31 de jan de 2013

Cap 31 - A Felicidade e a Espada (2ª edição) - Parte 11 (Final)


AS DUAS ESPADAS

O evangelho tem indicado que não precisamos mais sofrer para aprender o caminho de crescer. Ele tem ensinado e está nos projetando a uma didática nova em cima do aprende e faz.

Porque se antes aprendíamos pelo impacto da justiça, debaixo do mecanismo da dor, a boa nova nos projeta para aprendermos sob a tutela do amor. No aprende e faz nós caminhamos na linha vertical do amor a Deus, e na horizontal pela caridade ao próximo. E as dissensões que a escritura nos indica se dão pelo descendente contra o ascendente. Isso aí, o homem contra o seu pai, porque quem vai envergar a espada é o filho contra o homem velho; a filha contra a sua mãe, nos terrenos do sentimento; e a nora contra a sua sogra em uma descendência contra a ascendência no campo das relações.

Não dá para ter dúvida. A espada de Jesus é a única capaz de promover a paz interna, uma paz que é saúde e alegria do espírito. E ela só pode ser avocada por um processo de dentro para fora. Sempre a avocamos de forma consciente e a morte decorre da luta, da aplicação dela em uma postura pessoal de testemunho. O evangelho propõe para nós que a melhor maneira de sanear numa terapia eficiente é pela laboração em cima dos padrões positivos que se nos abrem hoje.

E também é imperioso reconhecer que a paz legítima resulta do equilíbrio entre os nossos desejos e os propósitos do Senhor na posição em que nos encontramos. A questão fundamental é saber se vivemos no Cristo tanto quanto ele vive em nós, porque não existe tranquilidade real sem a sua presença, sem a adaptação do nosso esforço de aprendizes humanos ao impulso renovador do mestre divino. Do contrário, ao invés de paz teremos sempre uma renovada guerra dentro do coração. Quando o quarto permanece sombrio somos nós quem desatamos o ferrolho da janela para que o sol nos visite. Se objetivamos a redenção espiritual somos convocados a um piso de harmonia e paz no momento oportuno, conquista gradativa e constante no espaço e no tempo. Paz não é conquista da inércia, é fruto do equilíbrio entre a fé no poder divino e confiança em nós mesmos, serviço pela vitória do bem, com humildade, disciplina, trabalho e perseverança. Basta que dediquemos algum esforço à graça da lição para que a lição nos responda com as suas graças.

Agora, quando não agimos no sentido de usar a espada na luta anterior, quando não aceitamos vivificar o espírito pela luta interna com essa espada seletiva, mecanismos externos atuam sobre nós, a espada da lei chega e passa a agir de fora para dentro. Ao invés de usarmos a espada do Cristo e desarmarmos o coração, a espada da lei, representada pelas circunstâncias da vida, passa a agir de fora para dentro exercendo uma pressão na linha da individualidade.

Ou seja, circunstâncias externas visam agir sobre aquele que não edificou a si próprio.

O resultado é que a realidade muitas vezes esfacela a ilusão. A dor chega sem anúncio prévio. O acontecimento exterior chega e corta o barato da criatura, o exército da realidade maior vem para convidar ao redirecionamento, colocando os valores em ordem para a reparação, recomeço, submissão e aprendizagem. Não são poucas as ocasiões em que se dá uma proposta de fora para dentro a fim de podermos ativar, de dentro para fora, uma nova posição diante da vida. Não é preciso ir longe, observe em sua volta e notará inúmeras expressões de comunicação de fora para dentro definindo esse chamamento.

Toda disciplina imposta externamente é caminho, até  que a individualidade encontra a capacidade de realizar o plano disciplinador de dentro para fora, sob o parâmetro do amor. O ensinamento é profundo: aquele que não se despertou ainda está caminhando para problemas de sofrimento e lágrimas amanhã.

E não fique triste. Faz parte da vida. Precisamos é entender é que a resposta da lei tem caráter de espada. A dor faz um papel extraordinário chamando a gente e muitos irmãos de humanidade precisam naturalmente ser trabalhados pelos processos tristes e violentos da educação do mundo. É preciso calma nos momentos de dificuldade, porque existem muitos envolvidos pelas dores e aflições maiores que encontram-se sob a tutela da lei, estão debaixo da necessidade de se despertarem para determinados ângulos. São mecanismos ou circunstâncias do mundo cerceando caracteres extrínsecos do ser com um grande poder de penetração nos escaninhos da alma. A espada da lei busca direcionar o ser para a empunhadura e utilização da espada de Jesus para crescer.

