6 de out de 2012

Cap 28 - Olhos de Ver e Ouvidos de Ouvir - Parte 4


O APOCALIPSE II

O apocalipse vamos compreendê-lo como prevendo-nos acontecimentos menos felizes em razão das bases lançadas no tempo, e que estruturalmente acabam por formar nuvens pesadas que irão derramar hoje ou amanhã.

Constitui proposta em que os componentes nele referenciados serão levados a efeito nos terrenos dos testemunhos, dos sofrimentos e das lutas no âmbito exterior, praticamente definindo as necessidades íntimas resultantes da indiferença e resistência e de todo processo negativo diante das mudanças pessoais.

Então, o apocalipse não é aquele que vai chegar, aquele que vai anteceder o fim dos tempos, mas o componente que toca os que estão precisando dele dentro dos aspectos difíceis. Simboliza a chegada de chuva de grandes dificuldades para todos os que rejeitarem as oportunidades de progresso. Repare para você ver, no momento que passa nós estamos vivendo o clímax em que o apocalipse praticamente se expressa para todos nós, aos nossos olhos.

O nosso mundo é um apocalipse vivido muitas vezes com silêncio em nosso coração. E quer saber onde ele mais se expressa? A resposta é relativamente fácil. Muitas de suas revelações acontecem nos dias de hoje dentro das casas a partir de intermediários que refletem a necessidade de alguém, especialmente mediante a instauração de problemas além do previsto pelo contingente familiar.

O apocalipse está precipitando hoje acontecimentos por estar na determinação não dos homens, mas superior dos que gerenciam a nossa evolução de que a Terra está entrando em um terreno novo de regeneração. Sendo assim, vamos entender que ele apresenta dois ângulos no qual funciona, ou melhor, apresenta dois destinatários específicos. Ou nós estamos dentro dele como cooperadores do pensamento divino na área operacional, ou somos os grandes elementos dessa história toda no envolvimento dele no plano cármico, no que reporta o campo do sofrimento e da dor. Conseguiu captar? Exemplificando de forma simplória, ou nós somos os enfermeiros que vamos auxiliar ou somos os combalidos debaixo da angústia, do sofrimento e da dor. 

Em se tratando desse segundo grupo, o apocalipse representa o efeito de causas infelizes semeadas. Não se refere unicamente ao espírito recalcitrante no erro, como também alcança aqueles acomodados em ângulo de uma ética acanhada.

O outro grupo é dos cooperadores do pensamento divino. O lado onde a maioria de nós se encontra. Sem nenhum medo de errar o destinatário do conteúdo das cartas às igrejas do apocalipse somos nós. Pois ele é uma mensagem aos que já estão visitados pela informação quanto às realidades novas da vida. Diz respeito àquelas individualidades que já foram visitadas pela informação, que tem conhecimento teórico e se encontram às voltas com a capacidade fixadora desses padrões a nível prático. Não há apocalipse para quem está na jornada natural da vida, não tem revelação para quem já está debaixo dos seus efeitos. Está definido que grande parte das suas profecias está direcionada àquele agrupamento que já tem conhecimento maior ou menor dos fatos.

Não vamos ter o apocalipse como um conjunto ameaçador, nuvens pesadas a se derramarem sob a cabeça das criaturas humanas. Precisamos dilatar a capacidade compreensiva e ampliarmos essa ideia anterior fechada de constrangimento apocalíptico de massacre e eliminação, em que o criador fica lá de cima das esferas gerenciando o sofrimento e a mortandade aqui no planeta.

Para início de conversa, ainda que toda a soma de valores presentes na sua revelação acontecesse, que todos os acontecimentos negativos desabassem sob as criaturas necessitadas de suas experiências, o espírito, dentro da sua imortalidade, continuaria a sequenciar a sua evolução. Percebeu? Porque em momento algum da existência o mecanismo evolutivo vai ter cerceadas as suas manifestações.

Sabe por quê? Porque a morte, no seu sentido finalístico de que morreu acabou, não existe. A própria morte, na acepção que conhecemos (desencarnação), é vida para o outro lado. O apocalipse vem definindo para nós, então, que o esquema está montado, que as nuvens estão formadas se visualizado apenas sob o ângulo da sementeira. Entretanto, o amparo superior está em toda a parte e nós vivemos debaixo do império da lei suprema do amor.

De cima para baixo, o apocalipse é visto como esse fantasma assustador que nos faz sofrer. Só que não existe uma reação negativa das leis que nos regem. Pode ter certeza disto. Elas não têm um sentido puramente negativo, ainda que machuquem e façam a criatura sofrer. As próprias reações da lei não tem um sentido único de dizer bastar ou mostrar ao universo a nossa pequenez.

