29 de set de 2012

Cap 28 - Olhos de Ver e Ouvidos de Ouvir - Parte 2


ESTOU À PORTA E BATO

“EIS QUE ESTOU À PORTA, E BATO; SE ALGUÉM OUVIR A MINHA VOZ, E ABRIR A PORTA, ENTRAREI EM SUA CASA, E COM ELE CEAREI, E ELE COMIGO.” APOCALIPSE 3:20

O planeta é uma bola girando de forma contínua e muitos companheiros próximos a nós estão sintonizados com os ruídos do mundo.

Outro tipo de percepção acústica também espera o nosso interesse, razão pela qual necessitamos saber identificar o chamamento para além da vida comum. Em termos espirituais, quando falamos em voz nos referimos ao conjunto de informações que nos visitam. Consideramos como voz toda a soma informativa que nos tem visitado, e que vai precisar inicialmente da nossa capacidade auditiva, de uma proposta de sensibilização da nossa parte, como audientes, como elementos despertos e interessados em perceber o padrão novo que chega.

“Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo.” (Apocalipse 3:20) Esse batido tem uma ressonância extraordinária para nós. Bater significa o ato de despertar, de chamar a atenção. Tem gente que busca ouvir essa porta a vida inteira e o mundo não a deixa. O mundo não permite que a criatura ouça. Isso é muito triste. 

O primeiro fator que tem impedido o ouvir é a linha de envolvimento com os interesses materialistas.

Então, temos que ficar muito atentos. Especialmente nós, que já conseguimos a felicidade de desvincular muito daquela engrenagem materialista, no que diz respeito especialmente às buscas propriamente. Podemos dizer uma coisa para todos vocês, sem nenhum medo de errar e sem entrar em detalhes: que é possível que, senão todos, a grande maioria dos indivíduos que aqui estuda conosco já é capaz de se libertar, ou abrir mão, de muitos valores ao nível daquela concepção antiga de reconforto materialista. Sendo assim, vamos agir com a devida prudência. Essa expressão “eis que estou à porta, e bato” deve estar conosco, caminhar conosco. Vamos deixar de reclamar do mundo, reclamar das coisas e das pessoas. Porque não adianta nada, só complica a situação e ele está batendo. Só é preciso aguçar o ouvido espiritual e escutá-lo.

O plano maior bate. Quanto ao menor, a nossa percepção individual, por mais acanhada que seja, por mais simples, cabe abrir a porta. O plano maior bate e ao menor cabe atender. O plano maior se inclina para o menor e a este compete o interesse e a humildade para receber, acolher o valor a ele canalizado e reerguer-se.

“Eis que estou à porta, e bato.” É o Cristo que está a bater à nossa porta. Porta do coração, por sinal, que só se abre do lado de dentro. Essa ação de bater é aquele ato de despertar, de chamar a atenção. Um versículo do evangelho estudado, por exemplo, constitui uma batida nessa porta. Agora, cada um irá recolher segundo o grau de sensibilização acústica esse batido de forma diferenciada. E o interessante é que essa mensagem é a voz que ganha sonoridade, que ganha intensidade, que ganha suavidade, ganha as mais diversificadas expressões no campo da sensibilização. Ouvir está ligado à atenção e atenção leva a gente a ficar antenado, sintonizado, e leva também a questão de disponibilidade. Disponibilidade essencial para que possamos abrir a porta.

O mensageiro maior não se cansa de chamar e a nossa casa íntima deve estar numa barulheira danada, porque nem estamos ouvindo o bater à porta. Esse tipo de chamado não ouvimos, mas que está batendo, está! Só que esse bater é sutil.

É evidente que esse bater não pode ter aquela estridência de uma campainha, ou de uma sirene de indústria, ou de um sinal como aquele que existia nos colégios antigamente. Lembra? Aquele sinal sonoro estrondoso utilizado nos colégios enormes, que gerava correria dos alunos nos corredores. Não. De forma alguma. A batida é suave, é calma, porque não pode violentar. Do plano de cima para o nosso vem tudo ligeiramente. Se você vai acordar uma criança recém-nascida você não vai chegar perto dela e gritar. É por essa razão que “quem tem ouvidos, ouça”. Mas se não queremos ouvir ela ganha proporções maiores.

