29 de set de 2012

Cap 28 - Olhos de Ver e Ouvidos de Ouvir - Parte 2


ESTOU À PORTA E BATO

“EIS QUE ESTOU À PORTA, E BATO; SE ALGUÉM OUVIR A MINHA VOZ, E ABRIR A PORTA, ENTRAREI EM SUA CASA, E COM ELE CEAREI, E ELE COMIGO.” APOCALIPSE 3:20

O planeta é uma bola girando de forma contínua e muitos companheiros próximos a nós estão sintonizados com os ruídos do mundo.

Outro tipo de percepção acústica também espera o nosso interesse, razão pela qual necessitamos saber identificar o chamamento para além da vida comum. Em termos espirituais, quando falamos em voz nos referimos ao conjunto de informações que nos visitam. Consideramos como voz toda a soma informativa que nos tem visitado, e que vai precisar inicialmente da nossa capacidade auditiva, de uma proposta de sensibilização da nossa parte, como audientes, como elementos despertos e interessados em perceber o padrão novo que chega.

“Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo.” (Apocalipse 3:20) Esse batido tem uma ressonância extraordinária para nós. Bater significa o ato de despertar, de chamar a atenção. Tem gente que busca ouvir essa porta a vida inteira e o mundo não a deixa. O mundo não permite que a criatura ouça. Isso é muito triste. 

O primeiro fator que tem impedido o ouvir é a linha de envolvimento com os interesses materialistas.

Então, temos que ficar muito atentos. Especialmente nós, que já conseguimos a felicidade de desvincular muito daquela engrenagem materialista, no que diz respeito especialmente às buscas propriamente. Podemos dizer uma coisa para todos vocês, sem nenhum medo de errar e sem entrar em detalhes: que é possível que, senão todos, a grande maioria dos indivíduos que aqui estuda conosco já é capaz de se libertar, ou abrir mão, de muitos valores ao nível daquela concepção antiga de reconforto materialista. Sendo assim, vamos agir com a devida prudência. Essa expressão “eis que estou à porta, e bato” deve estar conosco, caminhar conosco. Vamos deixar de reclamar do mundo, reclamar das coisas e das pessoas. Porque não adianta nada, só complica a situação e ele está batendo. Só é preciso aguçar o ouvido espiritual e escutá-lo.

O plano maior bate. Quanto ao menor, a nossa percepção individual, por mais acanhada que seja, por mais simples, cabe abrir a porta. O plano maior bate e ao menor cabe atender. O plano maior se inclina para o menor e a este compete o interesse e a humildade para receber, acolher o valor a ele canalizado e reerguer-se.

“Eis que estou à porta, e bato.” É o Cristo que está a bater à nossa porta. Porta do coração, por sinal, que só se abre do lado de dentro. Essa ação de bater é aquele ato de despertar, de chamar a atenção. Um versículo do evangelho estudado, por exemplo, constitui uma batida nessa porta. Agora, cada um irá recolher segundo o grau de sensibilização acústica esse batido de forma diferenciada. E o interessante é que essa mensagem é a voz que ganha sonoridade, que ganha intensidade, que ganha suavidade, ganha as mais diversificadas expressões no campo da sensibilização. Ouvir está ligado à atenção e atenção leva a gente a ficar antenado, sintonizado, e leva também a questão de disponibilidade. Disponibilidade essencial para que possamos abrir a porta.

O mensageiro maior não se cansa de chamar e a nossa casa íntima deve estar numa barulheira danada, porque nem estamos ouvindo o bater à porta. Esse tipo de chamado não ouvimos, mas que está batendo, está! Só que esse bater é sutil.

É evidente que esse bater não pode ter aquela estridência de uma campainha, ou de uma sirene de indústria, ou de um sinal como aquele que existia nos colégios antigamente. Lembra? Aquele sinal sonoro estrondoso utilizado nos colégios enormes, que gerava correria dos alunos nos corredores. Não. De forma alguma. A batida é suave, é calma, porque não pode violentar. Do plano de cima para o nosso vem tudo ligeiramente. Se você vai acordar uma criança recém-nascida você não vai chegar perto dela e gritar. É por essa razão que “quem tem ouvidos, ouça”. Mas se não queremos ouvir ela ganha proporções maiores.

Se insistirmos por muito tempo em não ouvir, ou não atender, a batida é substituída pelas trombetas. E cá prá nós, trombeta não tem quem não a ouve. Você já ouviu aquela frase “quem não vai pelo amor vai pela dor”? É mais ou menos por aí. A violência da chamada é condizente ao nível da resistência.

Quando um fato menos feliz acontece na vida de alguém com a finalidade de despertá-lo já não se trata de alguém que está batendo, e sim as ressonâncias da lei.

Dentro de um aprendizado mais substancioso, às vezes você tem que fechar os olhos e tentar ouvir no silêncio da alma. Não estamos aqui falando de uma filosofia barata, sem praticidade, sem inoperância. Realmente é necessário fecharmos os olhos e tentarmos ouvir no silêncio da alma porque o silêncio é o maior revelador nosso, por incrível que pareça. Quando silenciamos o grito interior a nossa audição se engrandece. Na hora que passamos a evoluir, que nos deparamos dando passos efetivos na caminhada, penetramos no silêncio, porque é dentro dele que a gente ouve. Não são poucos os que vão dizer que isso é difícil de ser realizado na atualidade, com tanto barulho para todo lado, tanta poluição sonora, mas tem gente que mesmo em meio a toda essa poluição consegue silenciar o grito interior. E no momento em que a gente silencia o grito a gente entra na posse de uma audição acentuadamente profunda.

Vamos notar que nessa hora em que adquirimos esse sistema, quando penetramos pelo calar no chamado “templo do silêncio”, que as grandes filosofias orientalistas referenciam e muitos indivíduos não conseguem captar o seu sentido e a sua grandeza, passamos a nos situar no verdadeiro campo irradiador do amor. Portanto, se você quer ter a capacidade de ver precisa ouvir muito.

O sábio que é dotado de real sabedoria normalmente ele cala. Já reparou situações assim? Ele é sensato, abre a boca na hora certa. Porque se ele começar a colocar a boca no trombone e falar sem critério vai acabar por dar pérolas aos porcos e vai praticamente diluir e tornar inexpressiva a sua sabedoria.

O calar não é no sentido de não falar, de passar um esparadrapo na boca. Não é por aí. Esse sistema de calar é no aspecto de resguardar, saber administrar com segurança os componentes que já se possui. Porque se nós queremos crescer prá valer teremos que saber guardar. Esse calar tem um sentido de você estar sempre potencialmente preparado para novos lances no campo da aprendizagem.

Calar é o domínio da palavra, é você saber operar com a palavra, que é componente dinamizador do universo, naquilo que for justo, porque o pensamento tem uma base. O pensamento projeta a palavra, e por isso não há como operar com segurança se não souber calar. Nós estamos, embora timidamente, investindo no saber, procurando saber, porque queremos avançar.

Estamos tentando buscar novas rotas, novos planos, novas ideias, novas posições, e necessitamos saber calar para não jogarmos pérolas aos porcos e criarmos dificuldades e empecilhos até mesmo para o próprio agrupamento de pessoas nos quais estamos vinculados.

