25 de ago de 2012

Cap 26 - Livre-Arbítrio - Parte 7


O MOMENTO DA ESCOLHA

“A LEI E OS PROFETAS DURARAM ATÉ JOÃO; DESDE ENTÃO É ANUNCIADO O REINO DE DEUS, E TODO O HOMEM EMPREGA FORÇA PARA ENTRAR NELE.” LUCAS 16:16  

Os múltiplos conhecimentos que nos visitam na atualidade em todas as áreas sugerem de nossa parte uma firme adesão em um sistema reeducativo e operacional no bem.

O berço nos confere a existência, todavia, a vida é obra nossa e viver bem não pode ser algo levado a efeito de qualquer maneira. É preciso adotar algumas estratégias dentro de um plano de crescimento consciente, e a transformação e o alcance do objetivo que propomos realizar exigem dinâmica continuada. 

Aliás, podemos até ir mais longe e resumir dizendo que o êxito representa a capacidade de realizarmos aquilo que está proposto, e que tudo depende de uma postura de decisão nossa. Decisão, palavra marcante que representa o ápice daquilo que a gente já pode realizar e que define o ponto de ousadia e implica sempre na necessidade de desconexão, resultante da determinação e fé.

Cada um de nós, espíritos encarnados jornadeando nas estradas da vida, busca a ascensão e a luz. Cada qual a seu jeito, claro, só que não existe uma projeção libertadora sem programação. Não existe libertação renovadora sem planejamento, por mais que alguém desconsidere essa ideia e queira bater com a cabeça na parede. Os companheiros espirituais investem nos potenciais que conseguimos levantar em nós mesmos, os espíritos superiores investem em nossas fragilidades, no entanto, o aproveitamento final depende de nós, sempre vamos evoluir em função da nossa determinação pessoal. Existe um grande desafio lançado no sentido de aprendermos a administrar os componentes que nos circundam, sejam eles favoráveis ou difíceis, e seremos amplamente felizes se, em meio às decepções que nos atingem, soubermos identificar os caminhos seguros de soluções no reencontro da harmonia que queremos.

Cada um de nós não é aferido e avaliado propriamente por aquilo que já possui, mas sempre pelo grau de disposição realizadora, pela determinação em fazer.

Ocorre que aquilo que possuímos pode já estar gasto, superado, saturado no espaço e no tempo, pode ser coisa ultrapassada. O que estamos dizendo não é difícil de ser entendido, basta olharmos no mundo do trabalho, nas linhas seletivas de pessoal, nos critérios de seleção adotados pelas empresas de uma forma geral. Tanto no plano social quanto no empresarial os investidores estão atrás de pessoas que tem iniciativa, que se predispõe a vestir a camisa da organização, daquele que não faz corpo mole e não levanta apenas problemas e limitações na área funcional. Porque uma das coisas mais gratificantes é poder lidar com quem quer crescer, com quem apresenta aquela índole de manifestação dos seus potenciais. Muitas vezes é melhor investir naquele que quer se afirmar, que quer crescer, do que trabalhar com quem acha que se firmou.

Agora, veja bem, se no meio material esse procedimento acontece, no âmbito espiritual essa valorização se faz com uma nitidez e aprofundamento muito maiores.

Andamos prá lá e prá cá, relacionando com pessoas a todo o tempo, e é grande o número delas que falam que não compreendem os textos bíblicos. Que não conseguem entender, por mais que leem, e que falta objetividade a eles. Não há como discordar desses posicionamentos, no entanto, no que se referem às sagradas escrituras não podemos esquecer que estudamos em cima de registros figurados, e não linhas objetivas. E o registro figurado, que normalmente vige por parte dos reveladores, insere uma soma muito ampla de informações que vamos conseguindo abranger segundo o nosso próprio crescimento.

De forma que o conteúdo bíblico é um conteúdo que todo ele vai permanecer. Inalterado, ele não tem que ser renovado de maneira objetiva como muitos pretendem. Ele apresenta um sentido amplo de revelação, e em razão disso não pode apresentar uma diretriz de percepções restritas, limitadas, únicas, o que denota a necessidade de o trabalharmos sob o aspecto globalizado e ampliado.

Há muitos indivíduos que costumam questionar o porquê do evangelho não ser tão objetivo. Parece que gostariam no fundo que ele fosse qual uma cartilha com as suas opções devidamente programadas: “em uma situação dessa natureza você age assim, dessa forma, em uma outra você faça daquele jeito”, e assim por diante. Será que gostaríamos mesmo que ele fosse assim? Pare e pense.

Na eventualidade do evangelho ser assim tão simples e objetivo, como uma cartilha com manual de instruções, em vez do conteúdo ampliado e revelador que ele aponta e propõe, nós não seríamos filhos de Deus, com responsabilidade e liberdade de escolha, mas sim autômatos e robozinhos dele.

Sem contar que as profecias apresentam um conteúdo abrangente a ser trabalhado conforme o patamar ascensional de cada individualidade que o interpreta. E a linguagem não é tão objetiva por causa de outro ponto essencial: para não interferir no momento de decisão do espírito, que é sagrado.

Os valores informativos nos chegam ao plano perceptivo de fora para dentro por assimilação e esse conhecimento se dá por várias formas. Investimos e assimilamos, só que temos que lembrar que na hora da aplicabilidade dele a decisão é puramente nossa. No momento da aplicação do padrão assimilado vamos ter uma decisão sem qualquer interferência exterior. Vai ser uma postura totalmente calcada na espontaneidade do ser. Não é para nos inquietarmos, porém, temos muitos momentos na vida em que precisamos decidir sem a proteção ostensiva. É desse jeito que a coisa funciona. No instante do testemunho estaremos sempre sozinhos com as nossas aquisições íntimas.

Mesmo diante da porta estreita, dilatando conquistas eternas, iremos também só. Aliás, muitas vezes, diante das dificuldades mais profundas e expressivas, costumamos ter mesmo esta sensação de estarmos sozinhos. E a sensação de estar só é que nos projeta para um plano mais avançado no campo da segurança, pode ter certeza. Quando este momento chega é aproveitar a chance.

É como a criança aprendendo a andar de bicicleta, que em determinado momento o pai ou a mãe necessita tirar as rodinhas de apoio. Quantas vezes, em momentos de grande culminância, vivemos sozinhos o processo, e em volta está toda uma equipe de espíritos nos observando e orando. Observam e torcem, só que não podem interferir, porque senão cerceiam a oportunidade nossa do passo à frente. Todas as vezes, também, em que uma entidade espiritual complicada encontra campo de conexão conosco pela nossa escolha infeliz no campo da sintonia, entidades outras estarão a postos para tentarem neutralizar essa influência. No entanto, elas tem que respeitar o padrão optativo ou de escolha de cada um de nós. Então, veja bem, nunca a ajuda espiritual vai ter um caráter constrangedor. A misericórdia divina não projeta os seres ao nível do empurrão. Quem nos empurra, às vezes, é a vida, nunca o criador.

E espíritos iluminados não impõem, alertam. Da mesma forma, quando nos deparamos com uma criatura que está ainda acentuadamente envolvida em uma padronização materialista temos que acatar e não sufocar pela nossa ótica o meio de vida dessa criatura. Não se pode violar a decisão e a postura de ninguém.

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