29 de out de 2012

Cap 29 - João Batista (2ª edição) - Parte 1


INÍCIO

“A LEI E OS PROFETAS DURARAM ATÉ JOÃO; DESDE ENTÃO É ANUNCIADO O REINO DE DEUS, E TODO O HOMEM EMPREGA FORÇA PARA ENTRAR NELE.” LUCAS 16:16  

Uma coisa extremamente significativa a ser compreendida no início dos estudos do evangelho é que o trabalho de vida de Jesus foi iniciado por João Batista.

Trata-se de algo de importância ímpar. É tão importante entender João Batista nos tempos atuais porque ele é o precursor do evangelho. É esse personagem da nossa intimidade que faz com quem deixemos uma vida estruturada nos parâmetros restritos da justiça para nos apontar o caminho abrangente do amor.

Como aprendemos nos estudos da física que não se passa de um estado para outro sem passarmos por uma fase de transição, João Batista representa o ponto da transição para uma vida que objetiva ser melhor. No aspecto histórico, a proximidade com o mestre tem sua significância, João Batista era primo de Jesus.

Era filho de Zacarias, sacerdote judeu, e Isabel, membro do ramo mais próspero do mesmo grande grupo familiar ao qual também pertencia Maria, mãe de Jesus. Isabel em certo dia recebera a visita espiritual de mensageiro divino, que mais tarde também se apresentaria a Maria. João nasceu em pequena aldeia conhecida naqueles dias como cidade de Judá, localizada a 6 quilômetros a oeste de Jerusalém, onde nasceu como uma criança comum e cresceu.

A partir de 1200 anos antes de Cristo, até mais ou menos 300 anos depois, uma nova escola de educadores religiosos vigorou na Palestina, por meio da qual houve a disseminação de um tipo de literatura chamada apocalíptica, principalmente originada do degredo dos judeus que eram muito sacrificados. Referidos educadores desenvolveram um sistema de crença segundo o qual os sofrimentos e humilhação dos judeus aconteciam por estarem eles arcando com as consequências dos pecados da nação, que recaíam naquelas razões bem conhecidas, escolhidas para explicar o cativeiro da Babilônia e de outras épocas.

Dessa forma, a literatura apocalíptica se baseava em uma dinâmica de primeiro a gente sofre e depois vem a libertação. Esse roteiro faz parte dessa literatura e para se ter uma ideia surgiram mais de 300 apocalipses. Só que a espiritualidade coordenou para nós o que conhecemos, o apocalipse de João, como a expressão, talvez, não só da verdade como a mais fiel. Os apocalípticos ensinavam persistentemente que Israel deveria manter sua coragem, que os dias de aflição estavam por acabar, a lição do povo escolhido de Deus estava para terminar, a paciência de Deus com gentios estrangeiros estava se exaurindo. O fim do domínio romano para esse povo crente era sinônimo de fim da idade e, em certo sentido, de fim do mundo. Esses pregadores consistentemente ensinavam que a criação estava para atingir seu estágio final, os reinos deste mundo estavam a ponto de se tornarem reino de Deus.

E nos dias de João os judeus perguntavam-se com expectativa sobre quando viria esse reino. Havia um sentimento geral de que o fim do domínio das nações gentias estava próximo. E, presente em todo o mundo judeu, a esperança viva e a expectativa de que ocorreria exatamente no período de vida daquela geração. Para a mente judaica daqueles dias o significado daquela expressão “o reino do céu”, que está tanto nos ensinamentos de Jesus quanto no de João, não era outro senão um estado absolutamente reto, no qual Deus governaria as nações da terra na perfeição do poder, exatamente como ele governava os céus: Era o “seja feita a sua vontade, na terra como no céu”.

Alguns judeus apegavam-se à opinião de que Deus poderia, possivelmente, estabelecer esse novo reino mediante intervenção direta e divina, embora a grande maioria acreditava mesmo é que ele iria interpor um representante intermediário, o messias. Esse era o único significado que o termo messias poderia ter nas mentes dos judeus daquela geração. Não poderia referir-se a alguém que meramente ensinasse a vontade de Deus, ou simplesmente proclamasse a necessidade do viver reto. A todas essas pessoas sagradas os judeus davam o título de profetas. O messias, do contrário, deveria ser alguém bem mais que um profeta, deveria trazer o estabelecimento do novo reinado, o reino de Deus. E ninguém que falhasse nesse propósito poderia ser pare eles o messias.

Todos concordavam em unanimidade com uma coisa, a instauração desse reino não se daria estando eles com os braços cruzados. Alguma purgação drástica ou alguma disciplina de purificação seria necessária para se proceder ao estabelecimento desse novo reino na Terra. E pelo que os apocalípticos ensinavam aconteceria uma grande guerra, que iria destruir todos aqueles que não acreditavam, enquanto os fiéis seriam levados a uma vitória universal e eterna.

Esses espiritualistas ensinavam que o reino seria inaugurado por aquele grande julgamento de Deus, que iria relegar os injustos à sua bem merecida punição de destruição final, ao mesmo tempo em que elevaria os santos crentes do povo escolhido aos assentos elevados de honra e autoridade, como o filho do homem, que governaria sobre as nações redimidas em nome de Deus.

Acreditavam, também, que muitos gentios devotos poderiam ser admitidos na comunhão desse reino.

E para todos aqueles que ouviam João ficava claro que ele era mais que um pregador. A grande maioria daqueles que escutavam aquele homem estranho, vindo do deserto da Judeia, partia acreditando que tinha ouvido a voz de um profeta. Não era de se espantar que as almas daqueles judeus cansados, mas esperançosos, ficassem profundamente extasiadas com esse fenômeno. Nunca, em toda a história dos judeus, os filhos devotos de Abraão tinham desejado tanto a consolação de Israel, nem a restauração do reino, como naquela ocasião.

Em toda a história dos judeus nunca, a mensagem de João, de que o reino do céu estava ao alcance das mãos, poderia ter exercido um apelo tão profundo e comovedor como naquela época em que ele apareceu, misteriosamente, na margem dessa travessia ao sul do Jordão, convocando a preparação para a mudança.

Jesus foi batizado no apogeu das pregações de João, quando a Palestina estava inflamada pela esperança de sua mensagem de que o reino de Deus estava à mão, quando todo o mundo judeu empenhava-se em exame de consciência sério e solene. O sentido judaico de solidariedade racial era profundo. 