Vamos notar que, se de algum modo nós somos a porta que está sendo batida, a porta íntima do coração, na linha de relatividade que nos é competente igualmente nos é esperada a postura também de bater. Espíritos imperfeitos que somos, em aprendizado na escola de expiações e provas do planeta, dentro de uma contingência que ainda é pertinente não podemos jamais definir que estamos numa posição isolada de professor ou de aprendiz. Ao transmitir a voz, por vários instrumentos, estamos batendo na porta de outros corações, buscando sensibilizá-los para novos patamares, novos ajustes, novas posições, ensinando-os a ouvir, para depois estarem aptos a ver.

26 de set de 2012

Cap 28 - Olhos de Ver e Ouvidos de Ouvir - Parte 1


O OUVIR

“BEM AVENTURADO AQUELE QUE LÊ, E OS QUE OUVEM AS PALAVRAS DESTA PROFECIA, E GUARDAM AS COISAS QUE NELA ESTÃO ESCRITAS; PORQUE O TEMPO ESTÁ PROXIMO.” APOCALIPSE 1:3

“QUEM TEM OUVIDOS PARA OUVIR, OUÇA.” MATEUS 11:15

Os nossos cinco sentidos físicos funcionam como janelas de interação com a vida exterior, pelas quais irradiamos alguma coisa e também recolhemos alguma coisa ao nível de informações.

A princípio, na ordem dos acontecimentos, surge o tato, o primeiro grande sentido a se expressar na evolução. A seguir, os dois sentidos que nós chamamos químicos, o olfato e o paladar, para depois emergir, em expressões quase que concomitantes, a audição e a visão. O interessante disto é que no plano evolucional o ouvir e o ver são sentidos que trabalham para além, como postos mais avançados.

É pela audição e visão que podemos realmente melhorar as nossas condições de crescimento, condições do próprio progresso. Porque eles têm o papel de nos colocar em contato com os acontecimentos ambientes e precipitar, ao nível de uma visão profunda do grau de sensibilidade, a nossa postura diante do encaminhamento ascensional. Com a audição e a visão devidamente abertas, ao nível da mente já desperta em uma consciência maior, vamos favorecer enormemente o nosso grau de escolha e de discernimento. E é óbvio que esse estudo que levamos a efeito vai para além das linhas perceptivas tradicionais dos sentidos.

O ouvir significa aquele valor novo capaz de nos sensibilizar a nível auditivo. Repare que na passagem em questão o verbo ouvir está no plural, ao passo que o que se refere à visão está no singular: “Bem aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia. E guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo.” (Apocalipse 1:3). Não é à toa. Aliás, nada na bíblia é à toa, tudo tem significância. No plural, o verbo indica generalidade.

Isto é, ouvir, todos ouvem. Imagine você dentro de sua casa e um carro de som passando na rua, em frente ao seu portão, fazendo propaganda no alto falante. Quem estiver no quintal ouve, quem estiver deitado no quarto ouve, quem estiver no banheiro ouve, quem estiver cozinhando ouve. Entendeu o sentido?

É lógico que estamos falando em acústica no sentido intrínseco, espiritual, que alcança a todos. E outra coisa interessante é que a audição sugere passividade. Percebeu? Enquanto ouvimos nos situamos em um processo de passividade. Para ouvir não precisa fazer nada, para poder ouvir não é preciso nenhuma ação, não é preciso acender luz nenhuma, porque, em tese, luz é algo que faz referência aos olhos. O verbo ler, por sua vez, no singular indica uma iniciativa pessoal e aplicabilidade, já pressupõe um direcionamento, uma ação.

Nós estamos falando em ouvir e a grande maioria das pessoas não está interessada em ouvir, está preocupada em ver. Tem muita gente que nem consegue manifestar uma fé tranquila e segura porque não sabe ouvir e está envolvida na ansiedade de querer ver. O próprio Tomé, por exemplo, quando ficou sabendo que Jesus aparecera aos demais discípulos ficou de algum modo meio decepcionado, meio entristecido e incrédulo. Uma semana depois Jesus retorna e reaparece com a presença dele. Ele realmente sentia a necessidade não só de ver, mas de tocar, queria ver as marcas e o lado dele lancetado. O cordeiro, então, define: “Bem aventurado aquele que crê vendo, bem aventurado mesmo é aquele que crê não vendo”. Disso, fica um recado interessante, que muitos indivíduos não sabem ouvir e estão preocupados no sentido de ver e, às vezes, não podemos ver. Às vezes, a faculdade de ver não nos permite encarar com muita tranquilidade as grandes luzes e os grandes focos.

Além do que, aquele que espera ver para crer pode não crer quando ver, pois a fé abrange questões muito mais amplas a se instaurarem na intimidade do ser.

Disso resulta uma grande verdade: não há como querer ver sem uma capacitação nítida de saber ouvir. Assim, quando nós estamos impedidos de encarar a luz ou a paisagem de um modo mais substancioso e correto quase sempre são apelados os órgãos da audição, isso no plano até mesmo simbólico.

Quando a visão é empalidecida, ou não apresenta condições de apropriar certos valores no campo evolucional são ativadas as propriedades básicas da audição.

Tampando a visão abrem-se os padrões da audição. Lembra-se do acontecimento no monte Tabor? Pois, então, Pedro, Tiago e João não conseguiram visualizar o fenômeno da transfiguração com toda a grandeza. O cego de Jericó, sentado à beira da estrada, não via, no entanto, tinha a sua audição aguçada. Tanto tinha que identificou de pronto a chegada do mestre. Paulo, quando teve a sua ligação com Jesus no caminho de Damasco, ficou cego por certo período. Então, às vezes nós perdemos a faculdade de ver para aprender a ouvir. Quando não temos uma capacidade clara para observar com a visão o painel amplo das opções da vida precisaremos trabalhar principalmente com a acústica auditiva. Não é isto? Não tem outra forma, vamos ter que ouvir.

É como se a audiência, ou audição, fosse mais propícia às nossas percepções. E a audição devidamente ajustada e aproveitada tem uma função talvez muito mais profunda. É como se ela fosse o campo fundamental da nossa visão verdadeira. Logo, não se inquiete, vez por outra acontece de sermos chamados a estar em pleno voo cego para podermos instaurar dentro de nós a faculdade plena de ouvir, de modo a passarmos a ver com mais tranquilidade e positividade.

Ouvir no sentido espiritual é muito importante porque o processo de despertar é decorrente da utilização da acústica. Não ignoramos que no campo de nossa aprendizagem já temos a faculdade de ver muita coisa, de nos lançar ao direito e à possibilidade de ter diante de nós um painel de opções, procurando enxergar o que consideramos melhor. Porém, não podemos desconsiderar que uma faceta enorme de nossa conquista, ou de nossas propostas, decorre da capacidade de ouvir. Isso mesmo, o ouvido tem uma possibilidade muito mais ampla do que podemos imaginar de captar o que vem de fora. Entendemos mesmo, sem exagero algum, que o próprio processo de despertamento é resultante da utilização da acústica, da aplicação correta das condições auditivas.

A maioria das pessoas não pretende ouvir o Senhor e, sim, falar ao Senhor, como se Jesus desempenhasse simples função de pajem subordinado aos caprichos de cada um. Engraçado, não é? Trata-se de alunos que procuram subverter a ordem escolar. Desconsideram que quem ouve aprende e quem fala doutrina, e que somente após ouvir com atenção pode o homem falar de modo edificante na estrada evolutiva. Além do mais, uma coisa é necessária aprender, não adianta querer ensinar sem ouvir. Tem gente que acha que para ser bom professor tem que saber falar, no entanto, os entendidos nos mostram que a primeira coisa a fazer é aprender a ouvir. Ouvir é tão fundamental que se você não souber sintonizar a carência do educando você não tem como poder auxiliá-lo de forma significativa na linha instrutiva de informação.