E para concluirmos este capítulo vamos dizer o seguinte. A espada não é a palavra? Então, devemos, com atenção, avaliar como a temos utilizado no cotidiano. Qual a natureza do que temos verbalizado e lançado no terreno do destino.

Porque em qualquer tempo e em qualquer ambiente sempre recebemos segundo aquilo que exteriorizamos. E como instrumento que avocamos conscientemente a espada também é algo que pode nos machucar muito no campo cármico das responsabilidades evolutivas, quando a usamos indevidamente de modo a ferir, machucar, menosprezar e constranger o nosso semelhante.

28 de jan de 2013

Cap 31 - A Felicidade e a Espada (2ª edição) - Parte 10


DOIS FIOS OU DOIS GUMES

“E ELE TINHA NA SUA DESTRA SETE ESTRELAS; E DA SUA BOCA SAÍA UMA AGUDA ESPADA DE DOIS FIOS; E O SEU ROSTO ERA COMO O SOL, QUANDO NA SUA FORÇA RESPLANDECE.” APOCALIPSE 1:16

“PORQUE A PALAVRA DE DEUS É VIVA E EFICAZ, E MAIS PENETRANTE DO QUE ESPADA ALGUMA DE DOIS GUMES, E PENETRA ATÉ À DIVISÃO DA ALMA E DO ESPÍRITO, E DAS JUNTAS E MEDULAS, E É APTA PARA DISCERNIR OS PENSAMENTOS E INTENÇÕES DO CORAÇÃO.” HEBREUS 4:12

É normal se questionar acerca do significado dos dois fios dessa espada. Inicialmente, podemos dizer o seguinte: se os fios são aqueles componentes que vão originar, pelos seus entrelaçamentos, o tecido, e os tecidos formam as vestimentas que agasalham, protegem e aquecem, já tivemos a oportunidade de estudar lá atrás, no capítulo Os Vestidos e os Panos, que esses dois fios dizem respeito às nossas vibrações, em conformidade à natureza íntima que aciona e movimenta a espada. Pois da boca saem palavras que tanto podem bendizer como maldizer.

E em razão da abrangência do símbolo, esses dois fios também sugerem o aspecto bipolar no contraste entre pólos de natureza contrária, tais como o positivo e o negativo, a luz e a treva, o bem e o mau, etc. Caracterizam, ainda, os padrões de razão e sentimento, e indicam planos de elasticidade, ou seja, referência a qualquer território ampliado que envolve um ponto situado entre dois extremos.

E se essa espada tem por finalidade, após a luta, propiciar a morte, o fato é que de certa forma podemos escolher a maneira dessa desativação ser operada. Não podemos escolher? Nós podemos enfatizar essa mudança sob dois parâmetros: ou pelo plano da justiça, não é mesmo? que, aliás, é a maneira mais dolorida, cuja desativação é doída e pode até levar a um processo místico e fanatizante, ou pela assimilação do evangelho, que é bem mais suave.

O mecanismo reeducacional exige um processo de planejamento, estudo e elaboração. E como toda sistemática de crescimento consciente inicia-se por uma possibilidade de escolha, nós temos que crescer na marcha gradativa utilizando essa espada de dois gumes. Entendeu? Nós aprendemos e evoluímos alternativamente, ou concomitantemente, em função do impositivo da justiça, como também em função da revelação do amor. Agora, a questão é saber qual vamos privilegiar mais.

A vida tem ensinado para muitos indivíduos que esse aprendizado vem em cima das expressões de lágrimas, dor, frustração, desilusão e sofrimento. Para outros, os mesmos componentes funcionam como avisos, alertas, padrões revelados. Em outras palavras, ou aprendemos pelo impacto ou aprendemos de modo suave pela capacidade de assimilar, a nível informativo, e incrustar e apropriar o conteúdo ao nível da prática dentro do mecanismo de formação de caracteres.

