31 de dez de 2012

Cap 31 - A Felicidade e a Espada (2ª edição) - Parte 2


FELICIDADE É AGORA

“REGOZIJAI-VOS SEMPRE. ORAI SEM CESSAR. EM TUDO DAI GRAÇAS, PORQUE ESTA É A VONTADE DE DEUS EM CRISTO JESUS PARA CONVOSCO.” I TESSALONISSENCES 5:16-18  

“NÃO ESTEJAIS INQUIETOS POR COISA ALGUMA; ANTES AS VOSSAS PETIÇÕES SEJAM EM TUDO CONHECIDAS DIANTE DE DEUS PELA ORAÇÃO E SÚPLICA, COM AÇÃO DE GRAÇAS.” FILIPENSES 4:6

Aos nossos olhos o mundo está girando bem mais rápido do que no tempo dos nossos avós. O planeta evolui e a evolução está jogando no campo do reconforto tanta coisa para nós. Tantas tecnologias novas, tantas comodidades no plano do dia a dia, mas que com toda a sinceridade a gente não tem condição de usufruir cem por cento. Se prestarmos atenção direitinho não há um usufruto tranquilo disso. Aliás, quem está usufruindo mesmo é quem está desligado, apenas querendo curtir a vida, o que nem sempre é sinal de um usufruto adequado.

Os ponteiros dos relógios giram incansáveis e em toda parte encontramos pessoas caminhando cabisbaixas, entristecidas, curvadas, semblantes fechados. Tristes, agoniadas sem motivo, ou exaustas sem razão aparente, transitam nos consultórios médicos e recorrem a casas religiosas suplicando prodígios.

Isolam-se na inutilidade e choram de tédio. Surpresas, confessam desconhecer a causa dos males que as assoberbam. Alegam ser vítimas e clamam de forma infundada contra o meio em que vivem. E ao invés de situarem a mente no caminho natural da evolução, atiram-se aos despenhadeiros da margem.

Puxa vida. Que coisa, hein! Que a terra hospeda multidões de companheiros endividados tanto quanto nós mesmos somos, todos sabemos e não é novidade para ninguém. Ou é? Não há motivo algum para alarde. Tudo o que acontece no planeta é inevitável, apenas urge não darmos aos acontecimentos contrários à harmonia atenção alguma além da necessária. Como acontece com aquele indivíduo que consome alimento deteriorado, se enchemos o cérebro de preocupações descontroladas nos inclinamos de imediato ao desequilíbrio.

Quem elegeu o evangelho por roteiro tem a obrigação de andar no mundo, ainda conturbado e sofredor, sem gastar tempo e vida em questões supérfluas, prosseguindo firme na estrada de entendimento e serviço que o Senhor nos traçou.

O mundo evolui incessante e a multidão luta para vencer no mundo, e insistimos em nos manter situados nos métodos de felicidade relativa. No "eu venci o mundo", preceito já trabalhado por pequena massa de pessoas, Jesus aponta a necessidade de termos um ponto que define o roteiro da nossa vida, que acima de tudo é preciso vencer o mundo exterior à partir do nosso mundo íntimo.

A felicidade, em sua expressão máxima, é intangível e não ocupa espaço. Pense com carinho nisso. Ela decorre de um estado de alma e não de uma coisa. Substantivo abstrato, não pode nascer de posses efêmeras que se transferem de mão em mão e tampouco está em cofres que a ferrugem consome. Não estou aqui para desconsiderar a luta sadia pela conquista de valores tangíveis. Longe disso. Apenas precisamos ter em conta que um bem material pode fazer alguém feliz, mas é fato que a felicidade não está contida nele.

Digo isso para entendermos que não existe nenhuma proposta realizadora de felicidade sem uma proposta de interioridade do ser. É impossível ser feliz sem uma elaboração profunda na intimidade da alma, porque a verdadeira construção da felicidade só se fará com bases legítimas no espírito das criaturas. Nenhuma alegria ambiente será verdadeira em nós sem a implícita aprovação de nossa consciência. Sem o patrimônio dos nossos valores íntimos não conseguiremos vencer do ponto de vida da felicidade e da paz a que estamos sempre atentos em proclamar como sendo nossas necessidades primárias.

O evangelho espera de nós uma alegria legítima e ele não podia trazer os cenários do riso mascarado do mundo. Assim, as suas lições foram efetuadas nas paisagens da mais perfeita alegria espiritual. Importante é saber que o princípio gerador da alegria e da tristeza é a vida que levamos a nível mental e operacional. Os fatores externos simplesmente vem de encontro às nossas concepções mais íntimas. O resultado é simples: quanto mais céu no interior da alma, pela sublimação da vida, mais ampla a incursão da alma nos céus exteriores; mais luz dentro, menos trevas no plano exterior.

Existe uma enormidade de criaturas que vive quase que exclusivamente presas ao passado. Todos conhecemos pessoas assim. Parece que o tempo passou para elas e deixou marcas profundas na intimidade. Não estão dispostas a serem felizes hoje, aparentam ter perdido aquele brilho nos olhos, jogado a toalha para a realização de novos sonhos. A conversa quase sempre se volta para tempos remotos: "Eu já fui muito feliz em uma determinada época da minha vida. Você tinha que ver." E aí vai. "Depois que me aconteceu aquilo, depois que perdi aquela pessoa eu nunca mais tive alegria." É triste, mas existem muitas pessoas assim. São exemplos bem simples de pensamentos exteriorizados por um agrupamento de saudosistas, que por razões as mais diversas prendem-se às retaguardas da existência. Deixaram as esperanças nos pretéritos do caminho e perderam o foco no porvir. Para elas o presente representa em certos ângulos escombros do desmoronamento de valores que mantinham a segurança e a luz acesa. É chegada a hora de retificarem conceitos e reerguerem a chama do entusiasmo. Quem se liga apenas ao ontem se prende.

Outros insistem em manterem-se presos às linhas de ansiedade direcionadas ao futuro. Também não são felizes hoje. A felicidade para eles sempre depende de algo.

Para eles representa fim, quando deveria constituir-se em meio. Idealizam a felicidade como algo do amanhã, colocam-na como consequência, resultante da realização de certo objetivo ou a dissolução de algum problema: "Eu serei feliz quando passar no concurso, quando tiver meu carro zero, quando morar sozinho, quando mudar de emprego, quando comprar minha casa, quando conhecer meu grande amor, quando não sentir mais dores na coluna, quando ficar livre daquele problema." Em outras palavras, não são felizes hoje, serão felizes quando.

Se esquecem que a vida é dinâmica, que ao realizarmos um objetivo imediatamente traçamos novas metas e que após a solução de um problema outros chegam a exigir-nos atenção e providências. Quanto mais formalizamos a nossa alegria em uma pretensa conquista de bem estar lá na frente mais difícil fica a nossa caminhada, porque quem coloca a felicidade como destino não consegue ser feliz durante o percurso.

O tempo é uma corrente que flui dos eventos temporais percebidos pela consciência e para o homem surge como sucessão de eventos reconhecidos e diferenciados.

