18 de set de 2012

Cap 27 - Aos Cansados e Oprimidos - Parte 6


MESTRE E DISCÍPULOS

“24NÃO É O DISCÍPULO MAIS DO QUE O MESTRE, NEM O SERVO MAIS DO QUE O SEU SENHOR. 25BASTA AO DISCÍPULO SER COMO SEU MESTRE, E AO SERVO COMO SEU SENHOR. SE CHAMARAM BELZEBU AO PAI DE FAMÍLIA, QUANTO MAIS AOS SEUS DOMÉSTICOS?” MATEUS 10:24-25

O mestre é aquele que pode ensinar aos outros porque reconhecidamente tem maior sabedoria ou capacidade de ação. 

E normalmente um professor é aquele que sabe estudar. Ele está sempre em processo de aprimoramento, de melhoria de recursos, não só de recursos informativos como também técnicos para desempenhar bem o seu trabalho. A palavra apóstolo, por sua vez, do grego, significa enviado. Diz-se de todo aquele que propaga uma ideia ou doutrina.

Um apóstolo é muito mais do que o discípulo. Claro, ele é o que opera em nome do mestre, é aquele que representa o mestre. Todo apóstolo é um educador por excelência, afinal é um condutor do espírito. Ao passo que o discípulo é o que aprende de, que ainda está aprendendo, que está assimilando.

Uma coista tem que ficar clara. O mestre Jesus sabe, enquanto nós estamos aprendendo a conhecer, pois o discípulo é o que aprende, o que se acha em fase de aprendizagem. O discípulo é quem aprende com o mestre. Não apenas como aluno que ouve e entende, mas que procura agir conforme o que recebe, que procura reproduzir a técnica do mestre, seu estilo, seu pensamento e sua vivência.

Só é uma criatura dotada de positividade segura e equilibrada aquele que é positivo na recepção. Os discípulos de Jesus se comprometiam com a sua doutrina e esse título discípulo é conferido pelo divino mestre a todos os homens de boa vontade, sem distinção de situações, classes ou qualquer outra expressão sectária. Para alguns nós podemos até ser mestres, guardadas a devida distância. Todavia, apenas seremos bons mestres se formos bons alunos.

Sabe por quê? Porque diante da grandeza do universo nós somos sempre alunos. Sempre. Nós sempre somos de algum modo o discípulo ou o aprendiz, uma vez que sempre teremos os nossos preceptores ou professores acima de nós. E o professor tem certos conhecimentos que aluno não tem ainda. O aluno tem a proposta de aprendizado. Logo, por mais ampla venha a ser a nossa transferência da informação ao plano prático, por mais extensa possa ser a nossa capacidade de fazer, nós nunca perderemos a condição de discípulos.

“Não é o discípulo mais do que o mestre, nem o servo mais do que o seu senhor”. (Mateus 10:24) Muito interessante. Não tem como ser o discípulo mais do que seu mestre. De fato, o soldado não sabe o pensamento do general. O cordeiro divino quer definir para nós, pelo que depreendemos, que o dia que o soldado estiver abrangendo todas as estratégias, toda a base de fundamentação de seu superior, é possível que debande tudo, que vá tudo por água abaixo.

Isso representa para nós o grau de revelação. Ou seja, os nossos superiores, os que nos dirigem, conhecem com aprofundamento toda a marcha do progresso, mas nós sem sempre podemos conhecer. Percebeu? Porque tem pontos nessa marcha que nós temos que vivenciar. É nesse sentido. Por isso é que Jesus, muito acertadamente, colocou aquilo que sempre vamos relembrar aqui: “não se dar pérolas aos porcos”, que equivale a não transferir determinados valores a quem não está com a devida capacidade administrativa, não entregar uma chave a quem não tem competência de guardá-la.