Os judeus não apenas acreditavam que os pecados de um pai poderiam afligir seus filhos, mas acreditavam firmemente que o pecado de um indivíduo poderia amaldiçoar a nação. Desse modo, nem todos entre os que se submetiam ao batismo de João consideravam a si próprios como culpados dos pecados específicos denunciados por João e, de fato, muitas almas devotas foram batizadas por João pelo bem de Israel. Afinal, eles temiam que algum pecado de ignorância da parte de alguém pudesse retardar a vinda do esperado messias.

Sentiam-se como uma nação culpada e amaldiçoada pelo pecado e apresentavam-se para o batismo no intuito de que assim fazendo pudessem manifestar os frutos da penitência da raça. É evidente que Jesus, de modo nenhum, recebeu o batismo de João como ritual de arrependimento ou de remissão de pecados. Ao aceitar o batismo ele estava apenas seguindo o exemplo.

João foi preso e a longa espera na prisão estava tornando-se humanamente intolerável. Pouco antes de sua morte ele envia novamente mensageiros de confiança a Jesus perguntando se seu trabalho estava feito, porque ele enlanguescia na prisão, se o carpinteiro verdadeiramente era o messias ou deviam procurar outro.

Quando esses dois discípulos levaram essa mensagem a Jesus o filho do homem respondeu que fossem a João e dissessem a ele que não havia esquecido e que ele deveria suportar isso também, pois conveniente é cumprir tudo que é reto. Que dissessem a João o que viram e ouviram. Que boas novas eram pregadas aos pobres e, finalmente, dissessem ao amado precursor da sua missão na terra que ele seria abundantemente abençoado na idade que estaria por vir se ele, de Jesus, não encontrasse ocasião para duvidar e cair. Foi a última palavra que João recebeu de Jesus, mensagem que o confortou grandemente e muito fez para estabilizar a sua fé e prepará-lo para o trágico fim de sua vida no plano físico, que veio pouco tempo depois dessa ocasião.

25 de out de 2012

Cap 28 - Olhos de Ver e Ouvidos de Ouvir - Parte 8 (Final)


TENS VISTO, SÃO E DEVEM ACONTECER

“ESCREVE AS COISAS QUE TENS VISTO, E AS QUE SÃO, E AS QUE DEPOIS DESTAS HÃO DE ACONTECER;” APOCALIPSE 1:19

“DEPOIS DESTAS COISAS, OLHEI, E EIS QUE ESTAVA UMA PORTA ABERTA NO CÉU; E A PRIMEIRA VOZ QUE, COMO DE TROMBETA, OUVIRA FALAR COMIGO, DISSE: SOBE AQUI, E MOSTRAR-TE-EI AS COISAS QUE DEPOIS DESTAS DEVEM ACONTECER.” APOCALIPSE 4:1

“Escreve as coisas que tens visto, e as que são, e as que depois destas hão de acontecer”. (Apocalipse 1:19) O versículo referenciado aponta para um encadeamento. Não é aleatório, existe uma linha de raciocínio. Define as coisas que a gente vê e as coisas que efetivamente são. Interessante.

O que quer dizer? Mostra com tranquilidade que primeiramente a criatura visualiza algo com o seu próprio grau perceptivo. Porque nós temos uma facilidade de decodificar o nosso plano de observação, aquilo que visualizamos, conforme a nossa conceituação. Na moldura dos nossos próprios reflexos, dos nossos interesses. Repare que é muito comum nós olharmos consoante o que temos dentro da gente, a nossa análise é feita conforme os padrões que nós temos.

As facetas de um mesmo acontecimento assumem proporções diversas conforme a natureza dos olhos espirituais que as observam. O ponto de vista é simplesmente a vista de um ponto. Um ponto determinado serve de referência a muitas pessoas em ângulos diferentes. Uma mesma figura detona inúmeras condições na intimidade do paciente que as observa. Na realização de um teste psicológico, por exemplo, vamos notar que um mesmo elemento, um mesmo painel apresentado, em uma mesma linha de referência, propicia várias interpretações, porque cada um dá o dimensionamento compatível com o que se soma na própria intimidade. 

Os olhos, instrumentos de identificação, transmitem uma linha de percepção. Sem dúvida, cada qual vê segundo o grau evolucional que já atingiu. Cada espírito observa o caminho ou o caminheiro segundo a visão clara ou escura de que dispõe. 

A evolução é uma escada infinita e cada individualidade abrange a paisagem de acordo com o degrau em que se coloca. Porque reclamar das coisas? A deficiência de visão, no seu sentido espiritual, é referência à nossa visão íntima, à nossa ótica relativa ao mundo, onde vemos muita coisa fora da sua linha básica, fora do foco.

O que concluímos disso é que o ato de ver pode não ser aquilo que efetivamente é. Se cada um de nós está vendo, o importante é que essa visão seja sempre, e cada vez mais, o reflexo da realidade. É preciso um trabalho informativo ampliado para que a nossa visão seja cada vez mais autêntica e segura.

Uma visão que não seja uma visão apenas dimensionada na nossa ótica pessoal, mas que aprendamos a ver para além da nossa capacidade personalística.

Não raras vezes chegamos a um estado de saturação em que percebemos que o que estamos enxergando não é o que estamos querendo ou não nos está atendendo plenamente. Assim, vamos concluir que a visão tem também um sentido de definição do que realmente propomos na vida. Se, por um lado, vemos segundo a nossa ótica, por outro quem quer crescer conscientemente tem que saber ver para além dos seus parâmetros. E além de ver para além saber detalhar essa visão no discernimento, que é sublimação da capacidade de ver.

Os olhos também definem pontos com os quais nós trabalhamos no plano de observação com vistas à seleção daquilo que podemos implementar. Igualmente representam facetas da nossa intimidade que costumam enxergar ângulos sob um aspecto acentuadamente automático e condicionado da personalidade. Está dando para acompanhar? Existem olhos de tudo quanto é jeito. Nós temos valores incrustados em nossa intimidade que às vezes nem mesmo admitimos que existem. Quem conhece um pouco da expressão corporal, da linguagem corporal, sabe perfeitamente que um olhar, ou uma postura, transmitem coisas. Inclusive pode notar que uma criatura sob observação pode estar agindo com um determinado padrão do qual às vezes nem o observado tem plena consciência que tem, mas é que é automático dele.

