5 de nov de 2012

Cap 29 - João Batista (2ª edição) - Parte 3


O INCONFORMADO DENTRO DE NÓS

“E, NAQUELES DIAS, APARECEU JOÃO BATISTA PREGANDO NO DESERTO DA JUDÉIA,” MATEUS 3:1

“E NÃO SEDE CONFORMADOS COM ESTE MUNDO, MAS SEDE TRANSFORMADOS PELA RENOVAÇÃO DO VOSSO ENTENDIMENTO, PARA QUE EXPERIMENTEIS QUAL SEJA A BOA, AGRADÁVEL, E PERFEITA VONTADE DE DEUS.” ROMANOS 12:2

“E ESTE JOÃO TINHA AS SUAS VESTES DE PELOS DE CAMELO, E UM CINTO DE COURO EM TORNO DE SEUS LOMBOS; E ALIMENTAVA-SE DE GAFANHOTOS E DE MEL SILVESTRE.” MATEUS 3:4

“É NECESSÁRIO QUE ELE CRESÇA E QUE EU DIMINUA.” JOÃO 3:30  

Se você já assistiu algum filme sobre a vida de Jesus, ou pelo menos o início dele, com certeza já deve ter notado que João Batista é aquele personagem austero, maneiras relativamente rudes, pouca conversa, severo, inconformado. Sem medo nenhum de errar podemos afirmar que ele é esse inconformado que clama dentro da gente.

Porque no fundo nós estamos inconformados com o sistema de vida que estamos levando. Por isso estamos aqui. A inconformação significa a falta de conformação ou resignação, é a não aceitação de um estado, circunstância ou situação, denota contrariedade. Ela é necessária e representa fator positivo e impulsionador para o nosso crescimento. Chega para nos falar de uma dificuldade e tem a finalidade de nos projetar para novas bases, novos patamares.

Porque existe uma inconformação íntima que dita a mudança. Não se assuste, mas a vida é para os inconformados, pelo menos a melhor parte dela. Não há como alguém manter um sorriso de satisfação em cima de uma coisa que está estagnada, e todo aquele que se encontra satisfeito está estagnado na evolução. É uma grande verdade. Assim, o evangelho está chegando para quem já está saturado, para aquela criatura que se encontra acentuadamente cansada de palmilhar territórios que estão perfeitamente superáveis pela sua individualidade.

A inconformação é fundamental, sem ela não existe crescimento, mas o que tem que ficar claro é que ela tem que fazer o seu papel no mecanismo do progresso, que é despertar a nossa disposição, e pronto. Entendeu? Ela não pode tomar conta da nossa estrutura íntima, não pode mandar no nosso eu. Passamos por ela e avançamos. Não podemos nos estancar nela. É por isto que é preciso cuidado para que as posições transitórias não paralisem os voos da alma.

É imprescindível saber a distinção entre uma inconformação que tem um sentido bastante sutil, e que apresenta por sua vez um plano substancialmente positivo, e uma inconformação que apresenta uma revolta ou resistência. Lembre-se, inconformação é diferente de estar debaixo de um plano de rebeldia.

A inconformação, quando apresenta sentido positivo, se dá de forma bastante sutil. Agora, aquela inconformação complicada, como sinônimo de rebeldia, é um tremendo desastre para o indivíduo. Aliás, grande parte dos desajustes de ordem psicológica, daquelas doenças catalogadas ao nível das chamadas psicopatias, são decorrentes de uma inconformação embutida. Já pensou nisso?

O elemento não pode fazer aquilo que queria, deter aquilo que desejava, operar com aquilo que gostaria. Olha para ele e não se percebe nada. Ele até pode, no plano ético social, não manifestar nada negativamente. Exteriormente está uma beleza, ele aparenta estar perfeitamente conformado com a sua realidade, todavia, lá na intimidade pode haver um componente fortíssimo chamado inconformação de profundidade. É por isto, meu amigo, minha amiga, que precisamos abrir nosso coração. Operar com tranquilidade os recursos de que dispomos e tentar desbloquear essas tomadas difíceis, negativas, saber o que podemos e o que não podemos ainda, saber o que nos é lícito, o que podemos operar, bem como o que é conveniente e o que não é bom para nós.

Temos que aprender a desativar a inconformação que às vezes mantemos, acabar com as ondas que estão revoltando o terreno ambiente e nos colocando em situações ainda mais tempestuosas. A grande virtude nossa vai crescendo na medida em que vamos detendo os instrumentos, os recursos, no entanto sabendo onde podemos chegar e onde não devemos chegar. Isso significa maturidade.

João Batista aparece no deserto. Unicamente neste ambiente. Conseguiu captar? Como ele é o inconformado que vem nos propor mudança não existe razão para surgir em outro lugar. Conclusão: ele não aparece para quem está na praia do reconforto e da satisfação. Aquele que não se acha no deserto da intimidade não se sente identificado com o chamamento e a inquietude manifestada por ele.

E nós também não temos que nos preocupar com o seu nascimento em nós, até muito pelo contrário. O que significa ele aparecer? Quer dizer que ele se evidencia e surge quando nos reconhecemos no deserto, que o identificamos quando ele já se faz presente em nossa vida íntima. Em outras palavras, ele surge espontaneamente, originado por um estado nosso de indignação ou abandono e a sua finalidade resume em pregação e batismo, a sua mensagem é um convite para implantarmos um sistema novo de vida. É por isso que ele tem um cinto nos rins. O cinto vem definir um componente de sustentação, de segurança. Rins é referência à capacidade seletiva, ou seja, faz um papel de filtragem, de seleção de valores novos para um porvir melhor, mudança que não pode ser feita com a cara fechada, semblante amarrado, mas com a doçura do mel.

O evangelho tem ensinado que os nossos ideais precisam ser administrados dentro do conhecimento abrangente da lei divina. Temos aprendido com ele que tudo o que almejamos acabamos por conquistar ao longo do tempo, seja este menor ou maior, dependendo do grau de intensificação que investimos na proposta que queremos atingir. 

“É necessário que ele cresça e que eu diminua” (João 3:30) é grande ensinamento. Aponta que não temos que nos preocupar com o nascimento de João Batista dentro da gente, até pelo contrário, precisamos substituir a sua presença pela capacidade nossa de realização crística. Porque tem que diminuir dentro de cada um de nós a inconformação para crescer o trabalho em conformidade aos preceitos daquele amigo maior que nos ensinou o código máximo do amor. Este, sim, temos que fazê-lo nascer conscientemente dentro da gente.

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