27 de nov de 2012

Cap 29 - João Batista (2ª edição) - Parte 8 (Final)


OS BATISMOS

“E ERAM POR ELE BATIZADOS NO RIO JORDÃO, CONFESSANDO OS SEUS PECADOS.” MATEUS 3:6  

“E EU, EM VERDADE, VOS BATIZO COM ÁGUA, PARA O ARREPENDIMENTO; MAS AQUELE QUE VEM APÓS MIM É MAIS PODEROSO DO QUE EU; CUJAS ALPARCAS NÃO SOU DIGNO DE LEVAR; ELE VOS BATIZARÁ COM O ESPÍRITO SANTO, E COM FOGO.” MATEUS 3:11

“E ELE LHES DISSE: VAMOS ÀS ALDEIAS VIZINHAS, PARA QUE EU ALI TAMBÉM PREGUE; PORQUE PARA ISSO VIM.” MARCOS 1:38

“E OS QUE OUVIRAM FORAM BATIZADOS EM NOME DO SENHOR JESUS.” ATOS 19:5 

A palavra batismo, do grego, quer dizer imersão, mergulho. Antigamente, na igreja católica, visava apagar o "pecado original" que atingia toda a humanidade, por causa de Adão e Eva. Mas parece estranho, no ensino católico cada pessoa que nasce não é uma alma nova recém-criada por Deus? Esse sacramento é tido como um sinal sagrado da salvação oferecida por Jesus, no qual a imersão com água significa o renascer espiritual, com a purificação de todas as culpas e pecado.

Ora, como o "pecado" teria passado de pai para filho? E que justiça divina é essa para fazer uma alma pagar pelo erro de alguém que ela nem conheceu? Ou responder por um erro que não ajudou a cometer? Mas o que nos interessa é que o costume de batizar não tem sua primeira origem no cristianismo, pois nos relatos de diferentes seitas da antiguidade existem referências a banhos purificadores, aspersões e imersões, que preparavam os crentes para o culto às suas divindades. João Batista foi quem deu início à prática do batismo entre os judeus de modo popular.

A água, no plano concreto, denso, físico, é componente essencial gerador da vida. Tem sentido germinativo e sem ela não haveria manifestação biológica no planeta. Em seu aspecto essencial representa o berço onde vai ser gestada toda proposta nossa. Importante compreender que a reencarnação sempre se principia com um mergulho efetuado pelo espírito nos líquidos intra-uterinos da mãe.

Sempre é assim. É a imersão do ser nas faixas físicas onde a água é o elemento preponderante, para sequenciar sua evolução em um equipamento corporal que apresenta em sua estrutura percentual superior a sessenta por cento à base de água. Interessante? Pois então. Sem entrarmos em outro terreno, que não vem ao caso, no aspecto espiritual o mar está relacionado às questões reencarnatórias. Quando o evangelista João, no início do apocalipse, visualiza o mensageiro divino e ao descrevê-lo diz que a sua voz era como "a voz de muitas águas" (Apocalipse 1:15) vamos notar que a expressão define o somatório dos padrões por ele veiculados verbalmente, uma conquista feita no tempo.

"Muitas águas" a indicar que tratava-se de autoridade conquistada ao longo de amplas experiências passadas. Sugere condições de canalização e alcance múltiplo, diversificação capaz de atingir a todos indistintamente, alcance geral a todas as camadas.

O batismo de água era uma prática simbólica. Testemunho público de arrependimento seguido do propósito de corrigir-se, lavar os pecados. A água não lava o corpo? Por linha de analogia entendemos lavar também o espírito dos seus erros. De forma que o mergulho na água tem esse sentido de limpeza e o espírito parte para a reencarnação com igual propósito de purificar-se, de saneamento, desoneração do pretérito. Batismo de água tinha o significado espiritual da necessidade de arrependimento e o desejo concomitante de renovação.

É por isso que não adiantava o batismo em quem não estivesse realmente arrependido. No batismo de João Batista é como se ocorresse a assepsia no sentido de trabalhar o campo mental do indivíduo para ele poder entrar em terreno novo, uma tentativa de fazer limpeza para promover o tratamento. Espero não complicar, mas é o primeiro lance para o surgimento do filho do homem, todavia, esse batismo faz alusão ao filho de mulher, pela reencarnação do ser.

O batismo realizado por João Batista, àquela época, constituía-se de ato revestido de simbolismo. Simbolizava a reencarnação (nascer da água) ao passo que o de Jesus representa a renovação (nascer do espírito). João expressava, com o batismo pela água, o papel renovador da reencarnação. Ele estava apontando Jesus e objetivava simplificar o mecanismo reencarnatório, como se dissesse: - Olha, ao invés de você desencarnar, ir para o plano espiritual e lá arrepender dos erros que cometeu. Depois mergulhar no líquido amniótico, na placenta, nascer de novo no plano físico pela água, porque você, em vem de esperar morrer para depois arrepender-se e, em seguida, voltar a mergulhar no líquido intra-uterino para modificar-se não arrepende aqui, mergulha nesta água agora e reinicia já um processo de crescimento em novas bases?

Percebeu? Propunha verdadeira reencarnação dentro para própria encarnação. Uma espécie de alerta e convite: - Gente, eu estou aqui fazendo assim para vocês entenderem qual é a tarefa de Jesus Cristo que vem por aí. Porque não vai ter essa água toda daqui para frente. A evolução vai deixar de ser tanto pela reencarnação, no campo sistemático, para ser levada a efeito mediante a renovação, pelo nascer do espírito. Portanto, amigos, não vamos esperar a morte para nos arrependermos e retornarmos à reencarnação. Mensagem semelhante era a de Jesus que dizia "reconcilia-te com teu adversário enquanto caminhas com ele". Não é difícil entender o chamamento de João para a transformação moral, estando a criatura em pleno desenvolvimento de sua vida no plano físico.

