23 de dez de 2012

Cap 31 - A Felicidade e a Espada (2ª edição) - Parte 1


O MUNDO E AS ATRIBULAÇÕES

Em algum momento você já parou para pensar que apesar do enorme avanço tecnológico que nos envolve na atualidade, em todos os sentidos, e que tem por finalidade melhorar as condições de vida dos seres humanos, ainda somos visitados por situações que nos ocasionam certo desconforto na intimidade da alma?

Acho que todos já notamos isso, e observamos que por mais avançadas as conquistas da ciência, o chamamento do mundo, os valores que ele oferece, visam nos propiciar um reconforto no âmbito de fora para dentro, objetivam propor uma felicidade que chega de fora.

Eu me lembro que em certa ocasião, a um bom tempo atrás, convidado para falar sobre o evangelho em um núcleo espiritual, uma senhora que me precedeu nos estudos, muito simpática por sinal, começou dizendo na sua explanação: "Calamidades! Nós vivemos em um mundo de calamidades." Confesso a você que apesar de bem intencionada ela falou bobagem, falou o que não sabia.

Embora seja tendência natural de muitos abominarem o mundo a questão não é bem assim. Porque não podemos viver dissociados das contingências do mundo, para o qual Deus mandou seu filho unigênito não para o condenar, mas redimir.

Pare para analisar, precisamos do mundo. Sem ele não há material de trabalho, e precisamos dos valores que o mundo oferece para edificarmos nosso crescimento. Não temos como obter evolução efetiva distanciados dos valores tangíveis, não tem como a gente evoluir em um plano etéreo, servindo aos anjos, e por isso as obras, a nossa capacidade realizadora, não pode se realizar em cima de um plano subjetivo. Assim, não podemos mais ficar nessa de amaldiçoando o mundo que nos acolhe. Com trabalho, inteligência, sacrifício e persistência é no globo terrestre que edificamos as bases sólidas de nossa ventura.

O bem está presente em toda extensão universal. A própria dor, a própria enfermidade, os próprios desafios da vida, são componentes indutores da evolução do ser, seja no respaldo dos débitos perante a lei, seja na instauração de processos de indução para o crescimento das criaturas. As circunstâncias que nos alcançam expressam a vontade de Deus a nosso benefício, a todo momento e em todos os lugares. O fato é que Deus dispõe e nós temos que aprender a trabalhar com o que ele nos dispõe, e ponto final. Não é possível crescer reclamando das dificuldades. A queixa inútil enfraquece o otimismo, gerando desconfiança e perturbação e a serenidade define o campo básico que precisamos tentar conquistar. Cada um tem a sua cruz para carregar e os acontecimentos do cotidiano nos convocam a consolidarmos a paz em meio a um mundo em aparente desarmonia. Note bem, eu disse aparente, porque tudo está debaixo de uma harmonia e um equilíbrio superior. Não pode ser diferente, a serenidade que buscamos é conquistada em meio ao tumulto.

O mundo em transição, embora em tamanha conturbação, é algo da maior validade para cada um de nós. O momento de transição é um momento peculiar no campo evolucional da humanidade. Antigamente, quem sabe, nós teríamos que viver vários anos até podermos sedimentar um novo componente, para darmos o passo seguinte. Hoje não, pelo contrário, em prazos bem menores estamos sendo levados. Isso é um sinal característico de transição.

A nossa terra, por exemplo, nas últimas décadas, coisa de oitenta, setenta, ou até menos, cinquenta anos, apresentou mudanças expressivas em todos os sentidos, filosófico, tecnológico, na pesquisa científica, no campo de todas as frentes em que o progresso e o trabalho se desenvolve. Muitas das coisas que eram estudadas nos livros a quarenta, cinquenta anos atrás, já estão superadas.

É outra coisa hoje, o que mostra que esse mecanismo funciona numa rapidez incrível, abrindo novas condições para a nossa vida. O mundo é um laboratório em que a gente pode resolver muitos problemas íntimos em curto prazo. Basta querer.

Nós estamos vivendo momentos importantes na transição. Podemos, se bobear, complicar o destino. Aliás, muitos encontram-se valendo desse momento tumultuado para entrar com os dois pés nas dificuldades, porém, enquanto isso podemos dar passos avantajados como sendo verdadeiros saltos nas estruturas de vida que nos tem sido abertas no momento. Muitos estão sendo convocados a se valer desse momento que se transforma num verdadeiro laboratório de compreensão, de ajuda e auxílio. Nós podemos ter chances inimagináveis de trabalho. É óbvio que a tarefa nossa tem uma linha de gradatividade, mas estamos aqui envolvidos, aprendendo e tendo campo de cooperar, não apenas no sentido de fazer curativos, pensar feridas, aliviar as dores, mas também em muitos momentos de esclarecer os corações com vistas a novos momentos de reequilíbrio e de paz para os nossos semelhantes.

A hora é de levantar a cabeça. A misericórdia divina não quer ver ninguém triste.

É claro que temos ao longo do percurso provas e dificuldades, mas também temos que atestar a nossa capacidade de resistência. Embora nem sempre pareça, cada pessoa tem todos os recursos de que precisa para melhorar e crescer.

E a utilização adequada dos recursos é o que abre campo para o recebimento de novos recursos. Sabemos disso, no entanto, infelizmente o que é que acontece? As carências que nos dominam, as inconformações de que ainda somos visitados, nos levam a certos estados que às vezes criam verdadeiros embaraços aos nossos passos. O grande segredo é manter a harmonia íntima. Não apenas nos momentos culminantes, mas sempre. O que depende da gente.

Muitas pessoas estão querendo a paz, a todo instante buscando a paz, só que a tendência das buscas aos planos inferiores ou do desajuste é muito evidente e vem muito mais à tona na órbita de suas vidas do que podem imaginar. É preciso não se deixar levar. É preciso um ponto de reação. Nada vem de graça, até a paz precisa ser cultivada. Vale a pena deixar o registro de que existem muitos fatores que merecem ser trabalhados com tranquilidade e calma para que o encaminhamento dos fatos se dê sem inquietação, sem desastres, sem atropelos.

Porque temos aprendido com aprofundamento que aquela criatura que é capaz de administrar as suas emoções ganha com certeza muitos pontos na caminhada.

A alegria tantas vezes se resume no interesse imediatista. E a paz naquela sensação de bem estar do corpo, sem dor alguma. Isso mesmo, não é exagero. A paz no mundo quase sempre é aquela que culmina com o descanso dos cadáveres a se dissociarem na inércia. Só transferindo-nos da inércia para o trabalho em favor da redenção própria vemos que a vida é bem diferente disso.

A paz do espírito é serviço renovador com um proveito constante, é o serviço do bem eterno em uma permanente ascensão. Sendo assim, a despeito de todas as dúvidas e impugnações que te cerquem os passos, segue para adiante atendendo aos deveres que a vida de preceitua, conforme o testemunho da sua consciência, em uma convicção ampla de que a felicidade verdadeira significa paz em nós.

Anda ansioso? Encontra-se preocupado? Dúvidas e dívidas diversas pairam sobre a tua fronte? Refugia-te na cidadela interior do dever retamente cumprido e entrega à sabedoria divina a ansiedade que te procura. E não se esqueça de elevar o teu potencial de entusiasmo e ânimo, pois quando fazemos as coisas com carinho e amor a trajetória não fica pesada. Se alguma circunstância te contraria, asserena a tua alma, eleva o pensamento a um plano pouco acima, respira, ora e espera que novos acontecimentos te favoreçam.

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