A grande verdade é que o apocalipse não quer ver ninguém derribado. Está certo que ele define o efeito de causas infelizes, no entanto, e, principalmente, analisando dentro dos acontecimentos, é a oportunidade de uma caminhada com consciência e equilíbrio. Observado de lá para cá o apocalipse é uma instrumentalidade não muito gostosa, claro, aliás, de gosto ruim, péssimo, bem desconfortável, amargo, mas que tem um elevado cunho didático para nos levar ao equilíbrio.

É só pensar com clareza. As reações da lei trazem um ensinamento valioso para que descubramos o processo e também nos ajustemos a um caminho novo.

Trazem um componentezinho para ser analisado chamado recuperação, recomposição. O apocalipse, em tese, para todos os efeitos é alguma coisa que cerceia, só que dentro desse cerceamento e da aplicação da lei existe uma alta dose de investimento. Ele não vem só cobrar, vem também projetar a criatura para um piso diferente.

Como a proposta da misericórdia divina não é liquidar, machucar ou punir, e sim fazer o ser avançar, de cima para baixo existe o investimento em uma oportunidade, dentro do processo de quitação e reajuste, no sentido de que a gente aprenda e seja realmente feliz. É por isso que o apocalipse vem e pega mesmo se for preciso, se não tiver jeito, todavia, é preciso ficar claro que ele só vai pegar se não tiver jeito nenhum, porque antes dele oportunidades surgem.

Aí você pensa assim: “Tudo bem, Marco Antônio, entendi, mas vai dizer isso para quem está sofrendo debaixo dos seus impactos!? Vai explicar isso para quem está marcado de tantas lágrimas inquietantes!?” Olha, preste atenção, o apocalipse não é aquele assunto que está para chegar e eu vou consultar o calendário agora porque quando ele vir vai acabar com todo o mundo. Decididamente, não! Vamos começar corrigindo essa ideia. Ele é aquele componente dentro do contexto de erguimento e encaminhamento dos seres que toca os que estão precisando dele no plano experimental dos acontecimentos menos felizes. Disso não tem dúvida. Só que ele também está nos mostrando alguma coisa.

Afinal de contas, nós estamos estudando aqui junto de quem já tem uma visão mais abrangente, mais clarificada. Tanto que quem ainda está vivendo na chamada “vida boa”, descansando, só curtindo os momentos, cultivando as sensações, se falar com ele em apocalipse ele muda o assunto na hora, e ainda sai rindo e debochando. Porque isso é algo que não interessa ao terreno dele. O apocalipse está presente no final de todos os livros da bíblia. Será por quê? À toa? Simples acaso? Não, à toa não é, não acontece desse jeito. Colocado no final ele circunstancialmente vem trabalhando muito sutilmente, muito figuradamente, e em mensagem velada, pelas linhas intuitivas que a espiritualidade maior aproveita, como se dissesse que tudo está na frente da bíblia.

A decisão, se vai ou não vai, se segue o roteiro anterior dentro do programa ascensional, é de cada um. O que precisa ser entendido é que ele não é apenas um processo convocando a gente a mudar. Ele também direciona aquele que já tem dentro de si a noção de mudança, traz, em todo o conteúdo do seu relato, as condições de mudança, projeta a criatura para um piso novo. Corrige e também reeduca, a individualidade sai de dentro dele melhor que entrou, com parâmetros alterados, melhorados, novos conceitos, mais aberta, mais feliz.

O apocalipse é uma manifestação clara e nítida, é a resposta que a espiritualidade tem que usar ou deixar acontecer quando a nossa consciência não deu conta do recado. É a chegada de uma chuva de dificuldades, dores e sofrimentos para todos que rejeitaram a chance que está chegando para todos, indistintamente.

O que estou falando aqui não é tanta novidade quanto parece. E o grande segredo é o seguinte, a questão não é abrir o guarda-chuva porque a tempestade vai desabar, a tempestade vem chegando. O desafio é saber se conseguimos vencer a nós mesmos para não ter que despencar chuva nenhuma.

Porque os fatos relacionados como sendo ameaças apocalípticas só surgirão no caminho se descuidarmos, se não ficarmos atentos com aquilo que a consciência grita dentro de nós. Não estamos estudando o apocalipse para nos posicionarmos dentro dele. Pelo contrário, nós estamos é tentando escapar dele.

Em razão disso é possível conseguir resumir com muita tranquilidade: vamos fazer algo positivo que estiver ao nosso alcance antes que o apocalipse bata à porta.

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