O sacerdócio criou com isso cerimoniais e sacramentos. Existem batismos de recém-nascidos na igreja católica, ao passo que em centros evangélicos existe o batismo de pessoas adultas. Mas temos que analisar o assunto com muita tranquilidade, usando a ascendência da lógica. O batismo na água não simboliza a mudança de postura do ser? Daí concluímos que a renovação espiritual não se verificará tão somente com o fato de se aplicar mais ou menos água nessa ou naquela idade física do candidato a mudar. Não é verdade?

Determinadas cerimônias materiais assim eram bastante compreensíveis nas épocas recuadas em que foram empregadas, pois sabemos que o curso primário, na instrução infantil, necessita da colaboração de figuras para que a memória da criança atravesse os umbrais do conhecimento, mas esse procedimento de sabor religioso é totalmente dispensável nos dias atuais. Podemos perfeitamente mudar sem ele. O evangelho, nas suas luzes ocultas, faz imensa claridade sobre a questão do batismo. "E ele lhes disse: vamos às aldeias vizinhas para que eu ali também pregue; porque para isso vim". (Marcos 1:38) O mestre incluía no ato de pregar todos os gestos sacrificiais de sua vida.

Por pregação ele entendia igualmente os sacrifícios da vida, porque não basta saber, é imprescindível aplicar de maneira útil o conhecimento. Jesus ministrou palavras e testemunhos vivos, desde a primeira manifestação de seu apostolado sublime até a cruz. Sem dúvida, o evangelho, nas suas luzes ocultas, faz uma imensa claridade sobre a questão do batismo. "Os que ouviram foram batizados em nome do Senhor Jesus." (Atos 19:5) Aí reside toda a verdade sublime. A bendita renovação da alma pertence àqueles espíritos que ouviram os ensinamentos do mestre divino, exercitando-lhes a prática.

E enquanto o batismo de João Batista simbolizava a reencarnação, pela água e arrependimento, o anunciado por Jesus é a reparação, mudanças pessoais, renovação, que se dá com o espírito santo e o fogo. Pois sabemos que apenas a reencarnação não basta. O batismo no espírito santo define aquele conjunto informativo de valores explicitados pelos mensageiros da verdade, as entidades superiores, a se estenderem sobre nós como dispositivo da misericórdia divina. O batismo pelo fogo sugere a luta para renovar-se. É a correção de conduta, reparação dos males praticados, o testemunho dos novos propósitos.

O fogo é renovação, tem o poder de mudar o estado das coisas, é componente forjador, que sedimenta, que tem a capacidade de solidificação por abrasamento de sacrifício e testemunhos amplos. São as provas e as expiações a que estamos sujeito dentro do processo natural de evolução, sem contar que também tem sentido de luz, papel iluminativo, fator gerador de claridade. E fornalha fala do trâmite nosso através de muitos e muitos ambientes e por muitos séculos.

Se o batismo de fogo é símbolo da dor que purifica os costumes, abate o orgulho e apura os sentimentos, o batismo do espírito santo se faz com a influência do céu. Jesus disse, conforme Lucas, que veio lançar fogo na terra e nada mais queria se já estava aceso. Isso é acertar os componentes de depuração, instrumentos reparadores. É enfrentar a luta para redirecionamento com vistas a novas posições, pois o fogo é renovação. O aceso já foi vivido lá atrás por muitos de nós, e faz tempo, quando aceitamos Jesus. Agora o desafio é outro, acender na capacidade operacional por parte daquele que apenas elegeu o ideal, mas não elegeu o ideal a nível concreto de ação.

21 de nov de 2012

Cap 29 - João Batista (2ª edição) - Parte 7


FRUTOS DIGNOS

“PRODUZI, POIS, FRUTOS DIGNOS DE ARREPENDIMENTO;” MATEUS 3:8

Se o estacionamento não resolve problema e tampouco a fuga estimulada pelo remorso auxilia na solução de dívidas, o espírito preso no remorso não consegue avançar enquanto não quitar seus débitos com a própria consciência. Sem isso não encontrará caminho que lhe permita livre acesso a novas conquistas.

Analise comigo, o remorso gera arrependimento e arrependermo-nos de qualquer gesto maligno é um dever. Ótimo, tudo bem, até aí a gente sabe. Agora, o grande detalhe é que o arrependimento por si só não basta e pranteá-lo indefinidamente é roubar tempo ao serviço de retificação. Arrepender é uma forma de sentir e não podemos ficar apenas nos sentimentos.

Por quê? É muito fácil, o que o evangelho nos ensina? Que a cada um será dado conforme suas obras, e não conforme os livros que leu, as ideias e projetos que teve, as emoções que nutriu. Logo, se somos prisioneiros da culpa somos também operários de nossa libertação, recebendo conforme as nossas obras.

O desespero vale por demência a que as almas se atiram nas explosões de incontinência e revolta e de forma alguma servem como pagamento nos tribunais divinos. Não é razoável que o devedor solucione com gritos e impropérios os compromissos que contraiu mobilizando a própria vontade. É preciso usar expediente para beneficiar-se começando a reparação das faltas cometidas, pois expiar em trevas íntimas não é suficiente para a recomposição da paz.

Se João Batista lembra a condição de precursor, no campo íntimo o processo se repete: erro, remorso, arrependimento e as providências retificadoras, até o Cristo, enfim, na consciência redimida. Após o arrependimento é necessário o encaminhamento da reparação, afinal é indispensável uma ação que regulariza o erro e ajuda aos prejudicados. Após o conhecimento bater à porta é reorganizar-se interiormente e reprogramar a vida. Estabelecido o nódulo de forças mentais desequilibradas é imperioso que acontecimentos reparadores nos contraponham ao modo enfermiço de ser para nos sentirmos desonerados desse ou daquele fardo íntimo ou redimidos perante a lei. Temos que acionar o arrependimento a fim de repararmos os erros cometidos, retificando-os em caracteres vivos, transformar o remorso em propósito de regeneração, porque as notas promissórias que aqui contraímos, no plano físico, pagamos aqui mesmo.

