29 de out de 2012

Cap 29 - João Batista (2ª edição) - Parte 1


INÍCIO

“A LEI E OS PROFETAS DURARAM ATÉ JOÃO; DESDE ENTÃO É ANUNCIADO O REINO DE DEUS, E TODO O HOMEM EMPREGA FORÇA PARA ENTRAR NELE.” LUCAS 16:16  

Uma coisa extremamente significativa a ser compreendida no início dos estudos do evangelho é que o trabalho de vida de Jesus foi iniciado por João Batista.

Trata-se de algo de importância ímpar. É tão importante entender João Batista nos tempos atuais porque ele é o precursor do evangelho. É esse personagem da nossa intimidade que faz com quem deixemos uma vida estruturada nos parâmetros restritos da justiça para nos apontar o caminho abrangente do amor.

Como aprendemos nos estudos da física que não se passa de um estado para outro sem passarmos por uma fase de transição, João Batista representa o ponto da transição para uma vida que objetiva ser melhor. No aspecto histórico, a proximidade com o mestre tem sua significância, João Batista era primo de Jesus.

Era filho de Zacarias, sacerdote judeu, e Isabel, membro do ramo mais próspero do mesmo grande grupo familiar ao qual também pertencia Maria, mãe de Jesus. Isabel em certo dia recebera a visita espiritual de mensageiro divino, que mais tarde também se apresentaria a Maria. João nasceu em pequena aldeia conhecida naqueles dias como cidade de Judá, localizada a 6 quilômetros a oeste de Jerusalém, onde nasceu como uma criança comum e cresceu.

A partir de 1200 anos antes de Cristo, até mais ou menos 300 anos depois, uma nova escola de educadores religiosos vigorou na Palestina, por meio da qual houve a disseminação de um tipo de literatura chamada apocalíptica, principalmente originada do degredo dos judeus que eram muito sacrificados. Referidos educadores desenvolveram um sistema de crença segundo o qual os sofrimentos e humilhação dos judeus aconteciam por estarem eles arcando com as consequências dos pecados da nação, que recaíam naquelas razões bem conhecidas, escolhidas para explicar o cativeiro da Babilônia e de outras épocas.

Dessa forma, a literatura apocalíptica se baseava em uma dinâmica de primeiro a gente sofre e depois vem a libertação. Esse roteiro faz parte dessa literatura e para se ter uma ideia surgiram mais de 300 apocalipses. Só que a espiritualidade coordenou para nós o que conhecemos, o apocalipse de João, como a expressão, talvez, não só da verdade como a mais fiel. Os apocalípticos ensinavam persistentemente que Israel deveria manter sua coragem, que os dias de aflição estavam por acabar, a lição do povo escolhido de Deus estava para terminar, a paciência de Deus com gentios estrangeiros estava se exaurindo. O fim do domínio romano para esse povo crente era sinônimo de fim da idade e, em certo sentido, de fim do mundo. Esses pregadores consistentemente ensinavam que a criação estava para atingir seu estágio final, os reinos deste mundo estavam a ponto de se tornarem reino de Deus.

E nos dias de João os judeus perguntavam-se com expectativa sobre quando viria esse reino. Havia um sentimento geral de que o fim do domínio das nações gentias estava próximo. E, presente em todo o mundo judeu, a esperança viva e a expectativa de que ocorreria exatamente no período de vida daquela geração. Para a mente judaica daqueles dias o significado daquela expressão “o reino do céu”, que está tanto nos ensinamentos de Jesus quanto no de João, não era outro senão um estado absolutamente reto, no qual Deus governaria as nações da terra na perfeição do poder, exatamente como ele governava os céus: Era o “seja feita a sua vontade, na terra como no céu”.

Alguns judeus apegavam-se à opinião de que Deus poderia, possivelmente, estabelecer esse novo reino mediante intervenção direta e divina, embora a grande maioria acreditava mesmo é que ele iria interpor um representante intermediário, o messias. Esse era o único significado que o termo messias poderia ter nas mentes dos judeus daquela geração. Não poderia referir-se a alguém que meramente ensinasse a vontade de Deus, ou simplesmente proclamasse a necessidade do viver reto. A todas essas pessoas sagradas os judeus davam o título de profetas. O messias, do contrário, deveria ser alguém bem mais que um profeta, deveria trazer o estabelecimento do novo reinado, o reino de Deus. E ninguém que falhasse nesse propósito poderia ser pare eles o messias.

