10 de out de 2012

Cap 28 - Olhos de Ver e Ouvidos de Ouvir - Parte 5


SABER VER

“EIS QUE VEM COM AS NUVENS, E TODO O OLHO O VERÁ, ATÉ OS MESMOS QUE O TRASPASSARAM; E TODAS AS TRIBOS DA TERRA SE LAMENTARÃO SOBRE ELE. SIM. AMÉM”. APOCALIPSE 1:7

“16POR ISSO NÃO DESFALECEMOS; MAS, AINDA QUE O NOSSO HOMEM EXTERIOR SE CORROMPA, O INTERIOR, CONTUDO, SE RENOVA A CADA DIA. 17PORQUE A NOSSA LEVE E MOMENTÂNEA TRIBULAÇÃO PRODUZ PARA NÓS UM PESO ETERNO DE GLÓRIA MUI EXCELENTE; 18NÃO ATENTANDO NÓS NAS COISAS QUE SE VÊEM, MAS NAS QUE NÃO VÊEM; PORQUE AS QUE SE VÊEM SÃO TEMPORAIS, E AS QUE SE NÃO VÊEM SÃO ETERNAS”. CORÍNTIOS II 4:16-18

Os olhos são a luz do corpo. É por meio deles que o homem se orienta e se guia, não só em seus passos como no juízo que faz das coisas. Olhos bons propiciam passos acertados e juízos retos, ao passo que do contrário tem-se passos dúbios e análises falhas. Agora, quando falamos em olhos, dentro do contexto espiritual, é claro que não estamos nos referindo aos olhos físicos. Referimos à visão não no sentido físico, como simples capacidade de observação ao nível dos sentidos, mas aponta que os olhos em sua essencialidade trabalham para além desse contato objetivo e físico. Ver é conhecer ou perceber pela visão, alcançar com a vista, enxergar, distinguir, avistar, saber, conhecer.

Diz a sagrada escritura que “todo o olho verá, até os mesmos que o traspassaram”. (Apocalipse 1:7) De fato, essa faculdade de ver vai atingir a todos, não ficará praticamente ninguém de fora. É certo que o tempo tem que ser respeitado, porém, de uma forma ou de outra todos nós vamos entender, vamos ver.

O chamamento não individualiza, é para todos. Até aqueles que machucaram Jesus, que o feriram, que o traspassaram, que tentaram resistir e rechaçar os componentes detonadores de uma nova era também se encontram nessa ótica.

Em outras palavras, não há discriminação de nenhuma natureza. Até aqueles ainda endurecidos no amor, que permanecem envoltos em um sentido acentuadamente egoístico e monopolizador dos seus pontos de vista, cedo ou tarde verão.

É bom lembrarmos que determinadas criaturas que vem trabalhando a nosso favor nos dias atuais tiveram seus momentos de nebulosidade em época anterior, tiveram lá atrás que passar por um processo de enceguecimento. Muitos deles. Quantos, inclusive, tiveram que perder a visão em algum período, como o próprio Paulo, e que estão hoje tentando nos fazer enxergar. O que define para nós que às vezes a individualidade tem que se tornar relativamente opaca na sua observação para poder nos ensinar como é que enxerga.

E ocasionalmente ficamos tão ansiosos por ver que tamponamos a linha auditiva. Não escutamos nada, nem ninguém, e preferimos ir com a cabeça na parede. Pura teimosia. E o que aprendemos disso? Que perdemos a faculdade de ver para aprendermos a ouvir, que a acústica é maior do que a visão e costuma revelar coisas que os nossos olhos nem sempre são capazes de perceber.

Estamos repetindo isso para frisar que muitas vezes um campo mental de certo modo reduzido, restrito, é para que a criatura administre a capacidade de operar a onda mental com equilíbrio. Cada pessoa tem uma ótica perceptiva, e se eu noto que a minha manifestação perceptiva está sendo negativa é bom eu estudar, é bom eu reformular meus padrões. Cada um tem a sua forma analítica.

É preciso educar a visão. Não tem como encontrarmos no mundo uma perfeição completa. Aliás, podemos dizer mais, ou nós melhoramos a nossa ótica ou vamos continuar trabalhando perifericamente o nosso plano de crescimento. Se quisermos viver bem temos que educar a visão. E educar a visão não é ser bonzinho, apenas ver o lado positivo de tudo, levar pancada das pessoas e dizer amém. É ver, analisar, tirar conclusões, cooperar e ser  vigilante.

A visão, sob o aspecto da compreensão, nos abre uma perspectiva nova, objetiva nova etapa, um período novo. Então, não basta apenas ver, é preciso saber ver. A gente só se revolta contra aquilo que não conhece, que não compreende e ver representa percepção e aprofundamento das causas. Não dá para negligenciar, atrás de cada acontecimento vigora uma mensagem e existe sempre uma causa preponderando ao efeito. Mais feliz nos sentimos quando entramos no terreno das causas.

É por isso que é imprescindível ter paciência com as dificuldades e as provas, independente do quão duras sejam, pois tudo o que detectamos pela visão é transitório.

Nas curas de Jesus presentes no evangelho, especialmente as que se referem aos cegos, temos a presença de peculiaridades. Mostram-nos de forma clara que o mestre não apenas retornava-lhes a visão, não apenas recuperava a visão para que vissem, mas implicavam também no como ver. Ele não apenas recompunha a visão de quem não enxergava, como também propiciava dar a cada recebedor um quadro novo de uma capacidade de ver. Isto é muito lindo. Jesus não visava apenas tirar a dor física dos enfermos concedendo-lhes alívio momentâneo, mas conscientizá-los a trabalhar as causas como forma de extirpar verdadeiramente as suas doenças. Ele se preocupou, acima de tudo, em proporcionar a cada alma necessitada uma visão mais ampla da vida, e em aquinhoar cada espírito no caminho evolutivo com eficientes recursos de renovação e transformação para que tivessem êxito no bem diante da estrada para Deus.

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