O fato é que ouvidos qualquer um os possui. Porém, encontramos ouvidos superficiais em toda parte. Ouvidos que nada mais fazem do que registrar sons.

Se desejamos sublimar as possibilidades de acústica da alma precisamos estudar e refletir, ponderar e auxiliar fraternalmente tantos quantos circularem em nossa órbita. Dessa forma teremos conosco ouvidos que ouvem, que se reportava o mestre, criando em nós mesmos o entendimento para a assimilação da eterna sabedoria. Pense nisso, daqui para frente é preciso ouvir.


Estou falando de percepção que pode não ocorrer pelo ouvido ostensivo, mas pela acústica da alma. A pressa e a inquietude ainda não nos possibilitaram perceber os sons inaudíveis da vida, as belezas que se irradiam pelo universo afora.

22 de set de 2012

Cap 27 - Aos Cansados e Oprimidos - Parte 7 (Final)


DESCANSO DA ALMA

“29TOMAI SOBRE VÓS O MEU JUGO, E APRENDEI DE MIM, QUE SOU MANSO E HUMILDE DE CORAÇÃO; E ENCONTRAREIS DESCANSO PARA AS VOSSAS ALMAS. 30PORQUE O MEU JUGO É SUAVE E O MEU FARDO É LEVE.” MATEUS 11:29-30

“E SOFRESTE, E TENS PACIÊNCIA; E TRABALHASTE PELO MEU NOME, E NÃO TE CANSASTE.” APOCALIPSE 2:3

Há muita gente que pode não estar sofrendo à nossa vista. Até pelo contrário, está rodando por aí afora, curtindo a vida prá valer, com as melhores facilidades. Mas em considerável percentual dele está pulsando no âmago da consciência algo de modo intranquilo, porque apesar desse grupo não ter as formações que às vezes nós já temos no campo formativo ele já está se despertando para uma situação nova.

A renovação pede serviço constante. Se a terra pode ser tida como um grande hospital, onde o pecado é a doença de todos, o evangelho, por sua vez, traz ao homem o remédio eficaz para que todas as estradas se transformem em suave caminho de redenção. Nós vamos estudando a mensagem e incorporando valores que vamos adotar para encontrar segurança na caminhada. 

De forma a melhorar com transformação, sempre atento ao fato de que a existência consiste em uma dinâmica constante, onde a única lei que não muda é a lei de mudança.

O trabalho para nós ainda é sinônimo de desgaste e o cansaço surge em razão da nossa briga com o mundo. Repare para você ver. Enquanto operamos por dever e movidos pela obrigação nos situamos debaixo do jugo da justiça, e todo aquele que se desgasta com as alterações da vida está a caminho da depressão.

Por outro lado, o repouso não é estagnação como a maioria pensa, mas movimento, por meio de uma ação que aquieta o coração e garante a sensação de tranquilidade consciencial. Se analisarmos com um pouquinho mais de profundidade vamos concluir que é falsa a tranquilidade proporcionada pelo mundo, como também é ilusória a sensação de homem realizado que muitos objetivam. A vida é um dinamismo que não cessa e a perfeição é a meta de todos.

Não é exagero dizer que o verdadeiro trabalho é aquele que nos reserva grande júbilo interior. É um trabalho que na sua essência não onera. Interessante, não é? Quando a gente faz as coisas com carinho e com amor a gente sente que não pesa. Quanto mais autêntico é o trabalho menos cansaço ele oferece, quanto mais o sutilizamos nas faixas do amor mais ele gera descanso e maior é o conforto, passa-se a trabalhar em um mecanismo não desgastante.

Vale repetir o que já dissemos algumas vezes: se ainda aprendemos pelo impacto da justiça, pelo grau de dificuldade, o evangelho nos projeta para aprendermos sob a tutela do amor. Tem gente que está descansando por fora, mas se mantém acentuadamente atribulada por dentro. Não dá para desconsiderar, uma mente em desajuste ou transtornada cansa fácil, a criatura irrita-se por muito pouca coisa, pelo trabalho, pelo mínimo obstáculo, ela não aguenta.

Tudo passa a ser motivo para dissabores, irritação, tudo é sinônimo de complicação. Ao contrário, aquele que está bem interiormente pode até apresentar um cansaço físico, uma defasagem orgânica ver por outra. Claro, isso é comum, acontece, ninguém é de ferro. Ele pode estar com as suas energias exauridas. Só que ele administra o seu plano íntimo com mais facilidade.

Quando a mente está tranquila e harmonizada, poucos minutos de sono reparador colocam a pessoa em pé novamente para mais vinte e quatro horas de atividade, se necessário for. Então, vamos observar, “encontrareis descanso”, no futuro. Primeiro temos que aprender, para depois obter os resultados.

Somente o jugo do Cristo e o aprendizado de sua mensagem conseguem nos propiciar bem estar, satisfação e reconforto.

A serenidade das esferas mais altas do plano superior não é inatividade, significa trabalho divino a caminho da luz imortal. Nós estamos aprendendo agora, devagarzinho, a trabalhar para nos realizar. E veremos adiante que quando trabalhamos por amor estamos trabalhando no sábado. Que o sábado, que não tem nada a ver com o dia de sábado, refere-se ao sábado íntimo, é o trabalho com Jesus. Consiste no dia do descanso, é o repouso que se encontra no estado de alma.

Na medida em que o trabalho se concentra no sábado o cansaço desaparece. Sábado define o fim da etapa, representa o momento de aferição. O sábado, que é o descanso, é um trabalho que na sua essência não onera. É o trabalho com Jesus. Guardar o sábado é operar sem as resistências pessoais, é aquele que opera no bem por amor ao próprio bem, ao próprio trabalho. Quando você trabalha por amor você está trabalhando no sábado. É trabalhar como dono da oportunidade que surge, é a proposta em que oferecemos aquilo que é de nossa competência.

18 de set de 2012

Cap 27 - Aos Cansados e Oprimidos - Parte 6


MESTRE E DISCÍPULOS

“24NÃO É O DISCÍPULO MAIS DO QUE O MESTRE, NEM O SERVO MAIS DO QUE O SEU SENHOR. 25BASTA AO DISCÍPULO SER COMO SEU MESTRE, E AO SERVO COMO SEU SENHOR. SE CHAMARAM BELZEBU AO PAI DE FAMÍLIA, QUANTO MAIS AOS SEUS DOMÉSTICOS?” MATEUS 10:24-25

O mestre é aquele que pode ensinar aos outros porque reconhecidamente tem maior sabedoria ou capacidade de ação. 

E normalmente um professor é aquele que sabe estudar. Ele está sempre em processo de aprimoramento, de melhoria de recursos, não só de recursos informativos como também técnicos para desempenhar bem o seu trabalho. A palavra apóstolo, por sua vez, do grego, significa enviado. Diz-se de todo aquele que propaga uma ideia ou doutrina.

Um apóstolo é muito mais do que o discípulo. Claro, ele é o que opera em nome do mestre, é aquele que representa o mestre. Todo apóstolo é um educador por excelência, afinal é um condutor do espírito. Ao passo que o discípulo é o que aprende de, que ainda está aprendendo, que está assimilando.

Uma coista tem que ficar clara. O mestre Jesus sabe, enquanto nós estamos aprendendo a conhecer, pois o discípulo é o que aprende, o que se acha em fase de aprendizagem. O discípulo é quem aprende com o mestre. Não apenas como aluno que ouve e entende, mas que procura agir conforme o que recebe, que procura reproduzir a técnica do mestre, seu estilo, seu pensamento e sua vivência.