Não tenha dúvida disto. Reparação é redirecionamento do próprio destino em nova base e é indispensável romper as alianças da queda e assinar pacto da redenção.

Se as vítimas de nossas ações pretéritas menos felizes já se encontram em posição bem melhor do que a nossa é hora de socorrermos outros, não diretamente vinculados a nós, mas incursos em necessidades análogas a serem supridas.

E "produzi, pois, frutos dignos de arrependimento." (Mateus 3:8) O que é o fruto? Já pensou nisso? Fruto é o resultado, a realidade da nossa vida hoje. Muitas criaturas se direcionam para as religiões, para as igrejas, para os núcleos espirituais, para resolverem os problemas dos frutos. De fato, os frutos trazem a gente aqui, ao evangelho: problemas de família, doenças, dificuldades financeiras, entre outros. Só que não há como a gente mudar o fruto.

Tem jeito? É possível? Será que dá para fazer um pé de laranja que produz laranjas ácidas passar a dar laranjas doces? O que você acha? Não dá. Não há como enxertar laranjas doces em um pé de laranjas ácidas. Percebeu a questão? É impossível extirpar no campo cármico. O assunto do nosso capítulo não é causa e efeito, todavia, o que o evangelho oferece para casos em que a produção está ácida e difícil, em que o fruto está muito amargo, é fornecer-nos material terapêutico de alívio, material informativo de administração da dificuldade.

Nós estamos aprendendo o evangelho para melhorarmos a caminhada. Se agora encontramos nosso ontem, nosso hoje será a luz ou a treva do amanhã e a atitude adequada no presente é terapêutica de eficiência para futuros resultados.

Se não basta o arrependimento em circuito fechado que cheira a remorso, mas que induz ao trabalho regenerador, temos que trabalhá-lo nas linhas da renovação, porque a única forma real de sair desse arrependimento que incomoda é apresentando frutos. Assim, o que importa de verdade são as realizações presentes para o futuro, trabalhar sem a preocupação de solucionar, favorecer o encaminhamento da solução que virá a seu tempo, porque às vezes a solução não é com a gente. Fruto digno de arrependimento é a entrada em um processo que este sugere. Já é a realização, resultante da adoção feita de novo sistema de vida. Gerando novas causas com o bem praticado hoje podemos interferir nas causas do mal de ontem, neutralizando-as e reconquistando equilíbrio. Por frutos dignos vamos nos caminhos daquele que é luz.

O evangelho não diz: Olha, vamos procurar frutos dignos, ou vamos achar frutos dignos. Não! É "produzi frutos dignos". É produzir, não é encontrar frutos prontos. E como se produz frutos? À partir de um processo de semeadura ou sementeira.

A chave para melhor efeito está na dignidade, porque semear todo mundo semeia pelas suas ações. Então, veja bem, se o fruto é a realidade nossa hoje, temos que trabalhar em cima da semente, não do fruto. Produzi frutos dignos é trabalho com semente. Semente consiste na vida mental que elegemos, é a elaboração de novos componentes germinativos, saber selecionar a proposta, aprender a cultivar e ser coerente e perseverante na proposta. Quando o Cristo fala que o semeador saiu a semear precisamos inicialmente sair sem sair do lugar. A primeira semeadura deve ser feita na intimidade, pois o fruto está diretamente relacionado à qualidade da semente, e se queremos melhorar a colheita melhoremos a semeadura, e para isso é fundamental redimensionarmos o que está dentro de nós. O evangelho nos ensina a administrarmos a colheita da sementeira de ontem e a semearmos em novo plano.

Se pela obra menos feliz complicamos nossa harmonia íntima, pela obra equilibrada, justa e cristã, recompomos nossa estrutura, projetando-nos em direção diferente de crescimento no campo consciente. Logo, em meio às produções menos felizes do nosso carma, busquemos jogar sementes em lugares ainda não semeados, desarmando o coração e adotando novos valores e conceituações.

Entre estas vão ter algumas que germinarão em curto prazo, outras em prazo médio, outras em um tempo mais distante e algumas em encarnações futuras, porque no mecanismo de plantar e colher temos sementes de produção rápida, de produção média, de produção longa e sementes de produção milenar. Se você anda triste, se sentindo só, descontente, sem perspectiva, se acha que a vida não está te dando nada em termos de alegria, dê alguma coisa à vida. Se a vida está te fazendo chorar sorria para ela. Saiba que assim você avoca nova linha de sintonia.

Porque a todo momento, no exercício da vontade, formamos novas causas e refazemos o destino, sabendo que é possível renová-lo a cada dia. Não se esqueça, para colhermos situações melhores temos que iniciar novos padrões de semeadura, razão pela qual João Batista continua pregando no nosso deserto.

16 de nov de 2012

Cap 29 - João Batista (2ª edição) - Parte 6


ARREPENDIMENTO

“21E DEI-LHE TEMPO PARA QUE SE ARREPENDESSE DA SUA PROSTITUIÇÃO; E NÃO SE ARREPENDEU. 22EIS QUE A POREI NUMA CAMA, E SOBRE OS QUE ADULTERAM COM ELA VIRÁ GRANDE TRIBULAÇÃO, SE NÃO SE ARREPENDEREM DAS SUAS OBRAS.” APOCALIPSE 2:21-22 

“42E DISSE A JESUS: SENHOR, LEMBRA-TE DE MIM, QUANDO ENTRARES NO TEU REINO. 43E DISSE-LHE JESUS: EM VERDADE TE DIGO QUE HOJE ESTARÁS COMIGO NO PARAÍSO.” LUCAS 23:42-43

A lei sabemos que precisa manter o equilíbrio do universo e ela não tem que esperar a criatura cair na real para poder liquidar a fatura, pagar o que deve em relação às dívidas contraídas. Pois se fosse depender disso estiolaria a marcha do universo. 

