1 de set de 2012

Cap 27 - Aos Cansados e Oprimidos - Parte 1


CANSADOS E OPRIMIDOS

“28VINDE A MIM, TODOS OS QUE ESTAIS CANSADOS E OPRIMIDOS, E EU VOS ALIVIAREI. 29TOMAI SOBRE VÓS O MEU JUGO, E APRENDEI DE MIM, QUE SOU MANSO E HUMILDE DE CORAÇÃO; E ENCONTRAREIS DESCANSO PARA AS VOSSAS ALMAS. 30PORQUE O MEU JUGO É SUAVE E O MEU FARDO É LEVE.” MATEUS 11:28-30

Os homens deste século vivem aflitos e afadigados. Não é necessário ser estudioso do comportamento humano para notar que andam apressados, sem tempo para as coisas importantes, envoltos em preocupações sem fim. Modificam o humor com grande facilidade e se enervam ao toque da mínima contrariedade.

E o interessante é que no fundo as inúmeras necessidades que fazem o flagelo da maioria das pessoas são fictícias, não passam de caprichos criados pelas paixões desenfreadas, pelos vícios descabidos e pelas taras mórbidas, que, aliás, se adquirem na maioria das vezes por imitação e se alimentam por egoísmo, quando, em verdade, o carpinteiro divino assevera que poucas coisas são realmente fundamentais para a felicidade das pessoas. É, ou não é algo para pensar? Todos os males que afetam a raça humana tem origem na falta de comunhão com Deus e as transições essenciais da existência na terra encontram a maioria dos homens absolutamente distraídos das realidades eternas.

Os minutos vão passando no relógio infinito do tempo que não se cansa. E enquanto nós estamos laborando pelo usufruto da liberdade de escolha é a linha orientadora natural que estamos aprendendo. Mas o tempo não para e muitos de nós caminham descuidados da responsabilidade de suas ações e omissões.

Querem apenas gozar a vida. Gastam o que tem e o que não tem, rejeitam os convites de renovação e ainda sentem que tem espaço mais à frente para novos gastos. Para que renovar se podem fazê-lo mais à frente, bem mais à frente, pensam. Para que modificar agora se o tempo é inesgotável? E deixam. Só que o tempo está se esgotando, porque sabemos que existe uma ordem no universo.

O chamado sempre ocorre. O vinde a mim está sempre presente. Porém, o que fazer se os homens não escutam, se caminham desinteressados, se lembram do céu senão nos dias de incerteza e angústia no coração? É uma realidade difícil, mas enquanto o homem não se cansa de se dedicar às coisas materiais, sabendo colocá-las dentro de suas reais proporções, não se direciona, de forma real, às coisas espirituais. Não tem jeito. Por outro lado, se alguma ameaça aos seus interesses e projetos é cruel, se iminente é o desastre e se a doença ou a morte do corpo é irremediável, aí, sim, os mais fortes dobram os joelhos.

Nós estamos vivendo momentos assim. Vivemos um momento em que tanta gente vem buscando o socorro espiritual, e, muito mais do que o socorro, vem buscando o conforto espiritual. A todas as horas e em todos os lugares a situação se repete. Não precisamos nem sair de casa. O telefone toca, muitas vezes, e alguma pessoa próxima a nós está pedindo socorro do outro lado da linha. 

O mundo atual comporta uma infinidade de criaturas em estado de stress. Pessoas que se locomovem desanimadas, inquietas, frustradas, amarguradas, aborrecidas, indecisas, contrariadas, insatisfeitas. E, acima de tudo, cansadas, saturadas. O cansado é o fatigado, porque o cansaço é o sentimento das forças exauridas. E o desgaste e o abatimento definem um estágio que antecede à opressão.

A voz do bom pastor soa doce e meiga: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei”. (Mateus 11:28) Ele poderia chamar só os cansados. No entanto, menciona a opressão porque as coisas da terra não apenas cansam, mas também oprimem. E como oprimem, quando alguém não sabe se situar. A opressão não surge à toa. É decorrente de várias situações continuadas de cansaço. Podemos dizer que está para além daquele estágio.

Oprimido é aquele que sofre opressão. É o prostrado, aniquilado, esmagado, aflito, coagido, humilhado, que carrega ou sobrecarrega grande peso, importunado, envolvido por uma sensação forte de aniquilamento. Temos feito da existência uma constante experimentação ao sabor das emoções. A busca pelo prazer, tantas vezes irrefletida, tem feito com que muitos indivíduos adiem a adoção de uma postura responsável capaz de aliviar o peso das falhas, e dessa forma a caminhada não tem sido fácil. Pesado tributo nos tem sido exigido pela cristalização no tempo e no espaço em faixas exclusivamente transitórias.

Afinal de contas, as desilusões aniquilam, as derrotas afligem, as decepções frustram, e após tantas lutas aprendemos a duras penas que tudo passa. E o que é pior, que tantas experiências menos felizes deixam cicatrizes, convidando-nos à reflexão para uma tomada de posição segura com o amigo divino nas trilhas do progresso. A misericórdia nos chega e aponta o Cristo vivo como referência insubstituível à instauração e manutenção da serenidade no coração.

Jesus é o amigo maior que não se cansa de esperar. Esperando por nossa movimentação para ele, sabe aguardar a manifestação de cada um neste sentido, ainda que decorrente do cansaço e da saturação. Por não buscá-lo pela via espontânea do amor ele nos aguarda após lutas e desarmonias experimentadas nas veredas do sofrimento e desilusão. A partir daí, lembramos do caminho.

Então, fica um recado para nós. A definir o quê? Que é preciso, ocasionalmente, parar e refletir. Se nós estamos debaixo de um sufoco violento, se nos identificamos com pouco tempo, envolvidos por vários problemas e desafios, paremos por alguns minutos. Não precisa mais que cinco minutos.

Está entendendo o que eu estou falando? Para um pouco, ouve uma música instrumental, tranquila, e reflete. É necessário esse tempo para que a gente possa ouvir o chamado e a presença da espiritualidade superior. Lembra do “eis que estou à porta, e bato”? Pois, então. Isso é preciso para que possamos ouvir a porta batendo. Tem gente que fala que teve uma semana difícil, apertada, que não teve tempo para fazer uma prece. Isso é um absurdo para quem já está sintonizado com o evangelho. Essa parada e essa reflexão é algo que nós temos que fazer. Às vezes, o minuto em que nós vamos fazer isso é até mesmo dentro do ônibus, no aperto do metrô, ou no carro, em pleno trânsito.

Estão buzinando por todo lado por causa do engarrafamento, mas nós estamos fazendo essa reflexão. No meio do tumulto. Não é algo que precisemos necessariamente entrar para o quarto, fechar por dentro e colocar plaquinha de “não perturbe” do lado de fora. Não, não é por aí. Temos que também fazer no sufoco do trânsito, ou dentro de uma oficina, mesmo com todo o barulho das peças.

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