25 de out de 2012

Cap 28 - Olhos de Ver e Ouvidos de Ouvir - Parte 8 (Final)


TENS VISTO, SÃO E DEVEM ACONTECER

“ESCREVE AS COISAS QUE TENS VISTO, E AS QUE SÃO, E AS QUE DEPOIS DESTAS HÃO DE ACONTECER;” APOCALIPSE 1:19

“DEPOIS DESTAS COISAS, OLHEI, E EIS QUE ESTAVA UMA PORTA ABERTA NO CÉU; E A PRIMEIRA VOZ QUE, COMO DE TROMBETA, OUVIRA FALAR COMIGO, DISSE: SOBE AQUI, E MOSTRAR-TE-EI AS COISAS QUE DEPOIS DESTAS DEVEM ACONTECER.” APOCALIPSE 4:1

“Escreve as coisas que tens visto, e as que são, e as que depois destas hão de acontecer”. (Apocalipse 1:19) O versículo referenciado aponta para um encadeamento. Não é aleatório, existe uma linha de raciocínio. Define as coisas que a gente vê e as coisas que efetivamente são. Interessante.

O que quer dizer? Mostra com tranquilidade que primeiramente a criatura visualiza algo com o seu próprio grau perceptivo. Porque nós temos uma facilidade de decodificar o nosso plano de observação, aquilo que visualizamos, conforme a nossa conceituação. Na moldura dos nossos próprios reflexos, dos nossos interesses. Repare que é muito comum nós olharmos consoante o que temos dentro da gente, a nossa análise é feita conforme os padrões que nós temos.

As facetas de um mesmo acontecimento assumem proporções diversas conforme a natureza dos olhos espirituais que as observam. O ponto de vista é simplesmente a vista de um ponto. Um ponto determinado serve de referência a muitas pessoas em ângulos diferentes. Uma mesma figura detona inúmeras condições na intimidade do paciente que as observa. Na realização de um teste psicológico, por exemplo, vamos notar que um mesmo elemento, um mesmo painel apresentado, em uma mesma linha de referência, propicia várias interpretações, porque cada um dá o dimensionamento compatível com o que se soma na própria intimidade. 

Os olhos, instrumentos de identificação, transmitem uma linha de percepção. Sem dúvida, cada qual vê segundo o grau evolucional que já atingiu. Cada espírito observa o caminho ou o caminheiro segundo a visão clara ou escura de que dispõe. 

A evolução é uma escada infinita e cada individualidade abrange a paisagem de acordo com o degrau em que se coloca. Porque reclamar das coisas? A deficiência de visão, no seu sentido espiritual, é referência à nossa visão íntima, à nossa ótica relativa ao mundo, onde vemos muita coisa fora da sua linha básica, fora do foco.

O que concluímos disso é que o ato de ver pode não ser aquilo que efetivamente é. Se cada um de nós está vendo, o importante é que essa visão seja sempre, e cada vez mais, o reflexo da realidade. É preciso um trabalho informativo ampliado para que a nossa visão seja cada vez mais autêntica e segura.

Uma visão que não seja uma visão apenas dimensionada na nossa ótica pessoal, mas que aprendamos a ver para além da nossa capacidade personalística.

Não raras vezes chegamos a um estado de saturação em que percebemos que o que estamos enxergando não é o que estamos querendo ou não nos está atendendo plenamente. Assim, vamos concluir que a visão tem também um sentido de definição do que realmente propomos na vida. Se, por um lado, vemos segundo a nossa ótica, por outro quem quer crescer conscientemente tem que saber ver para além dos seus parâmetros. E além de ver para além saber detalhar essa visão no discernimento, que é sublimação da capacidade de ver.