No entanto, à medida que o homem ascende e progride interiormente a visão amplificada dessa sucessão é tal que ele pode discerni-la cada vez mais na totalidade. Aquilo que anteriormente surgia como uma sequência de eventos passa a ser visto como um círculo inteiro e perfeitamente relacionado. O que eu estou querendo dizer é que os dois grupos a qual me referi agora, de passado e futuro, são de criaturas que não estão sabendo viver adequadamente o momento atual, pois vivem em patamares subjetivos. Prendendo-nos de forma rígida ao passado ou nos limitando às diretrizes do futuro não vivemos, pois viver é um ato do presente, só podemos viver o agora.

A gente precisa parar de sonhar com a felicidade em um plano beatífico ou etéreo para começar a vivê-la e senti-la agora. A felicidade tem que ser experimentada por nós. Só vamos ser felizes experimentando a felicidade. E mais do que isso, precisamos aprender a sair da vida relativa do agora para vivermos o eterno, aprender a viver o agora na moldura da eternidade. Na eliminação da esteira de espaço e tempo a pessoa vive o eterno, e vivemos o eterno quando acabamos com as aflições, quando sequenciamos sem comparações, sem dissensões, cada um fazendo o seu papel na pauta própria do que é capaz de operar.

A evolução prossegue e a perfeição só existe em Deus. E quando os espíritos superiores falam que ela só está em Deus, por mais perfeito que você possa vir a ser um dia, você está a caminho de Deus. Agora, não quer dizer que você só vai ser feliz quando estiver lá na ante-sala do criador, não quer dizer que vamos ser felizes somente quando chegarmos lá. Não é por aí. O universo seria um poço de inquietudes se esperássemos a felicidade somente lá na frente.

Temos falado aqui e vale a pena repetir: Para ser feliz ninguém precisa estar na ponta da jornada, no ápice da realização. Nós podemos ser felizes agora, harmonizando o coração com a paciência necessária. Eu não preciso estar lá nas alturas para ser feliz. Posso ser feliz agora. Ainda que essa felicidade não possa ser ampla em razão dos carmas que eu trago. Eu estou passando por trânsitos muito difíceis na vida, mas estou na certeza de que estou vivendo momentos difíceis em virtude das causas infelizes que semeei. Então, temos que aproveitar oportunidades. A criatura que está evoluindo conscientemente não perde esse entendimento de maneira nenhuma. Cada circunstância vivida é verdadeiro laboratório capaz de oferecer respostas das mais diversas para ele.

No fundo do coração todos nós alimentamos direitos e propostas, sonhos e esperanças. E temos no mínimo o direito de sermos felizes. Claro que devemos sonhar e investir no futuro, mas é imperioso encontrarmos a felicidade no agora, pois ela se formaliza no minuto em que vivemos. Quanto mais alguém esperar pela felicidade somente lá na frente mais difícil fica a sua caminhada.

A harmonia não depende de uma correria ou chegada mais rápida ao objetivo. Esse objetivo pode ser tranquilamente encontrado no agora, para isso basta um ajuste e coerência entre o que se sabe e o que se faz. Vamos trabalhar com carinho para a nossa felicidade hoje, podemos ser felizes agora, sem essa de ficarmos apavorado com o que virá. Levantemos os olhos e sigamos em frente começando hoje mesmo, afinal somos chamados a viver um só dia de cada vez sempre que o sol se levanta. Sem essa de comparações com os outros.

O fundamental é você saber se está bem no patamar em que se encontra, porque o estar ajustado já define uma criatura mais tranquila e também mais segura.

23 de dez de 2012

Cap 31 - A Felicidade e a Espada (2ª edição) - Parte 1


O MUNDO E AS ATRIBULAÇÕES

Em algum momento você já parou para pensar que apesar do enorme avanço tecnológico que nos envolve na atualidade, em todos os sentidos, e que tem por finalidade melhorar as condições de vida dos seres humanos, ainda somos visitados por situações que nos ocasionam certo desconforto na intimidade da alma?

Acho que todos já notamos isso, e observamos que por mais avançadas as conquistas da ciência, o chamamento do mundo, os valores que ele oferece, visam nos propiciar um reconforto no âmbito de fora para dentro, objetivam propor uma felicidade que chega de fora.

Eu me lembro que em certa ocasião, a um bom tempo atrás, convidado para falar sobre o evangelho em um núcleo espiritual, uma senhora que me precedeu nos estudos, muito simpática por sinal, começou dizendo na sua explanação: "Calamidades! Nós vivemos em um mundo de calamidades." Confesso a você que apesar de bem intencionada ela falou bobagem, falou o que não sabia.

Embora seja tendência natural de muitos abominarem o mundo a questão não é bem assim. Porque não podemos viver dissociados das contingências do mundo, para o qual Deus mandou seu filho unigênito não para o condenar, mas redimir.

Pare para analisar, precisamos do mundo. Sem ele não há material de trabalho, e precisamos dos valores que o mundo oferece para edificarmos nosso crescimento. Não temos como obter evolução efetiva distanciados dos valores tangíveis, não tem como a gente evoluir em um plano etéreo, servindo aos anjos, e por isso as obras, a nossa capacidade realizadora, não pode se realizar em cima de um plano subjetivo. Assim, não podemos mais ficar nessa de amaldiçoando o mundo que nos acolhe. Com trabalho, inteligência, sacrifício e persistência é no globo terrestre que edificamos as bases sólidas de nossa ventura.

O bem está presente em toda extensão universal. A própria dor, a própria enfermidade, os próprios desafios da vida, são componentes indutores da evolução do ser, seja no respaldo dos débitos perante a lei, seja na instauração de processos de indução para o crescimento das criaturas. As circunstâncias que nos alcançam expressam a vontade de Deus a nosso benefício, a todo momento e em todos os lugares. O fato é que Deus dispõe e nós temos que aprender a trabalhar com o que ele nos dispõe, e ponto final. Não é possível crescer reclamando das dificuldades. A queixa inútil enfraquece o otimismo, gerando desconfiança e perturbação e a serenidade define o campo básico que precisamos tentar conquistar. Cada um tem a sua cruz para carregar e os acontecimentos do cotidiano nos convocam a consolidarmos a paz em meio a um mundo em aparente desarmonia. Note bem, eu disse aparente, porque tudo está debaixo de uma harmonia e um equilíbrio superior. Não pode ser diferente, a serenidade que buscamos é conquistada em meio ao tumulto.

O mundo em transição, embora em tamanha conturbação, é algo da maior validade para cada um de nós. O momento de transição é um momento peculiar no campo evolucional da humanidade. Antigamente, quem sabe, nós teríamos que viver vários anos até podermos sedimentar um novo componente, para darmos o passo seguinte. Hoje não, pelo contrário, em prazos bem menores estamos sendo levados. Isso é um sinal característico de transição.

A nossa terra, por exemplo, nas últimas décadas, coisa de oitenta, setenta, ou até menos, cinquenta anos, apresentou mudanças expressivas em todos os sentidos, filosófico, tecnológico, na pesquisa científica, no campo de todas as frentes em que o progresso e o trabalho se desenvolve. Muitas das coisas que eram estudadas nos livros a quarenta, cinquenta anos atrás, já estão superadas.

