31 de dez de 2012

Cap 31 - A Felicidade e a Espada (2ª edição) - Parte 2


FELICIDADE É AGORA

“REGOZIJAI-VOS SEMPRE. ORAI SEM CESSAR. EM TUDO DAI GRAÇAS, PORQUE ESTA É A VONTADE DE DEUS EM CRISTO JESUS PARA CONVOSCO.” I TESSALONISSENCES 5:16-18  

“NÃO ESTEJAIS INQUIETOS POR COISA ALGUMA; ANTES AS VOSSAS PETIÇÕES SEJAM EM TUDO CONHECIDAS DIANTE DE DEUS PELA ORAÇÃO E SÚPLICA, COM AÇÃO DE GRAÇAS.” FILIPENSES 4:6

Aos nossos olhos o mundo está girando bem mais rápido do que no tempo dos nossos avós. O planeta evolui e a evolução está jogando no campo do reconforto tanta coisa para nós. Tantas tecnologias novas, tantas comodidades no plano do dia a dia, mas que com toda a sinceridade a gente não tem condição de usufruir cem por cento. Se prestarmos atenção direitinho não há um usufruto tranquilo disso. Aliás, quem está usufruindo mesmo é quem está desligado, apenas querendo curtir a vida, o que nem sempre é sinal de um usufruto adequado.

Os ponteiros dos relógios giram incansáveis e em toda parte encontramos pessoas caminhando cabisbaixas, entristecidas, curvadas, semblantes fechados. Tristes, agoniadas sem motivo, ou exaustas sem razão aparente, transitam nos consultórios médicos e recorrem a casas religiosas suplicando prodígios.

Isolam-se na inutilidade e choram de tédio. Surpresas, confessam desconhecer a causa dos males que as assoberbam. Alegam ser vítimas e clamam de forma infundada contra o meio em que vivem. E ao invés de situarem a mente no caminho natural da evolução, atiram-se aos despenhadeiros da margem.

Puxa vida. Que coisa, hein! Que a terra hospeda multidões de companheiros endividados tanto quanto nós mesmos somos, todos sabemos e não é novidade para ninguém. Ou é? Não há motivo algum para alarde. Tudo o que acontece no planeta é inevitável, apenas urge não darmos aos acontecimentos contrários à harmonia atenção alguma além da necessária. Como acontece com aquele indivíduo que consome alimento deteriorado, se enchemos o cérebro de preocupações descontroladas nos inclinamos de imediato ao desequilíbrio.

Quem elegeu o evangelho por roteiro tem a obrigação de andar no mundo, ainda conturbado e sofredor, sem gastar tempo e vida em questões supérfluas, prosseguindo firme na estrada de entendimento e serviço que o Senhor nos traçou.

O mundo evolui incessante e a multidão luta para vencer no mundo, e insistimos em nos manter situados nos métodos de felicidade relativa. No "eu venci o mundo", preceito já trabalhado por pequena massa de pessoas, Jesus aponta a necessidade de termos um ponto que define o roteiro da nossa vida, que acima de tudo é preciso vencer o mundo exterior à partir do nosso mundo íntimo.

A felicidade, em sua expressão máxima, é intangível e não ocupa espaço. Pense com carinho nisso. Ela decorre de um estado de alma e não de uma coisa. Substantivo abstrato, não pode nascer de posses efêmeras que se transferem de mão em mão e tampouco está em cofres que a ferrugem consome. Não estou aqui para desconsiderar a luta sadia pela conquista de valores tangíveis. Longe disso. Apenas precisamos ter em conta que um bem material pode fazer alguém feliz, mas é fato que a felicidade não está contida nele.

Digo isso para entendermos que não existe nenhuma proposta realizadora de felicidade sem uma proposta de interioridade do ser. É impossível ser feliz sem uma elaboração profunda na intimidade da alma, porque a verdadeira construção da felicidade só se fará com bases legítimas no espírito das criaturas. Nenhuma alegria ambiente será verdadeira em nós sem a implícita aprovação de nossa consciência. Sem o patrimônio dos nossos valores íntimos não conseguiremos vencer do ponto de vida da felicidade e da paz a que estamos sempre atentos em proclamar como sendo nossas necessidades primárias.

O evangelho espera de nós uma alegria legítima e ele não podia trazer os cenários do riso mascarado do mundo. Assim, as suas lições foram efetuadas nas paisagens da mais perfeita alegria espiritual. Importante é saber que o princípio gerador da alegria e da tristeza é a vida que levamos a nível mental e operacional. Os fatores externos simplesmente vem de encontro às nossas concepções mais íntimas. O resultado é simples: quanto mais céu no interior da alma, pela sublimação da vida, mais ampla a incursão da alma nos céus exteriores; mais luz dentro, menos trevas no plano exterior.

