28 de ago de 2012

Cap 26 - Livre-Arbítrio - Parte 8 (Final)


HAJA PACIÊNCIA

“PORTANTO, MEUS AMADOS IRMÃOS, SEDE FIRMES E CONSTANTES, SEMPRE ABUNDANTES NA OBRA DO SENHOR, SABENDO QUE O VOSSO TRABALHO NÃO É VÃO NO SENHOR.” I CORÍNTIOS 15:58

Não tem como alguém eleger uma padronização a nível mental de modo adequado e seguro se não houver uma disposição clara e nítida de investir naquilo que busca. De investir em um ponto capaz de criar registro interior dentro da intimidade ao nível de reflexo.

Razão pela qual ler e estudar, abrindo o campo de informações, é muito importante. Só que vai ser muito valioso para nosso progresso quando conseguirmos perseverar naquele componente que podemos definir como sendo a paciência. 

Exatamente. Paciência. Sistema vigorante que todo mecanismo de sustentação e elevação precisa ter. Não dá para menosprezá-la, para evoluir a paciência tem que ser chamada. E ela consiste em persistir, fixar o objetivo e buscar, pois tivemos a oportunidade de ver que é com o decorrer do tempo que nós fixamos os novos padrões. Resultado: paciência é uma ciência de manter a paz, elemento fundamental da libertação, virtude que afere a conquista legítima.

Se a paciência é saber esperar, a esperança, por sua vez, não é inação. E sabe o que isso representa a nível prático? Que não vale a esperança com inércia. Que a pretexto de garantirmos a própria serenidade não devemos nos demorar na inércia.

Sejam quais forem as nossas dificuldades e objetivos esperemos fazendo em favor dos outros o melhor que pudermos. Entre o objetivo e a meta faz-se imperativo o esforço constante e inadiável. Paciência não é parar, não significa esperar parado.

Ela é dinâmica porque a dinâmica está em todos os lugares. Não tem caráter acomodatício, é sinônimo de intensificação e continuidade. É perseverar, ter calma e investir naquilo que elegemos como prioridade. Esperar é persistir sem cansaço e alcançar expressa triunfar definitivamente. Olhe ao seu redor. O tijolo é essencial na construção, mas as nossas mãos devem buscá-lo. A natureza ensina que a fonte, ajudando onde passa, espera pelo rio e atinge o oceano; a árvore, prestando incessante auxílio, espera pela flor e ganha a bênção dos frutos; a enxada que espera, imóvel, adquire a ferrugem que a desgasta, e o poço que espera, guardando águas paradas, converte-se em vaso de podridão.

Você, por acaso, já passou por aquela situação em que durante toda a semana aguardou um evento importantíssimo no final de semana, do qual nutria elevadíssimo percentual de interesse, mas que passou os dias próximos que o antecedia de forma relativamente ociosa? Só esperando, desejando, sem interesse em fazer outra coisa a não ser esperar? Se já passou deve saber o que estou dizendo. A melhor maneira de esperar é fazer. Esperar fazendo, esperar operando, porque aquele que não espera operando quase sempre se decepciona.

A misericórdia divina nos deu a paciência. Tem muitas pessoas que não a usam e acabam perdendo-a. Os dias e semanas passam céleres aos nossos olhos e no fundo já estamos envolvidos em um sistema chamado impaciência e irritação.

E frustramo-nos quando caímos na impaciência. É algo para avaliar. Se eu não exercitar a paciência nas mínimas situações eu não vou ter paciência na conversa com o meu semelhante no serviço. E a perda energética que ocasionalmente sentimos nem é tanto resultante do acúmulo de problemas, e sim devido à ansiedade. Essa deficiência nasce geralmente da aflição doentia com que aguardamos ansiosamente os resultados de nossas ações, sequiosos de destaque pessoal no imediatismo da Terra. Queremos uma resposta imediata do mundo aos nossos anseios e esquecemos que no bem e no mal tudo vem a seu tempo: primeiro, a semente e depois os frutos. De que adianta afligir-se?

Embora nos atormentemos pela escuridão da madrugada a alvorada não brilha antes da hora prevista. Interessados no fruto de certa árvore, não o colheremos antes do justo momento. Acerto e erro são um processo da própria vida.