É outra coisa hoje, o que mostra que esse mecanismo funciona numa rapidez incrível, abrindo novas condições para a nossa vida. O mundo é um laboratório em que a gente pode resolver muitos problemas íntimos em curto prazo. Basta querer.

Nós estamos vivendo momentos importantes na transição. Podemos, se bobear, complicar o destino. Aliás, muitos encontram-se valendo desse momento tumultuado para entrar com os dois pés nas dificuldades, porém, enquanto isso podemos dar passos avantajados como sendo verdadeiros saltos nas estruturas de vida que nos tem sido abertas no momento. Muitos estão sendo convocados a se valer desse momento que se transforma num verdadeiro laboratório de compreensão, de ajuda e auxílio. Nós podemos ter chances inimagináveis de trabalho. É óbvio que a tarefa nossa tem uma linha de gradatividade, mas estamos aqui envolvidos, aprendendo e tendo campo de cooperar, não apenas no sentido de fazer curativos, pensar feridas, aliviar as dores, mas também em muitos momentos de esclarecer os corações com vistas a novos momentos de reequilíbrio e de paz para os nossos semelhantes.

A hora é de levantar a cabeça. A misericórdia divina não quer ver ninguém triste.

É claro que temos ao longo do percurso provas e dificuldades, mas também temos que atestar a nossa capacidade de resistência. Embora nem sempre pareça, cada pessoa tem todos os recursos de que precisa para melhorar e crescer.

E a utilização adequada dos recursos é o que abre campo para o recebimento de novos recursos. Sabemos disso, no entanto, infelizmente o que é que acontece? As carências que nos dominam, as inconformações de que ainda somos visitados, nos levam a certos estados que às vezes criam verdadeiros embaraços aos nossos passos. O grande segredo é manter a harmonia íntima. Não apenas nos momentos culminantes, mas sempre. O que depende da gente.

Muitas pessoas estão querendo a paz, a todo instante buscando a paz, só que a tendência das buscas aos planos inferiores ou do desajuste é muito evidente e vem muito mais à tona na órbita de suas vidas do que podem imaginar. É preciso não se deixar levar. É preciso um ponto de reação. Nada vem de graça, até a paz precisa ser cultivada. Vale a pena deixar o registro de que existem muitos fatores que merecem ser trabalhados com tranquilidade e calma para que o encaminhamento dos fatos se dê sem inquietação, sem desastres, sem atropelos.

Porque temos aprendido com aprofundamento que aquela criatura que é capaz de administrar as suas emoções ganha com certeza muitos pontos na caminhada.

A alegria tantas vezes se resume no interesse imediatista. E a paz naquela sensação de bem estar do corpo, sem dor alguma. Isso mesmo, não é exagero. A paz no mundo quase sempre é aquela que culmina com o descanso dos cadáveres a se dissociarem na inércia. Só transferindo-nos da inércia para o trabalho em favor da redenção própria vemos que a vida é bem diferente disso.

A paz do espírito é serviço renovador com um proveito constante, é o serviço do bem eterno em uma permanente ascensão. Sendo assim, a despeito de todas as dúvidas e impugnações que te cerquem os passos, segue para adiante atendendo aos deveres que a vida de preceitua, conforme o testemunho da sua consciência, em uma convicção ampla de que a felicidade verdadeira significa paz em nós.

Anda ansioso? Encontra-se preocupado? Dúvidas e dívidas diversas pairam sobre a tua fronte? Refugia-te na cidadela interior do dever retamente cumprido e entrega à sabedoria divina a ansiedade que te procura. E não se esqueça de elevar o teu potencial de entusiasmo e ânimo, pois quando fazemos as coisas com carinho e amor a trajetória não fica pesada. Se alguma circunstância te contraria, asserena a tua alma, eleva o pensamento a um plano pouco acima, respira, ora e espera que novos acontecimentos te favoreçam.

19 de dez de 2012

Cap 30 - Oração é Poder - Parte 6 (Final)


RESPOSTA DA MISERICÓRDIA

“9E QUAL DE ENTRE VÓS É O HOMEM QUE, PEDINDO-LHE PÃO O SEU FILHO, LHE DARÁ UMA PEDRA? 10E, PEDINDO-LHE PEIXE, LHE DARÁ UMA SERPENTE? 11SE VÓS, POIS, SENDO MAUS, SABEIS DAR BOAS COISAS AOS VOSSOS FILHOS, QUANTO MAIS VOSSO PAI, QUE ESTÁ NOS CÉUS, DARÁ BENS AOS QUE LHE PEDIREM?.” MATEUS 7:9-11

É óbvio que um pai sensato, examinando essa ou aquela solicitação, considerará antes de qualquer atendimento os imperativos de tempo, circunstância, necessidade ou lugar. Se o filho é ainda criança não lhe entrega dinamite para brincar, simplesmente porque o menino formula rogativa ensopando-se de lágrimas. Se o filho jaz perturbado não lhe confere a direção da família, pelo fato de recolher-lhe petitórios comoventes. Se o filho, por várias vezes, deixou a casa em ruína, por desperdício delituoso, não lhe restituirá, de pronto, o governo dos assuntos domésticos, só pelo motivo de se ver rodeado de súplicas. E se o filho permanece atrasado no progresso escolar não lhe autoriza divertimentos prolongados, unicamente porque lhe ouça enternecedores requerimentos.

Sem contar que qual ocorre com crianças e jovens, ou mesmo com adultos sem amadurecimento psicológico e moral, determinadas decisões não necessitam passar pelo crivo da opinião destes, porque destituídos de discernimento não saberiam o que ou como fazer. Não poucas vezes, determinados tratamentos cirúrgicos e psiquiátricos são decididos pela família do indivíduo, mesmo que sem o seu consentimento, a fim de salvar-lhe a existência.

Assim, está certo que o pai, em hipótese alguma, aniquilará as esperanças dos descendentes, no entanto, no interesse deles próprios, lhes concederá isso ou aquilo consultando-lhes a conveniência e a segurança, até que se ergam ao nível da madureza, responsabilidade, merecimento e habilitação, suscetíveis de lhes assegurar a liberdade de pedir o que desejem. Isso  acontece com os pais terrenos.

Repare que desde que começou a racionar o homem observou que acima de seus poderes reduzidos havia um poder ilimitado, que lhe criara o ambiente da vida.

Todas as criaturas nascem com tendência para o mais alto e experimentam a necessidade de comungar com esse plano elevado, de onde o pai nos acompanha com o seu amor e sabedoria, onde as preces dos homens o procuram sob nomes diversos. Agora, cá para nós, realmente acreditamos que em todos os séculos da vida humana recorreriam as almas, incessantemente, a uma porta silenciosa e inflexível, se nenhum resultado obtivessem? Você acha mesmo? Não tenha dúvida, todas as nossas orações são ouvidas. Não há prece sem resposta.