Só é uma criatura dotada de positividade segura e equilibrada aquele que é positivo na recepção. Os discípulos de Jesus se comprometiam com a sua doutrina e esse título discípulo é conferido pelo divino mestre a todos os homens de boa vontade, sem distinção de situações, classes ou qualquer outra expressão sectária. Para alguns nós podemos até ser mestres, guardadas a devida distância. Todavia, apenas seremos bons mestres se formos bons alunos.

Sabe por quê? Porque diante da grandeza do universo nós somos sempre alunos. Sempre. Nós sempre somos de algum modo o discípulo ou o aprendiz, uma vez que sempre teremos os nossos preceptores ou professores acima de nós. E o professor tem certos conhecimentos que aluno não tem ainda. O aluno tem a proposta de aprendizado. Logo, por mais ampla venha a ser a nossa transferência da informação ao plano prático, por mais extensa possa ser a nossa capacidade de fazer, nós nunca perderemos a condição de discípulos.

“Não é o discípulo mais do que o mestre, nem o servo mais do que o seu senhor”. (Mateus 10:24) Muito interessante. Não tem como ser o discípulo mais do que seu mestre. De fato, o soldado não sabe o pensamento do general. O cordeiro divino quer definir para nós, pelo que depreendemos, que o dia que o soldado estiver abrangendo todas as estratégias, toda a base de fundamentação de seu superior, é possível que debande tudo, que vá tudo por água abaixo.

Isso representa para nós o grau de revelação. Ou seja, os nossos superiores, os que nos dirigem, conhecem com aprofundamento toda a marcha do progresso, mas nós sem sempre podemos conhecer. Percebeu? Porque tem pontos nessa marcha que nós temos que vivenciar. É nesse sentido. Por isso é que Jesus, muito acertadamente, colocou aquilo que sempre vamos relembrar aqui: “não se dar pérolas aos porcos”, que equivale a não transferir determinados valores a quem não está com a devida capacidade administrativa, não entregar uma chave a quem não tem competência de guardá-la.

Quando ele fala que não pode ser o discípulo mais que o mestre ele define para nós que ele está ajustado na posição de mestre porque é um bom discípulo perante Deus que está no céu. Trata-se de ensinamento da maior grandeza. Jamais será um mestre por excelência aquele que não for um excelente discípulo. Se a individualidade não pode dar aquilo que é dele, que ela dê aquilo que recolhe, uma vez que a mente é bem mais refletora que emissora.

Então, o recado importante que fica é que temos que ser conscientes na posição de filho para começarmos a dar uma de pai, guardadas as distâncias, óbvio.

Não tem discípulo eficientemente ajustado, propriamente ajustado, sem a devida incorporação da condição de mestre. Porque ao ser discípulo, no plano consciente, ele está envergando a condição de mestre. Isto é bonito demais de entender.

Situamo-nos em uma chamada bipolaridade. Na grande busca que elegemos, em que estamos buscando abrir na horizontal da evolução, a gente não tem que ser só aluno não. Nós nunca estamos na posição isolada de discípulo ou de mestre. O espírito encarnado, para alcançar altos objetivos na vida, deve reconhecer a sua condição de aprendiz, extraindo proveito das experiências sem se escravizar. Assim, se você acha que não é mestre, esquece isso, você está enganado, porque todo mundo no planeta é mestre. O aluno que não se retira dos exercícios no alfabeto nunca penetra o luminoso domínio mental dos grandes educadores.

O evangelho está à nossa disposição e nós estamos com Jesus e na presença dele. Mas naquela base que a gente sabe bem: o protetor no plano de cima e o protegido aqui embaixo, sempre esperando algo mais do protetor. Porém, o grande lance é que enquanto a gente não descobrir que para ser um bom protegido tem que ter uma característica interna e uma proposta íntima de também proteger a gente não caminha. Para demonstrarmos a nossa posição de bom discípulo, bom aprendiz, nós temos que ativar a parte incorporada no plano do conhecimento, isto é, o discípulo tem plena condição de operar, embora sem nunca perder a condição de discípulo. Por mais que tentemos ser discípulos não há como alcançarmos o estágio seguinte senão investindo na posição de mestre.

Tem momentos que a grandiosidade do discípulo representa uma postura de mestre. Sabe por quê? Simples. Porque dentro de mim não existe apenas uma capacidade opositiva de receber o valor de cima. Tanto que o que eu recebo só vai ser incrustado na minha personalidade pelo ato de eu o fazer. E todas as vezes que eu faço eu estou acionando recursos do meu sentimento e usando a razão para fazê-lo.

O que significa que serei um excelente administrador do campo positivo da minha vida se eu for um excelente captador ou receptor dos valores que vem de mais alto. Recebo de cima na linha vertical da revelação e trabalho na linha horizontal dos interesses da coletividade. O verdadeiro discípulo tem que mostrar sua capacidade de ser um bom discípulo utilizando a sua característica mínima de mestre. Para ser um bom discípulo tem que lutar para ser bom mestre.

Para ser bom aprendiz nós temos que sentir uma vontade de fazer, de realizar, com entusiasmo. Orientando, ajudando e servindo na pauta que nos é própria, pois cada um tem uma faixa específica. Apenas seremos bons aprendizes capacitando-nos a oferecer a nossa cota operacional na dinâmica da aprendizagem.

E quanto mais o aprendiz alcança do mestre a esfera da influenciação, mais habilitado estará para se constituir seu instrumento fiel e justo. Jesus veio de lá para nos ensinar a ir para lá. Ele ensinou e viveu, cabe a nós aprender e exemplificar. “Aprendei de mim”. O ensinamento é sábio. Com ele aprendemos o que é Deus, como agir em relação ao próximo, às coisas e relativamente a nós mesmos.

Temos que aprender dele, sim, mas não apenas aprender para ficar na teoria, e sim aprender para exercer o aprendizado. E para ser bom aluno necessitamos ter o carinho de ser um preceptor, professor ou mestre diante de um coração que precisa ser informado e auxiliado. E também lembrar que o título mais extraordinário de um mestre é o reconhecimento natural de ser discípulo.

15 de set de 2012

Cap 27 - Aos Cansados e Oprimidos - Parte 5


APRENDEI DE MIM

“TOMAI SOBRE VÓS O MEU JUGO, E APRENDEI DE MIM, QUE SOU MANSO E HUMILDE DE CORAÇÃO; E ENCONTRAREIS DESCANSO PARA AS VOSSAS ALMAS.” MATEUS 11:29

“VÓS ME CHAMAIS MESTRE E SENHOR, E DIZEIS BEM, PORQUE EU O SOU.” JOÃO 13:13

“JERUSALÉM, JERUSALÉM, QUE MATAS OS PROFETAS E APEDREJAS OS QUE TE SÃO ENVIADOS! QUANTAS VEZES QUIS EU AJUNTAR OS TEUS FILHOS, COMO A GALINHA AJUNTA OS SEUS PINTOS DEBAIXO DAS ASAS, E TU NÃO QUISESTE!” MATEUS 23:37

“16E EIS QUE, APROXIMANDO-SE DELE UM JOVEM, DISSE-LHE: BOM MESTRE, QUE BEM FAREI PARA CONSEGUIR A VIDA ETERNA? 17E ELE DISSE-LHE: POR QUE ME CHAMAS BOM? NÃO HÁ BOM SENÃO UM SÓ, QUE É DEUS. SE QUERES, PORÉM, ENTRAR NA VIDA, GUARDA OS MANDAMENTOS.” MATEUS 19:16-17

A gente ouve muito falar em reforma íntima, e podemos pensar onde isto realmente entra em nossa vida. Porque ela é tão importante assim, e muitas vezes mencionada? Para início de conversa, podemos dizer que essa renovação consiste em um sistema que estamos tentando aprender. Um estudo como este que estamos levando a efeito, por exemplo, é um verdadeiro instaurador de opções.