Mas sempre a revelação, sob a fisionomia do amor, precede o impacto da justiça, e por isso duas leis trabalham conjuntamente. Que vem a ser isso? Todas as vezes que assimilamos a palavra nós passamos a trabalhar com dois componentes, dois valores: o componente da morte e o componente da vida. É assim que o mecanismo evolutivo se desenvolve. A evolução em favor da nossa felicidade caracteriza-se pela luta com essa espada, numa sistemática de ação em que vamos tentando, mediante o conhecimento, realizar dois pontos fundamentais: primeiro, desativar as influências mais intensivas dos reflexos que nós já sentimos são suscetíveis de serem superados e, simultaneamente, arregimentar novos valores para a formação de uma nova personalidade.

É na terra do coração que se trava a verdadeira guerra de melhoria dos sentimentos.

Não tem outra, para levarmos a efeito a edificação sublime necessitamos começar pela disciplina de nós mesmos. O sistema de refreamento é um dos gumes da espada, cerceando a linha que emerge do subconsciente e que objetiva levar-nos a situações tristes e às quedas. A espada é um instrumento de progresso que corta as nossas más inclinações numa postura de intensa batalha íntima pela continências dos nossos impulsos. Eu espero estar sendo claro. Um lado da espada trabalha o não fazer, desativa as influências mais intensivas dos reflexos inferiores que sentimos são possíveis de serem superados.

Aponta aquele ângulo em que a cada dia corta-se uma parcela da complicação, corta aquelas arestas representativas das nossas dificuldades, das nossas falhas e vícios. Em meio às ações e reações nossas do dia a dia nos é dado medir a paz já arregimentada e não triunfaremos no mundo somente em função daquilo que fizermos, mas também pelo que deixarmos de fazer, no âmbito de nossas falsas grandezas. Todos os construtores do aperfeiçoamento espiritual não estão no planeta para vencer no mundo, mas notadamente para vencer o mundo, em si mesmos, de modo a servirem ao mundo sempre mais e melhor.

O outro gume da espada representa o sentido positivo operacional, abrindo caminhos de uma nova proposta de realização, onde a cada dia abre-se um terreno para novos padrões, no intuito de alcançarmos o crescimento consciente. Porque sabemos que não há a possibilidade de desativarmos reflexos unicamente por sistemas mecânicos ou elaborações mentais de periferia.

Estamos todos aqui, sem exceção, tentando recompor e reestruturar nossas vidas, e notamos que essa reestruturação não se dá só pela mudança de postura mental, cerceando ou evitando a manifestação dos reflexos inferiores, mas também sedimentando essas posições através da prática de valores positivos. Percebeu? É bonito e interessante esse sistema, onde há uma sincronia extraordinária. Os dois lados nos apontam que é essa espada que elimina o que há de ruim em nossas experiências e, ao mesmo tempo, nos faz selecionar pensamentos, palavras e ações que garantem a vitória sobre nós mesmos.

E, concomitantemente à linha de refreamento, temos que arregimentar novos componentes na formação de uma nova personalidade. Trabalhar o plano de abrir potenciais para reduzirmos a intensidade daqueles ângulos ou caracteres que podem nos levar a sofrimentos e desequilíbrios. Essa é a forma correta e acertada, pois sabemos que o que sedimenta a morte é o nascimento em um novo ângulo. 

Assim, enquanto a desativação pela justiça estrutura-se em cima do bloqueio e do refreamento, do não fazer, pelo evangelho de Jesus ela é decorrente da ativação de novos padrões. O processo é recolher a informação e operar a informação, aprender e fazer, e isso mata a antiga postura da criatura e a revivifica em outra posição, fazendo a vida deixar de ter aquele sentido de encarnação e desencarnação para ter um sentido de estado íntimo de paz e harmonia.

A espada, no sentido literal, mata, e no sentido essencial, substancial, ressurge na frente com novos caracteres. Mata, sim, de fato tem o objetivo finalístico de aniquilar uma expressão anterior. Funciona para matar a lei e fazer vivificar uma dimensão nova na estrutura do amor. Só que tem um detalhe importante: nem sempre essa morte é imediata, ocorre na hora, naquele instante.

24 de jan de 2013

Cap 31 - A Felicidade e a Espada (2ª edição) - Parte 9


A LETRA MATA E O ESPÍRITO VIVIFICA

“O QUAL NOS FEZ TAMBÉM CAPAZES DE SER MINISTROS DE UM NOVO TESTAMENTO, NÃO DA LETRA, MAS DO ESPÍRITO; PORQUE A LETRA MATA E O ESPÍRITO VIVIFICA.” CORÍNTIOS II 3:6 

O que alguém pode perguntar é como a letra mata, como ela pode matar. Inicialmente, nós vamos observar que por meio da nossa busca, em decorrência daquilo que o nosso íntimo grita e deseja, a palavra que é irradiada passa a ser assimilada pelo nosso grau de percepção e nós apreendemos padrões novos. É claro que cada qual vai assimilando e enxergando aquele ângulo quase sempre compatível com as suas necessidades e padrões próprios. Essa palavra recebida penetra o corpo, mas não o corpo físico, penetra o corpo de concepções, de ideias, conceituações e valores do ser.