Os olhos também definem pontos com os quais nós trabalhamos no plano de observação com vistas à seleção daquilo que podemos implementar. Igualmente representam facetas da nossa intimidade que costumam enxergar ângulos sob um aspecto acentuadamente automático e condicionado da personalidade. Está dando para acompanhar? Existem olhos de tudo quanto é jeito. Nós temos valores incrustados em nossa intimidade que às vezes nem mesmo admitimos que existem. Quem conhece um pouco da expressão corporal, da linguagem corporal, sabe perfeitamente que um olhar, ou uma postura, transmitem coisas. Inclusive pode notar que uma criatura sob observação pode estar agindo com um determinado padrão do qual às vezes nem o observado tem plena consciência que tem, mas é que é automático dele.

Tem algo que é interessante, aparentemente o ver é a mesma coisa que olhar. É quase igual. Mas aparentemente, porque em uma análise profunda existe distinção. Ver é aquele procedimento automático, apresenta um sentido de constância, ao passo que olhar já denota uma proposta de interesse. Podemos resumir dizendo que olhar é um ver dirigido, define interesse. É muito comum alguém ver uma pessoa, mas não ver o seu semblante. O ver, para que ele possa ter aquela capacidade efetiva, precisa estar acompanhado do caráter de olhar.

O tempo passa, cada dia mais rápido por sinal, e quando começamos a enxergar a realidade da vida o nosso sofrimento quase que desaparece por completo.

Porque vamos aprendendo e entendendo que ao lado da constatação das nossas falhas existe aquela alta dose de confiabilidade no criador com as suas leis sublimes, das quais, independente da lei de causa e efeito, fala a voz da misericórdia.

Não é algo reconfortante? É pela misericórdia que fala a grandeza de um criador que ama seus filhos, e à medida que vamos entendendo isso vamos desativando as preocupações. Por esta razão vamos aprimorar nossa visão, saber extrair de um fato, de uma situação, de uma realidade o que houver de melhor.

“Escreve as coisas que tens visto, e as que são, e as que depois destas hão de acontecer”. (Apocalipse 1:19) ou “sobe aqui, e mostrar-te-ei as coisas que depois destas devem acontecer”. (Apocalipse 4:1) Bem interessante essas expressões “hão de acontecer” e “devem acontecer”. Os verbos nestes casos não dão um sentido muito fechado, definido. Fica uma coisa meio flutuante, relativa, indefinida, não temos nada concreto para ser preciso. Não quer dizer que acontecerá. É como se, apesar de toda uma linha programada, diante das causas já semeadas, novos fatos poderão surgir, poderão alterar efeitos. E fatos surgirão.

Se a cada momento estamos alterando o destino pela mudança de nossas ações, nada mais natural para nós, estudiosos do evangelho, depreendermos que alguns fatos programados para acontecerem de uma forma podem ser transformados ou transferidos para processo diferente de manifestação. Vale ressaltar que o que vai acontecer mesmo, de maneira fechada, é cumprimento da lei.

O versículo aponta um encadeamento: que vê, que são e que hão de vir. Ou seja, primeiro a criatura visualiza com o grau perceptivo dela. Sem contar que nosso grau de observação e percepção é muito mais abrangente do que o nível e grau de conquista ou acontecimento. Pode ser que estejamos hoje conseguindo alcançar em nossa luta reeducacional padrões que vimos lá atrás numa retaguarda remota.

Muitas coisas podem ser vistas e não acontecem, outras, por sua vez, não acontecem porque já são, isto é, já aconteceram. E outras que hão de acontecer no futuro. 

As que depois destas hão de acontecer refere-se ao processo de projeção no tempo e no espaço, delineadas com base no que já foi lançado no terreno do tempo. Pois a vida devolve a seus legítimos semeadores ou plantadores as respostas quanto o que fizeram em épocas anteriores, dentro da amplitude da causa e efeito. Essas estão acontecendo dentro do processo, mas outras vimos e não aconteceram ainda. No reverso, por nossa ótica acanhada, podemos encontrar também coisas que achamos que vimos e presenciamos e que nunca vão acontecer. Nossa mente também cria coisas que inexistem, vinculam ao nível de imagens e fantasias sem nenhuma fundamentação. Quantas vezes laboramos determinado fato que não acontece em tempo algum!?

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