Existe uma enormidade de criaturas que vive quase que exclusivamente presas ao passado. Todos conhecemos pessoas assim. Parece que o tempo passou para elas e deixou marcas profundas na intimidade. Não estão dispostas a serem felizes hoje, aparentam ter perdido aquele brilho nos olhos, jogado a toalha para a realização de novos sonhos. A conversa quase sempre se volta para tempos remotos: "Eu já fui muito feliz em uma determinada época da minha vida. Você tinha que ver." E aí vai. "Depois que me aconteceu aquilo, depois que perdi aquela pessoa eu nunca mais tive alegria." É triste, mas existem muitas pessoas assim. São exemplos bem simples de pensamentos exteriorizados por um agrupamento de saudosistas, que por razões as mais diversas prendem-se às retaguardas da existência. Deixaram as esperanças nos pretéritos do caminho e perderam o foco no porvir. Para elas o presente representa em certos ângulos escombros do desmoronamento de valores que mantinham a segurança e a luz acesa. É chegada a hora de retificarem conceitos e reerguerem a chama do entusiasmo. Quem se liga apenas ao ontem se prende.

Outros insistem em manterem-se presos às linhas de ansiedade direcionadas ao futuro. Também não são felizes hoje. A felicidade para eles sempre depende de algo.

Para eles representa fim, quando deveria constituir-se em meio. Idealizam a felicidade como algo do amanhã, colocam-na como consequência, resultante da realização de certo objetivo ou a dissolução de algum problema: "Eu serei feliz quando passar no concurso, quando tiver meu carro zero, quando morar sozinho, quando mudar de emprego, quando comprar minha casa, quando conhecer meu grande amor, quando não sentir mais dores na coluna, quando ficar livre daquele problema." Em outras palavras, não são felizes hoje, serão felizes quando.

Se esquecem que a vida é dinâmica, que ao realizarmos um objetivo imediatamente traçamos novas metas e que após a solução de um problema outros chegam a exigir-nos atenção e providências. Quanto mais formalizamos a nossa alegria em uma pretensa conquista de bem estar lá na frente mais difícil fica a nossa caminhada, porque quem coloca a felicidade como destino não consegue ser feliz durante o percurso.

O tempo é uma corrente que flui dos eventos temporais percebidos pela consciência e para o homem surge como sucessão de eventos reconhecidos e diferenciados.

No entanto, à medida que o homem ascende e progride interiormente a visão amplificada dessa sucessão é tal que ele pode discerni-la cada vez mais na totalidade. Aquilo que anteriormente surgia como uma sequência de eventos passa a ser visto como um círculo inteiro e perfeitamente relacionado. O que eu estou querendo dizer é que os dois grupos a qual me referi agora, de passado e futuro, são de criaturas que não estão sabendo viver adequadamente o momento atual, pois vivem em patamares subjetivos. Prendendo-nos de forma rígida ao passado ou nos limitando às diretrizes do futuro não vivemos, pois viver é um ato do presente, só podemos viver o agora.

A gente precisa parar de sonhar com a felicidade em um plano beatífico ou etéreo para começar a vivê-la e senti-la agora. A felicidade tem que ser experimentada por nós. Só vamos ser felizes experimentando a felicidade. E mais do que isso, precisamos aprender a sair da vida relativa do agora para vivermos o eterno, aprender a viver o agora na moldura da eternidade. Na eliminação da esteira de espaço e tempo a pessoa vive o eterno, e vivemos o eterno quando acabamos com as aflições, quando sequenciamos sem comparações, sem dissensões, cada um fazendo o seu papel na pauta própria do que é capaz de operar.

A evolução prossegue e a perfeição só existe em Deus. E quando os espíritos superiores falam que ela só está em Deus, por mais perfeito que você possa vir a ser um dia, você está a caminho de Deus. Agora, não quer dizer que você só vai ser feliz quando estiver lá na ante-sala do criador, não quer dizer que vamos ser felizes somente quando chegarmos lá. Não é por aí. O universo seria um poço de inquietudes se esperássemos a felicidade somente lá na frente.

Temos falado aqui e vale a pena repetir: Para ser feliz ninguém precisa estar na ponta da jornada, no ápice da realização. Nós podemos ser felizes agora, harmonizando o coração com a paciência necessária. Eu não preciso estar lá nas alturas para ser feliz. Posso ser feliz agora. Ainda que essa felicidade não possa ser ampla em razão dos carmas que eu trago. Eu estou passando por trânsitos muito difíceis na vida, mas estou na certeza de que estou vivendo momentos difíceis em virtude das causas infelizes que semeei. Então, temos que aproveitar oportunidades. A criatura que está evoluindo conscientemente não perde esse entendimento de maneira nenhuma. Cada circunstância vivida é verdadeiro laboratório capaz de oferecer respostas das mais diversas para ele.

No fundo do coração todos nós alimentamos direitos e propostas, sonhos e esperanças. E temos no mínimo o direito de sermos felizes. Claro que devemos sonhar e investir no futuro, mas é imperioso encontrarmos a felicidade no agora, pois ela se formaliza no minuto em que vivemos. Quanto mais alguém esperar pela felicidade somente lá na frente mais difícil fica a sua caminhada.

A harmonia não depende de uma correria ou chegada mais rápida ao objetivo. Esse objetivo pode ser tranquilamente encontrado no agora, para isso basta um ajuste e coerência entre o que se sabe e o que se faz. Vamos trabalhar com carinho para a nossa felicidade hoje, podemos ser felizes agora, sem essa de ficarmos apavorado com o que virá. Levantemos os olhos e sigamos em frente começando hoje mesmo, afinal somos chamados a viver um só dia de cada vez sempre que o sol se levanta. Sem essa de comparações com os outros.

O fundamental é você saber se está bem no patamar em que se encontra, porque o estar ajustado já define uma criatura mais tranquila e também mais segura.

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