Tem algo que é interessante, aparentemente o ver é a mesma coisa que olhar. É quase igual. Mas aparentemente, porque em uma análise profunda existe distinção. Ver é aquele procedimento automático, apresenta um sentido de constância, ao passo que olhar já denota uma proposta de interesse. Podemos resumir dizendo que olhar é um ver dirigido, define interesse. É muito comum alguém ver uma pessoa, mas não ver o seu semblante. O ver, para que ele possa ter aquela capacidade efetiva, precisa estar acompanhado do caráter de olhar.

O tempo passa, cada dia mais rápido por sinal, e quando começamos a enxergar a realidade da vida o nosso sofrimento quase que desaparece por completo.

Porque vamos aprendendo e entendendo que ao lado da constatação das nossas falhas existe aquela alta dose de confiabilidade no criador com as suas leis sublimes, das quais, independente da lei de causa e efeito, fala a voz da misericórdia.

Não é algo reconfortante? É pela misericórdia que fala a grandeza de um criador que ama seus filhos, e à medida que vamos entendendo isso vamos desativando as preocupações. Por esta razão vamos aprimorar nossa visão, saber extrair de um fato, de uma situação, de uma realidade o que houver de melhor.

“Escreve as coisas que tens visto, e as que são, e as que depois destas hão de acontecer”. (Apocalipse 1:19) ou “sobe aqui, e mostrar-te-ei as coisas que depois destas devem acontecer”. (Apocalipse 4:1) Bem interessante essas expressões “hão de acontecer” e “devem acontecer”. Os verbos nestes casos não dão um sentido muito fechado, definido. Fica uma coisa meio flutuante, relativa, indefinida, não temos nada concreto para ser preciso. Não quer dizer que acontecerá. É como se, apesar de toda uma linha programada, diante das causas já semeadas, novos fatos poderão surgir, poderão alterar efeitos. E fatos surgirão.

Se a cada momento estamos alterando o destino pela mudança de nossas ações, nada mais natural para nós, estudiosos do evangelho, depreendermos que alguns fatos programados para acontecerem de uma forma podem ser transformados ou transferidos para processo diferente de manifestação. Vale ressaltar que o que vai acontecer mesmo, de maneira fechada, é cumprimento da lei.

O versículo aponta um encadeamento: que vê, que são e que hão de vir. Ou seja, primeiro a criatura visualiza com o grau perceptivo dela. Sem contar que nosso grau de observação e percepção é muito mais abrangente do que o nível e grau de conquista ou acontecimento. Pode ser que estejamos hoje conseguindo alcançar em nossa luta reeducacional padrões que vimos lá atrás numa retaguarda remota.

Muitas coisas podem ser vistas e não acontecem, outras, por sua vez, não acontecem porque já são, isto é, já aconteceram. E outras que hão de acontecer no futuro. 

As que depois destas hão de acontecer refere-se ao processo de projeção no tempo e no espaço, delineadas com base no que já foi lançado no terreno do tempo. Pois a vida devolve a seus legítimos semeadores ou plantadores as respostas quanto o que fizeram em épocas anteriores, dentro da amplitude da causa e efeito. Essas estão acontecendo dentro do processo, mas outras vimos e não aconteceram ainda. No reverso, por nossa ótica acanhada, podemos encontrar também coisas que achamos que vimos e presenciamos e que nunca vão acontecer. Nossa mente também cria coisas que inexistem, vinculam ao nível de imagens e fantasias sem nenhuma fundamentação. Quantas vezes laboramos determinado fato que não acontece em tempo algum!?

22 de out de 2012

Cap 28 - Olhos de Ver e Ouvidos de Ouvir - Parte 7


UNJAS OS TEUS OLHOS COM COLÍRIO

“ACONSELHO-TE QUE DE MIM COMPRES OURO PROVADO NO FOGO, PARA QUE TE ENRIQUEÇAS; E ROUPAS BRANCAS PARA QUE TE VISTAS, E NÃO APAREÇA A VERGONHA DA TUA NUDEZ; E QUE UNJAS OS TEUS OLHOS COM COLÍRIO, PARA QUE VEJAS.” APOCALIPSE 3: 18

Os olhos são instrumentos de interação com os seres e as coisas e para que possam propiciar uma visão nítida e satisfatória precisam estar saneados, limpos, clarificados.

Inúmeros companheiros nos caminhos evolutivos necessitam, ainda, usar o mecanismo complicado do sofrimento para poderem aprender a ver. O mundo está cheio disso em toda parte. O pranto e o ranger de dentes significa lavar os olhos pelo líquido das lágrimas do sofrimento para que a criatura possa ver melhor.

Porque lavá-los pelo pranto proporciona uma ótica mais nítida da existência. Em um entendimento mais aprofundado da marcha do progresso nós observamos que as lágrimas vão além de apenas lavar os olhos e sensibilizarem o coração, também sugerem ao espírito sofrido algo a mais, como abrir-se para o sol e para oportunidades novas. As lágrimas limpam e  apontam.

“E que unjas os teus olhos com colírio, para que vejas.” (Apocalipse 3:18) Preste bastante atenção, o que significa “para que vejas”? Se está sugerindo que a gente veja é porque ainda não estamos vendo. É muito importante que a gente mantenha, com muito carinho, essa proposta de termos a visão nítida, essa proposta de irrigarmos os olhos com o colírio eficiente de modo que haja de nossa parte uma percepção plena do que podemos e devemos fazer. Não é isso? Não deixar que a catarata se instaure ou que a conjuntivite se expresse. É trabalhar em um plano de assepsia as bases. É assim que a nova etapa que nos aguarda no plano da evolução nos sugere. Pensemos nisso.

O “para que vejas” está nos mostrando a importância de trabalharmos operando. Que o momento é o agora. E trabalharmos também projetando com vistas ao futuro. Deu para acompanhar? O tempo verbal está projetando para o futuro.

O momento não é outro senão o agora. O problema não é o passado, a questão é seguirmos tendo forças para que possamos vencer a caminhada, trabalhar as causas com vista ao futuro. Nós estamos aqui muito mais preocupados com os nossos rumos ao futuro do que com a liquidação dos nossos débitos. Ou você está preocupado com o que você fez lá atrás? O passado não tem como ser mudado, o que foi feito está feito mesmo, e ponto final.

O que nós temos que pedir, relativamente ao passado, é forças para que possamos vencer as dificuldades. Agora, nós estamos tentando laborar em função do nosso futuro. Sabe por quê? Por que se no campo das causas nós estamos às voltas com os efeitos em nossa vida, e que não tem jeito de reverter, vamos trabalhar as causas com vistas ao futuro, operando uma situação nova de vida.