Onde queremos chegar? Que o arrependimento é o processo inicial do crescimento.

Diante de um fracasso há sempre um recomeço e o arrepender nos indica uma dinâmica natural do crescimento. Surge cedo ou tarde àquele que fez o que não devia ou andou por caminhos pouco aconselháveis, sem o qual não existe reparação consciente e muito menos necessidade de mudança. Define um estado para além do remorso e pouco aquém da obra de ressarcimento, resgate ou reparação. Então, o recado que aprendemos é que se não nos dispusermos a avocar o arrependimento para caminhar, ainda com dores, com tribulações e dificuldades, não avançamos e podemos entrar em complicações maiores.

O arrepender-se significa o que para nós? Quando começamos a idealizar a opção de correção, de mudança de postura, buscando encontrar a humildade, tentando sentir nossa carência, vamos notar que podemos ainda estar relativamente incapacitados a operar, meio refratários ao trabalho, permanecemos ainda selecionando padrões e presos a uma série de coisas, e o que ocorre atrás disso tudo? Nós ficamos tentando acertar, desejamos acertar, encontrar aquela linha de crescimento, aquela trilha que realmente possa nos auxiliar convenientemente, e para tanto é preciso ter essa presença do arrependimento.

Esse arrepender-se é no sentido de preparação de uma nova linha de ajustes. Afinal, não queremos com ele sair da fria em que a gente entrou? Sempre há a recuperação do pecador que se arrepende e ninguém progride sem renovar-se. Sem que nos retifiquemos não corrigiremos o roteiro em que marchamos. Para se abreviar o tormento que flagela de mil modos a consciência, quando nas grades da expiação, é imprescindível atender à renovação mental, único meio de recuperação da harmonia do ser.

Pelo arrependimento é como se a individualidade reconhecesse que ela se curva diante da lei de Deus e se projeta para frente, aí entra no campo da humildade.

Mais do que o remorso, o arrepender-se aponta um processo de crescimento consciente. Tanto é que ele, no seu sentido fechado, puramente de quitação, corresponde à primeira milha que você oferece ou o vestido que entrega no pagamento do seu débito. No aspecto de projeção evolucional do ser ele envolve muita coisa.

O arrependimento, como energia que precede o esforço regenerador, implica em elasticidade, em visualização. Por ele já se trabalha a preparação do caminho para o saneamento do erro, você passa a nutrir um processo de recomposição do destino relativamente ao que tem feito até agora. Está entendendo? O arrependimento traz uma vibração diferente dentro de si, e aquele que se arrepende já se preocupa em como vai reparar aquilo dentro da lei. Por isso, quando o arrependimento emerge sob as bases do remorso nós damos um grande passo, já estamos a um passo da reparação da falta cometida.

O arrependimento é uma sensibilização em que observamos que o que fizemos, ou estamos fazendo, não é compatível com a nova linha de consciência. Através dele surge um conflito íntimo em que a pessoa percebe que não pode mais sequenciar aquilo, e o que vinha descendo e caindo de erro em erro para e deixa de se comprometer para iniciar retorno pela mudança das próprias ações.

Agora, uma coisa é extremamente importante saber. Arrepender não quer dizer que nós estamos cheio de erros, que estamos castigando os outros, que estamos magoando e perseguindo os outros. Arrepender significa a identificação de valores que nós precisamos desvincular deles porque não nos atendem mais, e cuja saída proporciona saneamento ao coração. Lembrando que a nossa inatividade no campo do bem também pode gerar um processo de arrependimento.

É por essa razão que alguém sofre porque fez algo a outrem, e outro alguém sofre porque deixou de fazer. Não tem isso? Não acontece conosco? Todos nós já vivemos situações assim. De maneira sutil dá-se um peso de consciência por não termos operado naquilo que podíamos. Muito do nosso erro agora está emergindo não por invigilância em praticar o mal, mas por indiferença em realizar o bem.

O arrependimento define uma mudança de atitude, de procedimento. Porque nós ainda ficamos naquela posição, visualizamos uma outra linha de ideal, todavia, ainda mantemos uma saudade muito grande daquilo que a gente fazia.

Esse arrepender tem um sentido didático. Quer dizer que determinadas coisas podem atender milhões de pessoas, mas não atendem você mais. Quer mostrar que o novo fator de vida que se abriu é mais importante do que o antigo que nós cultivávamos. É o mesmo que voltar atrás em relação a um compromisso assumido e indica a implantação de medidas saneadoras de reparação.

Então, existe uma proposta embutida dentro do arrepender de uma posição nova no contexto e ele representa a modificação na intimidade para uma nova base de ação. Resultado: feliz daquele que cai no arrependimento e reconhece que deve, e mais, que se empenha em liquidar a fatura em um esforço para melhorar a sua vida.

O bonito, quando entendemos, é que a própria queda, a falha que venhamos a cometer, tem essa acepção intrínseca de projetar o ser ao trabalho. Mas o arrependimento é uma forma de sentir e ele por si só não basta. Não basta o sentimento, mas as obras. Para o espírito culpado ou falido se reabilitar não basta o arrependimento, que é o primeiro passo a dar, é necessária a reparação. É preciso trabalhar com o arrependimento nas linhas da reparação, uma ação que regulariza o erro e ajuda aos prejudicados. Se você arrependeu, tem que nutrir um processo de recomposição do destino relativamente ao que tem feito até agora.