Cada tópico abordado se assemelha a uma entrada em um Shopping Center. Você sabe muito bem como é uma entrada em um centro de compras. Se é mulher, com certeza sabe muito mais ainda. A gente entra, às vezes, como quem não quer nada, só passeando, circulando pelos corredores, vendo vitrines. Não sente necessidade de nada, não precisa de nada, e acaba voltando para casa com alguma sacola cheia. O Shopping é assim, um grande criador de necessidades. Basta algumas voltas pelas lojas e não demoramos a concluir: “Nossa, que coisa. Não é que eu estou precisando daquilo?” Olha, entra, sai, volta depois, pergunta, confere o preço, pensa, volta a pensar, e acaba comprando.

O processo de recomposição com vistas ao trabalho que nós temos a fazer pode ser comparado à reforma de uma casa. Aliás, essa expressão reforma íntima, inerente ao processo evolucional do espírito, consiste na melhoria da nossa casa, diz respeito às coisas do dia a dia. Equivale a reconstruir e dar nova forma a uma estrutura já formada. É o mecanismo de instauração em que a gente busca e começa a diversificar. Então, diante das dificuldades é muito valioso a gente não se deixar dominar por uma ideia fixa. Independente de como esteja a sua vida hoje, bola para frente. Em vez de fazermos a proposta do ano inteiro, façamos a proposta de cada semana que se inicia. E não desconsideremos que a vida íntima é como uma casa, onde ao invés dos acontecimentos difíceis e da dor proporem a mudança dessa casa, passemos a trabalhar constantemente na alteração e na sua melhoria, sempre propondo mudanças.

O alívio às nossas dificuldades de reajuste com a harmonia universal é um consolo e precisamos mesmo de consolo. Todos precisam. Só que não podemos ficar restrito a ele, temos, ao mesmo tempo, que nos instruir para estruturarmos um plano de aquisição. É imperioso que aprendamos uma forma melhor de viver. Os próprios núcleos espirituais (os templos, as igrejas, as casas espíritas) estão hoje se redimensionando, deixando de serem hospitais para se transformarem em escolas. Ótimo, temos que aprender, mas aprender de quem?

Com certeza, de alguém que tenha autoridade para ensinar. Autoridade é o direito ou o poder de se fazer obedecer, de tomar decisões, de agir. Diz-se daquele que tem direito ou poder, que representa determinado poder, indivíduo de competência indiscutível em determinado assunto. A resposta está na ponta da língua: “Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração.” (Mateus 11:29) Porque tem muita gente aprendendo exclusivamente do mundo e, no entanto, não avança, não se felicita, não encontra descanso para a alma.

Os grandes missionários ligados aos povos antigos e as diversas raças estiveram e estão a serviço de Jesus. Todos os profetas de que a bíblia faz menção foram médiuns predestinados a servirem ao seu pensamento. Os que o precederam eram senão mensageiros de sua bondade e sabedoria, vindos à carne de modo a preparar-lhe a luminosa passagem por este mundo das sombras.

Note que se expoentes da história, no que reporta ao aspecto da realização de amor, viveram e trabalharam com facetas crísticas, quem envergou a totalidade crística aqui, até onde nós podemos alcançar e perceber, foi Jesus. Enquanto uns foram parcelas ele é o Cristo em amplitude, e seu modelo é definitivo e único para a realização da luz e verdade em cada homem. Em iluminação espiritual inexiste fonte alguma além da sua exemplificação. Ele é o modelo supremo. Para iluminar qualquer dúvida a sua didática foi a do exemplo.

Suas mensagens não se basearam em ponto de vista, mas num trabalho sedimentado em nosso solo na cartilha prática. Ele veio até nós com uma vivenciação acima de todas as nossas condições operacionais e palavra alguma poderá superar a sua exemplificação, que o discípulo deve tomar como roteiro de vida.

A origem do seu poder está em seu estado evolutivo e era Jesus quem dirigia os povos de todos os tempos. Ele mesmo disse que muitas vezes quis ajuntar os seus filhos. Então, qualquer coisa que surja neste planeta ele tem autoridade.

E tanto tem que ele mesmo definiu: “Vós me chamais mestre e Senhor, e dizeis bem, porque eu o sou.” (João 13:13) Reparou uma coisa interessante? Ele não abriu mão disso, em tempo algum, embora dispensasse o título de bom (“Por que me chamas bom? Não há bom senão um só, que é Deus.” Mateus 19:17).

11 de set de 2012

Cap 27 - Aos Cansados e Oprimidos - Parte 4


MANSO E HUMILDE

“29TOMAI SOBRE VÓS O MEU JUGO, E APRENDEI DE MIM, QUE SOU MANSO E HUMILDE DE CORAÇÃO; E ENCONTRAREIS DESCANSO PARA AS VOSSAS ALMAS. 30PORQUE O MEU JUGO É SUAVE E O MEU FARDO É LEVE.” MATEUS 11:29-30

“E aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração.” O adjetivo manso quer dizer pacífico. De fato, não enxergamos no cristo de Deus qualquer traço de rebeldia em momento algum. 

Para vir a nós aniquilou a si próprio, ingressando no mundo como filho sem berço. Isso mesmo, sem exigir berço dourado para adentrar no planeta começa a missão divina descendo da glória celestial para o estreito recinto da manjedoura desconhecida.

Aceita de bom grado a infância humilde e laboriosa. Inicia o apostolado da boa nova sem constranger as grandes inteligências a lhe aceitarem a doutrina santificante, contentando-se com a adesão de pescadores de existência singela.

Abraça os companheiros de ministério quais se mostram, sem deles reclamar certidão de heroísmo e de santidade. Em todas as circunstâncias, e sem perder o dinamismo da própria fé, submete-se valoroso ao arbítrio de nosso pai e nunca se volta contra a autoridade estabelecida. Vai ao encontro dos enfermos e aflitos para oferta-lhes o coração. Serve indistintamente. Sofre a incompreensão alheia, procurando compreender para ajudar com mais segurança.

Não espera recompensa, nem mesmo aquela que surge em forma de simpatia e entendimento nos círculos afetivos.

É...Tudo isto realmente é algo para pensar. Ninguém reuniu sobre a terra tão elevadas expressões de recursos desconhecidos quanto o carpinteiro celeste. Aos doentes bastava tocar-lhe as vestiduras para que se curassem de enfermidades dolorosas. Suas mãos devolviam movimento aos paralíticos e visão aos cegos.

Como se não bastasse, padece a ingratidão de beneficiados e seguidores sem qualquer ideia de revide. Recebe condenação indébita e submete-se aos tormentos da cruz sem recorrer à justiça. No dia do calvário o vemos ferido e ultrajado, sem recorrer aos poderes que lhe constituíam apanágio divino a benefício da própria situação.

Havendo comprida a lei sublime de amor, no serviço do pai, entregou-se, humilde, à sua vontade, em se tratando dos interesses de si mesmo. E ninguém foi mais livre do que ele, livre para continuar servindo e amando através dos séculos.