Se insistirmos por muito tempo em não ouvir, ou não atender, a batida é substituída pelas trombetas. E cá prá nós, trombeta não tem quem não a ouve. Você já ouviu aquela frase “quem não vai pelo amor vai pela dor”? É mais ou menos por aí. A violência da chamada é condizente ao nível da resistência.

Quando um fato menos feliz acontece na vida de alguém com a finalidade de despertá-lo já não se trata de alguém que está batendo, e sim as ressonâncias da lei.

Dentro de um aprendizado mais substancioso, às vezes você tem que fechar os olhos e tentar ouvir no silêncio da alma. Não estamos aqui falando de uma filosofia barata, sem praticidade, sem inoperância. Realmente é necessário fecharmos os olhos e tentarmos ouvir no silêncio da alma porque o silêncio é o maior revelador nosso, por incrível que pareça. Quando silenciamos o grito interior a nossa audição se engrandece. Na hora que passamos a evoluir, que nos deparamos dando passos efetivos na caminhada, penetramos no silêncio, porque é dentro dele que a gente ouve. Não são poucos os que vão dizer que isso é difícil de ser realizado na atualidade, com tanto barulho para todo lado, tanta poluição sonora, mas tem gente que mesmo em meio a toda essa poluição consegue silenciar o grito interior. E no momento em que a gente silencia o grito a gente entra na posse de uma audição acentuadamente profunda.

Vamos notar que nessa hora em que adquirimos esse sistema, quando penetramos pelo calar no chamado “templo do silêncio”, que as grandes filosofias orientalistas referenciam e muitos indivíduos não conseguem captar o seu sentido e a sua grandeza, passamos a nos situar no verdadeiro campo irradiador do amor. Portanto, se você quer ter a capacidade de ver precisa ouvir muito.

O sábio que é dotado de real sabedoria normalmente ele cala. Já reparou situações assim? Ele é sensato, abre a boca na hora certa. Porque se ele começar a colocar a boca no trombone e falar sem critério vai acabar por dar pérolas aos porcos e vai praticamente diluir e tornar inexpressiva a sua sabedoria.

O calar não é no sentido de não falar, de passar um esparadrapo na boca. Não é por aí. Esse sistema de calar é no aspecto de resguardar, saber administrar com segurança os componentes que já se possui. Porque se nós queremos crescer prá valer teremos que saber guardar. Esse calar tem um sentido de você estar sempre potencialmente preparado para novos lances no campo da aprendizagem.

Calar é o domínio da palavra, é você saber operar com a palavra, que é componente dinamizador do universo, naquilo que for justo, porque o pensamento tem uma base. O pensamento projeta a palavra, e por isso não há como operar com segurança se não souber calar. Nós estamos, embora timidamente, investindo no saber, procurando saber, porque queremos avançar.

Estamos tentando buscar novas rotas, novos planos, novas ideias, novas posições, e necessitamos saber calar para não jogarmos pérolas aos porcos e criarmos dificuldades e empecilhos até mesmo para o próprio agrupamento de pessoas nos quais estamos vinculados.

Vamos notar que, se de algum modo nós somos a porta que está sendo batida, a porta íntima do coração, na linha de relatividade que nos é competente igualmente nos é esperada a postura também de bater. Espíritos imperfeitos que somos, em aprendizado na escola de expiações e provas do planeta, dentro de uma contingência que ainda é pertinente não podemos jamais definir que estamos numa posição isolada de professor ou de aprendiz. Ao transmitir a voz, por vários instrumentos, estamos batendo na porta de outros corações, buscando sensibilizá-los para novos patamares, novos ajustes, novas posições, ensinando-os a ouvir, para depois estarem aptos a ver.

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