Quando ele fala que não pode ser o discípulo mais que o mestre ele define para nós que ele está ajustado na posição de mestre porque é um bom discípulo perante Deus que está no céu. Trata-se de ensinamento da maior grandeza. Jamais será um mestre por excelência aquele que não for um excelente discípulo. Se a individualidade não pode dar aquilo que é dele, que ela dê aquilo que recolhe, uma vez que a mente é bem mais refletora que emissora.

Então, o recado importante que fica é que temos que ser conscientes na posição de filho para começarmos a dar uma de pai, guardadas as distâncias, óbvio.

Não tem discípulo eficientemente ajustado, propriamente ajustado, sem a devida incorporação da condição de mestre. Porque ao ser discípulo, no plano consciente, ele está envergando a condição de mestre. Isto é bonito demais de entender.

Situamo-nos em uma chamada bipolaridade. Na grande busca que elegemos, em que estamos buscando abrir na horizontal da evolução, a gente não tem que ser só aluno não. Nós nunca estamos na posição isolada de discípulo ou de mestre. O espírito encarnado, para alcançar altos objetivos na vida, deve reconhecer a sua condição de aprendiz, extraindo proveito das experiências sem se escravizar. Assim, se você acha que não é mestre, esquece isso, você está enganado, porque todo mundo no planeta é mestre. O aluno que não se retira dos exercícios no alfabeto nunca penetra o luminoso domínio mental dos grandes educadores.

O evangelho está à nossa disposição e nós estamos com Jesus e na presença dele. Mas naquela base que a gente sabe bem: o protetor no plano de cima e o protegido aqui embaixo, sempre esperando algo mais do protetor. Porém, o grande lance é que enquanto a gente não descobrir que para ser um bom protegido tem que ter uma característica interna e uma proposta íntima de também proteger a gente não caminha. Para demonstrarmos a nossa posição de bom discípulo, bom aprendiz, nós temos que ativar a parte incorporada no plano do conhecimento, isto é, o discípulo tem plena condição de operar, embora sem nunca perder a condição de discípulo. Por mais que tentemos ser discípulos não há como alcançarmos o estágio seguinte senão investindo na posição de mestre.

Tem momentos que a grandiosidade do discípulo representa uma postura de mestre. Sabe por quê? Simples. Porque dentro de mim não existe apenas uma capacidade opositiva de receber o valor de cima. Tanto que o que eu recebo só vai ser incrustado na minha personalidade pelo ato de eu o fazer. E todas as vezes que eu faço eu estou acionando recursos do meu sentimento e usando a razão para fazê-lo.

O que significa que serei um excelente administrador do campo positivo da minha vida se eu for um excelente captador ou receptor dos valores que vem de mais alto. Recebo de cima na linha vertical da revelação e trabalho na linha horizontal dos interesses da coletividade. O verdadeiro discípulo tem que mostrar sua capacidade de ser um bom discípulo utilizando a sua característica mínima de mestre. Para ser um bom discípulo tem que lutar para ser bom mestre.

Para ser bom aprendiz nós temos que sentir uma vontade de fazer, de realizar, com entusiasmo. Orientando, ajudando e servindo na pauta que nos é própria, pois cada um tem uma faixa específica. Apenas seremos bons aprendizes capacitando-nos a oferecer a nossa cota operacional na dinâmica da aprendizagem.

E quanto mais o aprendiz alcança do mestre a esfera da influenciação, mais habilitado estará para se constituir seu instrumento fiel e justo. Jesus veio de lá para nos ensinar a ir para lá. Ele ensinou e viveu, cabe a nós aprender e exemplificar. “Aprendei de mim”. O ensinamento é sábio. Com ele aprendemos o que é Deus, como agir em relação ao próximo, às coisas e relativamente a nós mesmos.

Temos que aprender dele, sim, mas não apenas aprender para ficar na teoria, e sim aprender para exercer o aprendizado. E para ser bom aluno necessitamos ter o carinho de ser um preceptor, professor ou mestre diante de um coração que precisa ser informado e auxiliado. E também lembrar que o título mais extraordinário de um mestre é o reconhecimento natural de ser discípulo.

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