Em sua extrema humildade considera-se o cordeiro. Veja bem, a ovelha é a fêmea e o carneiro é o macho. E o cordeiro é o filhote deles, ainda novo. Símbolo do evangelho de elevada grandeza, o cordeiro define a capacidade da criatura em submeter-se ao pensamento divino. E apesar de pequeno deixar-se tosquiar e entregar-se à morte. Em nome do amor, é aquela capacidade da pessoa de entregar-se, imolar-se, sacrificar-se. Uma ovelha oferece a lã que acoberta, envolve, protege, aquece, e a lã é aquele componente doado por alguém.

Inicialmente quem doa a lã é o cordeiro e o cordeiro nosso é Jesus, não no sentido homem, mas no seu sentido mais profundo, de doador.

O mestre maior disse não fazer a própria vontade, mas a do Pai, e os seus propósitos não são senão os de concretizar os desígnios divinos. A serenidade é característica daqueles que se situam dentro das determinações do criador do universo.

Deveríamos proceder também assim, só que não determinados à responsabilidade cristã elegemos um processo sistemático de rebeldia, de prepotência e intolerância, experimentando no plano terrestre experiências de recapitulação, sofrimentos e desequilíbrios. Batemos com a cabeça na parede, perdemos oportunidades preciosas e custamos a aprender. Nada conseguiremos no sentido de nossa melhoria e progresso, sob qualquer aspecto, enquanto não prestarmos acurada atenção às condições de nossa mente.

Não haverá reforma possível em nosso caráter sem que previamente se tenha verificado mudança em nossa mente. Por mais quanto tempo teremos que permanecer debaixo das circunstâncias adversas e das dificuldades? Até quando remaremos contra a maré do progresso e da evolução? A mente é a base de tudo, e quando trabalhamos com equilíbrio conseguimos ativar regiões do nosso cérebro que até então estavam inabordáveis, adentramos as áreas mais sublimadas do nosso eu e chegamos a penetrar as faixas suaves e profundas do amor. Para isso temos que nos asserenar e nos deixar guiar pelo Cristo. 

8 de set de 2012

Cap 27 - Aos Cansados e Oprimidos - Parte 3


TOMAR O JUGO

“29TOMAI SOBRE VÓS O MEU JUGO, E APRENDEI DE MIM, QUE SOU MANSO E HUMILDE DE CORAÇÃO; E ENCONTRAREIS DESCANSO PARA AS VOSSAS ALMAS. 30PORQUE O MEU JUGO É SUAVE E O MEU FARDO É LEVE.” MATEUS 11:29-30

“NÃO PODEIS SERVIR A DEUS E A MAMOM.” MATEUS 6:24

“ESTAI, POIS, FIRMES NA LIBERDADE COM QUE CRISTO NOS LIBERTOU, E NÃO TORNEIS A COLOCAR-VOS DEBAIXO DO JUGO DA SERVIDÃO.” GÁLATAS 5:1

O mundo aborrece Jesus. Sem dúvida nenhuma, porque ele não era, e ainda não é, compatível ao fluxo dinamizado pelo amor dele. Mas este mundo nos agrada, e muito.

Por enquanto o mundo, em suas filosofias e concepções, domina os nossos interesses e a intimidade, razão pela qual é tão difícil atender ao chamado do “vinde a mim”.

Os interesses puramente humanos nos mantém, ou pelo menos buscam nos manter, a todo custo, na retaguarda da evolução, e em razão disso aqueles que amplamente estão vivendo, usufruindo de todos os benefícios transitórios, nunca irão agir com ostensividade nesta vida diante dos necessitados. Não há como esperar isso, pois esses estão debaixo do jugo do mundo.

A palavra jugo significa autoridade, é o domínio, a submissão, a obediência. Se Jesus Cristo fala em seu jugo é porque existem outros tipos. Tentamos dar um colorido imediatista aos nossos dias e oportunidades e, assim, acabamos por nos submeter à escravização no tempo e no espaço. Os resultados não se fazem esperar. O fracasso e a desilusão, a esterilidade e a dor vão chegando bem devagar, acordando a alma dormente para as realidades eternas. Como servos do mundo nos escravizamos ao erro e à viciação e fecham-se as linhas de feição libertadora e convergem sistemas de egocentrismo. Custamos a aprender que o jugo do mundo atribula e o seu fardo aniquila e compromete a vida física e espiritual.

É simples, qanto mais a criatura faz mais ela precisa fazer, é maior a sua ambição. E nós estamos servindo a Deus, embora às vezes debaixo do jugo do mundo.

É verdade que elegemos os tipos de experiência em que nos propomos estagiar. E em qualquer fase da evolução discórdia e tranquilidade, ação e preguiça, erro e corrigenda, débito e resgate são frutos de nossa escolha. Vamos saber levar a vida, sem essa de fechar circuito em cima de caprichos pessoais.

É complicado fechar em cima dos caprichos pessoais, pois assim costumamos atravancar a marcha do progresso. Outra coisa que não devemos é ficar criando expectativas em cima de resultados. Façamos o que pudermos, dando nosso melhor, e o resultado vem.

A lei por excelência, da qual decorrem as demais, como simples modalidades, é o amor. E quem está fora do amor destrói a sua comunhão com Deus. Quebra, na parte que lhe toca, a harmonia da vida universal. Se o orgulho é o fardo pesado, o jugo férreo que confrange os corações, o amor, ao contrário, é o peso leve, o jugo suave que encanta e inebria o espírito, despertando nele as mais doces e ternas vibrações. Nas sombras do eu, a falsa liberdade do faço apenas o que eu quero frequentemente cria a desordem e favorece a loucura, e todos os males que nos afetam tem origem básica na falta de comunhão com o criador.

Consequentemente, na luz do Cristo a liberdade do devo seguir gera o progresso e a sublimação, e tudo o que nos causa aflições, mágoas e sofrimentos resolvem-se como que por encanto, mediante o estabelecimento de nossas relações com a divindade. Da harmonia com o infinito depende todo o nosso bem. Não estamos aqui falando de milagre, mas de efeito positivo de uma lei natural.

Quanto mais aprendemos de Jesus mais verificamos que as coisas simples propiciam uma alegria duradoura. Avalie exemplos por si mesmo. Sendo servos de Jesus nos libertamos com o bem e como servos do mundo nos escravizamos ao erro e à viciação. Os mandamentos do Senhor, representando a carga de trabalho que nos cabe executar, são de fato leves e libertam a criatura.

Por eles caminha-se para fazer o bem por amor ao bem, sem aquele incômodo do cansaço e sacrifício, apenas a alegria do espírito em harmonia com as leis divinas.

Deus concede os auxílios, mas cada espírito é obrigado a talhar a própria glória.

Um guia espiritual pode ser bom amigo, mas jamais poderá desempenhar os seus deveres próprios, nem lhe arrancar das provas e experiências imprescindíveis à sua iluminação. Os seus mentores, por mais dedicados que sejam, não lhe poderão tolher a vontade e nem lhe afastar o coração das lutas imprescindíveis da vida, em cujos benefícios todos os homens resgatam o passado delituoso e obscuro, conquistando novos méritos. Nada é fácil realmente.

Todos elaboram planos e muitos querem fazer isso ou aquilo. Porém, como entre o querer e o fazer interpõe-se trabalho, decisão e firmeza, que faltam à maioria, diversas obras ficam inacabadas ou não saem do campo das ideias. Chega a hora em que não podemos mais prorrogar. Se já fomos chamados pelo Senhor da vida, em nossas mãos está continuarmos nos recintos da morte ou nos levantarmos para a realização dos sonhos.

