27 de nov de 2012

Cap 29 - João Batista (2ª edição) - Parte 8 (Final)


OS BATISMOS

“E ERAM POR ELE BATIZADOS NO RIO JORDÃO, CONFESSANDO OS SEUS PECADOS.” MATEUS 3:6  

“E EU, EM VERDADE, VOS BATIZO COM ÁGUA, PARA O ARREPENDIMENTO; MAS AQUELE QUE VEM APÓS MIM É MAIS PODEROSO DO QUE EU; CUJAS ALPARCAS NÃO SOU DIGNO DE LEVAR; ELE VOS BATIZARÁ COM O ESPÍRITO SANTO, E COM FOGO.” MATEUS 3:11

“E ELE LHES DISSE: VAMOS ÀS ALDEIAS VIZINHAS, PARA QUE EU ALI TAMBÉM PREGUE; PORQUE PARA ISSO VIM.” MARCOS 1:38

“E OS QUE OUVIRAM FORAM BATIZADOS EM NOME DO SENHOR JESUS.” ATOS 19:5 

A palavra batismo, do grego, quer dizer imersão, mergulho. Antigamente, na igreja católica, visava apagar o "pecado original" que atingia toda a humanidade, por causa de Adão e Eva. Mas parece estranho, no ensino católico cada pessoa que nasce não é uma alma nova recém-criada por Deus? Esse sacramento é tido como um sinal sagrado da salvação oferecida por Jesus, no qual a imersão com água significa o renascer espiritual, com a purificação de todas as culpas e pecado.

Ora, como o "pecado" teria passado de pai para filho? E que justiça divina é essa para fazer uma alma pagar pelo erro de alguém que ela nem conheceu? Ou responder por um erro que não ajudou a cometer? Mas o que nos interessa é que o costume de batizar não tem sua primeira origem no cristianismo, pois nos relatos de diferentes seitas da antiguidade existem referências a banhos purificadores, aspersões e imersões, que preparavam os crentes para o culto às suas divindades. João Batista foi quem deu início à prática do batismo entre os judeus de modo popular.

A água, no plano concreto, denso, físico, é componente essencial gerador da vida. Tem sentido germinativo e sem ela não haveria manifestação biológica no planeta. Em seu aspecto essencial representa o berço onde vai ser gestada toda proposta nossa. Importante compreender que a reencarnação sempre se principia com um mergulho efetuado pelo espírito nos líquidos intra-uterinos da mãe.

Sempre é assim. É a imersão do ser nas faixas físicas onde a água é o elemento preponderante, para sequenciar sua evolução em um equipamento corporal que apresenta em sua estrutura percentual superior a sessenta por cento à base de água. Interessante? Pois então. Sem entrarmos em outro terreno, que não vem ao caso, no aspecto espiritual o mar está relacionado às questões reencarnatórias. Quando o evangelista João, no início do apocalipse, visualiza o mensageiro divino e ao descrevê-lo diz que a sua voz era como "a voz de muitas águas" (Apocalipse 1:15) vamos notar que a expressão define o somatório dos padrões por ele veiculados verbalmente, uma conquista feita no tempo.

"Muitas águas" a indicar que tratava-se de autoridade conquistada ao longo de amplas experiências passadas. Sugere condições de canalização e alcance múltiplo, diversificação capaz de atingir a todos indistintamente, alcance geral a todas as camadas.

O batismo de água era uma prática simbólica. Testemunho público de arrependimento seguido do propósito de corrigir-se, lavar os pecados. A água não lava o corpo? Por linha de analogia entendemos lavar também o espírito dos seus erros. De forma que o mergulho na água tem esse sentido de limpeza e o espírito parte para a reencarnação com igual propósito de purificar-se, de saneamento, desoneração do pretérito. Batismo de água tinha o significado espiritual da necessidade de arrependimento e o desejo concomitante de renovação.

É por isso que não adiantava o batismo em quem não estivesse realmente arrependido. No batismo de João Batista é como se ocorresse a assepsia no sentido de trabalhar o campo mental do indivíduo para ele poder entrar em terreno novo, uma tentativa de fazer limpeza para promover o tratamento. Espero não complicar, mas é o primeiro lance para o surgimento do filho do homem, todavia, esse batismo faz alusão ao filho de mulher, pela reencarnação do ser.

O batismo realizado por João Batista, àquela época, constituía-se de ato revestido de simbolismo. Simbolizava a reencarnação (nascer da água) ao passo que o de Jesus representa a renovação (nascer do espírito). João expressava, com o batismo pela água, o papel renovador da reencarnação. Ele estava apontando Jesus e objetivava simplificar o mecanismo reencarnatório, como se dissesse: - Olha, ao invés de você desencarnar, ir para o plano espiritual e lá arrepender dos erros que cometeu. Depois mergulhar no líquido amniótico, na placenta, nascer de novo no plano físico pela água, porque você, em vem de esperar morrer para depois arrepender-se e, em seguida, voltar a mergulhar no líquido intra-uterino para modificar-se não arrepende aqui, mergulha nesta água agora e reinicia já um processo de crescimento em novas bases?