E quando a orientação espiritual elevada penetra a intimidade do indivíduo instaura-se de imediato uma luta íntima. A letra, ao encontrar plano de percepção dentro da gente, de forma instantânea cria um estado de luta íntima, conflito este decorrente da necessidade intrínseca de se conquistar a paz, porque não existe paz sem luta. A letra, de fato, aponta uma mensagem, e se ela nos atinge é porque estamos em campo de reação. Não pode haver dúvida quanto a esta questão, nenhuma. Atrás de toda proposta de luta vibra o anseio de se estabelecer a paz.

Todo conhecimento gera conflito e esse conflito instaurado, essa luta franca e aberta, representa o quê? Um componente que integra o sistema educacional natural.

No mecanismo da evolução o conflito aparece como um dos elementos que marcam de forma decisiva a metodologia da aprendizagem. É por isto que a lição de Jesus, ainda e sempre, é conhecida como a espada renovadora, o instrumento de luta íntima e geratriz da paz, com o qual deve o homem lutar consigo mesmo, extirpando os velhos inimigos do coração.

O conflito integra o mecanismo da educação e cada componente novo que recebemos cria uma guerra íntima. Porque o valor novo é assimilado e nós entramos numa guerra entre este conceito que chegou, e que entendemos que é válido, e o conceito antigo que trazemos condicionado dentro de nós pelos reflexos.

Está dando para acompanhar? A aprendizagem instala dentro de nós uma guerra entre o componente que nos chega, ao nível de informação, e os caracteres formativos condicionados que nós já possuímos no plano íntimo. É bonito demais entender esse mecanismo. O padrão novo chega porque ele é avocado pela inteligência, razão e sentimento, e vamos dizer que sentimos uma segurança nele, por isso investimos. Mas esse componente que chega, e que jogamos em cima do nosso território interior, da nossa vida mental, ele vai criar naturalmente um conflito entre a nova norma que aprendemos e as leis nas quais nos situávamos, leis às quais trabalhávamos em cima delas ao nível de conhecimento.

Os novos conceitos se chocam com as concepções caducas ali existentes, filhas de uma mentalidade que não produz a paz e, tampouco, ameniza a cota de sofrimento da criatura. Daí surge o choque inevitável entre aquilo que se tem e o que se quer ter, entre aquilo que se faz e o que se precisa fazer. Dificuldades dimanam quando acionamos os valores apreendidos pela informação e os colocamos em relação direta, ou em choque, com os padrões que estamos vivenciando.

Nessa hora é que fica praticamente instaurada, vamos dizer, a grande luta de redenção ou renovação. Por isso é que para a evolução acontecer a paciência tem que ser chamada. Conclusão? Sempre a letra mata. E se nós não colocarmos um ponto de aprofundamento para que a vida surja dessa letra, ou desses padrões mantenedores da vida em novas bases, nós não damos aquele sentido dinâmico para o crescimento. Estamos sempre lidando com esse mecanismo. Por isso é que a ressurreição é um fato. Jesus já pensava no tempo de amanhã dentro dessa proposta de aprendizado da evolução consciente.

A gente está falando em morte e no concerto das lições divinas o cristão comumente conhece apenas um gênero de morte. É claro que não estamos aqui falando em morte no sentido físico. Não é morte fisicamente falando, não é morte no sentido de cessação dos batimentos cardíacos, ou do direito de respirar. Nada disso. É uma morte de outra natureza, que se dá pelo conteúdo que nos visita e promove a morte. E também não é morte no sentido de eliminação.

Não é morrer pelo fato de eliminar, acabar. É um matar não pela eliminação e violência, e sim mediante um processo de desativação. Percebeu? É pela desativação, pois os reflexos que trazemos conosco não podem ser destruídos. Eles podem ser desativados. Estamos falando em morte no sentido de desativação de um reflexo que era expressão viva dentro de nós. É morte que define a desvinculação daqueles padrões que vem nos prendendo à retaguarda da vida. Define a desativação do componente que vigorava, para dar lugar a novas expressões que irão entrar em um plano de vivência. Por esta razão é que quando trabalhamos a letra nós estamos trabalhando os instrumentos da morte.

