4 de set de 2012

Cap 27 - Aos Cansados e Oprimidos - Parte 2


VINDE A MIM

“VINDE A MIM, TODOS OS QUE ESTAIS CANSADOS E OPRIMIDOS, E EU VOS ALIVIAREI.” MATEUS 11:28  

“ENSINANDO-OS A GUARDAR TODAS AS COISAS QUE EU VOS TENHO MANDADO; E EIS QUE EU ESTOU CONVOSCO TODOS OS DIAS, ATÉ A CONSUMAÇÃO DOS SÉCULOS. AMÉM.” MATEUS 28:20  

“DISSE-LHE JESUS: SE EU QUERO QUE ELE FIQUE ATÉ QUE EU VENHA, QUE TE IMPORTA A TI? SEGUE-ME TU.” JOÃO 21:22

Se o cordeiro divino disse estar conosco em todos os dias até a consumação dos séculos (“Eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém”. Mateus 28:20), é fácil perceber que ele está realmente conosco, presente.

Esperando, porém, que também estejamos com ele. É um sistema de mão dupla, que pressupõe reciprocidade. Aguardando-nos no decorrer dos milênios, ele espera que nos movimentemos para ele. Por meio do convite (“vinde a mim”), Jesus está definindo um plano operacional terapêutico, pois ele se constitui na porta e na solução de todas as dores e apreensões. Mas precisa de nosso concurso, sem o qual não pode lograr resultado. As suas palavras eternas soam, ainda hoje, em nossas consciências, até que o livre-arbítrio seja acionado na direção dele.

Sim, na direção dele, porque por enquanto as filosofias e as concepções deste mundo ainda dominam, quase que por inteiro, os nossos interesses e a nossa intimidade.

Por isso é que é tão difícil ir. Se por um lado é fácil ouvir e repetir o “vinde a mim”, por outro é muito difícil sair do lugar. É muito doce ouvir o chamado, mas até onde já conseguimos ir?

É comum, vez por outra, nos encontrarmos inquietos, entre a expectativa e a solidão. Diante de alguma contrariedade geralmente o nosso primeiro impulso é o de reclamar quanto àquilo que supomos ser nosso direito. E para reclamar e nos identificar como vítimas somos experientes. Contudo, buscando a palavra do evangelho surpreendemos a advertência do Senhor: “Que te importa a ti? Segue-me tu”.

De fato, não temos que nos preocupar com os lances exteriores, e sim com o que irradiamos. Se você faz o bem visando outros interesses, que não o de cooperar com a divina misericórdia, o seu bem está deixando de ser universalista, e de ascendência sublimada de amor, para ser uma elaboração de amor visando unicamente o seu interesse pessoal. E existe uma distinção nítida e substancial acerca da empregabilidade dos verbos “segue-me” e “venha”. No segue-me existe um chamamento para a sintonia com os padrões do evangelho. Ou seja, Jesus na frente, indica o caminho. Já o venha encontra-se para além do segue-me. Já denota uma linha de integração, representa como que uma espécie de vai, só que mediante os próprios passos da criatura.

Não são poucos os que se direcionam a Jesus aguardando uma resposta materializada: esse espera o dinheiro, aquele conta com a evidência social de improviso, outro exige imediata transformação das circunstâncias no caminho terrestre, etc. O mestre, por sua vez, chamou a todos. O vinde a mim não faz nenhum tipo de discriminação. Ele não cogitou da procedência dos viajores, se eram bons, se eram meio bons ou se eram maus querendo ficar bons. Nada disso. 

Também não prometeu retirar a carga de ninguém. Aliás, não prometeu nada, apenas alívio. E alívio é o ato ou o efeito de aliviar, é diminuição da dor, do peso, do trabalho, é a desopressão, o desafogo, a subtração da intensidade, a minoração, a atenuação, o descanso, o consolo, o refrigério, a suavidade, a tranquilidade.

E uma interrogação pode nos vir à mente: “Tudo bem, prometeu alívio, mas aliviar para que?” Para continuarmos a marcha, sequenciarmos o serviço, prosseguirmos a tarefa. De forma que o divino amor restaura as energias, mas não proporciona qualquer fuga às realizações do esforço individual, o que é importante ter-se em conta. Ao estendermos as nossas mãos ao Senhor não esperemos dele facilidades, ouro ou prerrogativas. Ele não resolve por uma questão simples, todos os problemas que criamos não serão resolvidos senão por nós mesmos.

O plano espiritual não pode quebrar o ritmo das leis do esforço próprio, como a direção de uma escola não pode decifrar os desafios relativos à evolução dos seus alunos.

Então, guarde uma coisa, é ilógico aguardar dos espíritos superiores a liquidação total das lutas humanas, o que significaria furto ao trabalho necessário ao sustento do servidor, ou a subtração da lição ao aprendiz necessitado de luz. Os mentores do além, em hipótese alguma, poderão afastar a alma encarnada do trabalho que lhe compete na curta permanência das lições do mundo, como um professor não pode decifrar os problemas dos novos aprendizes.

Entendamos que a palavra do guia é agradável e amiga, todavia o trabalho de iluminação pertence a cada um. Além do que, os amigos espirituais não se encontram em estado beatífico e cada espírito deve buscar em si mesmo a luz necessária à visão acertada do caminho. Repare que o mestre Jesus auxiliou doentes e aflitos de toda ordem sem retirá-los das questões fundamentais que lhes diziam respeito: Zaqueu, por exemplo, o rico prestigiado pela visita que lhe foi feita em Jericó, sentiu-se constrangido a modificar a sua conduta pessoal: Lázaro, reerguido das trevas do sepulcro, não foi exonerado da obrigação de aceitar mais tarde o desafio da morte: e Paulo, por ele distinguido às portas de Damasco, não obteve dispensa dos sacrifícios que lhe cabiam em sua missão.

E mais uma coisa: não é alivio, é aliviarei. Verbo no futuro. Ou seja, não encontramos a felicidade simplesmente pela arregimentação de conhecimento, em angariarmos valores intelectivos. A felicidade vai surgir no campo formativo.

Esta compreensão nos dá condições de dimensionarmos tudo em suas devidas proporções. Conhecemos hoje, a seguir passamos a sentir e, finalmente, começamos a viver o aprendizado. E só na efetiva exemplificação com ele estaremos de fato aliviados.

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