Errar e retificar. É preciso ter paciência com a gente, saber pedir desculpas a si mesmo no campo da consciência ou àqueles que porventura magoamos e que se sintam onerados pela nossa posição. Porque senão vai subir à flor da pele a nossa soberba, o nosso orgulho, e isso não é nada bom. Logo, paciência. O fruto que alimenta representa, às vezes, um ano inteiro de trabalho silencioso da árvore generosa. E se cada noite é nova sombra, cada dia também é nova luz.

A verdadeira paciência é sempre a exteriorização da alma que realizou muito amor em si mesma para dá-lo a outrem mediante a ação de seu exemplo. Quanto a isto, o excelso carpinteiro foi no mundo o paradigma de semelhante virtude.

Em todos os aspectos da paciência é necessário recordar Jesus. Ele tem paciência conosco. Nunca obrigou, constrangeu ou perseguiu quem quer que fosse para que esse alguém pudesse assimilar e incorporar seu evangelho de luz.

Nunca se apassivou diante do mal, conquanto lhe suportasse as manifestações, diligenciando meios de modo a tudo renovar para o bem. E se revelou tão paciente que não hesitou em regressar, depois da morte, ao convívio das criaturas humanas que o haviam abandonado. O mestre desceu, e ainda desce da espiritualidade solar para dissipar-nos a sombra. Rebeldes que somos, negamos-lhe guardiã, mas ele não nos priva de sua augusta presença. Vamos aproveitar para nos lembrar dessa paciência perfeita que nos beneficia e cultivemos de igual forma a paciência para com todos os outros irmãos.

Na vida, resolvem-se os problemas, ficam as lutas. E por falar nisso temos que lutar e nos aprimorar trabalhando e realizando com Jesus, confiantes no futuro e na certeza de que a vida de hoje nos espera amanhã. É imperiosa uma marca decisiva dentro das realizações, saber selecionar valores, pensamentos e atitudes, deixar que a serenidade gerencie as nossas ações. A paciência e a determinação são valores que traduzem obstinação pacífica na obra que propomos realizar.

Em qualquer circunstância esperemos com paciência, mantendo-nos confiante, embora a preço de sacrifício, porque sem paciência os mais altos projetos resultam em frustração. Sigamos em frente, como quem tem a certeza que a colheita farta pede terra abençoada pelo arado, saneando o destino e vivenciando positivamente os acontecimentos que nos visitam, de modo que a esperança que nutrimos seja convertida em luz. Se provas imperiosas nos mantém encarcerados nas grades constringentes do dever satisfaçamos com paciência as obrigações a que enlaçamos, administrando a oportunidade de operar no bem na retomada de uma posição segura. A paciência tem por objetivo nos trazer a possibilidade de refletir, projetar e traçar melhores estratégias.

Sobretudo, é a capacidade de verificar a dificuldade ou o desacerto nas engrenagens do cotidiano, buscando a solução do problema ou a transposição do obstáculo, sem toques de alarde e sem farpas de irritação. O papel do seguidor do evangelho não é colocar uma bíblia debaixo do braço e sair para pregar, mas sim o de viver situações de apaziguamento. Além do que, é bem mais importante lição silenciosa no tempo do que mero verbalismo apressado na hora da ocorrência.

Hoje temos os nossos interesses, os nossos objetivos, as nossas prioridades. Sem dúvida, todos eles com uma ótica centrada no agora. Todavia, a misericórdia do alto tudo vê sob uma ótica que envolve o ontem e o amanhã, a curto, médio e longo prazo. E pode acontecer de nutrirmos no coração uma proposta que não vai ser cumprida agora como queremos, e sim cumprida muito mais à frente. Não pode? Porque às vezes é preciso esperar o encaminhamento natural das circunstâncias e dos fatos. Não dá para desconsiderarmos isso.

Pense comigo, não desfrutaríamos a paz no triunfo aparente sem o resgate aos débitos que nos encadeiam ao problema e à dificuldade, nem repousaríamos ante a exigência do credor que nos requisita. Os nossos planos de ventura serão materializados pelo destino, obviamente, só que ainda estamos presos a círculos de certas obrigações, e é necessário liquidarmos com paciência as dívidas que contraímos perante a lei. E não adianta fechar a cara. Então, conservemo-nos na força da paciência e onde estejamos façamos sempre o melhor.

Para finalizar, um lembrete: use a paciência no dia de hoje. Use, sem avaliar medida. Mesmo que não entenda o porquê, use. Amanhã, com toda a certeza, entenderá.

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