Na passagem do bom ladrão, por sua vez, ainda estar com ele hoje no paraíso, dito por Jesus, é referência ao paraíso conceitual. Define a abertura a uma criatura, quando do desabafo dela, em que se lhe tira peso do problema com uma perspectiva nova, como se entregasse o mapa àquele que se encontra perdido na selva, embora para o religioso místico ele já partiu direto com Jesus, um ao lado do outro, para as alturas, o que seria uma condição totalmente fora de uma lógica que marca o texto evolucional. Afinal, a oportunidade de resgatar a culpa já é em si mesma um ato da misericórdia divina.

11 de nov de 2012

Cap 29 - João Batista (2ª edição) - Parte 5


REMORSO

“1E, NAQUELES DIAS, APARECEU JOÃO BATISTA PREGANDO NO DESERTO DA JUDÉIA, 2E DIZENDO: ARREPENDEI-VOS, PORQUE É CHEGADO O REINO DOS CÉUS. 3PORQUE ESTE É O ANUNCIADO PELO PROFETA ISAÍAS, QUE DISSE: VÓS DO QUE CLAMA NO DESERTO: PREPARAI O CAMINHO DO SENHOR, ENDIREITAI AS SUAS VERÊDAS.” MATEUS 3:1-3

A consciência é a faculdade que o espírito possui e pela qual é capaz de refletir sobre si mesmo acerca da luz da justiça divina. Sem dúvida, cada um traz consigo o seu juiz.

E por princípio de direito cósmico universal arquivamos em nós mesmos as raízes do mal que acalentamos no tempo como tumores de energias profundas no imo da alma, para extirpá-las à custa de esforço próprio, em companhia dos que se nos afinem à faixa de culpa. Isso ocorre porque qualquer sombra de nossa consciência mantém-se impressa em nossa vida até que a mácula seja lavada por nós mesmos, mediante o suor do trabalho o pranto amargo da expiação.

Criatura humana alguma foge à lei nem à consciência de si mesmo, pois que Deus aí escreveu os seus soberanos códigos. Logo, após a falta cometida, cedo ou tarde dá-se um processo que se inicia com o remorso, que prepara e antecede o arrependimento, que por sua vez é a energia ou força anterior à reparação. De modo que essa linha natural de remorso, arrependimento e reparação é proposta e sequência de fatos que determinam a projeção nossa para novas escalas, onde remorso e arrependimento são etapas iniciais da obra de redenção.

E tanto nos círculos carnais como nos espirituais a paisagem real do espírito é a do campo interior, e cada qual vive de fato com as criações mais íntimas de sua alma.

A morte, naquela acepção definitiva de que morreu, acabou, não existe e os infratores, no corpo físico ou fora dele, estão algemados às consequências das suas ações. E mesmo com a possibilidade de poder ausentar-se da paisagem do crime, o pensamento do infrator se mantém preso ao ambiente e à própria substância da falta cometida. Você conhece aquela velha expressão policial, de que o “criminoso sempre volta ao local do crime?” Pois, é. A gente não tem como fugir da gente. A gente pode fugir dos ambientes físicos, mas da gente mesmo não tem como. Ninguém foge da consciência culpada e os irmãos sofredores trazem consigo, individualmente, o estigma dos erros deliberados a que se entregaram.

A consciência culpada não esquece e toda dívida tem sempre os fantasmas da cobrança.

O criminoso, por mais que possa tentar, nunca consegue fugir da justiça universal, uma vez que carrega o crime cometido em qualquer parte. E a consciência pessoal não libera culpado algum sem a conveniente regularização do delito.

Não raras vezes, o doloroso inferno íntimo vivenciado é a aflitiva condenação, e a culpa somente desaparece quando se liberta aqueles que lhe sofreram o mal.

O remorso, como sendo aquele aspecto inicial da trilogia da redenção, consiste na inquietação da consciência pela culpa ou crime cometido, em torno da qual a onda vida e contínua do pensamento passa a enovelar-se em circuito fechado sobre si mesma, aprisionando o campo mental às faixas inferiores da retaguarda.

É como se fosse um disco de música arranhado, que não consegue avançar adiante e fica aprisionado àquela mesma repetição. A bem da verdade, para ser mais conciso, remorso funciona exatamente como uma prisão sem grades edificada pela culpa.

Trata-se de uma posição puramente mental, sem maiores ressonâncias. Choque espiritual em características profundas, e intervalo embaraçoso para a instauração da luz, é um estado estático, em que a criatura se mantém em circuito fechado.

Por ser uma prisão, embora sem muros e grades, a criatura não consegue fugir e ficar centrado nele apenas complica a dificuldade. Ele não é à toa, claro, e tem uma finalidade. É força ou energia que prepara para o arrependimento, porque o estacionamento não resolve problema algum, tampouco a fuga estimulada pelo remorso auxilia quem quer que seja na solução das dívidas. Enquanto o remorso significa a constatação da queda, o arrependimento já aponta a visualização do reerguimento. Ao cair em remorso a individualidade começa a laborar um processo de arrependimento que é, por sua vez, a energia que antecede o esforço regenerador. Quem cria a complicação tem por si mesmo que descomplicar. É necessário que o agente assimile ideias novas com as quais passe a trabalhar, ainda que vagarosamente, melhorando a sua visão interior e estruturando novo destino. Porque a renovação mental é a renovação da vida e não existe regeneração de fora sem a regeneração de dentro.

8 de nov de 2012

Cap 29 - João Batista (2ª edição) - Parte 4


O DESERTO

“E, NAQUELES DIAS, APARECEU JOÃO BATISTA PREGANDO NO DESERTO DA JUDÉIA.” MATEUS 3:1

O deserto, no seu aspecto espiritual, define para nós aquela área desprovida de edificação, terreno seco e com sentido de aridez que existe no interior de cada um de nós.

Território que já não corresponde aos anseios mais íntimos que alguém cultivava. Surge e a criatura nele se identifica quando descobre que o que pensava ser a sua segurança vai acabar ou está sendo destruído, pois olha o que tem feito e percebe que aquilo está acabando, já não tem mais substância mantenedora de vida. E não há como buscar frutos dentro do deserto, o compromisso passa ser a entrada em uma proposta nova.