Se ocasionalmente experimenta desconfiança e inquietação no ato de orar, apenas porque chora e sofre, lembra-te da compaixão e do discernimento que já presidem o lar humano e não duvide da perfeita e infinita misericórdia do pai celestial.

Não há apelo honesto dirigido a Deus, através da oração, que fique sem conveniente resposta. É certo que todos gostaríamos de obter ajuda conforme pensamos ser o melhor, embora tal não ocorra. A resposta nos chega de maneira própria para a necessidade, ensejando-nos coragem e fé até o momento da libertação. O médico não receita ao paciente o remédio que ele quer, mas o que ele precisa, uma árvore tem que se iniciar através do processo de germinação da semente e a própria vinda do Cristo ao planeta obedeceu a uma circunstância apropriada. Jesus não veio ao mundo quando quis e também não fez o que quis. Não veio para fazer a vontade dele, mas a do Pai, embora tudo o que fez tenha sido por um amor infinitamente distante do nosso.

A oração de forma alguma evita o sofrimento ou anula as dívidas. Se o fizesse, desorganizaria o equilíbrio das leis. Não obstante, propicia os meios para que se possa suportar a conjuntura, tornando-a menos penosa, em face do robustecimento do ânimo e das resistências morais. A prece não afasta os dissabores e as lições proveitosas da amargura constantes do mapa de serviços que cada espírito deve prestar na sua tarefa terrena, mas deve ser cultivada no íntimo, como a luz que se acende para o caminho tenebroso, ou mantida no coração como o alimento indispensável que se prepara, de modo a satisfazer à necessidade própria, na jornada longa e difícil, porquanto a oração sincera estabelece a vigilância e constitui o maior fator de resistência moral, no centro das provações mais escabrosas e mais rudes. Onde não existe organização espiritual não existe defesas da paz de espírito. Ninguém pode sustentar-se sem o banho interior do silêncio, restaurando as próprias forças nas correntes superiores de energia sublime que fluem dos mananciais celestes.

A oração é necessária nos momentos tranquilos e nos momentos difíceis para o estabelecimento da paz, no entanto, quase sempre o que ocorre é o inverso. O desespero, a revolta, o pessimismo e a amargura se associam e agitam ou bloqueiam as áreas do raciocínio e o ser humano tomba na urdidura do acontecimento.

Se em fotografia precisamos de elemento impressionável para deter a imagem, e em eletricidade carecemos do fio sensível para a transmissão da luz, no terreno das vantagens espirituais é imprescindível que o candidato apresente condição receptiva, decorrente da fé, atitude de segurança íntima aliada à reverência e submissão às leis divinas. Sem recolhimento e respeito na receptividade não conseguimos fixar os recursos imponderáveis que funcionam a nosso favor.

Em razão disso, mantenha a calma sempre. Tudo na vida tem o seu tempo para acontecer e nada acontece sem razão. Todos os acontecimentos apresentam-se dentro de um processo natural, embora possam apresentar facetas inúmeras vezes incompreensíveis por quem as observa, ou mesmo vivencia.

Enquanto orares pedindo ao Pai a satisfação de teus desejos e caprichos é possível que te retires da prece inquieto, triste e desalentado. Mas sempre que solicitares as bênçãos de Deus, a fim de compreenderes a sua vontade justa e sábia, a teu respeito, receberás pela oração os bens divinos do consolo e da paz.

Importa saber o que procuramos. Naturalmente, receberemos sempre, mas é imprescindível conhecer o objeto de nossa solicitação. Quem procura o mal encontra-se com o mal igualmente. Existe uma perfeita correspondência entre a nossa alma e a alma das coisas. Não se trata de uma hipótese, e sim de uma lei.

É importante manter a vigilância na decisão de buscarmos alguma coisa, porquanto o mestre afirmou que "quem busca, acha", e acharemos sempre o que procuramos. Em face de determinados momentos de pressão, o bom senso sugere para que não peça que retirem as tuas dificuldades. Peça forças para que você possa administrá-las e delas se livrar de maneira definitiva. Em todas as circunstâncias chamai o nome do criador, e na medida que vós acreditardes no seu nome a vossa prece será ouvida. Ore e, simultaneamente à oração, trabalhe.

Faça isso. Se o socorro da misericórdia divina ainda não te alcançou em teu círculo de luta, é bastante provável que esteja a caminho. Faça isso, mesmo que se encontre desanimado e cansado. Apenas faça. Pode ser que hoje não entenda a grandeza desse ensinamento. Amanhã, com certeza, você entenderá.

16 de dez de 2012

Cap 30 - Oração é Poder - Parte 5


ORAÇÃO É FORÇA

É pequeno o número de pessoas que nos momentos mais contundentes pede força para enfrentar as provações.

A maioria busca facilidade e até objetiva a cura, só que com a mínima disposição para o amargor do remédio. É por isso que podemos deixar um recado da maior validade: quem está pedindo nas preces que a vida seja isenta de problemas com muita certeza está bem distante de vencer. Uma coisa é buscar encontrar na prece força para resistir às tentações e força para administrar a vida, outra coisa é querer que a vida não tenha problemas.

Agora, por outro lado, se você pede nas orações que consiga ser feliz no equacionamento das dificuldades, que tenha estrutura para encaminhar cada passo, você passa a ter uma facilidade maior no próprio encaminhamento das situações.

O homem obtém pela prece o concurso dos bons espíritos que acorrem em sustentá-lo nas boas resoluções e a inspirar-lhe ideias sãs. Desse modo, ele adquire a força moral necessária para vencer as dificuldades e até mesmo a voltar para o caminho reto, se deste se afastou. Por meio dela pode também desviar de si os males que atrairia pelas suas próprias faltas. Então, pela oração nós recebemos forças, porque sabemos que o doente necessita ser tratado com um processo de assepsia completa e, ao mesmo tempo, ele também tem que ser fortificado no seu tratamento tradicional para dar a ele mais resistência. Por isso, não tenha a menor dúvida de que o criador nos fortifica.

Se é do interesse da pessoa aflita que a prova pela qual ela passa prossiga, não adianta chorar porque ela não será abreviada mediante o seu pedido. Não existe mágica nos mecanismos da natureza. Entretanto, na impossibilidade de cessação da prova ela pode esperar uma consolação que subtraia o peso do seu amargor.

Se a cura efetiva da doença no momento é impossibilitada, pode-se buscar o remédio que amenize a dor. É assim que funciona. A misericórdia não desconsidera o sofrimento de ninguém, mas faz-se necessário ao aflito a resignação e a coragem, sem as quais não lhe será possível vivenciar a dificuldade com proveito para si próprio. Já tivemos a oportunidade de observar que a dor não edifica ninguém pelo volume das lágrimas, e sim pela porta de luz que se abre ao coração. Sem o aprendizado da lição, nada mais a esperar senão o seu recomeço.

Dessa forma, em nossa oração devemos pedir o esclarecimento e o auxílio do plano superior, mediante o qual espíritos esclarecedores objetivam levantar-nos a cabeça, por meio de conselhos e encorajamentos, inclusive assistindo-nos materialmente, se for possível. Entendamos que os benefícios de Deus para conosco não consistem unicamente nas coisas materiais. Devemos também saber agradecer-lhe as boas ideias e as felizes inspirações que recebemos.

