19 de dez de 2012

Cap 30 - Oração é Poder - Parte 6 (Final)


RESPOSTA DA MISERICÓRDIA

“9E QUAL DE ENTRE VÓS É O HOMEM QUE, PEDINDO-LHE PÃO O SEU FILHO, LHE DARÁ UMA PEDRA? 10E, PEDINDO-LHE PEIXE, LHE DARÁ UMA SERPENTE? 11SE VÓS, POIS, SENDO MAUS, SABEIS DAR BOAS COISAS AOS VOSSOS FILHOS, QUANTO MAIS VOSSO PAI, QUE ESTÁ NOS CÉUS, DARÁ BENS AOS QUE LHE PEDIREM?.” MATEUS 7:9-11

É óbvio que um pai sensato, examinando essa ou aquela solicitação, considerará antes de qualquer atendimento os imperativos de tempo, circunstância, necessidade ou lugar. Se o filho é ainda criança não lhe entrega dinamite para brincar, simplesmente porque o menino formula rogativa ensopando-se de lágrimas. Se o filho jaz perturbado não lhe confere a direção da família, pelo fato de recolher-lhe petitórios comoventes. Se o filho, por várias vezes, deixou a casa em ruína, por desperdício delituoso, não lhe restituirá, de pronto, o governo dos assuntos domésticos, só pelo motivo de se ver rodeado de súplicas. E se o filho permanece atrasado no progresso escolar não lhe autoriza divertimentos prolongados, unicamente porque lhe ouça enternecedores requerimentos.

Sem contar que qual ocorre com crianças e jovens, ou mesmo com adultos sem amadurecimento psicológico e moral, determinadas decisões não necessitam passar pelo crivo da opinião destes, porque destituídos de discernimento não saberiam o que ou como fazer. Não poucas vezes, determinados tratamentos cirúrgicos e psiquiátricos são decididos pela família do indivíduo, mesmo que sem o seu consentimento, a fim de salvar-lhe a existência.

Assim, está certo que o pai, em hipótese alguma, aniquilará as esperanças dos descendentes, no entanto, no interesse deles próprios, lhes concederá isso ou aquilo consultando-lhes a conveniência e a segurança, até que se ergam ao nível da madureza, responsabilidade, merecimento e habilitação, suscetíveis de lhes assegurar a liberdade de pedir o que desejem. Isso  acontece com os pais terrenos.

Repare que desde que começou a racionar o homem observou que acima de seus poderes reduzidos havia um poder ilimitado, que lhe criara o ambiente da vida.

Todas as criaturas nascem com tendência para o mais alto e experimentam a necessidade de comungar com esse plano elevado, de onde o pai nos acompanha com o seu amor e sabedoria, onde as preces dos homens o procuram sob nomes diversos. Agora, cá para nós, realmente acreditamos que em todos os séculos da vida humana recorreriam as almas, incessantemente, a uma porta silenciosa e inflexível, se nenhum resultado obtivessem? Você acha mesmo? Não tenha dúvida, todas as nossas orações são ouvidas. Não há prece sem resposta.

Se ocasionalmente experimenta desconfiança e inquietação no ato de orar, apenas porque chora e sofre, lembra-te da compaixão e do discernimento que já presidem o lar humano e não duvide da perfeita e infinita misericórdia do pai celestial.

Não há apelo honesto dirigido a Deus, através da oração, que fique sem conveniente resposta. É certo que todos gostaríamos de obter ajuda conforme pensamos ser o melhor, embora tal não ocorra. A resposta nos chega de maneira própria para a necessidade, ensejando-nos coragem e fé até o momento da libertação. O médico não receita ao paciente o remédio que ele quer, mas o que ele precisa, uma árvore tem que se iniciar através do processo de germinação da semente e a própria vinda do Cristo ao planeta obedeceu a uma circunstância apropriada. Jesus não veio ao mundo quando quis e também não fez o que quis. Não veio para fazer a vontade dele, mas a do Pai, embora tudo o que fez tenha sido por um amor infinitamente distante do nosso.

A oração de forma alguma evita o sofrimento ou anula as dívidas. Se o fizesse, desorganizaria o equilíbrio das leis. Não obstante, propicia os meios para que se possa suportar a conjuntura, tornando-a menos penosa, em face do robustecimento do ânimo e das resistências morais. A prece não afasta os dissabores e as lições proveitosas da amargura constantes do mapa de serviços que cada espírito deve prestar na sua tarefa terrena, mas deve ser cultivada no íntimo, como a luz que se acende para o caminho tenebroso, ou mantida no coração como o alimento indispensável que se prepara, de modo a satisfazer à necessidade própria, na jornada longa e difícil, porquanto a oração sincera estabelece a vigilância e constitui o maior fator de resistência moral, no centro das provações mais escabrosas e mais rudes. Onde não existe organização espiritual não existe defesas da paz de espírito. Ninguém pode sustentar-se sem o banho interior do silêncio, restaurando as próprias forças nas correntes superiores de energia sublime que fluem dos mananciais celestes.

A oração é necessária nos momentos tranquilos e nos momentos difíceis para o estabelecimento da paz, no entanto, quase sempre o que ocorre é o inverso. O desespero, a revolta, o pessimismo e a amargura se associam e agitam ou bloqueiam as áreas do raciocínio e o ser humano tomba na urdidura do acontecimento.

Se em fotografia precisamos de elemento impressionável para deter a imagem, e em eletricidade carecemos do fio sensível para a transmissão da luz, no terreno das vantagens espirituais é imprescindível que o candidato apresente condição receptiva, decorrente da fé, atitude de segurança íntima aliada à reverência e submissão às leis divinas. Sem recolhimento e respeito na receptividade não conseguimos fixar os recursos imponderáveis que funcionam a nosso favor.

Em razão disso, mantenha a calma sempre. Tudo na vida tem o seu tempo para acontecer e nada acontece sem razão. Todos os acontecimentos apresentam-se dentro de um processo natural, embora possam apresentar facetas inúmeras vezes incompreensíveis por quem as observa, ou mesmo vivencia.

Enquanto orares pedindo ao Pai a satisfação de teus desejos e caprichos é possível que te retires da prece inquieto, triste e desalentado. Mas sempre que solicitares as bênçãos de Deus, a fim de compreenderes a sua vontade justa e sábia, a teu respeito, receberás pela oração os bens divinos do consolo e da paz.

Importa saber o que procuramos. Naturalmente, receberemos sempre, mas é imprescindível conhecer o objeto de nossa solicitação. Quem procura o mal encontra-se com o mal igualmente. Existe uma perfeita correspondência entre a nossa alma e a alma das coisas. Não se trata de uma hipótese, e sim de uma lei.

É importante manter a vigilância na decisão de buscarmos alguma coisa, porquanto o mestre afirmou que "quem busca, acha", e acharemos sempre o que procuramos. Em face de determinados momentos de pressão, o bom senso sugere para que não peça que retirem as tuas dificuldades. Peça forças para que você possa administrá-las e delas se livrar de maneira definitiva. Em todas as circunstâncias chamai o nome do criador, e na medida que vós acreditardes no seu nome a vossa prece será ouvida. Ore e, simultaneamente à oração, trabalhe.

Faça isso. Se o socorro da misericórdia divina ainda não te alcançou em teu círculo de luta, é bastante provável que esteja a caminho. Faça isso, mesmo que se encontre desanimado e cansado. Apenas faça. Pode ser que hoje não entenda a grandeza desse ensinamento. Amanhã, com certeza, você entenderá.

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