A letra começa a apontar situações que vivemos e que necessitam ser reexaminadas e recicladas. Então, nas faixas mais exteriores do evangelho nós temos a letra que faz um papel de morte, de entregar à morte. E na medida em que se penetra em espírito e verdade, na intimidade da letra, nós começamos a transformar o que era decretação da morte em uma eleição de vida em nova posição.

A morte é instrumento da ressurreição. É onde reside um dos aspectos da chamada ressurreição. Sem morte não há ressurreição, não se origina nova vida. Não existe mudança sem morte, não se dá a estruturação de uma nova vida sem a eliminação da vida anterior. Sem morte não há como herdar, não há herança, é preciso que morra o elemento para que a herança se faça presente.

Logo, essa morte é que vai gerar a ressurreição de uma postura nova e melhor para o indivíduo, e cada morte corresponde a uma ressurreição. É o indivíduo que vai se levantar, como filho, em outra posição mental. A nos mostrar que a morte, no seu sentido moral, intrínseco, é a grande oportunidade de cada criatura para que ela reviva em uma dimensão diferente e melhor. A letra mata, ela fala para o homem velho, e a expressão vivificante fala para o homem novo que quer nascer.

A verdade é que nós não sabemos ainda o que é a vida. Estamos mal iniciando acerca da vida. A vida, como componente dinâmico da personalidade, começa a ter expressões diferenciadas. Está entendendo o que eu quero dizer? Ela começa a perder o seu sentido dinâmico de movimento, de ação dos órgãos, do respirar, da manutenção e euforia do cosmo orgânico, para começar a trabalhar muito na intimidade da reflexão do ser. Nós estamos estudando o evangelho e ele surge para indicar que temos uma luta para vencer dentro de nós mesmos. O objetivo dessa luta é matar a antiga criatura (o homem velho) e vivificar a nova expressão (o filho do homem). É exatamente isso. Nem mais, nem menos.

A instrução que chega (informação) gera a luta e a formação educacional (aplicação) produz a paz, porque a paz é decorrente da luta, sem luta não há paz.

A informação detona a luta e a aplicabilidade dessa instrução no campo prático da vida, ao nível de formação de caracteres novos, garante a paz. A letra que chega de fora mata toda uma estrutura que estamos selecionando como suscetível de morrer, e por dentro tem o componente de vivificação que nós estamos tentando trabalhar. E a nova vida com plenitude do evangelho tem que ser implantada em função da ressurreição, porque eu não posso manter uma dualidade de vida. A dualidade de vida é muito indigesta, nos cria muitos dramas, embora não tenhamos, às vezes, como evitar esse momento de transição que estamos vivendo hoje. Mas na medida em que a morte opera o aniquilamento da minha forma de ser e de viver, a nova mensagem que a letra trouxe na sua intimidade promove a ressurreição da gente em uma nova posição.

E na proporção em que formos operando com clareza em cima do novo valor recebido nós vamos assinando os tratados de paz na própria vida consciencial. Vamos aprendendo a nos administrar. Porque a essencialidade que está contida na letra não vem para matar, efetivamente, vem para dar vida a uma expressão nova. A cada momento nós estamos gerando uma morte que, atrás dela vibra uma vida abundante e melhor. Conclusão? É que quando conseguimos nos ajustar essa espada faz um papel cortante ao nível do sofrimento, do desajuste e do desconforto. Essa espada penetra e altera, de forma substancial, toda uma estrutura formada do ser. É por isso que o termo usado é reforma íntima, isto é, dar uma forma nova, reformar. Esse valor vem trabalhar a intimidade da individualidade projetando nova forma de viver. Razão pela qual é preciso assimilar para implementar um sistema novo de vida.

O que era processo captado, nós vamos observar que essas captações informativas, reveladoras, passam a ser componentes de vida, de experiência. E essa experiência cria o quê? Um sistema de morte para aquilo que representava a nossa forma de viver. Ela vai matando toda uma soma de conceitos e concepções e vai, ao mesmo tempo, abrindo novo processo ao nível de vivência. A gente vai vivendo o novo valor e vai reformulando os conceitos, vai reformulando as concepções, vai alterando a nossa estrutura, vai melhorando.

