11 de ago de 2012

Cap 26 - Livre-Arbítrio - Parte 4


GUARDAR E RETER

“10COMO GUARDASTE A PALAVRA DA MINHA PACIÊNCIA, TAMBÉM EU TE GUARDAREI DA HORA DA TENTAÇÃO QUE HÁ DE VIR SOBRE TODO O MUNDO, PARA TENTAR OS QUE HABITAM NA TERRA. 11EIS QUE VENHO SEM DEMORA; GUARDA O QUE TENS, PARA QUE NINGUÉM TOME A TUA COROA.” APOCALIPSE 3:10-11

“10NADA TEMAS DAS COISAS QUE HÁS DE PADECER. EIS QUE O DIABO LANÇARÁ ALGUNS DE VÓS NA PRISÃO, PARA QUE SEJAIS TENTADOS; E TEREIS UMA TRIBULAÇÃO DE DEZ DIAS. SÊ FIEL ATÉ À MORTE, E DAR-TE-EI A COROA DA VIDA.” APOCALIPSE 2:10

“25MAS O QUE TENDES, RETENDE-O ATE QUE EU VENHA. 26E AO QUE VENCER, E GUARDAR ATÉ AO FIM AS MINHAS OBRAS; EU LHE DAREI PODER SOBRE AS NAÇÕES.” APOCALIPSE 2:25-26

“3LEMBRA-TE, POIS, DO QUE TENS RECEBIDO E OUVIDO, E GUARDA-O, E ARREPENDE-TE.” APOCALIPSE 3:3

O apocalipse em várias passagens sugere a gente guardar o que tem. Ótimo, isso é bom, mas o que é guardar? A gente tem que saber. É por no guarda-roupa? Acondicionar numa gaveta? Ele chega a dizer mais ainda: “Eis que venho sem demora; guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa.” (Apocalipse 3:11)

Bem, geralmente a gente guarda valores, e valores guardados a gente, em tese, não utiliza. Como em um cofre, ou em um banco. Fica lá. Pode acontecer de o indivíduo herdar uma fortuna do pai e ela fica lá, guardada no cofre do banco, e às vezes nem usufrui. E a primeira coisa que a gente precisa entender é que valores são para ser usufruídos. Para que “ninguém” tome a nossa coroa. Ora, esse ninguém vamos entendê-lo de imediato como sendo alguém no campo das pessoas, no entanto, são determinados departamentos da nossa própria intimidade. Esse alguém que pode tomar a coroa pode ser a nossa órbita íntima vinculada ao orgulho, à avareza, e outros ângulos que podem preponderar tomando conta ou apropriando-se de um componente que nos tinha concedido uma autoridade de operar em determinada área do crescimento.

Verdade seja dita, se quisermos crescer daqui para frente de forma efetiva precisaremos saber guardar. Guardar dá uma ideia de acondicionar, pressupõe um cuidado da nossa parte. Afinal, como é que alguém vai guardar alguma coisa se não tiver cuidado? E se estamos guardando é porque aquilo deve ser uma coisa boa, algo que possui algum valor, que é importante para nós. Uma criatura em seu juízo perfeito não vai guardar algo que não lhe interessa, que não tenha utilidade. Logo, é guardar no seu sentido utilitário, guardar para ser usado. E no que reporta aos padrões do evangelho, para além de decorar a mensagem, é preciso guardá-los nos seu aspecto afetivo, na sua acepção positiva.

Vamos encontrar no evangelho de João a seguinte colocação: “Jesus dizia, pois, aos judeus que criam nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” (João 8:31-32) Temos aqui a presença do verbo permanecer, que é também uma ideia do guardar. Guardar os mandamentos. O que significa isso?

Os valores, nós já sabemos, são para ser usufruídos. Então, de cara entendemos que o guardar não é no sentido de simplesmente inserir numa gaveta ou colocar na geladeira. Também não é guardar no aspecto de arquivar mnemonicamente, ou seja, na memória. Nada disso. O guardar, segundo Jesus, projeta para um plano operacional devidamente selecionado. Guardar os mandamentos significa operar com eles, é guardar consigo no sentido de realizar.

“Lembra-te, pois, do que tens recebido e ouvido, e guarda-o. E arrepende-te.” (Apocalipse 3:3) O guarda-o e arrepende-te que dizer que precisamos guardar o que temos e nutrir um processo de recomposição do destino relativamente ao que temos feito. Guardar tem por objetivo manter acesos os caracteres positivos no sentido operacional, no campo da aplicabilidade, no âmbito aplicativo.