Estar com Deus importa em obedecer as leis que regem os destinos da vida, seja qual for o cenário onde essa vida se ostente. Além do que, o ato de consolar não pode ficar restrito ao momento de balsamização de emergência, e representa a introjeção de conteúdo que alivia e de elementos que promovam o necessitado e entristecido a patamares de trabalho, assegurador indiscutível da libertação definitiva.

O grande desafio não é o “vinde a mim” que, às vezes, nós podemos, com certo grau de equilíbrio e abertura do coração, fazer. A dureza é o versículo seguinte: “tomai sobre vós o meu julgo”. Porque se não tomar o jugo ele é um forte candidato ao vinde a mim novamente, em razão de só ter aceitado o vinde.

Percebeu? Se a criatura não tomar o jugo ela não adota um sistema de crescimento consciente e sai da carência, dessa condição de ter que ser abrigada, uma vez que ao ser abrigada ela está sendo por uma finalidade educacional.

Se apenas buscarmos a consolação, sem adquirirmos fortaleza, não passaremos de crianças espirituais. Tomar o jugo de Jesus representa a caminhada sob os parâmetros da sua autoridade. Tomai é imperativo. Jesus nos induz a uma tomada de decisão, e quem toma uma atitude a faz no devido tempo.

Informa-se, pondera e resolve, e toda atitude adotada conscientemente é precedida dessa trilogia. A conclusão é que se quisermos ser livres temos que aprender a obedecer. Não há como invocar o salvador para a continuidade de fantasias.

Quando chamados ao Cristo é para que comecemos a executar o trabalho em favor da esfera maior, sem olvidar que o serviço começa em nós mesmos. Somente mediante o dever retamente cumprido permaneceremos firmes sem nos dobrarmos diante da escravidão a que muitas vezes somos constrangidos pela inconsequência de nossos desejos.

4 de set de 2012

Cap 27 - Aos Cansados e Oprimidos - Parte 2


VINDE A MIM

“VINDE A MIM, TODOS OS QUE ESTAIS CANSADOS E OPRIMIDOS, E EU VOS ALIVIAREI.” MATEUS 11:28  

“ENSINANDO-OS A GUARDAR TODAS AS COISAS QUE EU VOS TENHO MANDADO; E EIS QUE EU ESTOU CONVOSCO TODOS OS DIAS, ATÉ A CONSUMAÇÃO DOS SÉCULOS. AMÉM.” MATEUS 28:20  

“DISSE-LHE JESUS: SE EU QUERO QUE ELE FIQUE ATÉ QUE EU VENHA, QUE TE IMPORTA A TI? SEGUE-ME TU.” JOÃO 21:22

Se o cordeiro divino disse estar conosco em todos os dias até a consumação dos séculos (“Eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém”. Mateus 28:20), é fácil perceber que ele está realmente conosco, presente.

Esperando, porém, que também estejamos com ele. É um sistema de mão dupla, que pressupõe reciprocidade. Aguardando-nos no decorrer dos milênios, ele espera que nos movimentemos para ele. Por meio do convite (“vinde a mim”), Jesus está definindo um plano operacional terapêutico, pois ele se constitui na porta e na solução de todas as dores e apreensões. Mas precisa de nosso concurso, sem o qual não pode lograr resultado. As suas palavras eternas soam, ainda hoje, em nossas consciências, até que o livre-arbítrio seja acionado na direção dele.

Sim, na direção dele, porque por enquanto as filosofias e as concepções deste mundo ainda dominam, quase que por inteiro, os nossos interesses e a nossa intimidade.

Por isso é que é tão difícil ir. Se por um lado é fácil ouvir e repetir o “vinde a mim”, por outro é muito difícil sair do lugar. É muito doce ouvir o chamado, mas até onde já conseguimos ir?

É comum, vez por outra, nos encontrarmos inquietos, entre a expectativa e a solidão. Diante de alguma contrariedade geralmente o nosso primeiro impulso é o de reclamar quanto àquilo que supomos ser nosso direito. E para reclamar e nos identificar como vítimas somos experientes. Contudo, buscando a palavra do evangelho surpreendemos a advertência do Senhor: “Que te importa a ti? Segue-me tu”.

De fato, não temos que nos preocupar com os lances exteriores, e sim com o que irradiamos. Se você faz o bem visando outros interesses, que não o de cooperar com a divina misericórdia, o seu bem está deixando de ser universalista, e de ascendência sublimada de amor, para ser uma elaboração de amor visando unicamente o seu interesse pessoal. E existe uma distinção nítida e substancial acerca da empregabilidade dos verbos “segue-me” e “venha”. No segue-me existe um chamamento para a sintonia com os padrões do evangelho. Ou seja, Jesus na frente, indica o caminho. Já o venha encontra-se para além do segue-me. Já denota uma linha de integração, representa como que uma espécie de vai, só que mediante os próprios passos da criatura.

Não são poucos os que se direcionam a Jesus aguardando uma resposta materializada: esse espera o dinheiro, aquele conta com a evidência social de improviso, outro exige imediata transformação das circunstâncias no caminho terrestre, etc. O mestre, por sua vez, chamou a todos. O vinde a mim não faz nenhum tipo de discriminação. Ele não cogitou da procedência dos viajores, se eram bons, se eram meio bons ou se eram maus querendo ficar bons. Nada disso. 

Também não prometeu retirar a carga de ninguém. Aliás, não prometeu nada, apenas alívio. E alívio é o ato ou o efeito de aliviar, é diminuição da dor, do peso, do trabalho, é a desopressão, o desafogo, a subtração da intensidade, a minoração, a atenuação, o descanso, o consolo, o refrigério, a suavidade, a tranquilidade.

E uma interrogação pode nos vir à mente: “Tudo bem, prometeu alívio, mas aliviar para que?” Para continuarmos a marcha, sequenciarmos o serviço, prosseguirmos a tarefa. De forma que o divino amor restaura as energias, mas não proporciona qualquer fuga às realizações do esforço individual, o que é importante ter-se em conta. Ao estendermos as nossas mãos ao Senhor não esperemos dele facilidades, ouro ou prerrogativas. Ele não resolve por uma questão simples, todos os problemas que criamos não serão resolvidos senão por nós mesmos.

O plano espiritual não pode quebrar o ritmo das leis do esforço próprio, como a direção de uma escola não pode decifrar os desafios relativos à evolução dos seus alunos.

Então, guarde uma coisa, é ilógico aguardar dos espíritos superiores a liquidação total das lutas humanas, o que significaria furto ao trabalho necessário ao sustento do servidor, ou a subtração da lição ao aprendiz necessitado de luz. Os mentores do além, em hipótese alguma, poderão afastar a alma encarnada do trabalho que lhe compete na curta permanência das lições do mundo, como um professor não pode decifrar os problemas dos novos aprendizes.

Entendamos que a palavra do guia é agradável e amiga, todavia o trabalho de iluminação pertence a cada um. Além do que, os amigos espirituais não se encontram em estado beatífico e cada espírito deve buscar em si mesmo a luz necessária à visão acertada do caminho. Repare que o mestre Jesus auxiliou doentes e aflitos de toda ordem sem retirá-los das questões fundamentais que lhes diziam respeito: Zaqueu, por exemplo, o rico prestigiado pela visita que lhe foi feita em Jericó, sentiu-se constrangido a modificar a sua conduta pessoal: Lázaro, reerguido das trevas do sepulcro, não foi exonerado da obrigação de aceitar mais tarde o desafio da morte: e Paulo, por ele distinguido às portas de Damasco, não obteve dispensa dos sacrifícios que lhe cabiam em sua missão.

