15 de ago de 2012

Cap 26 - Livre-Arbítrio - Parte 5


MELHOR AÇÃO, MELHOR REAÇÃO

“DE MANEIRA QUE AGORA JÁ NÃO SOU EU QUE FAÇO ISTO, MAS O PECADO QUE HABITA EM MIM.” ROMANOS 7:17

“CHEGAI-VOS A DEUS, E ELE SE CHEGARÁ A VÓS. ALIMPAI AS MÃOS, PECADORES; E, VÓS DE DUPLO ÂNIMO, PURIFICAI OS CORAÇÕES.” TIAGO 4:8

Vivemos todos, sem exceção, em esteiras amplas de reflexos. Reflexos esses que são disparados pelos nossos sentidos tradicionais como ondas volumosas que adentram em nosso território pessoal. O apóstolo Paulo diz que “agora já não sou eu que faço isto, mas o pecado que habita em mim.” (Romanos 7:17) 

O instinto que em muitos pontos nos domina é sempre uma soma daquilo que cada um de nós incorporou. O reflexo gera a emoção, que gera a ideia, que gera a palavra e que, por sua vez, gera a ação. Então, notamos que até o reflexo a manifestação é automática, e esse automatismo está ligado em função dos desejos profundos da nossa intimidade, e que quer nos empurrar para eles. Esses padrões condicionados dentro de nós realmente não são fáceis, até muito pelo contrário, são difíceis, duros, irreverentes, não cedem caminho com facilidade. Repare que por mais que a gente tente eles estão sempre ali, sempre prontos. É como uma sombra que nos acompanha. Na hora em que bobeamos um pouco, que baixamos a guarda, que desguarnecemos a vigilância, eles nos jogam para trás. É exatamente assim. Na hora que a gente acha que ficaram para trás, que já são coisa velha, passada, superada, eles vem.

Vem, e “pimba” na gente. E o que é pior, não vem apenas o reflexo condicionado nesta vida, mas inúmeros outros que participam profundamente do nosso psiquismo em função das experiências arregimentadas ou levadas a efeito e agrupadas em reflexos dentro de nós em vidas passadas. A eles o Cristo de Deus faz referência no “acautelai-vos dos homens”. É preciso mesmo paciência. Vamos nos lembrar que esses reflexos podem ser desativados mediante a implantação de outros padrões, mas nunca serão erradicados. E o que precisamos fazer é criar uma base para amenizar as suas manifestações, seus efeitos.

O tempo passa e temos vivido ao longo de um passado em cima de emoções arraigadas. Não tenha nenhuma dúvida, é pelas nossas reações que nós somos aferidos. A ação nós sabemos que pode ser pensada, avaliada, mas a reação, que é automática, afere. A reação afere e nós somos aferidos nos impactos da vida pelas nossas reações. Somos aferidos pela forma como reagimos diante das mais variadas circunstâncias. Pelo impacto das emoções definimos o que efetivamente tem representado a soma dos caracteres constituídos no bloco íntimo a que já nos referimos. Muitas vezes a criatura, diante de certas situações, exterioriza de improviso certas atitudes, certos registros, como no trânsito, por exemplo, quando diante de uma situação inesperada ela se irrita com outro condutor e solta aquela palavra “linda”, aquele “elogio”, em que lhe deseja “toda a felicidade do mundo”, e desta forma demonstra que de fato possui esses padrões pulsantes na sua própria intimidade. 

Assim, observamos que o que estamos soltando em meio às nossas reações revela o que temos. Mas a boa notícia é que podemos mudar esses padrões. Aliás, não só podemos como devemos. E constantemente estamos alterando o circuito desses instintos, porque muita coisa que fazemos instintivamente com o decorrer do tempo sentimos a necessidade de reavaliar, redirecionar, alterar.

É necessário e faz parte do mecanismo evolucional consciente que cada individualidade aprenda a liderar a si próprio. E o que é liderar a si próprio? É ter uma postura resoluta, não permitir que a instintividade governe a nossa vida. Já ficou claro que a instintividade não pode ser eliminada, pois ela é um componente importante que facilita a nossa caminhada. Só que os instintos, esses padrões conquistados, não podem ficar soltos sem controle, necessitam ser dirigidos. Jesus faz referência a eles quando exorta a vigilância. E temos aprendido por experiência própria que quando eles assumem o controle complica.

Então, tudo bem. Está claro que grande parte das nossas atitudes não constitui necessariamente ação, mas, sim, reação, e ninguém também vai questionar que precisamos trabalhar o íntimo educando a nossa forma de reagir. Só que tem um detalhe: trabalhando a reação unicamente vai ser muito difícil a gente conquistar.