E para isso é necessário ungirmos nossos olhos com colírio. Ou seja, quem está tentando evoluir fora da dor, pelo amor, compre colírio: “E que unjas os teus olhos com colírio, para que vejas.” A aplicação do colírio tem inclusive uma expressão muito interessante, “unjas”. Ungir dá uma ideia muito mais de óleo do que de qualquer outro líquido. Notamos que ungir significa lubrificar para que a nossa vista tenha esse campo dinâmico de observação. Afinal, o que quer dizer esse colírio? Colírio é um remédio que se aplica sobre a conjuntiva dos olhos para efeito curativo ou de alívio. Representa evoluir para além da dor. Em outras palavras, é o discernimento. Desobstruímos a nossa visão.

Pingando o colírio (outro fator interessante, ele vem em gotas, em pequenas porções) você passa a enxergar com mais facilidade. Você passa a ter um aprofundamento na sua ótica. Clareia a visão. É o que estamos tentando fazer aqui neste nosso estudo.

O que estamos tentando fazer senão abrir a nossa vista para enxergar com mais propriedade? O colírio clareia a vista lavando os olhos (instrumentos abençoados de interação com os seres e as coisas), nos proporciona uma ótica bem mais clara.

Ungir os olhos com colírio é manter a proposta de irrigar os olhos, manter a visão nítida para ter-se o discernimento e identificar o que fazer, pois o que buscamos é abrir a nossa vista objetivando enxergar com mais propriedade. Porque sabemos com tranquilidade que quem tem bons olhos não vê o bom nem ruim, compreende apenas, e para se conquistar isso é preciso trabalho e paciência.

É pela utilização do colírio, que é uma forma de se ingerir o conhecimento, que estamos desobstruindo a nossa visão. Estamos tirando as cataratas da visão. Quando falamos dessas cataratas nos lembramos do apóstolo Paulo, que quando teve sua ligação com Jesus no caminho de Damasco ficou cego. Na hora em que ele recebeu o passe magnético de Ananias saíram de seus olhos como escamas. O que denota que ele estava totalmente saindo daquela linha de retaguarda, de uma ótica difícil, ao nível de justiça, para poder entrar numa ótica nova.

E como é que começamos a notar que estamos tendo olhos que estão vendo com eficiência? Quando nós começamos a olhar os fatos, as situações, as coisas, as pessoas, o mundo, naquela face positiva em que se apresenta. Quando nós detectamos os ângulos negativos no campo ambiente onde estamos posicionados, e mesmo no detectar o negativo mantemos uma vibração operacional de cooperação, de ajuda, de esquecimento ou de compreensão.

Porque tem gente que fica procurando defeito: “Aquela pessoa eu não vou com a cara dela. Ainda vou descobrir o que ela tem.” Daqui a pouco começa a procurar, procurar. “Já sei o que é, ela fala demais.” Bom, não estamos aqui para criticar ou julgar ninguém, mas esse pode ter certeza, não está usando o colírio.

16 de out de 2012

Cap 28 - Olhos de Ver e Ouvidos de Ouvir - Parte 6


VISÃO PROFUNDA

O ver é a função do olho e representa um campo perceptivo. De forma geral, os homens possuem da matéria a conceituação possível de ser fornecida pela mente, compreendendo-se que o aspecto real do mundo não é aquele que os olhos mortais podem abranger, uma vez que as percepções humanas estão condicionadas ao plano sensorial e não conseguem ultrapassar o domínio de determinadas vibrações.

Isto é interessante. Mergulhadas nas vibrações pesadas dos círculos da carne as criaturas tem notícias muito imperfeitas do universo em razão da limitação dos seus cinco sentidos. É por isso que o homem terá sempre um limite nas suas observações acerca da matéria, não só pela deficiência de percepção sensorial, como também pela estrutura do olho, onde a sabedoria divina delimitou as possibilidades humanas de análise, de modo a valorizar os esforços e as iniciativas.

O campo da alma exige o desenvolvimento das faculdades espirituais para tornar-se perceptivo e é imprescindível habituar a visão na procura do melhor. Olho básico de profundidade é o do campo mental e entender é a abertura da visão profunda para além da visão comum. O evangelho em algumas situações cita a expressão “olhos como chama de fogo”, que define aqueles olhos de profundidade relativamente à vida. A expressão dois olhos define a visão profunda do diencéfalo e os componentes interativos do nosso dia a dia que é a visão normal, e entender lida com a essa visão profunda, que é a epífise, sede da mente, que mexe com a nossa essencialidade profunda. Nossos próprios sentidos são componentes sob a direção direta do campo mental, que é o centro coronário, onde está a visão profunda do diencéfalo, e tudo isso trabalha de forma globalizada. Assim, ver muitos veem, todavia não enxergam.

Para resumir é possível dizer que o olho capaz de ver, transcendentemente, é aquele que vê e vê mesmo, de verdade, bem para além da visão objetiva e lógica.

Quando se fala que nós temos um olho profundo no diencéfalo, que é a terceira visão, vinculado ao centro coronário, conectado com a epífise, isso nos mostra que a questão não se resume só em ver, é preciso saber ver. Perfeito? A capacidade de ver não apenas opera na visualização, no levantamento de dados, a visão efetiva detecta e sabe para que e porque detectou. Então, vamos repetir, não basta apenas ver, é preciso saber ver. Ver o mundo está cheio.

Por exemplo, nós estamos vendo a nossa salvação através de longo tempo, muito tempo mesmo. Se dependesse apenas da nossa visão nós já teríamos resolvido nosso problema evolucional, não é mesmo? Todos nós, sem exceção. E porque não resolvemos? Porque não temos sabido ver. O ver ganha na amplitude. E todos nós temos defeito. Agora, tem gente que tem uma facilidade enorme em apurar os defeitos dos outros. É necessário que a gente saiba decifrar os códigos que a vida nos endereça, saiba entender os porquês das coisas.

Saber compreender coisas como porque uma criatura se mantém do seu lado com tanto carinho, lhe tratando com tanta boa vontade, tanta amizade, ao passo que determinada individualidade complicada se mantém próxima de outra pessoa por tanto tempo. Tudo tem um por que. Análise é necessária no sentido de entender o porquê disto. Precisamos ter essa ótica. Entender a lição.