O deserto define o ponto e o momento de acentuado desconforto e solidão. Todavia, é onde qualquer estruturação em bases novas tem que se fundamentar, e não tem como ser diferente de jeito nenhum. Nós ainda sentimos uma necessidade muito grande de estarmos praticamente cem por cento do tempo envolvidos pelos outros. E chegamos a desconsiderar que é imprescindível saber estar só, que quem não passar pelo processo da solidão não progride.

É comum, em momentos dessa natureza, dizermos “Oh, meu Deus, porque está acontecendo essas coisas comigo?” Na maior parte das vezes isto é dito em tom de lamentação. E tanto é dito lamentando que a maioria das criaturas interpreta o texto do evangelho em que Jesus, sozinho na cruz, diz “porque me desamparaste”, como sendo uma fragilidade dele, acha que ele foi frágil. À primeira vista, em relação a esta expressão de Jesus, essa é a dedução que a gente tira dessa passagem. Todavia, não se trata de uma lamúria dele, mas sim de uma indagação correta dele. Nós é que colocamos fragilidade por nossa conta.

Analise, em quantas ocasiões nos achamos tristes e sós e não indagamos: “Meu Deus, porque isso está acontecendo comigo? Porque é que eu estou tão só?” E não demora muito tempo e a resposta naturalmente surge. Acontece que quando nos encontramos só tem algo a ser revelado. Isso não sou eu quem está falando. É da lei! Há algo a ser revelado. Não tem quem não passe por momentos desses na grande proposta de crescimento consciente. Não tem como.

São lances da vida. Vemos-nos circunstancialmente em um labirinto escuro, porém, quando a gente vence a etapa, quando saímos bem daquela experiência difícil, identificamos de pronto o sorriso daqueles corações que estavam junto conosco e a gente achava que estava sozinho. A vida traz momentos assim para o nosso próprio engrandecimento. E daí podemos concluir que a solidão na sua legitimidade não existe. O que existe é uma pseudosolidão para que sintamos que nós temos o amparo divino. Agora, o que acontece é que em geral não mantemos a paciência e o equilíbrio indispensável de busca dentro da solidão, e costumamos apelar para o desespero, que faz a situação se enovelar, às vezes, por longo tempo, até por várias encarnações.

O deserto é o campo que se abre ao ser para que ele edifique uma nova mentalidade de vida e busque operar em novas bases. Ele aparece no momento em que a consciência se desperta e a criatura enxerga que algo existe para além da lei em termos de amor. No alcance a objetivos mais altos da evolução com Jesus é necessário o trânsito e a superação das intempéries desse ambiente árido e ensolarado. Assim, não podemos reclamar. Alguém se identifica no deserto quando descobre o caminho a palmilhar. Logo, o deserto é lugar árido que pode ser trabalhado, que pode ser fertilizado, mas ao nível da mente.

Vamos gravar uma coisa com muita atenção. Todas as vezes que a gente entra em um processo de transição essa transição para quem quer mudar é deserto. Nós estamos numa fase de mudanças e deserto é onde começa todo o mecanismo. Representa o outro ângulo, o outro lado, o ponto da transição, e transição é mudança de um estado para outro, é o que está jogado na confusão.

É por isto que existe tanta dificuldade em mudar-se. Tem tanta gente que quer mudar alguma coisa na vida e quando olha do outro lado não tem nada, é tudo diferente, a nossa praia é onde estamos, é do lado de cá. Entrar no deserto é se lançar em um lugar em que não se tem experiência, razão pela qual é difícil crescer.

Aonde se situa o indivíduo é o terreno da sua segurança pessoal. Onde ele está é o seu habitat, é construção, é algo sólido, concreto. Ele se sente muito à vontade com o que acontece ali. Mas quando ele investe para além ele nada tem, ele nada possui, ele nada pode, porque do outro lado é deserto. Para além é sempre deserto para quem estava do outro lado. João Batista visualiza que tudo o que se aprende tem que ser operado, porque deserto é um espaço que precisa ser construído.

Estamos lidando com o evangelho e evangelho não é edifício de redenção das almas? Pois então, edifício sugere construção. Por causa dessa dificuldade natural da mudança, quando começamos a dar o testemunho para conseguirmos nos firmar em nova posição é comum sermos visitados por variados temores. E como não é fácil mudar, muitos ficam sem saber se devem ou não investir. Aliás, muitas pessoas preferem ficar onde estão e não abrem mão dessa escolha. Aí nos chega o evangelho com um painel amplo de medidas. Resultado: a ascensão não é tão fácil como parece. Mas também não é tão complexa que vamos largar para lá e não investir. Verdade seja dita, para se entrar no deserto você tem que ter pelo menos um grande senso de coragem.

O evangelho, todo ele, em sua essência, não fala e não trata de amor? João não nos desprende da justiça e nos aponta para ele? Pois então, para adquirirmos esse meio de equilíbrio e de segurança nós estamos passando por todos esses transtornos. Para quê? Para entendermos o semelhante no grande futuro. Para aprender como ajudar e trabalhar com ele quando estivermos no campo do amor.

O mundo em transição é laboratório de toda a valia para quem está em mecanismo de progresso e seleção. Precisamos entender que conflito integra o mecanismo de educação do ser e quem está sabendo viver aqui dentro hoje, no deserto, sem exagero algum está recebendo coisas que nunca teve a chance de receber lá atrás. Como as transições essenciais da existência na Terra costumam encontrar a maioria dos homens absolutamente distraídos das realidades eternas, nesse deserto temos que ter o cuidado e o equilíbrio a fim de podermos valorizar a experiência vivida com amor e paciência, porque é por aí que nós vamos dar os grandes passos trabalhando a nossa própria redenção.