Percebeu? Propunha verdadeira reencarnação dentro para própria encarnação. Uma espécie de alerta e convite: - Gente, eu estou aqui fazendo assim para vocês entenderem qual é a tarefa de Jesus Cristo que vem por aí. Porque não vai ter essa água toda daqui para frente. A evolução vai deixar de ser tanto pela reencarnação, no campo sistemático, para ser levada a efeito mediante a renovação, pelo nascer do espírito. Portanto, amigos, não vamos esperar a morte para nos arrependermos e retornarmos à reencarnação. Mensagem semelhante era a de Jesus que dizia "reconcilia-te com teu adversário enquanto caminhas com ele". Não é difícil entender o chamamento de João para a transformação moral, estando a criatura em pleno desenvolvimento de sua vida no plano físico.

O sacerdócio criou com isso cerimoniais e sacramentos. Existem batismos de recém-nascidos na igreja católica, ao passo que em centros evangélicos existe o batismo de pessoas adultas. Mas temos que analisar o assunto com muita tranquilidade, usando a ascendência da lógica. O batismo na água não simboliza a mudança de postura do ser? Daí concluímos que a renovação espiritual não se verificará tão somente com o fato de se aplicar mais ou menos água nessa ou naquela idade física do candidato a mudar. Não é verdade?

Determinadas cerimônias materiais assim eram bastante compreensíveis nas épocas recuadas em que foram empregadas, pois sabemos que o curso primário, na instrução infantil, necessita da colaboração de figuras para que a memória da criança atravesse os umbrais do conhecimento, mas esse procedimento de sabor religioso é totalmente dispensável nos dias atuais. Podemos perfeitamente mudar sem ele. O evangelho, nas suas luzes ocultas, faz imensa claridade sobre a questão do batismo. "E ele lhes disse: vamos às aldeias vizinhas para que eu ali também pregue; porque para isso vim". (Marcos 1:38) O mestre incluía no ato de pregar todos os gestos sacrificiais de sua vida.

Por pregação ele entendia igualmente os sacrifícios da vida, porque não basta saber, é imprescindível aplicar de maneira útil o conhecimento. Jesus ministrou palavras e testemunhos vivos, desde a primeira manifestação de seu apostolado sublime até a cruz. Sem dúvida, o evangelho, nas suas luzes ocultas, faz uma imensa claridade sobre a questão do batismo. "Os que ouviram foram batizados em nome do Senhor Jesus." (Atos 19:5) Aí reside toda a verdade sublime. A bendita renovação da alma pertence àqueles espíritos que ouviram os ensinamentos do mestre divino, exercitando-lhes a prática.

E enquanto o batismo de João Batista simbolizava a reencarnação, pela água e arrependimento, o anunciado por Jesus é a reparação, mudanças pessoais, renovação, que se dá com o espírito santo e o fogo. Pois sabemos que apenas a reencarnação não basta. O batismo no espírito santo define aquele conjunto informativo de valores explicitados pelos mensageiros da verdade, as entidades superiores, a se estenderem sobre nós como dispositivo da misericórdia divina. O batismo pelo fogo sugere a luta para renovar-se. É a correção de conduta, reparação dos males praticados, o testemunho dos novos propósitos.

O fogo é renovação, tem o poder de mudar o estado das coisas, é componente forjador, que sedimenta, que tem a capacidade de solidificação por abrasamento de sacrifício e testemunhos amplos. São as provas e as expiações a que estamos sujeito dentro do processo natural de evolução, sem contar que também tem sentido de luz, papel iluminativo, fator gerador de claridade. E fornalha fala do trâmite nosso através de muitos e muitos ambientes e por muitos séculos.

Se o batismo de fogo é símbolo da dor que purifica os costumes, abate o orgulho e apura os sentimentos, o batismo do espírito santo se faz com a influência do céu. Jesus disse, conforme Lucas, que veio lançar fogo na terra e nada mais queria se já estava aceso. Isso é acertar os componentes de depuração, instrumentos reparadores. É enfrentar a luta para redirecionamento com vistas a novas posições, pois o fogo é renovação. O aceso já foi vivido lá atrás por muitos de nós, e faz tempo, quando aceitamos Jesus. Agora o desafio é outro, acender na capacidade operacional por parte daquele que apenas elegeu o ideal, mas não elegeu o ideal a nível concreto de ação.

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