A visão, um dos últimos, senão o último sentido que conquistamos, faz um papel de percepção e também de detonador de novas linhas de ação. E sabe o que concluímos? Que o primeiro fator que realmente nos importa quando passamos a ver é o aspecto da aplicabilidade. Acabamos de dizer que a faculdade de ver representa não apenas detectar, e quem sabe ver detecta, sabe para quê e porque vê. É da lei que não devemos ver senão o que possamos observar com proveito e cada um de nós deve ter a possibilidade de ver somente aquilo que proporcione proveito legítimo, pois não fomos criados para ver dentro de um plano de entretenimento. Para poder ver além daquele ponto que nos é delimitado temos que saber investir naquilo que fomos capazes de ver.

Em um sentido absolutamente cristão compreender é palavra de ordem para quem quer a elevação, e quanto a isto não se discute. Compreensão é nada mais do que o fulcro geratriz do amor e da misericórdia. Componente inarredável do crescimento, é plano fundamental do amor. Aliás, pode-se dizer que o amor legítimo fecunda-se na compreensão. Por isso, se existe um pouco de cristianismo em nossa consciência o cultivo sistemático da compreensão e da bondade tem que ter força de lei em nossos destinos, razão pela qual em todo momento temos que nos encontrar com a válvula da compreensão em disponibilidade.

É impossível amar sem compreender. Não dá. É muito difícil o exercício da caridade fundamentada amplamente no amor sem um alto grau de compreensão.

Enquanto não compreendermos não conseguiremos penetrar o território do amor.

Compreender é alcançar com a inteligência, é entender, perceber, alcançar as intenções ou o sentido de, é entender aceitando como é, é dar-se conta de, é ver. Compreender é ver não só o que estamos enxergando. A compreensão pede amadurecimento de raciocínio nos refolhos da alma e quando começamos a conhecer a realidade da própria vida abrem-se novos patamares de visualizações e subtraem-se os desencantos. Mas se a compreensão é força geratriz do amor e da misericórdia, para compreender de verdade tem que conhecer.

O Cristo de Deus aqui veio. A um mundo turvo onde imperava a escuridão em seus caracteres mais amplos. O evangelho aponta com tranquilidade que as trevas simplesmente não o compreenderam, não compreenderam a luz. E não compreenderam porque para que pudessem compreendê-la preciso fora que se iluminassem. Ora, porque estamos dizendo isto? Porque estamos marchando para Deus, cada um de nós, e nessa marcha os caminhos não são os mesmos para todos.

Neste planeta em que estamos ajustados e entrelaçados uns aos outros não existem aqueles que estão salvos de um lado e os condenados de outro. Não tem isso. O que existem são pisos evolucionais. Basta lembrar que as mentes vibram em patamares condizentes ao grau de evolução em que se ajustam, patamares consonantes com o grau de evolução que estão conquistando. Para amar e conseguir exercer a caridade, em sua expressão legítima, você tem que ter uma alta dose de compreensão do patamar em que o auxiliado está vivendo.

Convocado a discutir, Jesus imolou-se. Não reclamou compreensão e entendeu a nossa loucura, localizou-nos a cegueira e amparou-nos ainda mais. Ele não ignorava o que existia no homem, no entanto, nunca se deixou impressionar negativamente.

Muitos dos entes mais amados na Terra, embora ocupando nosso coração, ainda não podem entender as conquistas santificadas do céu. E em plano de contrastes chocantes como o nosso não será possível agradar todos simultaneamente.

Mas não condenemos o próximo porque nele observemos a inferioridade e a imperfeição. Com serenidade devemos analisar cada acontecimento e cada pessoa no lugar e na posição que lhes dizem respeito. Se não podemos agradar a todos, também não podemos nutrir nenhuma proposta desagradável aos outros.

Existe uma diferença entre aprovar a postura do semelhante e compreender o semelhante. Nós não temos que aprovar as distonias de vida que as criaturas levam, mas temos que ter uma tranquilidade para compreender o nível evolucional delas.

Ninguém perderá exercendo o respeito que devemos a todos as criaturas e a todas as coisas. Logo, aprovar nem sempre, mas compreender sempre. Se eu descaracterizar e desrespeitar o piso do meu semelhante eu estarei apagando a minha luz e a luz foi feita para dissipar a treva, a função da luz é iluminar, não brigar com a treva.

Se nós não compreendermos a treva a nossa luz nunca será luz, ela será um foco intimidador. A conclusão é que a gente tem tentado em nossa vida prática desativar a preocupação nossa e saber compreender, e quando compreendemos o piso diferenciado passamos a ter paciência junto às pessoas.

Até mesmo no processo educativo nós ganhamos autoridade em determinar limites a outrem quando nós compreendemos. Enquanto não compreendermos nós vamos colocar limite unicamente para resguardar o nosso interesse pessoal e não para ajudar o semelhante que está exorbitando da sua órbita. Quando Jesus passou por todo o processo de resistência do mundo ele quis nos ensinar algo no final, que ele viveu isso tudo por amor a nós, ao passo que nós vamos viver em respaldo ao destino. Só podemos compreender determinadas questões quando encontramo-nos em condições vibratórias necessárias para as assimilarmos.

E mais uma coisa importante, através da compreensão é imperioso evitarmos agravar os problemas do próximo que amanhã podem vir a tornarem-se nossos.

10 de out de 2012

Cap 28 - Olhos de Ver e Ouvidos de Ouvir - Parte 5


SABER VER

“EIS QUE VEM COM AS NUVENS, E TODO O OLHO O VERÁ, ATÉ OS MESMOS QUE O TRASPASSARAM; E TODAS AS TRIBOS DA TERRA SE LAMENTARÃO SOBRE ELE. SIM. AMÉM”. APOCALIPSE 1:7

“16POR ISSO NÃO DESFALECEMOS; MAS, AINDA QUE O NOSSO HOMEM EXTERIOR SE CORROMPA, O INTERIOR, CONTUDO, SE RENOVA A CADA DIA. 17PORQUE A NOSSA LEVE E MOMENTÂNEA TRIBULAÇÃO PRODUZ PARA NÓS UM PESO ETERNO DE GLÓRIA MUI EXCELENTE; 18NÃO ATENTANDO NÓS NAS COISAS QUE SE VÊEM, MAS NAS QUE NÃO VÊEM; PORQUE AS QUE SE VÊEM SÃO TEMPORAIS, E AS QUE SE NÃO VÊEM SÃO ETERNAS”. CORÍNTIOS II 4:16-18

Os olhos são a luz do corpo. É por meio deles que o homem se orienta e se guia, não só em seus passos como no juízo que faz das coisas. Olhos bons propiciam passos acertados e juízos retos, ao passo que do contrário tem-se passos dúbios e análises falhas. Agora, quando falamos em olhos, dentro do contexto espiritual, é claro que não estamos nos referindo aos olhos físicos. Referimos à visão não no sentido físico, como simples capacidade de observação ao nível dos sentidos, mas aponta que os olhos em sua essencialidade trabalham para além desse contato objetivo e físico. Ver é conhecer ou perceber pela visão, alcançar com a vista, enxergar, distinguir, avistar, saber, conhecer.

