21 de nov de 2012

Cap 29 - João Batista (2ª edição) - Parte 7


FRUTOS DIGNOS

“PRODUZI, POIS, FRUTOS DIGNOS DE ARREPENDIMENTO;” MATEUS 3:8

Se o estacionamento não resolve problema e tampouco a fuga estimulada pelo remorso auxilia na solução de dívidas, o espírito preso no remorso não consegue avançar enquanto não quitar seus débitos com a própria consciência. Sem isso não encontrará caminho que lhe permita livre acesso a novas conquistas.

Analise comigo, o remorso gera arrependimento e arrependermo-nos de qualquer gesto maligno é um dever. Ótimo, tudo bem, até aí a gente sabe. Agora, o grande detalhe é que o arrependimento por si só não basta e pranteá-lo indefinidamente é roubar tempo ao serviço de retificação. Arrepender é uma forma de sentir e não podemos ficar apenas nos sentimentos.

Por quê? É muito fácil, o que o evangelho nos ensina? Que a cada um será dado conforme suas obras, e não conforme os livros que leu, as ideias e projetos que teve, as emoções que nutriu. Logo, se somos prisioneiros da culpa somos também operários de nossa libertação, recebendo conforme as nossas obras.

O desespero vale por demência a que as almas se atiram nas explosões de incontinência e revolta e de forma alguma servem como pagamento nos tribunais divinos. Não é razoável que o devedor solucione com gritos e impropérios os compromissos que contraiu mobilizando a própria vontade. É preciso usar expediente para beneficiar-se começando a reparação das faltas cometidas, pois expiar em trevas íntimas não é suficiente para a recomposição da paz.

Se João Batista lembra a condição de precursor, no campo íntimo o processo se repete: erro, remorso, arrependimento e as providências retificadoras, até o Cristo, enfim, na consciência redimida. Após o arrependimento é necessário o encaminhamento da reparação, afinal é indispensável uma ação que regulariza o erro e ajuda aos prejudicados. Após o conhecimento bater à porta é reorganizar-se interiormente e reprogramar a vida. Estabelecido o nódulo de forças mentais desequilibradas é imperioso que acontecimentos reparadores nos contraponham ao modo enfermiço de ser para nos sentirmos desonerados desse ou daquele fardo íntimo ou redimidos perante a lei. Temos que acionar o arrependimento a fim de repararmos os erros cometidos, retificando-os em caracteres vivos, transformar o remorso em propósito de regeneração, porque as notas promissórias que aqui contraímos, no plano físico, pagamos aqui mesmo.

Não tenha dúvida disto. Reparação é redirecionamento do próprio destino em nova base e é indispensável romper as alianças da queda e assinar pacto da redenção.

Se as vítimas de nossas ações pretéritas menos felizes já se encontram em posição bem melhor do que a nossa é hora de socorrermos outros, não diretamente vinculados a nós, mas incursos em necessidades análogas a serem supridas.

E "produzi, pois, frutos dignos de arrependimento." (Mateus 3:8) O que é o fruto? Já pensou nisso? Fruto é o resultado, a realidade da nossa vida hoje. Muitas criaturas se direcionam para as religiões, para as igrejas, para os núcleos espirituais, para resolverem os problemas dos frutos. De fato, os frutos trazem a gente aqui, ao evangelho: problemas de família, doenças, dificuldades financeiras, entre outros. Só que não há como a gente mudar o fruto.

Tem jeito? É possível? Será que dá para fazer um pé de laranja que produz laranjas ácidas passar a dar laranjas doces? O que você acha? Não dá. Não há como enxertar laranjas doces em um pé de laranjas ácidas. Percebeu a questão? É impossível extirpar no campo cármico. O assunto do nosso capítulo não é causa e efeito, todavia, o que o evangelho oferece para casos em que a produção está ácida e difícil, em que o fruto está muito amargo, é fornecer-nos material terapêutico de alívio, material informativo de administração da dificuldade.

Nós estamos aprendendo o evangelho para melhorarmos a caminhada. Se agora encontramos nosso ontem, nosso hoje será a luz ou a treva do amanhã e a atitude adequada no presente é terapêutica de eficiência para futuros resultados.

Se não basta o arrependimento em circuito fechado que cheira a remorso, mas que induz ao trabalho regenerador, temos que trabalhá-lo nas linhas da renovação, porque a única forma real de sair desse arrependimento que incomoda é apresentando frutos. Assim, o que importa de verdade são as realizações presentes para o futuro, trabalhar sem a preocupação de solucionar, favorecer o encaminhamento da solução que virá a seu tempo, porque às vezes a solução não é com a gente. Fruto digno de arrependimento é a entrada em um processo que este sugere. Já é a realização, resultante da adoção feita de novo sistema de vida. Gerando novas causas com o bem praticado hoje podemos interferir nas causas do mal de ontem, neutralizando-as e reconquistando equilíbrio. Por frutos dignos vamos nos caminhos daquele que é luz.

O evangelho não diz: Olha, vamos procurar frutos dignos, ou vamos achar frutos dignos. Não! É "produzi frutos dignos". É produzir, não é encontrar frutos prontos. E como se produz frutos? À partir de um processo de semeadura ou sementeira.

A chave para melhor efeito está na dignidade, porque semear todo mundo semeia pelas suas ações. Então, veja bem, se o fruto é a realidade nossa hoje, temos que trabalhar em cima da semente, não do fruto. Produzi frutos dignos é trabalho com semente. Semente consiste na vida mental que elegemos, é a elaboração de novos componentes germinativos, saber selecionar a proposta, aprender a cultivar e ser coerente e perseverante na proposta. Quando o Cristo fala que o semeador saiu a semear precisamos inicialmente sair sem sair do lugar. A primeira semeadura deve ser feita na intimidade, pois o fruto está diretamente relacionado à qualidade da semente, e se queremos melhorar a colheita melhoremos a semeadura, e para isso é fundamental redimensionarmos o que está dentro de nós. O evangelho nos ensina a administrarmos a colheita da sementeira de ontem e a semearmos em novo plano.

Se pela obra menos feliz complicamos nossa harmonia íntima, pela obra equilibrada, justa e cristã, recompomos nossa estrutura, projetando-nos em direção diferente de crescimento no campo consciente. Logo, em meio às produções menos felizes do nosso carma, busquemos jogar sementes em lugares ainda não semeados, desarmando o coração e adotando novos valores e conceituações.

Entre estas vão ter algumas que germinarão em curto prazo, outras em prazo médio, outras em um tempo mais distante e algumas em encarnações futuras, porque no mecanismo de plantar e colher temos sementes de produção rápida, de produção média, de produção longa e sementes de produção milenar. Se você anda triste, se sentindo só, descontente, sem perspectiva, se acha que a vida não está te dando nada em termos de alegria, dê alguma coisa à vida. Se a vida está te fazendo chorar sorria para ela. Saiba que assim você avoca nova linha de sintonia.

Porque a todo momento, no exercício da vontade, formamos novas causas e refazemos o destino, sabendo que é possível renová-lo a cada dia. Não se esqueça, para colhermos situações melhores temos que iniciar novos padrões de semeadura, razão pela qual João Batista continua pregando no nosso deserto.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...