Enquanto o egoísta atribui todas as conquistas aos seus méritos pessoais, e o incrédulo ao acaso, o que tem fé rende graças ao criador supremo e aos bons espíritos que trabalham incansavelmente na seara do bem. O impulso espontâneo, que nos faz atribuir a Deus tudo o que de bom nos sucede dá testemunho de um ato de reconhecimento e de humildade, que nos granjeia a simpatia dos mensageiros de luz.

Pela prece o homem atrai a salutar inspiração dos espíritos bons, que lhes dão força para resistir aos maus pensamentos, cuja realização desses pode ser bem funesta. Esses espíritos não vão nos afastar do mal, e sim auxiliar-nos no equilíbrio do pensamento. Eles, de forma alguma, interferem no cumprimento dos decretos divinos, tampouco suspendem o curso das leis da natureza, apenas nos ajudam de modo a que não as infrinjamos. Agem de maneira suave, quase imperceptível, para não nos subjugar a vontade. Afinal, não temos o livre-arbítrio que tem que ser respeitado? A criatura humana se acha, então, na posição de quem solicita bons conselhos, com a liberdade de segui-los ou não.

Quer Deus que seja assim, que a individualidade tenha a responsabilidade dos seus atos e o mérito da escolha entre o bem e o mal. É esse esclarecimento que o homem pode estar certo de receber se o pedir com fervor. E se a eficácia da prece estivesse reduzida a essa proporção não traria resultados imensos? Mas não, os seus efeitos são muito mais extensos do que isso.

O primeiro ato que deve assinalar a vida ativa de cada dia é a prece. É o dever primordial de todo ser humano. Pela oração, podemos não conseguir modificar os fatos em si, mas podemos nos modificar, recolhendo expressivos coeficientes de energias para aceitar as provações que nos cabem, vencendo-as com paciência e valor. Nunca poderemos enumerar todos os benefícios da oração. Cada prece do coração constitui emissão eletromagnética de relativo poder. A prece de quem ama, por exemplo, tem uma capacidade de penetração muito profunda. Já pensou nisso? Quanto mais você tem autenticidade de amor mais você entra no fundo ou no centro irradiador da divindade.

Você se lembra, lá atrás, quando éramos criança, nem sonhávamos estudar o evangelho, e a mãe da gente ensinava, dizendo: "Meu filho, não durma sem fazer uma prece para o papai do céu!" Se lembra disto? Pois é, não era à toa. Não era simplesmente alguma coisa convencional. Talvez um dizer intuitivo, como se fosse um processo para nos auxiliar e proteger. Sim, porque a vida não para.

Se durante o dia a gente fica envolvido num sufoco danado, de noite a gente tantas vezes se entrega a vários acontecimentos durante o sono. Pode acontecer de você ir deitar, orar e acordar meio amofinado, desanimado: "Puxa, você falou para orar ao deitar. Eu fiz, não adiantou, acordei mal." Calma, adiantou, pois se você não tivesse orado poderia ter sido pior. Mas isso é assunto para ser tratado mais à frente. Não é assunto para ser aprofundado agora.

Por ora, o importante é a gente saber direcionar a nossa vida extra-física, como encarnados, durante o sono, com vistas a novas experiências, em um plano também objetivo, consciente e lógico de trabalho. Porque o corpo sabemos que descansa durante o sono. O espírito? Ah, este com certeza nem sempre.

11 de dez de 2012

Cap 30 - Oração é Poder - Parte 4


ORAÇÃO E TRABALHO

“E, LEVANTANDO-SE DE MANHÃ, MUITO CEDO, FAZENDO AINDA ESCURO, SAIU, E FOI PARA UM LUGAR DESERTO, E ALI ORAVA.” MARCOS 1:35

“E, DESPEDIDA A MULTIDÃO, SUBIU AO MONTE PARA ORAR, À PARTE. E, CHEGADA JÁ A TARDE, ESTAVA ALI SÓ.” MATEUS 14:23

Vamos começar este tópico dizendo uma grande verdade? A prece não afasta do caminho aquilo que a própria alma buscou com seus pensamentos e atos.

Sendo assim, não procures fugir à luta que te afere o valor e não apeles para o Senhor como advogado da fuga calculada ao dever. E suplicar coisas, também, do tipo: "Meu Deus, faça com que essa árvore produza fruta fora do tempo" ou "que essa bananeira dê cacho porque eu estou com fome e não tenho dinheiro", não é por aí. Coisas como essas não vão acontecer. A prece deve ser fonte de inspiração para o trabalho e o homem deve procurar na oração forças para agir, porque sem dúvida a fé sem obras não passa de uma flor artificial sobre a mesa. Aprendemos muita coisa e já temos visão. Temos uma ótica e buscamos soluções, porque procuramos estratégias para sair das dificuldades.

Você deve se lembrar que Jesus, antes de começar o trabalho, se nutria pela prece. Não é isso? Nesse momento ele se abastecia. E entrava em relação com as próprias estruturas do criador e das entidades de alto curso, de alta expressão, que co-participavam com ele na engrenagem de reformulação conceitual e vibracional do nosso planeta. Nós sabemos que lá atrás o trabalho de Jesus foi um trabalho de lançar balizas, de atender com carinho e segurança todas aquelas colocações de nível didático que deveriam ser apropriadas para servir de referência para nós que estamos tentando descobrir a nossa própria intimidade, tentando encontrar recursos para caminhar com segurança.

"E levantando-se de manhã, muito cedo, fazendo ainda escuro, saiu e foi para um lugar deserto e ali orava." (Mateus 1:35) A gente ora quando a coisa aperta, quando a situação se complica. Jesus orava, e orava antes, com antecedência.

Orava antes de começar o trabalho. Devemos aprender com ele. Cada momento é um momento específico e devemos orar sempre antes. Em momentos de atribulação, muitas vezes não conseguimos atingir determinado grau de vibração de modo a nos sintonizarmos com as esferas mais elevadas de luz, da mesma forma como um rádio tantas vezes não sintoniza bem com a estação desejada.

"Levantando-se" representa iniciativa pessoal. E Jesus vai se abastecer "de manhã, muito cedo, ainda escuro", ou seja, circunstâncias temporais a definirem o momento. São três colocações a indicarem a hora do aprovisionar-se para tarefa a ser feita.

Certos grupos religiosos preconizam o absoluto retiro das lutas humanas para os serviços da oração. O evangelho é muito mais simples, prático e objetivo, nos diz que o cordeiro divino "saiu e foi para um lugar deserto". E que incontáveis vezes, despedida a multidão, e terminado o esforço diário, Jesus estabelecia a pausa necessária para meditar, à parte, comungando com o Pai na oração solitária e sublime. Quanto a nós, vamos orar onde? Para esse momento peculiar de solidão íntima podemos escolher o "deserto" em qualquer lugar.

