26 de set de 2012

Cap 28 - Olhos de Ver e Ouvidos de Ouvir - Parte 1


O OUVIR

“BEM AVENTURADO AQUELE QUE LÊ, E OS QUE OUVEM AS PALAVRAS DESTA PROFECIA, E GUARDAM AS COISAS QUE NELA ESTÃO ESCRITAS; PORQUE O TEMPO ESTÁ PROXIMO.” APOCALIPSE 1:3

“QUEM TEM OUVIDOS PARA OUVIR, OUÇA.” MATEUS 11:15

Os nossos cinco sentidos físicos funcionam como janelas de interação com a vida exterior, pelas quais irradiamos alguma coisa e também recolhemos alguma coisa ao nível de informações.

A princípio, na ordem dos acontecimentos, surge o tato, o primeiro grande sentido a se expressar na evolução. A seguir, os dois sentidos que nós chamamos químicos, o olfato e o paladar, para depois emergir, em expressões quase que concomitantes, a audição e a visão. O interessante disto é que no plano evolucional o ouvir e o ver são sentidos que trabalham para além, como postos mais avançados.

É pela audição e visão que podemos realmente melhorar as nossas condições de crescimento, condições do próprio progresso. Porque eles têm o papel de nos colocar em contato com os acontecimentos ambientes e precipitar, ao nível de uma visão profunda do grau de sensibilidade, a nossa postura diante do encaminhamento ascensional. Com a audição e a visão devidamente abertas, ao nível da mente já desperta em uma consciência maior, vamos favorecer enormemente o nosso grau de escolha e de discernimento. E é óbvio que esse estudo que levamos a efeito vai para além das linhas perceptivas tradicionais dos sentidos.

O ouvir significa aquele valor novo capaz de nos sensibilizar a nível auditivo. Repare que na passagem em questão o verbo ouvir está no plural, ao passo que o que se refere à visão está no singular: “Bem aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia. E guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo.” (Apocalipse 1:3). Não é à toa. Aliás, nada na bíblia é à toa, tudo tem significância. No plural, o verbo indica generalidade.

Isto é, ouvir, todos ouvem. Imagine você dentro de sua casa e um carro de som passando na rua, em frente ao seu portão, fazendo propaganda no alto falante. Quem estiver no quintal ouve, quem estiver deitado no quarto ouve, quem estiver no banheiro ouve, quem estiver cozinhando ouve. Entendeu o sentido?

É lógico que estamos falando em acústica no sentido intrínseco, espiritual, que alcança a todos. E outra coisa interessante é que a audição sugere passividade. Percebeu? Enquanto ouvimos nos situamos em um processo de passividade. Para ouvir não precisa fazer nada, para poder ouvir não é preciso nenhuma ação, não é preciso acender luz nenhuma, porque, em tese, luz é algo que faz referência aos olhos. O verbo ler, por sua vez, no singular indica uma iniciativa pessoal e aplicabilidade, já pressupõe um direcionamento, uma ação.

Nós estamos falando em ouvir e a grande maioria das pessoas não está interessada em ouvir, está preocupada em ver. Tem muita gente que nem consegue manifestar uma fé tranquila e segura porque não sabe ouvir e está envolvida na ansiedade de querer ver. O próprio Tomé, por exemplo, quando ficou sabendo que Jesus aparecera aos demais discípulos ficou de algum modo meio decepcionado, meio entristecido e incrédulo. Uma semana depois Jesus retorna e reaparece com a presença dele. Ele realmente sentia a necessidade não só de ver, mas de tocar, queria ver as marcas e o lado dele lancetado. O cordeiro, então, define: “Bem aventurado aquele que crê vendo, bem aventurado mesmo é aquele que crê não vendo”. Disso, fica um recado interessante, que muitos indivíduos não sabem ouvir e estão preocupados no sentido de ver e, às vezes, não podemos ver. Às vezes, a faculdade de ver não nos permite encarar com muita tranquilidade as grandes luzes e os grandes focos.

Além do que, aquele que espera ver para crer pode não crer quando ver, pois a fé abrange questões muito mais amplas a se instaurarem na intimidade do ser.