E mais uma coisa: não é alivio, é aliviarei. Verbo no futuro. Ou seja, não encontramos a felicidade simplesmente pela arregimentação de conhecimento, em angariarmos valores intelectivos. A felicidade vai surgir no campo formativo.

Esta compreensão nos dá condições de dimensionarmos tudo em suas devidas proporções. Conhecemos hoje, a seguir passamos a sentir e, finalmente, começamos a viver o aprendizado. E só na efetiva exemplificação com ele estaremos de fato aliviados.

1 de set de 2012

Cap 27 - Aos Cansados e Oprimidos - Parte 1


CANSADOS E OPRIMIDOS

“28VINDE A MIM, TODOS OS QUE ESTAIS CANSADOS E OPRIMIDOS, E EU VOS ALIVIAREI. 29TOMAI SOBRE VÓS O MEU JUGO, E APRENDEI DE MIM, QUE SOU MANSO E HUMILDE DE CORAÇÃO; E ENCONTRAREIS DESCANSO PARA AS VOSSAS ALMAS. 30PORQUE O MEU JUGO É SUAVE E O MEU FARDO É LEVE.” MATEUS 11:28-30

Os homens deste século vivem aflitos e afadigados. Não é necessário ser estudioso do comportamento humano para notar que andam apressados, sem tempo para as coisas importantes, envoltos em preocupações sem fim. Modificam o humor com grande facilidade e se enervam ao toque da mínima contrariedade.

E o interessante é que no fundo as inúmeras necessidades que fazem o flagelo da maioria das pessoas são fictícias, não passam de caprichos criados pelas paixões desenfreadas, pelos vícios descabidos e pelas taras mórbidas, que, aliás, se adquirem na maioria das vezes por imitação e se alimentam por egoísmo, quando, em verdade, o carpinteiro divino assevera que poucas coisas são realmente fundamentais para a felicidade das pessoas. É, ou não é algo para pensar? Todos os males que afetam a raça humana tem origem na falta de comunhão com Deus e as transições essenciais da existência na terra encontram a maioria dos homens absolutamente distraídos das realidades eternas.

Os minutos vão passando no relógio infinito do tempo que não se cansa. E enquanto nós estamos laborando pelo usufruto da liberdade de escolha é a linha orientadora natural que estamos aprendendo. Mas o tempo não para e muitos de nós caminham descuidados da responsabilidade de suas ações e omissões.

Querem apenas gozar a vida. Gastam o que tem e o que não tem, rejeitam os convites de renovação e ainda sentem que tem espaço mais à frente para novos gastos. Para que renovar se podem fazê-lo mais à frente, bem mais à frente, pensam. Para que modificar agora se o tempo é inesgotável? E deixam. Só que o tempo está se esgotando, porque sabemos que existe uma ordem no universo.

O chamado sempre ocorre. O vinde a mim está sempre presente. Porém, o que fazer se os homens não escutam, se caminham desinteressados, se lembram do céu senão nos dias de incerteza e angústia no coração? É uma realidade difícil, mas enquanto o homem não se cansa de se dedicar às coisas materiais, sabendo colocá-las dentro de suas reais proporções, não se direciona, de forma real, às coisas espirituais. Não tem jeito. Por outro lado, se alguma ameaça aos seus interesses e projetos é cruel, se iminente é o desastre e se a doença ou a morte do corpo é irremediável, aí, sim, os mais fortes dobram os joelhos.

Nós estamos vivendo momentos assim. Vivemos um momento em que tanta gente vem buscando o socorro espiritual, e, muito mais do que o socorro, vem buscando o conforto espiritual. A todas as horas e em todos os lugares a situação se repete. Não precisamos nem sair de casa. O telefone toca, muitas vezes, e alguma pessoa próxima a nós está pedindo socorro do outro lado da linha. 

O mundo atual comporta uma infinidade de criaturas em estado de stress. Pessoas que se locomovem desanimadas, inquietas, frustradas, amarguradas, aborrecidas, indecisas, contrariadas, insatisfeitas. E, acima de tudo, cansadas, saturadas. O cansado é o fatigado, porque o cansaço é o sentimento das forças exauridas. E o desgaste e o abatimento definem um estágio que antecede à opressão.

A voz do bom pastor soa doce e meiga: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei”. (Mateus 11:28) Ele poderia chamar só os cansados. No entanto, menciona a opressão porque as coisas da terra não apenas cansam, mas também oprimem. E como oprimem, quando alguém não sabe se situar. A opressão não surge à toa. É decorrente de várias situações continuadas de cansaço. Podemos dizer que está para além daquele estágio.

Oprimido é aquele que sofre opressão. É o prostrado, aniquilado, esmagado, aflito, coagido, humilhado, que carrega ou sobrecarrega grande peso, importunado, envolvido por uma sensação forte de aniquilamento. Temos feito da existência uma constante experimentação ao sabor das emoções. A busca pelo prazer, tantas vezes irrefletida, tem feito com que muitos indivíduos adiem a adoção de uma postura responsável capaz de aliviar o peso das falhas, e dessa forma a caminhada não tem sido fácil. Pesado tributo nos tem sido exigido pela cristalização no tempo e no espaço em faixas exclusivamente transitórias.

Afinal de contas, as desilusões aniquilam, as derrotas afligem, as decepções frustram, e após tantas lutas aprendemos a duras penas que tudo passa. E o que é pior, que tantas experiências menos felizes deixam cicatrizes, convidando-nos à reflexão para uma tomada de posição segura com o amigo divino nas trilhas do progresso. A misericórdia nos chega e aponta o Cristo vivo como referência insubstituível à instauração e manutenção da serenidade no coração.

Jesus é o amigo maior que não se cansa de esperar. Esperando por nossa movimentação para ele, sabe aguardar a manifestação de cada um neste sentido, ainda que decorrente do cansaço e da saturação. Por não buscá-lo pela via espontânea do amor ele nos aguarda após lutas e desarmonias experimentadas nas veredas do sofrimento e desilusão. A partir daí, lembramos do caminho.

Então, fica um recado para nós. A definir o quê? Que é preciso, ocasionalmente, parar e refletir. Se nós estamos debaixo de um sufoco violento, se nos identificamos com pouco tempo, envolvidos por vários problemas e desafios, paremos por alguns minutos. Não precisa mais que cinco minutos.

Está entendendo o que eu estou falando? Para um pouco, ouve uma música instrumental, tranquila, e reflete. É necessário esse tempo para que a gente possa ouvir o chamado e a presença da espiritualidade superior. Lembra do “eis que estou à porta, e bato”? Pois, então. Isso é preciso para que possamos ouvir a porta batendo. Tem gente que fala que teve uma semana difícil, apertada, que não teve tempo para fazer uma prece. Isso é um absurdo para quem já está sintonizado com o evangelho. Essa parada e essa reflexão é algo que nós temos que fazer. Às vezes, o minuto em que nós vamos fazer isso é até mesmo dentro do ônibus, no aperto do metrô, ou no carro, em pleno trânsito.

Estão buzinando por todo lado por causa do engarrafamento, mas nós estamos fazendo essa reflexão. No meio do tumulto. Não é algo que precisemos necessariamente entrar para o quarto, fechar por dentro e colocar plaquinha de “não perturbe” do lado de fora. Não, não é por aí. Temos que também fazer no sufoco do trânsito, ou dentro de uma oficina, mesmo com todo o barulho das peças.

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