O próprio sofrimento que nos alcança representa a letra. E a letra mata. Todavia, a proposta da lei não é apenas respaldar o destino, fazer com que paguemos a nossa dívida. Como manifestação da misericórdia de Deus, ela vai além e busca nos direcionar para o amor. Cada um está recebendo, e por maiores sejam as dificuldades não é para a destruição, porque não existe essa proposta destruidora de cima para baixo, não chega destruição do plano superior para o nosso.

A parte periférica da letra mata o nosso conceito anterior, porém, essa espada da lei não tem o objetivo de matar, de destruir, ela visa a edificação do espírito atrás dessa morte aparente que ela avoca. O que tem dentro da lei, a essência, não vem para matar, chega para fazer ressurgir uma nova personalidade.

Vamos, então, saber entender a mensagem dos acontecimentos. Nada é sem sentido e atrás de toda circunstância existe algo a ser transmitido. A própria dor traz uma mensagem, e a essencialidade contida dentro busca trazer vida em um parâmetro melhor. Tudo se torna bastante enriquecedor quando conseguimos encontrar a mensagem que vigora atrás dos acontecimentos que nos visitam.

20 de jan de 2013

Cap 31 - A Felicidade e a Espada (2ª edição) - Parte 8


ESPADA, LETRA E ESPÍRITO

“NÃO CUIDEIS QUE VIM TRAZER A PAZ À TERRA; NÃO VIM TRAZER PAZ, MAS ESPADA;” MATEUS 10:34 

“E ELE TINHA NA SUA DESTRA SETE ESTRELAS; E DA SUA BOCA SAÍA UMA AGUDA ESPADA DE DOIS FIOS;” APOCALIPSE 1:16  

“TOMAI TAMBÉM O CAPACETE DA SALVAÇÃO, E A ESPADA DO ESPÍRITO, QUE É A PALAVRA DE DEUS.” EFÉSIOS 6:17  

“PORQUE A PALAVRA DE DEUS É VIVA E EFICAZ, E MAIS PENETRANTE DO QUE ESPADA ALGUMA DE DOIS GUMES, E PENETRA ATÉ À DIVISÃO DA ALMA E DO ESPÍRITO, E DAS JUNTAS E MEDULAS, E É APTA PARA DISCERNIR OS PENSAMENTOS E INTENÇÕES DO CORAÇÃO.” HEBREUS 4:12

“O QUAL NOS FEZ TAMBÉM CAPAZES DE SER MINISTROS DE UM NOVO TESTAMENTO, NÃO DA LETRA, MAS DO ESPÍRITO; PORQUE A LETRA MATA E O ESPÍRITO VIVIFICA.” CORÍNTIOS II 3:6

O evangelho, todo ele, é mensagem direcionada ao espírito. A espada aludida por Jesus Cristo é um símbolo e o que nós precisamos é compreender a representatividade do símbolo, entendê-lo e dele tirar a ressonância para nossa caminhada. Este é o desafio. Só que para entendermos a espada no sentido essencial, que é aquele que nos interessa, temos que inicialmente analisá-la no aspecto literal.

Pois bem, o que é uma espada? Ela é uma arma, e por ser arma é um instrumento para ser utilizado em confronto, em luta, aliás, de curta distância. É constituída de uma lâmina comprida e pontiaguda a qual pode ter um ou dois gumes, que é o seu lado afiado, o que corta. Sendo assim, ela tem uma ampla capacidade de penetração e pode, finalisticamente, propiciar a morte.

Ao compreendermos o sentido literal fica tudo mais fácil. Então, vamos lá. Você se lembra do apocalipse, bem no comecinho dele, antes de entrar nas cartas direcionadas às igrejas, quando o evangelista João visualiza aquele emissário do plano superior, e ao descrevê-lo menciona que da boca desse representante divino saía uma espada de dois fios? ("E ele tinha na sua destra sete estrelas; e da sua boca saía uma aguda espada de dois fios" Apocalipse 1:16) Pois bem, vamos analisar juntos. Da boca sai espada? Cá prá nós, da boca não sai espada. Pelo que sabemos o que sai da boca é palavra. Primeiro ponto.

E Paulo nos diz: "Tomai também o capacete da salvação, e a espada do espírito, que é a palavra de Deus". (Efésios 6:17) Repare aqui, de novo a espada é palavra. "Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito." (Hebreus 4:12) Daí podemos concluir com tranquilidade que espada, efetivamente, é a palavra.