“Como guardaste a palavra da minha paciência, também eu te guardarei da hora da tentação que há de vir sobre todo o mundo, para tentar os que habitam na terra.” (Apocalipse 3:10) O que vem a ser esse “guardar a palavra da minha paciência?” Define para nós, com muita tranquilidade, que temos que reter essas informações assimiladas com persistência para serem utilizadas de forma segura diante das circunstâncias que nos chegam. Guardar porque vamos aplicá-las. É preciso reter e guardar ao nível da aplicação se quisermos conquistar. Guardar aqueles valores que foram perfeitamente assimilados no campo perceptivo e intelectivo nosso é realizar com eles, ao passo que reter é perseverar.

É lindo isso. Basta pararmos um pouco prá pensar, mas de forma aprofundada, para constatarmos que é maravilhosa a trajetória da renovação pessoal. É de uma grande beleza. Só que não é fácil. O nosso íntimo grita, deseja e busca por constante melhoria, e em função dessa busca nós apreendemos valores novos.

Esse aprendizado já propicia um conforto e nos coloca na antesala da libertação.

E é exatamente na hora em que os aplicamos que praticamente se instaura a grande luta da redenção ou da renovação. Como diz um ditado popular, é aí que “a chapa esquenta”. É aí a hora da prova. As dificuldades surgem quando colocamos esses valores apreendidos em relação, ou em choque, com os padrões que, até então, nós estamos vivenciando. Queremos instaurar um processo liberal em nosso coração e o conservadorismo já existente quer nos segurar na marra, não quer perder terreno facilmente. Na hora em que pegamos a planta da nova casa idealizada ainda fala muito a planta antiga da casa, e se bobear caímos nas mesmas valas, nas mesmas linhas anteriormente programadas, nas mesmas medidas, nos mesmos alicerces. Não se trata de algo exclusivo a algumas pessoas, é algo extremamente normal. Geralmente os que instauram novos mecanismos, os liberais, são sempre rejeitados pelos conservadores.

É com o decorrer do tempo que vamos fixando os novos padrões. A formação está para além da informação. Se eu retenho esses valores recebidos, no sentido de uma aplicação constante, eu começo a gestar caracteres novos em mim. Da informação, que era uma espécie de esboço, eu passo a dar forma, eu começo a formar novos padrões, e isso é que é reter. E vou perceber que o que eu recebi conseguiu se formar porque na minha faixa eu fiz, na minha órbita eu apliquei, eu realizei. Em qualquer área imaginável da vida não tem como progredir sem fixar. É necessário insistir para que os novos padrões ganhem corpo. Como na parábola do joio e do trigo, a questão é continuar a semeadura.

O campo íntimo é um ponto acolhedor, um vaso receptivo. Captamos a verdade de cima e essa verdade se transforma em vida quando continuadamente aplicamos esses valores em nossa personalidade. Assim, os reflexos que estavam presentes em nós começam a perder autoridade, embora não sejam extirpados, e o componente novo que chegou, inicialmente pela informação, passa a incorporar nosso terreno, passa a ser nosso valor, o novo reflexo.

O problema é quando rejeitamos o padrão novo. Quando visualizamos a porta, mas constatamos que queremos mesmo é ficar no ambiente antigo. Aí é que a coisa emperra. A gente sente que fica travado, a coisa não anda. Queremos a cura do problema, mas desanimamos diante do amargor do remédio. É por essa razão que não é fácil mudar, e continuamente nos situamos trabalhando em conflito.

Todas as vezes que um componente novo nos visita o plano educacional nós entramos nessa grande luta: o que eu sou e o que quero me tornar, o que sei e o que tenho aprendido, o que faço e o que preciso passar a fazer. E se rejeitamos o padrão recolhido é sinal claro de que estamos de algum modo apaixonados.

Estamos, ainda, de certa forma, vinculados vibracionalmente com as faixas anteriores. Apesar da consciência definir que aquelas áreas precisam ser vencidas, superadas, e os reflexos desativados, ainda sentimos um magnetismo que aglutina, que prende a gente, uma atração envolvente que nos mantém em face dos nossos desejos que continuam sendo realimentados em cima daquela proposta antiga. Deu para notar? É por essa razão que comumente o indivíduo quer lagar o álcool, mas é apaixonado pela bebida, quer abandonar um vício, no entanto, se mantém fascinado pelo prazer relativo que ele proporciona, vê a solução, mas no fundo gosta da vivência do tumulto.

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