Pode ser no próprio ambiente nosso. Nos dias de hoje, pode ser dirigindo um carro, caminhando na via pública, podemos escolher o lugar deserto, no plano profundo da alma, no campo mental, e orar. Observemos isso e oremos na casa íntima, a casa mental. De maneira suave, a própria expressão relacionada com o melhor sentimento, sabendo que para receber é preciso estar em condições.

O esforço e a prece contemplam-se no todo da atividade espiritual. Não ficam distantes um do outro. O trabalho e a prece são duas características da atividade divina do Cristo. Jesus nunca se manteve à distância das criaturas humanas, com o fim de permanecer em contemplação absoluta dos quadros divinos que lhe iluminavam o coração. Isto é um ensinamento maravilhoso. A oração ilumina o trabalho e a ação é como um livro de luz na vida espiritualizada.

A criatura que apenas trabalhar, sem método e sem descanso, acabará desesperada, em horrível secura do coração, e aquela que apenas se mantiver genuflexa, estará ameaçada de sucumbir pela paralisia e ociosidade. Eu não posso chamar a Deus e me manter indiferente aos planos aplicativos do mundo.

Se alguém permanece na terra é com o objetivo de alcançar um ponto mais alto nas expressões evolutivas, pelo trabalho que foi convocado a fazer. E pela oração o homem recebe o auxílio indispensável à santificação da tarefa. Tanto o trabalho operacional da mensagem do evangelho, desde que não venhamos a nos alienar do mundo, que é nosso laboratório de afirmação de aprendizagem e evolução, e também o plano reflexivo no campo da meditação na prece, necessitam, esses dois ângulos, trabalharem em uma perfeita sincronia.

Em suma, vamos compreender que todo aquele que trabalha pelo bem, com as suas próprias mãos e com o seu pensamento, esse é o filho que aprender a orar, na exaltação ou na rogativa, porque em todas as circunstâncias será sempre fiel a Deus, consciente de que a vontade do Pai é mais justa que a sua própria.

8 de dez de 2012

Cap 30 - Oração é Poder - Parte 3


ORAI

“VIGIAI E ORAI, PARA QUE NÃO ENTREIS EM TENTAÇÃO; NA VERDADE, O ESPÍRITO ESTÁ PRONTO, MAS A CARNE É FRACA.” MATEUS 26:41 

 “E DISSE-LHES: POR QUE ESTAIS DORMINDO? LEVANTAI-VOS, E ORAI, PARA QUE NÃO ENTREIS EM TENTAÇÃO.” LUCAS 22:46

O cordeiro divino, em referência a dois dos três andares da nossa estrutura mental (arca), lança o imperativo do vigiai e orai, no andar de baixo (subconsciente) e no terceiro (superconsciente), respectivamente.

Vigilância é a capacidade de estar atento diante das experiências da vida. E estando atento consegue-se perceber aqueles pontos da intimidade que são frágeis, bem como aqueles que são fortes. Vigiar é manter-se acordado e em cada assunto da vida saber administrar e tentar enxergar. Preste atenção, vigiar é aqui embaixo e tem dois objetivos. O primeiro é  evitarmos as emersões do nosso passado delituoso e comprometedor. Segurar as pontas em uma permanência sólida quanto à invasão dos padrões negativos, pois na emersão desses valores já incrustados existe força viva que se deixar toma conta.

O segundo é manter-se acordado, atento, precaver-se, de modo a mantermos a segurança íntima quando o impacto vier, mantermos a serenidade diante das provas diversas e dificuldades que a vida oferece. Ou será que já estamos quites com a lei no que tange os nossos débitos para com a harmonia universal?

Eu costumo brincar dizendo que quem não tem pecados que atire o primeiro tijolo. Pois então, tirando a brincadeira de lado não somos criaturas puras, sem máculas, sem pecados, daí a necessidade de mantermos a atenção para que não venhamos a ser laçados negativamente pelas situações adversas. Então, fica claro que temos que vigiar a porta de baixo (subconsciente) para cima e, ao mesmo tempo, orar abrindo as portas de cima (superconsciente) para baixo.

Se o vigiai é embaixo, o orai é em cima. Ficou claro? O orai é lá, em cima, projetando-nos em uma identificação com os planos superiores na captação de novos padrões para o nosso crescimento consciente. Temos que vigiar o que dimana de baixo de nossa tendência inferior e manter a serenidade diante das dificuldades que nos chegam e nos coagem, mas que ainda são necessidade para nós. E, também, orar para buscarmos a iluminação e o esclarecimento, manter a segurança inabalável com o Senhor. É preciso termos um vínculo com os planos superiores como componente de evolução. Analise comigo, não precisamos ir longe para concluir que considerada a bagagem das imperfeições humanas a redenção das criaturas nunca se efetuará sem a misericórdia do criador.

E não podemos realizar algo, o que quer que seja, dissociados do amparo e da assistência em Deus. Ou será que isso é possível e eu estou enganado? Não, tenho certeza que não. Temos que orar. Nunca poderemos enumerar todos os benefícios da oração. Cada prece do coração constitui emissão eletromagnética de relativo poder.

Não é a prece que vai fazer você mudar sua vida, no entanto a prece pode te auxiliar enormemente nessa empreitada de mudança. Você está situado em um piso. Quando ora você se eleva e vai lá em cima, e pode subir inúmeros degraus. A prece acaba e você volta para o seu cantinho aqui de origem. Mas volta com toda a soma de caracteres vibracionais que captou. Ou seja, você chega lá pela prece e angaria padrões informativos e vibracionais, e não fica lá.

E uma vez que essa subida em vibrações te mostrou o caminho, ângulos especiais na sua visualização interior, quem sabe você vai ter mais facilidade de galgar cada degrau dessa escada e conquistar, lenta e gradativamente, patamares outros na sua evolução, e, ao mesmo tempo, desconectar-se das faixas inferiores?!

A oração tem sentido de busca e aplicação dos componentes novos. A misericórdia nos arrebata e nós retornamos para realizar a conquista efetiva. Temos que orar de maneira objetiva para que se incorpore em nós os novos padrões.

Se soubermos aplicar o que arregimentamos, se soubermos aplicar o plano da prece, recebido em um estudo ou leitura, em uma proposta que se revela para nós, a nossa vontade, que alimenta a oração, é capaz de vencer a insinuação do automatismo nosso que luta para nos manter no patamar em que estamos e evitar a nossa ascensão. Se mantivermos esse estado mental elevado, pondo em prática o que aprendemos, subimos e damos passos extraordinários na vida.

Sem a prece, sem a oração, vai ser muito difícil alguém atingir as metas a que se propõe. Porque todo trabalho de crescimento efetivo tem que se iniciar pela fertilização do campo mental. A prece faz o papel de abertura dos padrões psíquicos e fertiliza os potenciais da alma. Já reparou que tem gente que parece viver em estado de oração? Pois é, é preciso muito discernimento nos tempos atuais. Se formos olhar apenas as reações da vida, do tempo e dos fatos a gente praticamente não faz nada. Entretanto, nossa luta não é de divagação agora.