Disso resulta uma grande verdade: não há como querer ver sem uma capacitação nítida de saber ouvir. Assim, quando nós estamos impedidos de encarar a luz ou a paisagem de um modo mais substancioso e correto quase sempre são apelados os órgãos da audição, isso no plano até mesmo simbólico.

Quando a visão é empalidecida, ou não apresenta condições de apropriar certos valores no campo evolucional são ativadas as propriedades básicas da audição.

Tampando a visão abrem-se os padrões da audição. Lembra-se do acontecimento no monte Tabor? Pois, então, Pedro, Tiago e João não conseguiram visualizar o fenômeno da transfiguração com toda a grandeza. O cego de Jericó, sentado à beira da estrada, não via, no entanto, tinha a sua audição aguçada. Tanto tinha que identificou de pronto a chegada do mestre. Paulo, quando teve a sua ligação com Jesus no caminho de Damasco, ficou cego por certo período. Então, às vezes nós perdemos a faculdade de ver para aprender a ouvir. Quando não temos uma capacidade clara para observar com a visão o painel amplo das opções da vida precisaremos trabalhar principalmente com a acústica auditiva. Não é isto? Não tem outra forma, vamos ter que ouvir.

É como se a audiência, ou audição, fosse mais propícia às nossas percepções. E a audição devidamente ajustada e aproveitada tem uma função talvez muito mais profunda. É como se ela fosse o campo fundamental da nossa visão verdadeira. Logo, não se inquiete, vez por outra acontece de sermos chamados a estar em pleno voo cego para podermos instaurar dentro de nós a faculdade plena de ouvir, de modo a passarmos a ver com mais tranquilidade e positividade.

Ouvir no sentido espiritual é muito importante porque o processo de despertar é decorrente da utilização da acústica. Não ignoramos que no campo de nossa aprendizagem já temos a faculdade de ver muita coisa, de nos lançar ao direito e à possibilidade de ter diante de nós um painel de opções, procurando enxergar o que consideramos melhor. Porém, não podemos desconsiderar que uma faceta enorme de nossa conquista, ou de nossas propostas, decorre da capacidade de ouvir. Isso mesmo, o ouvido tem uma possibilidade muito mais ampla do que podemos imaginar de captar o que vem de fora. Entendemos mesmo, sem exagero algum, que o próprio processo de despertamento é resultante da utilização da acústica, da aplicação correta das condições auditivas.

A maioria das pessoas não pretende ouvir o Senhor e, sim, falar ao Senhor, como se Jesus desempenhasse simples função de pajem subordinado aos caprichos de cada um. Engraçado, não é? Trata-se de alunos que procuram subverter a ordem escolar. Desconsideram que quem ouve aprende e quem fala doutrina, e que somente após ouvir com atenção pode o homem falar de modo edificante na estrada evolutiva. Além do mais, uma coisa é necessária aprender, não adianta querer ensinar sem ouvir. Tem gente que acha que para ser bom professor tem que saber falar, no entanto, os entendidos nos mostram que a primeira coisa a fazer é aprender a ouvir. Ouvir é tão fundamental que se você não souber sintonizar a carência do educando você não tem como poder auxiliá-lo de forma significativa na linha instrutiva de informação.

O fato é que ouvidos qualquer um os possui. Porém, encontramos ouvidos superficiais em toda parte. Ouvidos que nada mais fazem do que registrar sons.

Se desejamos sublimar as possibilidades de acústica da alma precisamos estudar e refletir, ponderar e auxiliar fraternalmente tantos quantos circularem em nossa órbita. Dessa forma teremos conosco ouvidos que ouvem, que se reportava o mestre, criando em nós mesmos o entendimento para a assimilação da eterna sabedoria. Pense nisso, daqui para frente é preciso ouvir.


Estou falando de percepção que pode não ocorrer pelo ouvido ostensivo, mas pela acústica da alma. A pressa e a inquietude ainda não nos possibilitaram perceber os sons inaudíveis da vida, as belezas que se irradiam pelo universo afora.

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