16 de out de 2012

Cap 28 - Olhos de Ver e Ouvidos de Ouvir - Parte 6


VISÃO PROFUNDA

O ver é a função do olho e representa um campo perceptivo. De forma geral, os homens possuem da matéria a conceituação possível de ser fornecida pela mente, compreendendo-se que o aspecto real do mundo não é aquele que os olhos mortais podem abranger, uma vez que as percepções humanas estão condicionadas ao plano sensorial e não conseguem ultrapassar o domínio de determinadas vibrações.

Isto é interessante. Mergulhadas nas vibrações pesadas dos círculos da carne as criaturas tem notícias muito imperfeitas do universo em razão da limitação dos seus cinco sentidos. É por isso que o homem terá sempre um limite nas suas observações acerca da matéria, não só pela deficiência de percepção sensorial, como também pela estrutura do olho, onde a sabedoria divina delimitou as possibilidades humanas de análise, de modo a valorizar os esforços e as iniciativas.

O campo da alma exige o desenvolvimento das faculdades espirituais para tornar-se perceptivo e é imprescindível habituar a visão na procura do melhor. Olho básico de profundidade é o do campo mental e entender é a abertura da visão profunda para além da visão comum. O evangelho em algumas situações cita a expressão “olhos como chama de fogo”, que define aqueles olhos de profundidade relativamente à vida. A expressão dois olhos define a visão profunda do diencéfalo e os componentes interativos do nosso dia a dia que é a visão normal, e entender lida com a essa visão profunda, que é a epífise, sede da mente, que mexe com a nossa essencialidade profunda. Nossos próprios sentidos são componentes sob a direção direta do campo mental, que é o centro coronário, onde está a visão profunda do diencéfalo, e tudo isso trabalha de forma globalizada. Assim, ver muitos veem, todavia não enxergam.

Para resumir é possível dizer que o olho capaz de ver, transcendentemente, é aquele que vê e vê mesmo, de verdade, bem para além da visão objetiva e lógica.

Quando se fala que nós temos um olho profundo no diencéfalo, que é a terceira visão, vinculado ao centro coronário, conectado com a epífise, isso nos mostra que a questão não se resume só em ver, é preciso saber ver. Perfeito? A capacidade de ver não apenas opera na visualização, no levantamento de dados, a visão efetiva detecta e sabe para que e porque detectou. Então, vamos repetir, não basta apenas ver, é preciso saber ver. Ver o mundo está cheio.

Por exemplo, nós estamos vendo a nossa salvação através de longo tempo, muito tempo mesmo. Se dependesse apenas da nossa visão nós já teríamos resolvido nosso problema evolucional, não é mesmo? Todos nós, sem exceção. E porque não resolvemos? Porque não temos sabido ver. O ver ganha na amplitude. E todos nós temos defeito. Agora, tem gente que tem uma facilidade enorme em apurar os defeitos dos outros. É necessário que a gente saiba decifrar os códigos que a vida nos endereça, saiba entender os porquês das coisas.

Saber compreender coisas como porque uma criatura se mantém do seu lado com tanto carinho, lhe tratando com tanta boa vontade, tanta amizade, ao passo que determinada individualidade complicada se mantém próxima de outra pessoa por tanto tempo. Tudo tem um por que. Análise é necessária no sentido de entender o porquê disto. Precisamos ter essa ótica. Entender a lição.

A visão, um dos últimos, senão o último sentido que conquistamos, faz um papel de percepção e também de detonador de novas linhas de ação. E sabe o que concluímos? Que o primeiro fator que realmente nos importa quando passamos a ver é o aspecto da aplicabilidade. Acabamos de dizer que a faculdade de ver representa não apenas detectar, e quem sabe ver detecta, sabe para quê e porque vê. É da lei que não devemos ver senão o que possamos observar com proveito e cada um de nós deve ter a possibilidade de ver somente aquilo que proporcione proveito legítimo, pois não fomos criados para ver dentro de um plano de entretenimento. Para poder ver além daquele ponto que nos é delimitado temos que saber investir naquilo que fomos capazes de ver.

