21 de ago de 2012

Cap 26 - Livre-Arbítrio - Parte 6


A FORÇA DA VONTADE

A partir do momento em que vamos estudando e aprendendo vamos sabendo administrar melhor as elaborações mentais, por meio das quais nós podemos dar extraordinários passos na jornada evolutiva. 

É pela perseverança que nós ganhamos o componente que objetivamos no espaço e no tempo. Podemos dizer que a assimilação e o progresso se dão na horizontal do conhecimento, ou seja, esta conquista se faz análoga à promoção de um servidor público mediante o critério de antiguidade. A formação dos padrões que precisamos, ao nível das virtudes, aqui ocorre pela extensão repetitiva, ganhamos pela linha contínua de ação, na ação continuada, na horizontal do tempo.

O mundo é uma bola, essa bola não para de girar e muitas pessoas esperam as coisas caírem do céu. E o engraçado é que meu irmão costuma dizer que o que cai do céu é chuva e avião sem gasolina. Agora, deixando a brincadeira de lado, se a nossa maneira de ser cria uma aura toda específica que segura, prende e entretece o nosso campo mental com o automatismo, a vontade fixa e determinada, por sua vez, é capaz de gerar, através de um dínamo instaurado no coração, um campo também suficientemente forte para promover a desvinculação desses padrões e a entrada em um terreno novo de vida.

A vontade abastecida, continuamente sustentada com carinho e determinação,  propicia êxito, pois ela é capaz de criar um campo magnético suficientemente capaz de comparar-se e até mesmo superar o magnetismo irradiador da nossa intimidade.

Na proporção em que a nossa estrutura mental homologa um conceito como válido e acertado, nós vamos notar que ao nível da vontade esse conceito tem que ter tanta força de aplicabilidade quanto a força automática do nosso subconsciente, já concretizado ao nível das ações vividas. O que eu estou querendo dizer com isto? Que a componente vontade no nosso terreno mental têm que ter forças pelo menos iguais às forças que dominam o nosso automatismo.

Que quanto mais queremos progredir mais necessitamos exercitar a capacidade de operar e manter a segurança de modo a não sermos tragados pelas próprias faixas circunstanciais. Assim, para sermos mais abençoados no conhecimento da verdade do que na insinuação do homem velho, que chega todo o momento para nos desafiar, façamos um sacrifício maior, nos esforcemos mais.

Se você achar que está sem força, que está indeciso, desestimulado, testemunhe de maneira ainda mais firme contra essa influência que está dentro de você, uma vez que sabemos que a concupiscência está dentro. Não se esqueça, o reino dos céus é dos fortes e a sua posse depende de conquista. Não vem de graça. É pela vontade que o alcançamos, pois sem  utilização ampla dessa energia chamada vontade nós não conseguimos superar a nossa animalidade.

No lançamento de uma espaçonave todas as forças são empreendidas no início. Um grande consumo de combustível é usado na sua decolagem. E na medida em que ela vai conquistando altura, essa força vai se reduzindo em função da ausência de resistência, até chegar a um ponto em que a energia vai ser usada para redirecionar o rumo. Conosco não é diferente. O que aponta que esse elemento vontade no terreno mental tem que ter forças pelo menos iguais às que dominam o nosso automatismo. Parece muito difícil, todavia, as grandes personalidades vivem em função da capacidade operacional ao nível da vontade. Porque se a vontade não for acionada, de forma resoluta, não avançamos, ficamos apenas perdendo tempo, e o homem velho continua nos dominando.

E tem uma coisa interessante. Se até ontem o tempo vinha operando o encaminhamento dos nossos destinos dentro do plano de cumprimento natural da lei de ação e reação, e o nosso crescimento se fazia na linha da repetição, por uma ação continuada, que até comparamos a uma promoção no serviço público pelo critério de antiguidade, hoje notamos que temos a oportunidade de adotar novo sistema de avanço no campo da evolução. Um método não mais impulsionado pelo impacto dos acontecimentos, e sim pela apreensão de um conteúdo e pela capacidade de trabalho nesse conteúdo. Está conseguindo acompanhar?

Essa promoção por antiguidade, pela extensão do tempo, pela linha horizontal da continuidade, pela repetição, pode ser suplantada por uma dinâmica de intensificação. Pela autenticidade da vontade, o que vai proporcionar uma alteração fundamental em toda a proposta do nosso crescimento rumo a um futuro melhor. O que quero dizer é que intensificando a ação nós podemos ganhar de modo muito mais rápido. Como no serviço público, dessa vez a promoção vem mais rápida, se dá por merecimento. Aqui a conquista é na linha vertical ao nível das virtudes, ocorre pela intensidade operada, em um curto prazo pelo nosso grau de entusiasmo, de determinação e de investimento.

Ganhamos na verticalização do aproveitamento do tempo, de forma mais determinada, e para isso é preciso que utilizemos, de maneira ampla e determinada, o elemento fundamental chamado vontade. É um processo em que a vontade realmente toma as rédeas da nossa proposta de crescimento. Passamos a ganhar com intensidade e aproveitamento o que levaríamos tempo considerável para conquistar nos caminhos da extensão horizontal. Não quer dizer que passamos a trabalhar saindo da paciência e entrando na precipitação. Nada disso. Apenas a vontade passa a alimentar e impulsionar toda a estrutura íntima, ela vai dando condições de irmos selecionando melhor o campo alimentício, por meio da qual obtemos a realização de grandes milagres na vida.

