagero nenhum. Quer rigorosamente a redenção a golpe instantâneo da vontade, de forma imediata, apressada, sem planejamento, sem programação, sem uma realização metódica. Sendo assim, é muito comum nós arregimentarmos valores informativos e querermos que esses valores, por si só, sufoquem e matem de imediato o homem velho. Esse é o nosso caráter imediatista. Mas a verdade é que a coisa não é bem assim. Aliás, essa concepção define um erro muito triste.

Está certo que a grande massa de pessoas do planeta tem evoluído no decorrer da paciência do tempo, só que dentro dos padrões e lances do crescimento não se faz ou não se dá passos efetivos e finalísticos em um espaço muito curto de tempo. Razão pela qual, em se tratando de estrutura educacional, psíquica e espiritual, para uma evolução efetiva é preciso desativar a pressa.

“Poxa, espera aí. Porque desativar a pressa, se eu tenho pressa?”, você pode pensar. É simples. É que esses caracteres embutidos em nossa personalidade são vigorosos. Exercem uma influência na nossa vida muito maior do que a gente imagina e não são extirpados através de atitudes milagreiras de momento.

Não existe a possibilidade de desativarmos esses reflexos simplesmente pela utilização de sistemas mecânicos ou elaborações mentais de periferia. Essas cristalizações de longo período no inconsciente não podem ser arrancadas apenas com algumas palavras e induções psicológicas de breve duração. O vício não cede o lugar sem luta, é preciso destronar um elemento para que outro impere.

E por falar em pressa, tem muitos companheiros que buscam impor a si mesmos, violentando-se mediante uma terapia de choque. É como se dá com fanático. Fanatismo é um processo cristalizado, em que a criatura se investe de uma maneira definitiva e violenta, e o que é pior, sem medir as consequências.

Olha, meu amigo, nós estamos aqui juntos fazendo um esforço para trabalhar o evangelho com carinho e aprofundamento e não podemos ignorar que a luz direta e intempestiva direcionada aos olhos de alguém pode cegar. Aliás, todo fanático é cego. Dizemos isso sem querer ofender ou menosprezar ninguém, mas é verdade, é cego. Ele recebe algo no sermão da igreja em que frequenta e acha que tem que ser daquele jeito. O fanático é aquele que ingere o conteúdo, e sem mastigar, sem questionar, sem raciocinar, e parte para uma aplicabilidade nem sempre assentada no discernimento, equilíbrio e segurança que se fazem necessárias. Essa nós podemos conceituar como sendo uma terapia do choque, onde a individualidade não tem a paciência de construir a si própria.

A luz deve ser refletida com autenticidade para se poder ver com clareza. Nós, que estamos vinculados em uma escola que indica que em parte conhecemos o nosso passado, embora não possamos detalhá-lo, mas que o conhecemos a nível intuitivo, sabemos perfeitamente, dentro do plano de reflexos com os quais nos deparamos nos dias de hoje, mais ou menos o que fomos ontem. E sabemos, também, que o processo ascensional tem que ser feito passo a passo.

Simplesmente não dá para a gente sair de uma reunião, de uma cerimônia religiosa, e achar que somos outra pessoa. Não dá para alguém sair de um culto e dizer “agora eu sou outro homem” ou “sou uma nova mulher”. Espera aí, não é outro ou outra coisa nenhuma, isso é conversa para boi dormir. Você pode ser outra pessoa com novas ideias, novos propósitos, mas o seu espírito ainda é o mesmo, cheio de marcas. Então, na medida em que vamos assimilando os padrões novos que nos são canalizados, nós vamos observando que temos que aguardar a maturação deles em nosso íntimo. E vamos notando que a gente aprende, e que de algum modo temos de ter tranquilidade ao dar o passo.

As soluções na nossa vida não virão ao nível conceitual, mas no plano operacional.

Deu para captar ou falei grego? A gente idealiza, estuda, lê livros de autoajuda e de interpretação do evangelho. Essa é a linha conceitual. Só que a nossa mudança é operacional, não é conceitual, embora a linha conceitual seja a forma que vai modelar essa mudança operacional e final. Em um estudo como este nós estamos trabalhando as linhas estruturais do campo mental, que é onde está a origem, a gênese de toda a nossa iniciativa de crescimento. E se eu não mantiver essa linha conceitual clara e segura, e não nutri-la de valores de segurança, na primeira esquina eu desisto e volto para a antiga sistemática de ação.

Percebeu agora? Nós podemos sair de uma reunião espiritual ou de um estudo com muitos esboços dentro de nós, esboços que definem uma mentalidade mais equilibrada e mais harmônica. Mas já podemos desmanchar o esboço na saída do portão, brigando com alguém no caminho, entrando em desajuste. Então, vale ter em conta que o plano mental é o plano informativo desses caracteres, esboçando caracteres, e esse esboço vai ser fundamentado no plano prático realizador do dia a dia. É a aplicação que pode produzir nova forma.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...