A espada que nós avocamos, de forma consciente, é a palavra divina que chega até nós, integrante universal da nossa caminhada. Porque sem a palavra fica praticamente impossível a distribuição do conhecimento. E a espada de Jesus define o símbolo do conhecimento interior pela revelação divina para que o homem inicie a batalha do aperfeiçoamento de si mesmo. Consubstanciada no conjunto de seus ensinamentos é o conhecimento que nos visita o entendimento, elemento apto a promover, quando bem dirigido, a fortaleza interior.

É componente essencial para enfrentarmos os inimigos de nossa paz, uma vez que a paz não é atributo de coletividade, e sim conquista individual, que tem o seu preço coberto pela luta, pelo esforço e pela reeducação. Em contraposição ao falso princípio considerado no mundo, o Cristo não trouxe a paz pronta, trouxe os meios para cada um obtê-la no íntimo, trouxe o mecanismo para a instauração da luta que aperfeiçoa, burila, regenera.

"O qual nos fez também capazes de ser ministros de um novo testamento, não da letra, mas do espírito." (2 Timóteo 4:7). Preste atenção, é fácil entender que a letra não é a essência, o espírito é que é. Mas se a letra não é a essência, no entanto, ela faz um papel importantíssimo, ela aponta e direciona uma mensagem que está contida em seu interior. Deu para entender? Não tem jeito de se encaminhar uma essência sem um instrumento de natureza extrínseca que a direcione. Não dá. Sendo assim, a letra é o elemento que traz as revelações.

Ela é a forma, é a embalagem que traz em seu íntimo o conteúdo, consiste na expressão periférica, o invólucro, o instrumento material, o veículo, o componente exterior. É o objeto que temos que usar para decodificar a mensagem que nos chega. A letra é a responsável pelo encaminhamento, pela veiculação, pelo direcionamento da essência que se encontra dentro de si mesma.

É o canal, o instrumento comunicador. Ela canaliza e direciona para uma essência contida em seu íntimo, pois não se pode obter uma essência sem a letra que a transporte, que a canalize. Está percebendo? Todo mecanismo de evolução visa a essência e sempre os valores de revestimento, os valores estruturais da vida, os que nos garantem e propiciam movimento, são suscetíveis de alteração. Compõem-se e decompõe-se, porque na natureza tudo se transforma.

O espírito é a essência, é o componente vivificante. Se a letra, de certa forma, é o instrumento didático, o espírito é o conteúdo, o aprendizado. As escrituras em seus livros tem aspectos literais, que é a parte exterior, como também tem aquelas partes de profundidade, de característica espiritual na intimidade delas. Ou seja, a parte de fora do evangelho é a letra, e o que nós estamos tentando é ver o que tem dentro da letra. É por isto que interpretar é pegar a letra e ver o que tem lá dentro. A letra não realiza o trabalho propriamente, o que ela faz é nos conduzir de forma aprofundada. Ela nos leva, nos encaminha, funciona como enxada abrindo o solo a um tesouro que é de nossa iniciativa pessoal.

16 de jan de 2013

Cap 31 - A Felicidade e a Espada (2ª edição) - Parte 7


A ESPERA PELA PAZ

“NÃO CUIDEIS QUE VIM TRAZER A PAZ À TERRA; NÃO VIM TRAZER PAZ, MAS ESPADA;" MATEUS 10:34

A grande busca de todos os seres humanos sem dúvida é a paz. O anseio pelo reconforto íntimo é imenso e de século a século a procura se intensifica. As aspirações da alma são sempre as mesmas em toda parte e a esperança de atingir a paz divina com felicidade inalterável vibra no íntimo das criaturas. A procura é diversificada e muitos acreditam que ela possa vir embutida nos padrões exteriores.

O fato é que tantas vezes essa paz não é encontrada em sua forma legítima, com aquele preenchimento na intimidade, e a pergunta ainda ecoa sobre onde buscar esse espírito de alma. Considerável percentual de indivíduos meditam vez por outra sobre onde encontrar os supremos interesses da vida. Questionam sobre onde encontrar a ambicionada paz espiritual que, às vezes, não conseguiram encontrar em décadas de experiência terrestre. O assunto é abrangente.