Para esperar melhores resultados com segurança precisamos operar com discernimento, e muitas vezes temos que aprender na ação para amenizar a reação.

Está dando para captar? Esse campo novo que nós dinamizamos mediante uma segurança e certeza que a fé é capaz de alimentar na mudança, para que ele passe a ser automático na irradiação dessa energia ele tem que ir escapando de forma gradativa da chamada atividade mantenedora e consciente. Em outras palavras, é o somatório do mínimo a cada instante que consolida o condicionamento dentro de nós. Para que a gente adquira padrões comportamentais de segurança é preciso investir na ação, selecionar e partir para a ação. É por ações instituídas e direcionadas que adquirimos o direito de mudar, mediante um sistema repetitivo, a nossa forma de sentir, de agir e operar.

Porque a ação ajuda na conquista de novos valores. Ela estrutura e projeta, ao passo que a reação unicamente afere. Percebeu? Por esta razão é imperioso nós investirmos muito no plano da ação para que possamos ganhar na hora da reação.

Investir na ação em uma linha de atitude mais equilibrada para sermos felizes na reação, porque é a ação direcionada que vai proporcionar condições de uma reação feliz nos momentos mais complexos. Por isto, mais um lembrete de suma importância: quem quiser desativar reflexos incomodatícios, menos felizes, passe a instaurar outros mais seguros, mais positivos, que possam vir a preponderar no plano das manifestações no dia a dia acima daquela imagem anterior, daquela sombra que vem nos acompanhando durante longos caminhos.

Se quisermos melhorar nossas reações, melhoremos nossas ações. Sem contar que precisamos melhorar nossas ações no campo dos relacionamentos também. Mas melhorar a postura não somente com aquele indivíduo chato, aborrecido, não só com o que incomoda e desagrada, melhorar com os outros igualmente.

Eu preciso de um sacrifício maior para conquistar. Necessito testemunhar de maneira mais clara, decisiva e nítida contra essa influência que está dentro de mim, uma vez que sei que a concupiscência está dentro de mim. Sem essa postura a minha vontade em muitas ocasiões fica subordinada ao reflexo já condicionado. E para que ocorra uma sobreposição a esse bloco de registros íntimos, que tem um denominador fixo, resultante de várias experiências lá de trás e desta vida também, é preciso, como diz o apóstolo Tiago, um duplo ânimo. 

É imperioso um ânimo dobrado porque já existe impulsionado todo um sistema de vida que é o automatismo dos nossos reflexos, e que fica engatilhado. Por exemplo, se chega uma notícia específica o indivíduo já expõe determinada reação. Se ele recebe certa instrução no local de trabalho já pressente que vai haver chateação, e assim vai. Ânimo duplo é sinônimo de ânimo redobrado. Ante o automatismo irreverente tem que haver ânimo redobrado para que possamos enveredar por processo diferenciado, laborando novos componentes para o campo reeducacional nosso. A primeira metade do ânimo neutraliza a insinuação do reflexo e a outra metade efetiva a conquista.

Em diversas ocasiões é comum ficarmos cogitando acerca do que temos que fazer, o que precisamos fazer, só que enquanto nos mantemos nessa etapa de cogitações tudo se mantém muito precário e duvidoso. E na medida em que vamos investindo na realização da proposta e materialização da ideia é como se iniciasse o funcionamento de uma máquina geradora de curso d’água. Aquela ação passa a se manifestar de forma normal, contínua, não se faz mais necessário ficar alimentando o processo pelo consciente, o mecanismo passa a ser alimentado e realimentado pelo próprio impulso interior. Não quer dizer que vai passar a ser algo inconsciente, não, não é isso. Apenas ocorre que a sistemática se torna automática, vamos trabalhando de maneira continuada. É como quando desligamos o carro, saímos dele e acionamos o alarme sem pensar.

Passa a ser automático. Repare que por enquanto a nossa caridade é laborada mental e intelectivamente. A gente pensa e pondera: “Vou lá, vou fazer assim, daquele jeito, e tal”... E enquanto pensamos se fazemos ou não fazemos um outro já pulou na nossa frente e fez. Ele foi movido por quê? Por uma questão acentuadamente automática do psiquismo dele. Ele já não precisa pensar tanto, já é natural para ele. Ele já sente aquilo, não labora intelectivamente. 

Uma pessoa que se sente bem com determinada ótica, com aquilo que ela está recebendo e aplicando, ela não pensa. Logo, em toda empreitada nova nós temos que alimentar e realimentar a vontade com material pujante, pois aquilo que objetivamos não está, ainda, incorporado ao nosso psiquismo. É preciso reter.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...