5 de nov de 2012

Cap 29 - João Batista (2ª edição) - Parte 3


O INCONFORMADO DENTRO DE NÓS

“E, NAQUELES DIAS, APARECEU JOÃO BATISTA PREGANDO NO DESERTO DA JUDÉIA,” MATEUS 3:1

“E NÃO SEDE CONFORMADOS COM ESTE MUNDO, MAS SEDE TRANSFORMADOS PELA RENOVAÇÃO DO VOSSO ENTENDIMENTO, PARA QUE EXPERIMENTEIS QUAL SEJA A BOA, AGRADÁVEL, E PERFEITA VONTADE DE DEUS.” ROMANOS 12:2

“E ESTE JOÃO TINHA AS SUAS VESTES DE PELOS DE CAMELO, E UM CINTO DE COURO EM TORNO DE SEUS LOMBOS; E ALIMENTAVA-SE DE GAFANHOTOS E DE MEL SILVESTRE.” MATEUS 3:4

“É NECESSÁRIO QUE ELE CRESÇA E QUE EU DIMINUA.” JOÃO 3:30  

Se você já assistiu algum filme sobre a vida de Jesus, ou pelo menos o início dele, com certeza já deve ter notado que João Batista é aquele personagem austero, maneiras relativamente rudes, pouca conversa, severo, inconformado. Sem medo nenhum de errar podemos afirmar que ele é esse inconformado que clama dentro da gente.

Porque no fundo nós estamos inconformados com o sistema de vida que estamos levando. Por isso estamos aqui. A inconformação significa a falta de conformação ou resignação, é a não aceitação de um estado, circunstância ou situação, denota contrariedade. Ela é necessária e representa fator positivo e impulsionador para o nosso crescimento. Chega para nos falar de uma dificuldade e tem a finalidade de nos projetar para novas bases, novos patamares.

Porque existe uma inconformação íntima que dita a mudança. Não se assuste, mas a vida é para os inconformados, pelo menos a melhor parte dela. Não há como alguém manter um sorriso de satisfação em cima de uma coisa que está estagnada, e todo aquele que se encontra satisfeito está estagnado na evolução. É uma grande verdade. Assim, o evangelho está chegando para quem já está saturado, para aquela criatura que se encontra acentuadamente cansada de palmilhar territórios que estão perfeitamente superáveis pela sua individualidade.

A inconformação é fundamental, sem ela não existe crescimento, mas o que tem que ficar claro é que ela tem que fazer o seu papel no mecanismo do progresso, que é despertar a nossa disposição, e pronto. Entendeu? Ela não pode tomar conta da nossa estrutura íntima, não pode mandar no nosso eu. Passamos por ela e avançamos. Não podemos nos estancar nela. É por isto que é preciso cuidado para que as posições transitórias não paralisem os voos da alma.

É imprescindível saber a distinção entre uma inconformação que tem um sentido bastante sutil, e que apresenta por sua vez um plano substancialmente positivo, e uma inconformação que apresenta uma revolta ou resistência. Lembre-se, inconformação é diferente de estar debaixo de um plano de rebeldia.

A inconformação, quando apresenta sentido positivo, se dá de forma bastante sutil. Agora, aquela inconformação complicada, como sinônimo de rebeldia, é um tremendo desastre para o indivíduo. Aliás, grande parte dos desajustes de ordem psicológica, daquelas doenças catalogadas ao nível das chamadas psicopatias, são decorrentes de uma inconformação embutida. Já pensou nisso?

O elemento não pode fazer aquilo que queria, deter aquilo que desejava, operar com aquilo que gostaria. Olha para ele e não se percebe nada. Ele até pode, no plano ético social, não manifestar nada negativamente. Exteriormente está uma beleza, ele aparenta estar perfeitamente conformado com a sua realidade, todavia, lá na intimidade pode haver um componente fortíssimo chamado inconformação de profundidade. É por isto, meu amigo, minha amiga, que precisamos abrir nosso coração. Operar com tranquilidade os recursos de que dispomos e tentar desbloquear essas tomadas difíceis, negativas, saber o que podemos e o que não podemos ainda, saber o que nos é lícito, o que podemos operar, bem como o que é conveniente e o que não é bom para nós.

Temos que aprender a desativar a inconformação que às vezes mantemos, acabar com as ondas que estão revoltando o terreno ambiente e nos colocando em situações ainda mais tempestuosas. A grande virtude nossa vai crescendo na medida em que vamos detendo os instrumentos, os recursos, no entanto sabendo onde podemos chegar e onde não devemos chegar. Isso significa maturidade.

João Batista aparece no deserto. Unicamente neste ambiente. Conseguiu captar? Como ele é o inconformado que vem nos propor mudança não existe razão para surgir em outro lugar. Conclusão: ele não aparece para quem está na praia do reconforto e da satisfação. Aquele que não se acha no deserto da intimidade não se sente identificado com o chamamento e a inquietude manifestada por ele.

E nós também não temos que nos preocupar com o seu nascimento em nós, até muito pelo contrário. O que significa ele aparecer? Quer dizer que ele se evidencia e surge quando nos reconhecemos no deserto, que o identificamos quando ele já se faz presente em nossa vida íntima. Em outras palavras, ele surge espontaneamente, originado por um estado nosso de indignação ou abandono e a sua finalidade resume em pregação e batismo, a sua mensagem é um convite para implantarmos um sistema novo de vida. É por isso que ele tem um cinto nos rins. O cinto vem definir um componente de sustentação, de segurança. Rins é referência à capacidade seletiva, ou seja, faz um papel de filtragem, de seleção de valores novos para um porvir melhor, mudança que não pode ser feita com a cara fechada, semblante amarrado, mas com a doçura do mel.

O evangelho tem ensinado que os nossos ideais precisam ser administrados dentro do conhecimento abrangente da lei divina. Temos aprendido com ele que tudo o que almejamos acabamos por conquistar ao longo do tempo, seja este menor ou maior, dependendo do grau de intensificação que investimos na proposta que queremos atingir. 

