1 de nov de 2012

Cap 29 - João Batista (2ª edição) - Parte 2


PREGAÇÃO

“1E, NAQUELES DIAS, APARECEU JOÃO BATISTA PREGANDO NO DESERTO DA JUDÉIA, 2E DIZENDO: ARREPENDEI-VOS, PORQUE É CHEGADO O REINO DOS CÉUS. PORQUE ESTE É O ANUNCIADO PELO PROFETA ISAÍAS, QUE DISSE: VÓS DO QUE CLAMA NO DESERTO: PREPARAI O CAMINHO DO SENHOR, ENDIREITAI AS SUAS VERÊDAS.” MATEUS 3:1-2

“E, naqueles dias, apareceu João Batista pregando no deserto da Judéia.” (Mateus 3:1). Bem, vamos lá. Quando ouvimos a expressão “naquele tempo” ou “naquela época” notamos que se trata de um momento específico que antecedeu alguma coisa. Trazida a boa nova para o momento atual, é o que acontece na passagem em questão, o advérbio de tempo “naqueles dias” define um momento peculiar, é uma circunstância de tempo que antecede algo, mais especificamente antecede um estado de mudança. Porque João Batista surge com essa finalidade, vem propor um estado de mudança, e tanto vem propor que ele vem pregar, e pregar apenas para aquele que se encontra no deserto da intimidade.

João Batista prega. A bem da verdade, ele não realiza nada. Sem querer menosprezá-lo, porque ele é importantíssimo demais nos dias atuais, mas quem realiza é o Cristo, que vem após ele. João Batista apenas prega e batiza, nada mais.

E pregação consiste em chamamento, é um convite para que implantemos um sistema novo de comportamento com vistas a sentirmos Jesus no coração. Isto tem que ficar bem claro. Ele prepara o caminho para a mensagem de libertação e vamos encontrá-lo em nós na sua gloriosa tarefa de preparação do caminho à verdade, precedendo o trabalho divino do amor que o mundo conhece no Cristo. Está percebendo? João Batista trabalha o campo mental da individualidade, aponta o caminho do amor, desprende o ser de Moisés e se sente identificado com o amor, todavia, se bobear volta a reciclar experiências de justiça.

Ele continua pregando incansavelmente até os dias de hoje, só que diante de paisagens as mais diversificadas, e nem sempre felizes, essa voz que se exterioriza de nossa intimidade é o sinal inconfundível do que se passa dentro de nós.

Por isso essa voz nem sempre é branda, doce, mas imperiosa. Chega a ser um clamor, um grito íntimo que objetiva a adoção de atitudes firmes e inadiáveis para o alcance da própria libertação. Assim, visitando nossa intimidade nos dias de hoje, João Batista nos elege precursores em luta íntima pela qual somos convocados ao trabalho de reeducação. Culminando a presença despertadora da lei, é a transitoriedade que antecede a expressão crística em nossa vida. Trabalhando a chegada de Jesus ele aparece e nos convida ao preparo do caminho, porque precisamos compreender que passar de justiça para amor é um dos maiores desafios que visitam as criaturas em todos os tempos.

“Vós do que clama no deserto; preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas”. (Mateus 3:2) Observe que se trata de veredas, no plural. Resultantes de nossas escolhas, são caminhos estreitos, atalhos pelos quais adentramos ao longo das existências, acalentados por tendências imediatistas a exigirem retificação. Logo, a exortação do precursor se mantém atual, permanece no ar convocando os homens de boa vontade à regeneração das estradas comuns. Porque não dá para ser diferente, para que alguém sinta a influência santificadora do Cristo é preciso retificar a estrada em que se tem vivido, é imperioso refazer o campo destruído e plantar novas sementeiras de esperança e paz.

Se as veredas são incontáveis, por outro lado caminho é no singular. Aliás, caminho também não é um só. Passamos muito tempo de nossos dias inquietos, à procura de outros caminhos, mas caminho seguro mesmo é por meio daquele que veio nos trazer vida em abundância. Para nossa felicidade não existe caminho diferente daquele que Jesus nos traçou com a sua própria vida.

Depois de bater muito com a cabeça na parede até os indivíduos teimosos acabam por se convencer que o roteiro terreno continua sendo da manjedoura ao calvário, o resto é atalho e pura perda de tempo. O reino de Deus é obra divina no coração dos homens, que tem que ser fundado no âmago das criaturas.

E é “caminho, preparai.” Um imperativo para que deixemos as ilusões e estruturemos uma nova vida nas molduras do amor. Ao afirmar ser ele o caminho Jesus aponta caminhos e diretrizes. Define o padrão, e quando ele indica o caminho a gente prepara. Ele indica e a gente segue, ele sugere e a gente faz.

Mas não basta ficarmos preparando o caminho, indefinidamente, porque caminho se faz trilhando. Ele vai passar a ser sedimentado, efetivado, à medida que passamos a operar em conformidade com as verdades assimiladas. Voltando-nos aos interesses espirituais, cultivando o bem, com a valorização dos semelhantes e a melhoria pessoal estaremos nos ajustando ao roteiro certo.

À partir daí vai deixar de ser João Batista quem prega, para ser o Cristo quem realiza! E até chegarmos aí vamos ter que passar pela inconformação, nosso próximo assunto.

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