A vontade hoje é componente inarredável da proposta de crescimento, é exatamente o botão que marca e define o movimento ou a inércia da máquina. Não podemos negligenciar que o grande segredo da trajetória nossa é todo um sistema de euforia, realização, crescimento e alegria em recolher e servir no devido tempo. Não adianta, toda a nossa luta, sem vontade, já é decretada na base: fracasso, frustração e incapacidade. Dentro de um plano de projeção e de proposta de evolução consciente, selecionar componentes e aplicá-los sem vontade não dá, não resolve, é papo furado. O processo em que estamos matriculados é o de alimentação da vontade. Não existe êxito na nossa proposta de regeneração pessoal e não se penetra em nova etapa sem a capacidade plena de utilização da vontade. Não se progride em terreno de novas realizações sem a constante presença dela, é ela que tem que apresentar variáveis enormes desde o início da caminhada. A vontade, que é o componente básico da vida mental, vai conseguir trabalhar com sucesso todo o processo.

É muito bonito falar disso, e falando chega até a parecer que é fácil. Só que geralmente a nossa vontade costuma ser bem menor que a nossa capacidade. Muitas vezes a nossa mentalidade absorve conteúdo, mas a vontade é incapaz de operar, e não tem como progredir numa situação nova, no rumo de uma nova faixa de vida sem a utilização adequada da vontade. Pare prá pensar um pouco e observe que a vontade fraca e deseducada muitas vezes é a causa dos fracassos, dos desapontamentos e das quedas. A gente diz, na prece do pai nosso: “seja feita a tua vontade”, só que insistimos em dar preferência à nossa.

Não é assim? Às vezes a criatura está debaixo de outra tutela que comanda a intimidade dela ao nível dos desejos de maior profundidade. E acabamos por dar campo não à boa vontade, mas à má vontade. E a má vontade é decorrente de uma vontade outra que supera a pretensa vontade que a gente quer alimentar.

Em outras palavras, nós temos uma vontade para adquirir tal coisa, mas a nossa vontade não é suficiente, e tem uma outra que emerge e que nós damos campo a ela de maneira muito mais ampliada dentro do terreno dos desejos. A gente sente isso, que a má vontade é alimentada e realimentada por uma vontade que ainda predomina na nossa intimidade. Assim, estamos fazendo um trabalho aqui de levantamento de estratégias de vida, de escolha de uma proposta que traz conteúdo, e que consiga polarizar o nosso grau de interesse. Valores que podem nos induzir a trabalhar o campo mental no plano de dedução e de seleção para que possamos realmente fazer tudo isso de forma globalizada.

A gente tem uma ideia, e logo já quer fazer coisas altamente sofisticadas, altamente ampliadas. É comum a criatura nem ter dado sequer o primeiro passo e já querer cultivar o desejo de grandeza. Vamos começar de forma consciente e sólida pelas menores coisas que nós guardamos. Guerra, a gente sabe que começa a ser vencida na sala de estratégia, e precisamos começar do princípio, dos pontos básicos. Como no erguimento de um edifício, é levantando e solidificando ponto a ponto que conseguimos. Enquanto não houver uma proposta educacional de base, e de educação da vontade, nós ficamos, ainda, carregando conosco as nossas dificuldades e as nossas mazelas.

O tempo e o espaço correm por conta da disposição divina. Até aí, tudo bem, só que ficamos rendendo tempo ao tempo, prolongando e esquecendo que aproveitamento do tempo é investimento para o futuro. A justiça cobra e não espera, todavia, o amor não tem como ser socado dentro da gente. Por ter uma característica de espontaneidade, ele tem que ser aceito, é necessária uma adesão interna. Jesus efetivamente é aquele que vem ao nosso encontro, mas só é capaz de nos ajudar se de nossa parte houver uma abertura no plano da percepção.

Quando o quarto permanece sombrio somos nós que destravamos o ferrolho da janela para que o sol nos visite. E se a semente é auxiliada pela adubação, pela água e pelo sol, ela é, também, obrigada a trabalhar dentro de si mesma a fim de produzir. Por isso, vamos dedicar alguma cota de esforço no investimento da lição para que a lição, por sua vez, nos responda com suas graças e bênçãos. Pessoa nenhuma consegue manter um sorriso de satisfação em cima de uma coisa que está estagnada. Não é possível crescer sem investir.

Podemos mesmo dizer que sem ousar ninguém caminha e obtém dias melhores, e o ousar pressupõe um processo de inteligência no lançamento dele. 

É de nosso próprio interesse levantar o padrão da vontade, estabelecer disciplinas para o uso pessoal e reeducar a nós mesmos ao contato com o mestre divino. Uma das coisas que estamos fazendo aqui é exatamente assimilar conhecimento para o grande encorajamento. Se aprendemos e não fazemos, o que estamos esperando? Se nos encontramos interessados no próprio aperfeiçoamento a palavra de ordem é aproveitar. Para não chorarmos depois.

Um comentário:

  1. Impressionante como são as coisas. Estava procurando outra coisa na internet, mas uma imagem me fez chegar até este texto. Sou espírita e tenho lutado, ultimamente, para reeducar minha vontade. Agradeço demais por TODAS as palavras deste texto, à você que escreveu, e à Deus, que sempre nos mostra, de todas as maneiras, o caminho que devemos realmente seguir.

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