Todos concordavam em unanimidade com uma coisa, a instauração desse reino não se daria estando eles com os braços cruzados. Alguma purgação drástica ou alguma disciplina de purificação seria necessária para se proceder ao estabelecimento desse novo reino na Terra. E pelo que os apocalípticos ensinavam aconteceria uma grande guerra, que iria destruir todos aqueles que não acreditavam, enquanto os fiéis seriam levados a uma vitória universal e eterna.

Esses espiritualistas ensinavam que o reino seria inaugurado por aquele grande julgamento de Deus, que iria relegar os injustos à sua bem merecida punição de destruição final, ao mesmo tempo em que elevaria os santos crentes do povo escolhido aos assentos elevados de honra e autoridade, como o filho do homem, que governaria sobre as nações redimidas em nome de Deus.

Acreditavam, também, que muitos gentios devotos poderiam ser admitidos na comunhão desse reino.

E para todos aqueles que ouviam João ficava claro que ele era mais que um pregador. A grande maioria daqueles que escutavam aquele homem estranho, vindo do deserto da Judeia, partia acreditando que tinha ouvido a voz de um profeta. Não era de se espantar que as almas daqueles judeus cansados, mas esperançosos, ficassem profundamente extasiadas com esse fenômeno. Nunca, em toda a história dos judeus, os filhos devotos de Abraão tinham desejado tanto a consolação de Israel, nem a restauração do reino, como naquela ocasião.

Em toda a história dos judeus nunca, a mensagem de João, de que o reino do céu estava ao alcance das mãos, poderia ter exercido um apelo tão profundo e comovedor como naquela época em que ele apareceu, misteriosamente, na margem dessa travessia ao sul do Jordão, convocando a preparação para a mudança.

Jesus foi batizado no apogeu das pregações de João, quando a Palestina estava inflamada pela esperança de sua mensagem de que o reino de Deus estava à mão, quando todo o mundo judeu empenhava-se em exame de consciência sério e solene. O sentido judaico de solidariedade racial era profundo. 

Os judeus não apenas acreditavam que os pecados de um pai poderiam afligir seus filhos, mas acreditavam firmemente que o pecado de um indivíduo poderia amaldiçoar a nação. Desse modo, nem todos entre os que se submetiam ao batismo de João consideravam a si próprios como culpados dos pecados específicos denunciados por João e, de fato, muitas almas devotas foram batizadas por João pelo bem de Israel. Afinal, eles temiam que algum pecado de ignorância da parte de alguém pudesse retardar a vinda do esperado messias.

Sentiam-se como uma nação culpada e amaldiçoada pelo pecado e apresentavam-se para o batismo no intuito de que assim fazendo pudessem manifestar os frutos da penitência da raça. É evidente que Jesus, de modo nenhum, recebeu o batismo de João como ritual de arrependimento ou de remissão de pecados. Ao aceitar o batismo ele estava apenas seguindo o exemplo.

João foi preso e a longa espera na prisão estava tornando-se humanamente intolerável. Pouco antes de sua morte ele envia novamente mensageiros de confiança a Jesus perguntando se seu trabalho estava feito, porque ele enlanguescia na prisão, se o carpinteiro verdadeiramente era o messias ou deviam procurar outro.

Quando esses dois discípulos levaram essa mensagem a Jesus o filho do homem respondeu que fossem a João e dissessem a ele que não havia esquecido e que ele deveria suportar isso também, pois conveniente é cumprir tudo que é reto. Que dissessem a João o que viram e ouviram. Que boas novas eram pregadas aos pobres e, finalmente, dissessem ao amado precursor da sua missão na terra que ele seria abundantemente abençoado na idade que estaria por vir se ele, de Jesus, não encontrasse ocasião para duvidar e cair. Foi a última palavra que João recebeu de Jesus, mensagem que o confortou grandemente e muito fez para estabilizar a sua fé e prepará-lo para o trágico fim de sua vida no plano físico, que veio pouco tempo depois dessa ocasião.

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