Em um sentido absolutamente cristão compreender é palavra de ordem para quem quer a elevação, e quanto a isto não se discute. Compreensão é nada mais do que o fulcro geratriz do amor e da misericórdia. Componente inarredável do crescimento, é plano fundamental do amor. Aliás, pode-se dizer que o amor legítimo fecunda-se na compreensão. Por isso, se existe um pouco de cristianismo em nossa consciência o cultivo sistemático da compreensão e da bondade tem que ter força de lei em nossos destinos, razão pela qual em todo momento temos que nos encontrar com a válvula da compreensão em disponibilidade.

É impossível amar sem compreender. Não dá. É muito difícil o exercício da caridade fundamentada amplamente no amor sem um alto grau de compreensão.

Enquanto não compreendermos não conseguiremos penetrar o território do amor.

Compreender é alcançar com a inteligência, é entender, perceber, alcançar as intenções ou o sentido de, é entender aceitando como é, é dar-se conta de, é ver. Compreender é ver não só o que estamos enxergando. A compreensão pede amadurecimento de raciocínio nos refolhos da alma e quando começamos a conhecer a realidade da própria vida abrem-se novos patamares de visualizações e subtraem-se os desencantos. Mas se a compreensão é força geratriz do amor e da misericórdia, para compreender de verdade tem que conhecer.

O Cristo de Deus aqui veio. A um mundo turvo onde imperava a escuridão em seus caracteres mais amplos. O evangelho aponta com tranquilidade que as trevas simplesmente não o compreenderam, não compreenderam a luz. E não compreenderam porque para que pudessem compreendê-la preciso fora que se iluminassem. Ora, porque estamos dizendo isto? Porque estamos marchando para Deus, cada um de nós, e nessa marcha os caminhos não são os mesmos para todos.

Neste planeta em que estamos ajustados e entrelaçados uns aos outros não existem aqueles que estão salvos de um lado e os condenados de outro. Não tem isso. O que existem são pisos evolucionais. Basta lembrar que as mentes vibram em patamares condizentes ao grau de evolução em que se ajustam, patamares consonantes com o grau de evolução que estão conquistando. Para amar e conseguir exercer a caridade, em sua expressão legítima, você tem que ter uma alta dose de compreensão do patamar em que o auxiliado está vivendo.

Convocado a discutir, Jesus imolou-se. Não reclamou compreensão e entendeu a nossa loucura, localizou-nos a cegueira e amparou-nos ainda mais. Ele não ignorava o que existia no homem, no entanto, nunca se deixou impressionar negativamente.

Muitos dos entes mais amados na Terra, embora ocupando nosso coração, ainda não podem entender as conquistas santificadas do céu. E em plano de contrastes chocantes como o nosso não será possível agradar todos simultaneamente.

Mas não condenemos o próximo porque nele observemos a inferioridade e a imperfeição. Com serenidade devemos analisar cada acontecimento e cada pessoa no lugar e na posição que lhes dizem respeito. Se não podemos agradar a todos, também não podemos nutrir nenhuma proposta desagradável aos outros.

Existe uma diferença entre aprovar a postura do semelhante e compreender o semelhante. Nós não temos que aprovar as distonias de vida que as criaturas levam, mas temos que ter uma tranquilidade para compreender o nível evolucional delas.

Ninguém perderá exercendo o respeito que devemos a todos as criaturas e a todas as coisas. Logo, aprovar nem sempre, mas compreender sempre. Se eu descaracterizar e desrespeitar o piso do meu semelhante eu estarei apagando a minha luz e a luz foi feita para dissipar a treva, a função da luz é iluminar, não brigar com a treva.

Se nós não compreendermos a treva a nossa luz nunca será luz, ela será um foco intimidador. A conclusão é que a gente tem tentado em nossa vida prática desativar a preocupação nossa e saber compreender, e quando compreendemos o piso diferenciado passamos a ter paciência junto às pessoas.

Até mesmo no processo educativo nós ganhamos autoridade em determinar limites a outrem quando nós compreendemos. Enquanto não compreendermos nós vamos colocar limite unicamente para resguardar o nosso interesse pessoal e não para ajudar o semelhante que está exorbitando da sua órbita. Quando Jesus passou por todo o processo de resistência do mundo ele quis nos ensinar algo no final, que ele viveu isso tudo por amor a nós, ao passo que nós vamos viver em respaldo ao destino. Só podemos compreender determinadas questões quando encontramo-nos em condições vibratórias necessárias para as assimilarmos.

E mais uma coisa importante, através da compreensão é imperioso evitarmos agravar os problemas do próximo que amanhã podem vir a tornarem-se nossos.

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