Diz a sagrada escritura que “todo o olho verá, até os mesmos que o traspassaram”. (Apocalipse 1:7) De fato, essa faculdade de ver vai atingir a todos, não ficará praticamente ninguém de fora. É certo que o tempo tem que ser respeitado, porém, de uma forma ou de outra todos nós vamos entender, vamos ver.

O chamamento não individualiza, é para todos. Até aqueles que machucaram Jesus, que o feriram, que o traspassaram, que tentaram resistir e rechaçar os componentes detonadores de uma nova era também se encontram nessa ótica.

Em outras palavras, não há discriminação de nenhuma natureza. Até aqueles ainda endurecidos no amor, que permanecem envoltos em um sentido acentuadamente egoístico e monopolizador dos seus pontos de vista, cedo ou tarde verão.

É bom lembrarmos que determinadas criaturas que vem trabalhando a nosso favor nos dias atuais tiveram seus momentos de nebulosidade em época anterior, tiveram lá atrás que passar por um processo de enceguecimento. Muitos deles. Quantos, inclusive, tiveram que perder a visão em algum período, como o próprio Paulo, e que estão hoje tentando nos fazer enxergar. O que define para nós que às vezes a individualidade tem que se tornar relativamente opaca na sua observação para poder nos ensinar como é que enxerga.

E ocasionalmente ficamos tão ansiosos por ver que tamponamos a linha auditiva. Não escutamos nada, nem ninguém, e preferimos ir com a cabeça na parede. Pura teimosia. E o que aprendemos disso? Que perdemos a faculdade de ver para aprendermos a ouvir, que a acústica é maior do que a visão e costuma revelar coisas que os nossos olhos nem sempre são capazes de perceber.

Estamos repetindo isso para frisar que muitas vezes um campo mental de certo modo reduzido, restrito, é para que a criatura administre a capacidade de operar a onda mental com equilíbrio. Cada pessoa tem uma ótica perceptiva, e se eu noto que a minha manifestação perceptiva está sendo negativa é bom eu estudar, é bom eu reformular meus padrões. Cada um tem a sua forma analítica.

É preciso educar a visão. Não tem como encontrarmos no mundo uma perfeição completa. Aliás, podemos dizer mais, ou nós melhoramos a nossa ótica ou vamos continuar trabalhando perifericamente o nosso plano de crescimento. Se quisermos viver bem temos que educar a visão. E educar a visão não é ser bonzinho, apenas ver o lado positivo de tudo, levar pancada das pessoas e dizer amém. É ver, analisar, tirar conclusões, cooperar e ser  vigilante.

A visão, sob o aspecto da compreensão, nos abre uma perspectiva nova, objetiva nova etapa, um período novo. Então, não basta apenas ver, é preciso saber ver. A gente só se revolta contra aquilo que não conhece, que não compreende e ver representa percepção e aprofundamento das causas. Não dá para negligenciar, atrás de cada acontecimento vigora uma mensagem e existe sempre uma causa preponderando ao efeito. Mais feliz nos sentimos quando entramos no terreno das causas.

É por isso que é imprescindível ter paciência com as dificuldades e as provas, independente do quão duras sejam, pois tudo o que detectamos pela visão é transitório.

Nas curas de Jesus presentes no evangelho, especialmente as que se referem aos cegos, temos a presença de peculiaridades. Mostram-nos de forma clara que o mestre não apenas retornava-lhes a visão, não apenas recuperava a visão para que vissem, mas implicavam também no como ver. Ele não apenas recompunha a visão de quem não enxergava, como também propiciava dar a cada recebedor um quadro novo de uma capacidade de ver. Isto é muito lindo. Jesus não visava apenas tirar a dor física dos enfermos concedendo-lhes alívio momentâneo, mas conscientizá-los a trabalhar as causas como forma de extirpar verdadeiramente as suas doenças. Ele se preocupou, acima de tudo, em proporcionar a cada alma necessitada uma visão mais ampla da vida, e em aquinhoar cada espírito no caminho evolutivo com eficientes recursos de renovação e transformação para que tivessem êxito no bem diante da estrada para Deus.

6 de out de 2012

Cap 28 - Olhos de Ver e Ouvidos de Ouvir - Parte 4


O APOCALIPSE II

O apocalipse vamos compreendê-lo como prevendo-nos acontecimentos menos felizes em razão das bases lançadas no tempo, e que estruturalmente acabam por formar nuvens pesadas que irão derramar hoje ou amanhã.

Constitui proposta em que os componentes nele referenciados serão levados a efeito nos terrenos dos testemunhos, dos sofrimentos e das lutas no âmbito exterior, praticamente definindo as necessidades íntimas resultantes da indiferença e resistência e de todo processo negativo diante das mudanças pessoais.

Então, o apocalipse não é aquele que vai chegar, aquele que vai anteceder o fim dos tempos, mas o componente que toca os que estão precisando dele dentro dos aspectos difíceis. Simboliza a chegada de chuva de grandes dificuldades para todos os que rejeitarem as oportunidades de progresso. Repare para você ver, no momento que passa nós estamos vivendo o clímax em que o apocalipse praticamente se expressa para todos nós, aos nossos olhos.

O nosso mundo é um apocalipse vivido muitas vezes com silêncio em nosso coração. E quer saber onde ele mais se expressa? A resposta é relativamente fácil. Muitas de suas revelações acontecem nos dias de hoje dentro das casas a partir de intermediários que refletem a necessidade de alguém, especialmente mediante a instauração de problemas além do previsto pelo contingente familiar.

O apocalipse está precipitando hoje acontecimentos por estar na determinação não dos homens, mas superior dos que gerenciam a nossa evolução de que a Terra está entrando em um terreno novo de regeneração. Sendo assim, vamos entender que ele apresenta dois ângulos no qual funciona, ou melhor, apresenta dois destinatários específicos. Ou nós estamos dentro dele como cooperadores do pensamento divino na área operacional, ou somos os grandes elementos dessa história toda no envolvimento dele no plano cármico, no que reporta o campo do sofrimento e da dor. Conseguiu captar? Exemplificando de forma simplória, ou nós somos os enfermeiros que vamos auxiliar ou somos os combalidos debaixo da angústia, do sofrimento e da dor. 

