1 de dez de 2012

Cap 30 - Oração é Poder - Parte 1


TRILOGIA

“SE VÓS ESTIVERDES EM MIM, E AS MINHAS PALAVRAS ESTIVEREM EM VÓS, PEDIREIS TUDO O QUE QUISERDES, E VOS SERÁ FEITO.” JOÃO 15:7

“9E EU VOS DIGO A VÓS: PEDI, E DAR-SE-VOS-Á; BUSCAI, E ACHAREIS; BATEI, E ABRIR-SE-VOS-Á; 10PORQUE QUALQUER QUE PEDE RECEBE; E QUEM BUSCA ACHA; E A QUEM BATE ABRIR-SE-LHE-Á.” LUCAS 11:9-10

Os dias atuais não andam muito fáceis para ninguém no planeta. Desafios múltiplos surgem aqui e ali e ao experimentar a necessidade de alguma coisa, o indivíduo que já apresenta em si o mínimo de espiritualidade, recorda como que automaticamente a promessa do Cristo Jesus, quando asseverou resposta adequada a qualquer que pedir.

Assim, o tempo passa e uma enormidade de companheiros pede recurso, oportunidade e força na preocupação desmedida em torno do êxito. Inúmeros beneficiários do evangelho imploram isso ou aquilo, com alusão à boa marcha dos negócios que lhes interessam a vida física. Haja pedido. Cada qual apresenta o seu capricho ferido como sendo a dor maior que existe. Muitos inclusive dizem-se interessados na lavoura do bem. Sentem, com os lábios, que querem fazer algo, só que para isso esperam a execução de negócios imaginários, aguardam a aquisição de poder, a posse de ouro fácil ou chegada de prêmios fortuitos.

É incontável o número de pedidos descabidos direcionados ao alto. Em resumo, o que muitos buscam é a fuga. Nada mais. Por incrível que pareça, anelam somente a distância da dificuldade, do trabalho, da luta digna. Frequentam igrejas e templos diversos e com exceções irritam-se ao primeiro contato com a luta mais áspera, após reafirmarem os mais sadios propósitos de renovação. E mais, comumente, voltando cada semana ao núcleo de preces, estão nas mesmas condições, requisitando tão somente conforto e auxílio exterior. Aguardam facilidades e mais facilidades. Julgando-se eternos credores dos favores do céu, não é com facilidade que cumprem a promessa de cooperação com o Cristo, em si próprios, base fundamental da verdadeira iluminação.

E sonhando realizações mirabolantes, acabam frustrados na mania de grandeza.

Complicando a própria marcha na estrada observam-se, de súbito, muitas vezes em presença da morte, quando menos contavam com semelhante visita. O fato é que no fundo ainda não aprendemos a pedir. Ignorando o que é de melhor para o nosso crescimento, no curso do tempo, insistimos em solicitar aquilo que nos deleita por momentos, mesmo que nos traga complicações posteriores.

Visitados por dificuldades não hesitamos, pedimos o pronto restabelecimento da situação, na maioria das vezes para continuarmos fazendo o que fazíamos antes da circunstância desfavorável ocorrer. Curamo-nos e não nos re-educamos. Pedimos de novo coisas que tivemos no passado e não soubemos valorizar.

Se os males da existência forem divididos em duas partes, sendo a primeira constituída por aquelas circunstâncias que o homem não pode evitar e a outra formada por tribulações diversas que ele constitui por si próprio, pelas suas ações menos felizes no uso distorcido da faculdade de escolha, é fácil observar que a segunda parte se dá em percentual muito superior à primeira. De onde se conclui que toda queda dos seres responsáveis tem como origem a infração às leis de Deus.

Que coisa. O ser humano é o responsável direto pela maioria das aflições porque passa. Havendo dúvida, basta o indivíduo descer ao fundo da sua consciência para deparar, em si mesmo, com o ponto de partida dos males de que queixa.

Males dos quais poderia se poupar se trabalhasse com sabedoria e prudência. É preciso tranquilidade nos tempos difíceis. Você acha, por exemplo, que uma pessoa que tem a sua saúde arruinada em consequência de excessos a que se entregou por longo tempo, e que em razão disso arrasta até os últimos dias na terra uma vida de sofrimento, pode se queixar caso não obtenha a cura que deseja?

A verdade é que se observássemos atentamente as leis divinas seríamos muito felizes. Se não ultrapassássemos o limite do necessário na satisfação das nossas necessidades não apanharíamos as enfermidades que resultam dos excessos, nem experimentaríamos os dissabores que as doenças acarretam. Se puséssemos freio à nossa ambição desmedida não teríamos de temer a ruína. Se não quiséssemos subir muito mais alto do que podemos não teríamos de recear a queda. Ah, se fôssemos humildes não sofreríamos as decepções do orgulho ferido. Se praticássemos a caridade com os semelhantes não seríamos maldizentes, nem invejosos, e evitaríamos, também, as disputas e as dissensões. Se mal a ninguém fizéssemos não temeríamos as vinganças e os revides.

Portanto, amigos, é inútil pedirmos ao Senhor que nos abrevie as provas, que nos dê alegrias sem limite e riquezas sem conta. Dificilmente pedimos a ele a nossa melhoria moral. O que não esquecemos de pedir, insistentemente, é o bom êxito nos nossos empreendimentos, sucesso nos planejamentos do mundo.

O evangelho nada proíbe, coloca-nos em condição de discernirmos o que é bom e o que não é bom. Precisamos nos atentar para a importância de conhecermos as nossas reais necessidades. Não podemos dizer como muitos dizem, que não vale a pena orar, que é perda de tempo, porque Deus não atende. O que a maioria das pessoas tem pedido? Será possível imaginar a natureza da maioria das solicitações? Nem sempre é conveniente certos tipos de pedidos.

Fazermos dos mensageiros do céu servos de nossos desejos é, com certeza, sermos pouco felizes na busca. A nossa prece deve conter o pedido de graças de que necessitamos, mas de que necessitamos de verdade. Vamos rogar os bens preciosos da paciência, da resignação e da fé, uma vez que necessitamos do equilíbrio e da paz que asserenem nossos corações. Roguemos auxílio para que aprendamos a atingir positivamente o coração de nossos vizinhos; que o Pai, que nos deseja a isenção do sofrimento, nos fortaleça a fim de que saibamos perdoar todo o mal. Antes de tudo, peçamos auxílio na melhoria pessoal e veremos que torrente de graças e consolações se derramarão sobre nós.

A verdade é que podemos pedir, mas o Cristo não disse pedi e recebereis, disse? Ele disse: "pedi e recebereis, buscai e achareis, batei e abrir-se-vos-á." É uma trilogia.

Temos que ter crédito para receber e somente existe direito novo para quem cumpriu o dever, vamos lembrar. E apenas encontra quem procura, pois encontrar é diferente de achar. Pedir é nossa vida mental, agora, não basta, na oração, apenas esse movimento restrito na linha de adoração. A edificação íntima, a mudança espiritual, exige de nós uma cota de esforço, uma parcela a contribuir para a realização do que objetivamos. No plano terreno insistimos à porta das coisas exteriores, procurando facilidades e vantagens, todavia temos de bater à porta de nós mesmos para encontrarmos a virtude e a verdadeira iluminação.

Sem contar que Jesus nos solicitou a imediata reconciliação com os adversários para que a nossa oração se dirija a Deus, escoimada de qualquer sentimento ruim.

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