É de repouso na prece, nas disposições sinceras de aprender com equilíbrio e segurança e de operar com muito carinho e paciência na área que nos é competente.

4 de dez de 2012

Cap 30 - Oração é Poder - Parte 2


ESSÊNCIA

“VIGIAI E ORAI, PARA QUE NÃO ENTREIS EM TENTAÇÃO; NA VERDADE, O ESPÍRITO ESTÁ PRONTO, MAS A CARNE É FRACA.” MATEUS 26:41  

“E DISSE-LHES: POR QUE ESTAIS DORMINDO? LEVANTAI-VOS, E ORAI, PARA QUE NÃO ENTREIS EM TENTAÇÃO.” LUCAS 22:46

Algumas pessoas, para não dizer muitas, não oram porque acham que não precisam. "Orar? Prá quê? Não preciso de nada. Minha vida está uma beleza." Outras tantas consideram-se pecadoras demais para orar. Tudo bem, cada qual tem suas escolhas, só que acreditamos que em ambos os casos o que existe é desinformação e equívoco. Com relação ao primeiro grupo, o que podemos dizer é que o próprio Cristo orava. E não era pouco. Quanto ao segundo, parece que falta informação acerca da prece.

A prece consiste em uma invocação, mediante a qual o homem entra, pelo pensamento, em comunicação com o ser a quem se dirige. É empregada em três situações: pode ter por objetivo um pedido (aliás, geralmente oramos para pedir), externar agradecimento ou glorificação. Ou seja, pedir, louvar, bendizer, glorificar e agradecer.

Tanto podemos orar por nós mesmos como por outrem, pelos vivos (espíritos como nós, encarnados) ou pelos mortos (espíritos no plano espiritual). As preces feitas a Deus são recebidas pelos espíritos incumbidos da execução de suas vontades.

É interessante compreendermos a ação da prece. O modo como se dá a transmissão do pensamento, quer no caso em que o ser a quem oramos acuda ao nosso apelo, quer na situação em que apenas lhe chegue o nosso pensamento.

Dá-se que situamo-nos mergulhados em um fluido universal que ocupa todos os espaços e todos os seres, quer sejam estes encarnados ou desencarnados, tal qual nos achamos neste mundo dentro da atmosfera que a tudo envolve. Esse fluido é o veículo do pensamento, como o ar é o veículo do som, com a diferença de que as vibrações do ar são circunscritas, ao passo que as do fluido universal se estendem ao infinito. Esse fluido recebe da vontade uma impulsão.

Dirigido o pensamento para um ser qualquer, no planeta Terra ou fora dele, de encarnado para desencarnado ou vice-versa, uma corrente fluídica se estabelece entre um e outro transmitindo de um ao outro o pensamento, como o ar transmite o som. A energia da corrente guarda proporção com a do pensamento e da vontade. É assim que os espíritos ouvem a prece que lhes é dirigida, qualquer que seja o lugar onde se encontrem, é assim que espíritos se comunicam entre si, que nos transmitem suas inspirações e que as relações se estabelecem.

Rezar é repetir palavras segundo fórmulas determinadas. É mais ou menos como a produção de eco que a brisa dissipa, como sucede à voz do sino que no espaço se espraia e morre. Supersticiosos e religiosos tradicionais rezam. À época de Jesus fariseus rezavam em público para serem vistos, admirados e louvados.

A prece é bem diferente disso. Não é movimento mecânico de lábios, muito menos disco de fácil repetição no aparelho da mente. Prece é vibração, energia, poder.

Orar é sentir e o sentimento é intraduzível. Não há palavra que o defina com exatidão e o mais rico vocabulário do mundo é pobre para traduzir a grandeza de um sentimento. Não há fórmula que o contenha, não há molde que o guarde, não há modelo que o plasme. O sentimento é, por natureza, incoercível. Como um  relâmpago prenunciando temporal, o sentimento mexe com o campo da nossa consciência e num dado instante penetra o âmago do infinito.

Quem o retém? Quem ousa interpretá-lo? Quem o pesa e o mede? Só Deus. Ninguém mais. Só Deus o conhece. Só Deus o julga,  pois só Deus sabe o que são essas vibrações de nossa alma, quando para ele apelamos na linguagem misteriosa do sentimento. É bonito compreender que orar é irradiar para Deus firmando nossa comunhão com ele. A oração é o poder dos fiéis e quem crê  ora a Deus. E difícil é compreender aquele que crê em seus colóquios íntimos com a divindade. Semelhante estado psíquico descortina forças ignoradas, revela nossa origem divina e nos coloca em contado com as fontes superiores. Dentro dessa realização o espírito, em qualquer forma, pode emitir raios de espantoso poder.

Sem querer criticar, mas os que apenas suplicam podem ser ignorantes e os que louvam podem ser somente preguiçosos. Assim, por prece devemos interpretar todo ato de relação entre o homem e Deus, e em tudo deve a oração constituir nosso recurso permanente de comunhão ininterrupta com o supremo construtor do universo. Nesse intercâmbio incessante as criaturas devem apresentar ao Pai, no segredo das íntimas aspirações, os seus anelos e esperanças, dúvidas e amargores. É necessário, portanto, cultivar a prece para que ela se torne um elemento natural da vida, como a respiração. É indispensável conheçamos o meio seguro de nos identificarmos com o altíssimo.

A prece deve ser profunda porque é a alma que tem que elevar-se para o criador, aos planos de cima, a fim de lá chegar limpa e radiosa de esperança e amor. E com mais um detalhe essencial: na oração a gente não tem que querer sensibilizar o criador, de forma alguma, porque ele já é sensível por natureza.

A prece, entre outras coisas, representa componente de projeção. Se nos achamos debaixo de uma prova difícil, complicada, e dentro desse labirinto cultivamos a humildade e paciência, e buscamos orar, buscamos fazer uma ponderação, pela oração passamos a abrir o contexto e nos agasalhamos. E essa oração nos pega e nos lança, com naturalidade, para os pontos de misericórdia.

Isto que estamos falando não é apenas estudo ou teoria, isto tem uma função dinâmica, operante, concreta no nosso dia a dia. Portanto, você que tem estudado conosco, quando estiver envolvido em momentos difíceis, naquele verdadeiro complexo de acontecimentos intrincados, e falar: "tudo bem, Marco Antônio, você diz para orar, mas hoje eu não posso orar porque estou muito aborrecido, ou cansado", vamos dizer para você assim: "pare com isso e não se entregue. Nem esmoreça. Fique de pé e ore com equilíbrio e substância. Ore com o melhor dos seus sentimentos. Se tem gente envolvida, traga essa criatura nominalmente ao seu pensamento: que eu seja feliz no trato com essa pessoa, que eu tenha força íntima para administrar." E continue dando seu melhor.