Em se tratando desse segundo grupo, o apocalipse representa o efeito de causas infelizes semeadas. Não se refere unicamente ao espírito recalcitrante no erro, como também alcança aqueles acomodados em ângulo de uma ética acanhada.

O outro grupo é dos cooperadores do pensamento divino. O lado onde a maioria de nós se encontra. Sem nenhum medo de errar o destinatário do conteúdo das cartas às igrejas do apocalipse somos nós. Pois ele é uma mensagem aos que já estão visitados pela informação quanto às realidades novas da vida. Diz respeito àquelas individualidades que já foram visitadas pela informação, que tem conhecimento teórico e se encontram às voltas com a capacidade fixadora desses padrões a nível prático. Não há apocalipse para quem está na jornada natural da vida, não tem revelação para quem já está debaixo dos seus efeitos. Está definido que grande parte das suas profecias está direcionada àquele agrupamento que já tem conhecimento maior ou menor dos fatos.

Não vamos ter o apocalipse como um conjunto ameaçador, nuvens pesadas a se derramarem sob a cabeça das criaturas humanas. Precisamos dilatar a capacidade compreensiva e ampliarmos essa ideia anterior fechada de constrangimento apocalíptico de massacre e eliminação, em que o criador fica lá de cima das esferas gerenciando o sofrimento e a mortandade aqui no planeta.

Para início de conversa, ainda que toda a soma de valores presentes na sua revelação acontecesse, que todos os acontecimentos negativos desabassem sob as criaturas necessitadas de suas experiências, o espírito, dentro da sua imortalidade, continuaria a sequenciar a sua evolução. Percebeu? Porque em momento algum da existência o mecanismo evolutivo vai ter cerceadas as suas manifestações.

Sabe por quê? Porque a morte, no seu sentido finalístico de que morreu acabou, não existe. A própria morte, na acepção que conhecemos (desencarnação), é vida para o outro lado. O apocalipse vem definindo para nós, então, que o esquema está montado, que as nuvens estão formadas se visualizado apenas sob o ângulo da sementeira. Entretanto, o amparo superior está em toda a parte e nós vivemos debaixo do império da lei suprema do amor.

De cima para baixo, o apocalipse é visto como esse fantasma assustador que nos faz sofrer. Só que não existe uma reação negativa das leis que nos regem. Pode ter certeza disto. Elas não têm um sentido puramente negativo, ainda que machuquem e façam a criatura sofrer. As próprias reações da lei não tem um sentido único de dizer bastar ou mostrar ao universo a nossa pequenez.

A grande verdade é que o apocalipse não quer ver ninguém derribado. Está certo que ele define o efeito de causas infelizes, no entanto, e, principalmente, analisando dentro dos acontecimentos, é a oportunidade de uma caminhada com consciência e equilíbrio. Observado de lá para cá o apocalipse é uma instrumentalidade não muito gostosa, claro, aliás, de gosto ruim, péssimo, bem desconfortável, amargo, mas que tem um elevado cunho didático para nos levar ao equilíbrio.

É só pensar com clareza. As reações da lei trazem um ensinamento valioso para que descubramos o processo e também nos ajustemos a um caminho novo.

Trazem um componentezinho para ser analisado chamado recuperação, recomposição. O apocalipse, em tese, para todos os efeitos é alguma coisa que cerceia, só que dentro desse cerceamento e da aplicação da lei existe uma alta dose de investimento. Ele não vem só cobrar, vem também projetar a criatura para um piso diferente.

Como a proposta da misericórdia divina não é liquidar, machucar ou punir, e sim fazer o ser avançar, de cima para baixo existe o investimento em uma oportunidade, dentro do processo de quitação e reajuste, no sentido de que a gente aprenda e seja realmente feliz. É por isso que o apocalipse vem e pega mesmo se for preciso, se não tiver jeito, todavia, é preciso ficar claro que ele só vai pegar se não tiver jeito nenhum, porque antes dele oportunidades surgem.

Aí você pensa assim: “Tudo bem, Marco Antônio, entendi, mas vai dizer isso para quem está sofrendo debaixo dos seus impactos!? Vai explicar isso para quem está marcado de tantas lágrimas inquietantes!?” Olha, preste atenção, o apocalipse não é aquele assunto que está para chegar e eu vou consultar o calendário agora porque quando ele vir vai acabar com todo o mundo. Decididamente, não! Vamos começar corrigindo essa ideia. Ele é aquele componente dentro do contexto de erguimento e encaminhamento dos seres que toca os que estão precisando dele no plano experimental dos acontecimentos menos felizes. Disso não tem dúvida. Só que ele também está nos mostrando alguma coisa.

Afinal de contas, nós estamos estudando aqui junto de quem já tem uma visão mais abrangente, mais clarificada. Tanto que quem ainda está vivendo na chamada “vida boa”, descansando, só curtindo os momentos, cultivando as sensações, se falar com ele em apocalipse ele muda o assunto na hora, e ainda sai rindo e debochando. Porque isso é algo que não interessa ao terreno dele. O apocalipse está presente no final de todos os livros da bíblia. Será por quê? À toa? Simples acaso? Não, à toa não é, não acontece desse jeito. Colocado no final ele circunstancialmente vem trabalhando muito sutilmente, muito figuradamente, e em mensagem velada, pelas linhas intuitivas que a espiritualidade maior aproveita, como se dissesse que tudo está na frente da bíblia.

A decisão, se vai ou não vai, se segue o roteiro anterior dentro do programa ascensional, é de cada um. O que precisa ser entendido é que ele não é apenas um processo convocando a gente a mudar. Ele também direciona aquele que já tem dentro de si a noção de mudança, traz, em todo o conteúdo do seu relato, as condições de mudança, projeta a criatura para um piso novo. Corrige e também reeduca, a individualidade sai de dentro dele melhor que entrou, com parâmetros alterados, melhorados, novos conceitos, mais aberta, mais feliz.

O apocalipse é uma manifestação clara e nítida, é a resposta que a espiritualidade tem que usar ou deixar acontecer quando a nossa consciência não deu conta do recado. É a chegada de uma chuva de dificuldades, dores e sofrimentos para todos que rejeitaram a chance que está chegando para todos, indistintamente.

O que estou falando aqui não é tanta novidade quanto parece. E o grande segredo é o seguinte, a questão não é abrir o guarda-chuva porque a tempestade vai desabar, a tempestade vem chegando. O desafio é saber se conseguimos vencer a nós mesmos para não ter que despencar chuva nenhuma.