“É necessário que ele cresça e que eu diminua” (João 3:30) é grande ensinamento. Aponta que não temos que nos preocupar com o nascimento de João Batista dentro da gente, até pelo contrário, precisamos substituir a sua presença pela capacidade nossa de realização crística. Porque tem que diminuir dentro de cada um de nós a inconformação para crescer o trabalho em conformidade aos preceitos daquele amigo maior que nos ensinou o código máximo do amor. Este, sim, temos que fazê-lo nascer conscientemente dentro da gente.

1 de nov de 2012

Cap 29 - João Batista (2ª edição) - Parte 2


PREGAÇÃO

“1E, NAQUELES DIAS, APARECEU JOÃO BATISTA PREGANDO NO DESERTO DA JUDÉIA, 2E DIZENDO: ARREPENDEI-VOS, PORQUE É CHEGADO O REINO DOS CÉUS. PORQUE ESTE É O ANUNCIADO PELO PROFETA ISAÍAS, QUE DISSE: VÓS DO QUE CLAMA NO DESERTO: PREPARAI O CAMINHO DO SENHOR, ENDIREITAI AS SUAS VERÊDAS.” MATEUS 3:1-2

“E, naqueles dias, apareceu João Batista pregando no deserto da Judéia.” (Mateus 3:1). Bem, vamos lá. Quando ouvimos a expressão “naquele tempo” ou “naquela época” notamos que se trata de um momento específico que antecedeu alguma coisa. Trazida a boa nova para o momento atual, é o que acontece na passagem em questão, o advérbio de tempo “naqueles dias” define um momento peculiar, é uma circunstância de tempo que antecede algo, mais especificamente antecede um estado de mudança. Porque João Batista surge com essa finalidade, vem propor um estado de mudança, e tanto vem propor que ele vem pregar, e pregar apenas para aquele que se encontra no deserto da intimidade.

João Batista prega. A bem da verdade, ele não realiza nada. Sem querer menosprezá-lo, porque ele é importantíssimo demais nos dias atuais, mas quem realiza é o Cristo, que vem após ele. João Batista apenas prega e batiza, nada mais.

E pregação consiste em chamamento, é um convite para que implantemos um sistema novo de comportamento com vistas a sentirmos Jesus no coração. Isto tem que ficar bem claro. Ele prepara o caminho para a mensagem de libertação e vamos encontrá-lo em nós na sua gloriosa tarefa de preparação do caminho à verdade, precedendo o trabalho divino do amor que o mundo conhece no Cristo. Está percebendo? João Batista trabalha o campo mental da individualidade, aponta o caminho do amor, desprende o ser de Moisés e se sente identificado com o amor, todavia, se bobear volta a reciclar experiências de justiça.

Ele continua pregando incansavelmente até os dias de hoje, só que diante de paisagens as mais diversificadas, e nem sempre felizes, essa voz que se exterioriza de nossa intimidade é o sinal inconfundível do que se passa dentro de nós.

Por isso essa voz nem sempre é branda, doce, mas imperiosa. Chega a ser um clamor, um grito íntimo que objetiva a adoção de atitudes firmes e inadiáveis para o alcance da própria libertação. Assim, visitando nossa intimidade nos dias de hoje, João Batista nos elege precursores em luta íntima pela qual somos convocados ao trabalho de reeducação. Culminando a presença despertadora da lei, é a transitoriedade que antecede a expressão crística em nossa vida. Trabalhando a chegada de Jesus ele aparece e nos convida ao preparo do caminho, porque precisamos compreender que passar de justiça para amor é um dos maiores desafios que visitam as criaturas em todos os tempos.

“Vós do que clama no deserto; preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas”. (Mateus 3:2) Observe que se trata de veredas, no plural. Resultantes de nossas escolhas, são caminhos estreitos, atalhos pelos quais adentramos ao longo das existências, acalentados por tendências imediatistas a exigirem retificação. Logo, a exortação do precursor se mantém atual, permanece no ar convocando os homens de boa vontade à regeneração das estradas comuns. Porque não dá para ser diferente, para que alguém sinta a influência santificadora do Cristo é preciso retificar a estrada em que se tem vivido, é imperioso refazer o campo destruído e plantar novas sementeiras de esperança e paz.

Se as veredas são incontáveis, por outro lado caminho é no singular. Aliás, caminho também não é um só. Passamos muito tempo de nossos dias inquietos, à procura de outros caminhos, mas caminho seguro mesmo é por meio daquele que veio nos trazer vida em abundância. Para nossa felicidade não existe caminho diferente daquele que Jesus nos traçou com a sua própria vida.

Depois de bater muito com a cabeça na parede até os indivíduos teimosos acabam por se convencer que o roteiro terreno continua sendo da manjedoura ao calvário, o resto é atalho e pura perda de tempo. O reino de Deus é obra divina no coração dos homens, que tem que ser fundado no âmago das criaturas.

E é “caminho, preparai.” Um imperativo para que deixemos as ilusões e estruturemos uma nova vida nas molduras do amor. Ao afirmar ser ele o caminho Jesus aponta caminhos e diretrizes. Define o padrão, e quando ele indica o caminho a gente prepara. Ele indica e a gente segue, ele sugere e a gente faz.

Mas não basta ficarmos preparando o caminho, indefinidamente, porque caminho se faz trilhando. Ele vai passar a ser sedimentado, efetivado, à medida que passamos a operar em conformidade com as verdades assimiladas. Voltando-nos aos interesses espirituais, cultivando o bem, com a valorização dos semelhantes e a melhoria pessoal estaremos nos ajustando ao roteiro certo.

À partir daí vai deixar de ser João Batista quem prega, para ser o Cristo quem realiza! E até chegarmos aí vamos ter que passar pela inconformação, nosso próximo assunto.

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