1 de dez de 2012

Cap 30 - Oração é Poder - Parte 1


TRILOGIA

“SE VÓS ESTIVERDES EM MIM, E AS MINHAS PALAVRAS ESTIVEREM EM VÓS, PEDIREIS TUDO O QUE QUISERDES, E VOS SERÁ FEITO.” JOÃO 15:7

“9E EU VOS DIGO A VÓS: PEDI, E DAR-SE-VOS-Á; BUSCAI, E ACHAREIS; BATEI, E ABRIR-SE-VOS-Á; 10PORQUE QUALQUER QUE PEDE RECEBE; E QUEM BUSCA ACHA; E A QUEM BATE ABRIR-SE-LHE-Á.” LUCAS 11:9-10

Os dias atuais não andam muito fáceis para ninguém no planeta. Desafios múltiplos surgem aqui e ali e ao experimentar a necessidade de alguma coisa, o indivíduo que já apresenta em si o mínimo de espiritualidade, recorda como que automaticamente a promessa do Cristo Jesus, quando asseverou resposta adequada a qualquer que pedir.

Assim, o tempo passa e uma enormidade de companheiros pede recurso, oportunidade e força na preocupação desmedida em torno do êxito. Inúmeros beneficiários do evangelho imploram isso ou aquilo, com alusão à boa marcha dos negócios que lhes interessam a vida física. Haja pedido. Cada qual apresenta o seu capricho ferido como sendo a dor maior que existe. Muitos inclusive dizem-se interessados na lavoura do bem. Sentem, com os lábios, que querem fazer algo, só que para isso esperam a execução de negócios imaginários, aguardam a aquisição de poder, a posse de ouro fácil ou chegada de prêmios fortuitos.

É incontável o número de pedidos descabidos direcionados ao alto. Em resumo, o que muitos buscam é a fuga. Nada mais. Por incrível que pareça, anelam somente a distância da dificuldade, do trabalho, da luta digna. Frequentam igrejas e templos diversos e com exceções irritam-se ao primeiro contato com a luta mais áspera, após reafirmarem os mais sadios propósitos de renovação. E mais, comumente, voltando cada semana ao núcleo de preces, estão nas mesmas condições, requisitando tão somente conforto e auxílio exterior. Aguardam facilidades e mais facilidades. Julgando-se eternos credores dos favores do céu, não é com facilidade que cumprem a promessa de cooperação com o Cristo, em si próprios, base fundamental da verdadeira iluminação.

E sonhando realizações mirabolantes, acabam frustrados na mania de grandeza.

Complicando a própria marcha na estrada observam-se, de súbito, muitas vezes em presença da morte, quando menos contavam com semelhante visita. O fato é que no fundo ainda não aprendemos a pedir. Ignorando o que é de melhor para o nosso crescimento, no curso do tempo, insistimos em solicitar aquilo que nos deleita por momentos, mesmo que nos traga complicações posteriores.

Visitados por dificuldades não hesitamos, pedimos o pronto restabelecimento da situação, na maioria das vezes para continuarmos fazendo o que fazíamos antes da circunstância desfavorável ocorrer. Curamo-nos e não nos re-educamos. Pedimos de novo coisas que tivemos no passado e não soubemos valorizar.

Se os males da existência forem divididos em duas partes, sendo a primeira constituída por aquelas circunstâncias que o homem não pode evitar e a outra formada por tribulações diversas que ele constitui por si próprio, pelas suas ações menos felizes no uso distorcido da faculdade de escolha, é fácil observar que a segunda parte se dá em percentual muito superior à primeira. De onde se conclui que toda queda dos seres responsáveis tem como origem a infração às leis de Deus.

Que coisa. O ser humano é o responsável direto pela maioria das aflições porque passa. Havendo dúvida, basta o indivíduo descer ao fundo da sua consciência para deparar, em si mesmo, com o ponto de partida dos males de que queixa.

Males dos quais poderia se poupar se trabalhasse com sabedoria e prudência. É preciso tranquilidade nos tempos difíceis. Você acha, por exemplo, que uma pessoa que tem a sua saúde arruinada em consequência de excessos a que se entregou por longo tempo, e que em razão disso arrasta até os últimos dias na terra uma vida de sofrimento, pode se queixar caso não obtenha a cura que deseja?

A verdade é que se observássemos atentamente as leis divinas seríamos muito felizes. Se não ultrapassássemos o limite do necessário na satisfação das nossas necessidades não apanharíamos as enfermidades que resultam dos excessos, nem experimentaríamos os dissabores que as doenças acarretam. Se puséssemos freio à nossa ambição desmedida não teríamos de temer a ruína. Se não quiséssemos subir muito mais alto do que podemos não teríamos de recear a queda. Ah, se fôssemos humildes não sofreríamos as decepções do orgulho ferido. Se praticássemos a caridade com os semelhantes não seríamos maldizentes, nem invejosos, e evitaríamos, também, as disputas e as dissensões. Se mal a ninguém fizéssemos não temeríamos as vinganças e os revides.

Portanto, amigos, é inútil pedirmos ao Senhor que nos abrevie as provas, que nos dê alegrias sem limite e riquezas sem conta. Dificilmente pedimos a ele a nossa melhoria moral. O que não esquecemos de pedir, insistentemente, é o bom êxito nos nossos empreendimentos, sucesso nos planejamentos do mundo.

O evangelho nada proíbe, coloca-nos em condição de discernirmos o que é bom e o que não é bom. Precisamos nos atentar para a importância de conhecermos as nossas reais necessidades. Não podemos dizer como muitos dizem, que não vale a pena orar, que é perda de tempo, porque Deus não atende. O que a maioria das pessoas tem pedido? Será possível imaginar a natureza da maioria das solicitações? Nem sempre é conveniente certos tipos de pedidos.

Fazermos dos mensageiros do céu servos de nossos desejos é, com certeza, sermos pouco felizes na busca. A nossa prece deve conter o pedido de graças de que necessitamos, mas de que necessitamos de verdade. Vamos rogar os bens preciosos da paciência, da resignação e da fé, uma vez que necessitamos do equilíbrio e da paz que asserenem nossos corações. Roguemos auxílio para que aprendamos a atingir positivamente o coração de nossos vizinhos; que o Pai, que nos deseja a isenção do sofrimento, nos fortaleça a fim de que saibamos perdoar todo o mal. Antes de tudo, peçamos auxílio na melhoria pessoal e veremos que torrente de graças e consolações se derramarão sobre nós.

A verdade é que podemos pedir, mas o Cristo não disse pedi e recebereis, disse? Ele disse: "pedi e recebereis, buscai e achareis, batei e abrir-se-vos-á." É uma trilogia.

Temos que ter crédito para receber e somente existe direito novo para quem cumpriu o dever, vamos lembrar. E apenas encontra quem procura, pois encontrar é diferente de achar. Pedir é nossa vida mental, agora, não basta, na oração, apenas esse movimento restrito na linha de adoração. A edificação íntima, a mudança espiritual, exige de nós uma cota de esforço, uma parcela a contribuir para a realização do que objetivamos. No plano terreno insistimos à porta das coisas exteriores, procurando facilidades e vantagens, todavia temos de bater à porta de nós mesmos para encontrarmos a virtude e a verdadeira iluminação.

Sem contar que Jesus nos solicitou a imediata reconciliação com os adversários para que a nossa oração se dirija a Deus, escoimada de qualquer sentimento ruim.

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