Porque os fatos relacionados como sendo ameaças apocalípticas só surgirão no caminho se descuidarmos, se não ficarmos atentos com aquilo que a consciência grita dentro de nós. Não estamos estudando o apocalipse para nos posicionarmos dentro dele. Pelo contrário, nós estamos é tentando escapar dele.

Em razão disso é possível conseguir resumir com muita tranquilidade: vamos fazer algo positivo que estiver ao nosso alcance antes que o apocalipse bata à porta.

3 de out de 2012

Cap 28 - Olhos de Ver e Ouvidos de Ouvir - Parte 3


AS TROMBETAS E O APOCALIPSE I

“EIS QUE ESTOU À PORTA, E BATO; SE ALGUÉM OUVIR A MINHA VOZ, E ABRIR A PORTA, ENTRAREI EM SUA CASA, E COM ELE CEAREI, E ELE COMIGO.” APOCALIPSE 3:20

“REVELAÇÃO DE JESUS CRISTO, A QUAL DEUS LHE DEU, PARA MOSTRAR AOS SEUS SERVOS AS COISAS QUE BREVEMENTE DEVEM ACONTECER; E PELO SEU ANJO AS ENVIOU, E AS NOTIFICOU A JOÃO SEU SERVO;” APOCALIPSE 1:1

As trombetas representam aquele sonido, aquele som que toca praticamente o nosso campo ao nível da acústica. Por ela a voz que foi anteriormente desconsiderada é ouvida. Ela é transmitida de maneira ampliada. O batimento deixa de ser sutil para ocorrer de maneira retumbante, imperiosa. A violência levada a efeito no despertar se faz em razão ao nível da resistência. Fazer o quê?

Para acordar muitos companheiros preferem o canto matinal dos pássaros nas árvores enquanto outros precisam de algo mais imperativo, do estrondar de bombas. E quando acordam, porque costumam não acordar fácil e irão demorar. 

A trombeta não chega por acaso, ela tem uma finalidade. Normalmente ela traz um convite, é uma convocação. Ela prenuncia, mas também propõe. Não pode ser ignorada, pois existem recados sutis nas trombetas. Portanto, meu amigo, minha amiga, embora soe de forma esquisita vamos nos alegrar no sofrimento, porque nele Deus está presente com a luz sublime dos seus ensinos.

Na tempestade a voz divina se manifesta de forma mais gloriosa. Pela audição nós conseguimos deduzir acerca daqueles ruídos, daqueles acontecimentos mais contundentes, de forma a podermos tomar as posições necessárias ao melhor encaminhamento. Pela audição podemos prenunciar acontecimentos agradáveis ou desagradáveis, levantar dificuldades e até mesmo armarmos estratégias e técnicas eficazes para levarmos avante a nossa posição diante da própria vida.

O recado que deve ficar, da maior validade, é que em nossa trajetória de aprendizado não devemos fechar circuito. Procedimento assim só nos traz dissabores.

Enquanto estivermos lidando com as coisas de cabeça fechada em cima de um elemento apenas, de uma ideia fixa, sem aberturas, é bem possível que a gente vá percorrer longo tempo de modo frustrado, envolto em uma grande desilusão.

Quando não pudermos ver para além vamos precisar nos ajustar à capacidade de ouvir. Só que infelizmente somos teimosos e até mesmo inconsequentes. Tamponamos a nossa capacidade auditiva e preferimos ir com a cabeça na parede. Quanta teimosia! Quem não consegue ver tem que se limitar a ouvir. Perdemos a faculdade de ver exatamente para aprendermos a ouvir, uma vez que a acústica é maior do que a visão. Ela revela coisas que nem sempre os olhos são capazes de perceber, afinal nós mencionamos que a audição alcança a todos.

O apocalipse, do grego, significa revelação. Traz em sua redação aquelas revelações apropriadas por João evangelista na ilha de Patmos dentro de uma profunda expressão mediúnica. Esse último livro do novo testamento vem sendo compreendido pela grande massa, especialmente por todos aqueles vinculados às faixas religiosas, como sendo o repositório de fatos que trazem na sua expressão aquele estigma pesado de sofrimentos, de calamidades e de dores.

Agora, é interessante notar que a sementeira já havia sido feita por Jesus e os seus primeiros apóstolos e praticamente era preciso que essa mensagem, que esses padrões novos que Jesus havia trazido por meio da didática viva do seu exemplo, fossem implementados para todo o contexto social. O apocalipse, como no velho testamento, é praticamente uma reciclagem com vistas a novos pisos, novas engrenagens da vida.

Visto como o último livro do novo testamento, contém revelações terrificantes acerca dos destinos da humanidade. Aliás, a expressão apocalipse significa revelação, trata-se de revelação de Jesus Cristo (“Revelação de Jesus Cristo, a qual Deus lhe deu, para mostrar aos seus servos as coisas que brevemente devem acontecer; e pelo seu anjo as enviou, e as notificou a João seu servo.” Apocalipse 1:1) Então, quem revela é o próprio Cristo. O evangelista, no caso o revelador, é um instrumento no encadeamento das informações. E como revelação é acesso, vem para revelar uma nova personalidade, um novo sentido de vida. O apocalipse traz as revelações recebidas pelo evangelista João. No final de todos os livros da bíblia nos indica que tudo está na frente. Percebeu? A sementeira fora feita antes por Jesus e pelos seus apóstolos, e quem não aprender o caminho pelo amor irá precisar desses acontecimentos para encontrá-lo.

Não se trata apenas de um registro de acontecimentos aos quais todos temos que nos curvar de forma subserviente. É, acima de tudo, um chamamento à nossa reflexão, a uma consciência do mecanismo da própria existência, a um processo dinâmico de crescimento e libertação. Longe de ser somente uma ameaça de destruição, está endereçado para a nossa capacidade de afirmação pessoal. 

Está falando de maneira velada à nossa intimidade, e não com toda a ostensividade que a gente está achando que tem que ocorrer. Não é tanto assim. É direcionado a todos que visualizam a mudança, àqueles que já elegeram um padrão novo de vida, pois em certo momento nos despertamos para a vida. O apocalipse sugere a cada um de nós a aceitação do trabalho que nos é competente. A bem da verdade, é uma proposta de trabalho, um chamamento para fazermos aquilo que sabemos, no entanto, não fazemos ainda. Propõe todo ele a área operacional, a identificação e aplicação de valores para além.

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