16 de nov de 2012

Cap 29 - João Batista (2ª edição) - Parte 6


ARREPENDIMENTO

“21E DEI-LHE TEMPO PARA QUE SE ARREPENDESSE DA SUA PROSTITUIÇÃO; E NÃO SE ARREPENDEU. 22EIS QUE A POREI NUMA CAMA, E SOBRE OS QUE ADULTERAM COM ELA VIRÁ GRANDE TRIBULAÇÃO, SE NÃO SE ARREPENDEREM DAS SUAS OBRAS.” APOCALIPSE 2:21-22 

“42E DISSE A JESUS: SENHOR, LEMBRA-TE DE MIM, QUANDO ENTRARES NO TEU REINO. 43E DISSE-LHE JESUS: EM VERDADE TE DIGO QUE HOJE ESTARÁS COMIGO NO PARAÍSO.” LUCAS 23:42-43

A lei sabemos que precisa manter o equilíbrio do universo e ela não tem que esperar a criatura cair na real para poder liquidar a fatura, pagar o que deve em relação às dívidas contraídas. Pois se fosse depender disso estiolaria a marcha do universo. 

Onde queremos chegar? Que o arrependimento é o processo inicial do crescimento.

Diante de um fracasso há sempre um recomeço e o arrepender nos indica uma dinâmica natural do crescimento. Surge cedo ou tarde àquele que fez o que não devia ou andou por caminhos pouco aconselháveis, sem o qual não existe reparação consciente e muito menos necessidade de mudança. Define um estado para além do remorso e pouco aquém da obra de ressarcimento, resgate ou reparação. Então, o recado que aprendemos é que se não nos dispusermos a avocar o arrependimento para caminhar, ainda com dores, com tribulações e dificuldades, não avançamos e podemos entrar em complicações maiores.

O arrepender-se significa o que para nós? Quando começamos a idealizar a opção de correção, de mudança de postura, buscando encontrar a humildade, tentando sentir nossa carência, vamos notar que podemos ainda estar relativamente incapacitados a operar, meio refratários ao trabalho, permanecemos ainda selecionando padrões e presos a uma série de coisas, e o que ocorre atrás disso tudo? Nós ficamos tentando acertar, desejamos acertar, encontrar aquela linha de crescimento, aquela trilha que realmente possa nos auxiliar convenientemente, e para tanto é preciso ter essa presença do arrependimento.

Esse arrepender-se é no sentido de preparação de uma nova linha de ajustes. Afinal, não queremos com ele sair da fria em que a gente entrou? Sempre há a recuperação do pecador que se arrepende e ninguém progride sem renovar-se. Sem que nos retifiquemos não corrigiremos o roteiro em que marchamos. Para se abreviar o tormento que flagela de mil modos a consciência, quando nas grades da expiação, é imprescindível atender à renovação mental, único meio de recuperação da harmonia do ser.

Pelo arrependimento é como se a individualidade reconhecesse que ela se curva diante da lei de Deus e se projeta para frente, aí entra no campo da humildade.

Mais do que o remorso, o arrepender-se aponta um processo de crescimento consciente. Tanto é que ele, no seu sentido fechado, puramente de quitação, corresponde à primeira milha que você oferece ou o vestido que entrega no pagamento do seu débito. No aspecto de projeção evolucional do ser ele envolve muita coisa.

O arrependimento, como energia que precede o esforço regenerador, implica em elasticidade, em visualização. Por ele já se trabalha a preparação do caminho para o saneamento do erro, você passa a nutrir um processo de recomposição do destino relativamente ao que tem feito até agora. Está entendendo? O arrependimento traz uma vibração diferente dentro de si, e aquele que se arrepende já se preocupa em como vai reparar aquilo dentro da lei. Por isso, quando o arrependimento emerge sob as bases do remorso nós damos um grande passo, já estamos a um passo da reparação da falta cometida.

O arrependimento é uma sensibilização em que observamos que o que fizemos, ou estamos fazendo, não é compatível com a nova linha de consciência. Através dele surge um conflito íntimo em que a pessoa percebe que não pode mais sequenciar aquilo, e o que vinha descendo e caindo de erro em erro para e deixa de se comprometer para iniciar retorno pela mudança das próprias ações.

Agora, uma coisa é extremamente importante saber. Arrepender não quer dizer que nós estamos cheio de erros, que estamos castigando os outros, que estamos magoando e perseguindo os outros. Arrepender significa a identificação de valores que nós precisamos desvincular deles porque não nos atendem mais, e cuja saída proporciona saneamento ao coração. Lembrando que a nossa inatividade no campo do bem também pode gerar um processo de arrependimento.

É por essa razão que alguém sofre porque fez algo a outrem, e outro alguém sofre porque deixou de fazer. Não tem isso? Não acontece conosco? Todos nós já vivemos situações assim. De maneira sutil dá-se um peso de consciência por não termos operado naquilo que podíamos. Muito do nosso erro agora está emergindo não por invigilância em praticar o mal, mas por indiferença em realizar o bem.

O arrependimento define uma mudança de atitude, de procedimento. Porque nós ainda ficamos naquela posição, visualizamos uma outra linha de ideal, todavia, ainda mantemos uma saudade muito grande daquilo que a gente fazia.

Esse arrepender tem um sentido didático. Quer dizer que determinadas coisas podem atender milhões de pessoas, mas não atendem você mais. Quer mostrar que o novo fator de vida que se abriu é mais importante do que o antigo que nós cultivávamos. É o mesmo que voltar atrás em relação a um compromisso assumido e indica a implantação de medidas saneadoras de reparação.

Então, existe uma proposta embutida dentro do arrepender de uma posição nova no contexto e ele representa a modificação na intimidade para uma nova base de ação. Resultado: feliz daquele que cai no arrependimento e reconhece que deve, e mais, que se empenha em liquidar a fatura em um esforço para melhorar a sua vida.

O bonito, quando entendemos, é que a própria queda, a falha que venhamos a cometer, tem essa acepção intrínseca de projetar o ser ao trabalho. Mas o arrependimento é uma forma de sentir e ele por si só não basta. Não basta o sentimento, mas as obras. Para o espírito culpado ou falido se reabilitar não basta o arrependimento, que é o primeiro passo a dar, é necessária a reparação. É preciso trabalhar com o arrependimento nas linhas da reparação, uma ação que regulariza o erro e ajuda aos prejudicados. Se você arrependeu, tem que nutrir um processo de recomposição do destino relativamente ao que tem feito até agora.

Na passagem do bom ladrão, por sua vez, ainda estar com ele hoje no paraíso, dito por Jesus, é referência ao paraíso conceitual. Define a abertura a uma criatura, quando do desabafo dela, em que se lhe tira peso do problema com uma perspectiva nova, como se entregasse o mapa àquele que se encontra perdido na selva, embora para o religioso místico ele já partiu direto com Jesus, um ao lado do outro, para as alturas, o que seria uma condição totalmente fora de uma lógica que marca o texto evolucional. Afinal, a oportunidade de resgatar a culpa já é em si mesma um ato da misericórdia divina.

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