11 de nov de 2012

Cap 29 - João Batista (2ª edição) - Parte 5


REMORSO

“1E, NAQUELES DIAS, APARECEU JOÃO BATISTA PREGANDO NO DESERTO DA JUDÉIA, 2E DIZENDO: ARREPENDEI-VOS, PORQUE É CHEGADO O REINO DOS CÉUS. 3PORQUE ESTE É O ANUNCIADO PELO PROFETA ISAÍAS, QUE DISSE: VÓS DO QUE CLAMA NO DESERTO: PREPARAI O CAMINHO DO SENHOR, ENDIREITAI AS SUAS VERÊDAS.” MATEUS 3:1-3

A consciência é a faculdade que o espírito possui e pela qual é capaz de refletir sobre si mesmo acerca da luz da justiça divina. Sem dúvida, cada um traz consigo o seu juiz.

E por princípio de direito cósmico universal arquivamos em nós mesmos as raízes do mal que acalentamos no tempo como tumores de energias profundas no imo da alma, para extirpá-las à custa de esforço próprio, em companhia dos que se nos afinem à faixa de culpa. Isso ocorre porque qualquer sombra de nossa consciência mantém-se impressa em nossa vida até que a mácula seja lavada por nós mesmos, mediante o suor do trabalho o pranto amargo da expiação.

Criatura humana alguma foge à lei nem à consciência de si mesmo, pois que Deus aí escreveu os seus soberanos códigos. Logo, após a falta cometida, cedo ou tarde dá-se um processo que se inicia com o remorso, que prepara e antecede o arrependimento, que por sua vez é a energia ou força anterior à reparação. De modo que essa linha natural de remorso, arrependimento e reparação é proposta e sequência de fatos que determinam a projeção nossa para novas escalas, onde remorso e arrependimento são etapas iniciais da obra de redenção.

E tanto nos círculos carnais como nos espirituais a paisagem real do espírito é a do campo interior, e cada qual vive de fato com as criações mais íntimas de sua alma.

A morte, naquela acepção definitiva de que morreu, acabou, não existe e os infratores, no corpo físico ou fora dele, estão algemados às consequências das suas ações. E mesmo com a possibilidade de poder ausentar-se da paisagem do crime, o pensamento do infrator se mantém preso ao ambiente e à própria substância da falta cometida. Você conhece aquela velha expressão policial, de que o “criminoso sempre volta ao local do crime?” Pois, é. A gente não tem como fugir da gente. A gente pode fugir dos ambientes físicos, mas da gente mesmo não tem como. Ninguém foge da consciência culpada e os irmãos sofredores trazem consigo, individualmente, o estigma dos erros deliberados a que se entregaram.

A consciência culpada não esquece e toda dívida tem sempre os fantasmas da cobrança.

O criminoso, por mais que possa tentar, nunca consegue fugir da justiça universal, uma vez que carrega o crime cometido em qualquer parte. E a consciência pessoal não libera culpado algum sem a conveniente regularização do delito.

Não raras vezes, o doloroso inferno íntimo vivenciado é a aflitiva condenação, e a culpa somente desaparece quando se liberta aqueles que lhe sofreram o mal.

O remorso, como sendo aquele aspecto inicial da trilogia da redenção, consiste na inquietação da consciência pela culpa ou crime cometido, em torno da qual a onda vida e contínua do pensamento passa a enovelar-se em circuito fechado sobre si mesma, aprisionando o campo mental às faixas inferiores da retaguarda.

É como se fosse um disco de música arranhado, que não consegue avançar adiante e fica aprisionado àquela mesma repetição. A bem da verdade, para ser mais conciso, remorso funciona exatamente como uma prisão sem grades edificada pela culpa.

Trata-se de uma posição puramente mental, sem maiores ressonâncias. Choque espiritual em características profundas, e intervalo embaraçoso para a instauração da luz, é um estado estático, em que a criatura se mantém em circuito fechado.

Por ser uma prisão, embora sem muros e grades, a criatura não consegue fugir e ficar centrado nele apenas complica a dificuldade. Ele não é à toa, claro, e tem uma finalidade. É força ou energia que prepara para o arrependimento, porque o estacionamento não resolve problema algum, tampouco a fuga estimulada pelo remorso auxilia quem quer que seja na solução das dívidas. Enquanto o remorso significa a constatação da queda, o arrependimento já aponta a visualização do reerguimento. Ao cair em remorso a individualidade começa a laborar um processo de arrependimento que é, por sua vez, a energia que antecede o esforço regenerador. Quem cria a complicação tem por si mesmo que descomplicar. É necessário que o agente assimile ideias novas com as quais passe a trabalhar, ainda que vagarosamente, melhorando a sua visão interior e estruturando novo destino. Porque a renovação mental é a renovação da vida e não existe regeneração de fora sem a regeneração de dentro.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...