Quantos companheiros continuam trazendo nos corações hoje os mesmos sonhos e aspirações íntimas que mantinham a anos atrás? Quantos não são detentores de títulos de prestígio nos círculos sociais, e que chegam até mesmo a tomar importantes decisões na vida de outros? No entanto, permanecem sem entusiasmo, sem alegria, sem brilho, como se desertos lhes povoassem as almas, sentindo aquela sede de fraternidade com os homens e uma intraduzível fome de conhecimento espiritual. Circulam pelos mais diversos ambientes como se estivem exaustos, dilacerados, oprimidos. Chegam a dar conselhos a muitos em normas elevadas de conduta pessoal e, todavia, não conseguem esclarecer a si próprios. Passam a vida quase inteira desapercebidos dos valores eternos. Ocupados demais em buscar usufruir os valores transitórios, após os primeiros sintomas da velhice do corpo reagem magoados contra a extinção das energias orgânicas. Muitos desses, inclusive, frequentam igrejas e núcleos espirituais, mas sem se aterem à iluminação íntima. Vez por outra dúvidas lhes pairam na mente a respeito de enigmas da morte. 

É grande o número de pessoas que se perturbam ante a afirmativa do mestre de que Ele não veio trazer paz ("não cuideis que vim trazer a paz à terra; não vi trazer paz, mas espada" Mateus 10:34). Na visão delas parece que o texto chama a atenção por uma aparente contradição. Não entendem como Jesus, o governador espiritual do orbe, e príncipe da paz, pode oferecer uma proposta de paz fundamentada na violência. Sim, porque espada é um instrumento de luta.

Alguns chegam a dizer que nesse ponto há algo errado na bíblia. E por aí vai. E isso ocorre porque o conceito de paz entre os homens, desde muitos séculos, foi notadamente viciado. Na expressão comum, ter paz significa haver atingido garantias exteriores dentro das quais possa o corpo vegetar sem cuidados.

Os homens falam de uma paz que é ociosidade do espírito e de resignação que é vício do sentimento. E na mentalidade acomodatícia costumam sonhar, ainda, com a felicidade conquistada sem esforço. Pensam muito em si mesmos e dificilmente abrem mão dos seus pontos de vista. Ao longo dos dias, vivem continuamente em busca dos prazeres e satisfações mais generalizadas e esquecem que tudo na vida tem seu preço. A verdade é que buscar a mentirosa paz da ociosidade é desviar-se da luz, fugindo à vida e precipitando a morte.

Os homens falam da paz que é preguiça do espírito e Jesus, de forma alguma, poderia endossar uma tranquilidade dessa natureza. À primeira vista, todos aguardavam a sua vinda trazendo paz à terra, mas trazendo uma paz pronta, definida, pré-fabricada, sem ônus, que não exigisse das criaturas qualquer atitude diversa da simples aceitação. O anseio desse sentimento íntimo por parte de todos é imensa e o filho de Maria define que não veio trazer a paz da forma como gostaríamos, da maneira como imaginamos, que não veio trazê-la ao mundo sob o caráter esperado. Não veio trazer paz ao mundo exterior, não veio oferecer uma proposta de paz inerte, preguiçosa, de ordem parasitária ou beatífica. Por esta razão, é fundamental não confundirmos a paz do mundo com a do Cristo. Não há discussão, a paz de Jesus o mundo não dá. E ponto final!

Jesus não veio trazer a tranquilidade imediata para nós. De forma alguma. A harmonia não é realização que se improvise, ela é efeito, não é outorgada de fora para dentro, é conquista de cada um. Não tem paz recebida de graça e não existe mudança sem luta. O mestre divino veio trazer o componente que deflagra a guerra e ele mesmo foi o primeiro a inaugurar o testemunho pelos sacrifícios supremos. A paz é por nossa conta e o nosso desafio é a luta íntima, porque só existe paz em cima da guerra, a paz se principia na luta interior. O evangelho vem e cria luta dentro da gente. Nação contra nação é referência a essa luta interior e a paz alcançada pela luta tem a expressão irradiadora do amor.

Paulo diz: "combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé". É que nas lides da evolução há combate e bom combate, e um é bem diferente do outro. No combate visamos inimigos externos, brandimos armas, criamos ardis, usamos astúcias, idealizamos estratégia e, por vezes, saboreamos a derrota dos adversários entre alegrias falsas, ignorando que estamos dilapidando a nós mesmos.

O combate chumba-nos o coração à crosta do planeta em aflitivos processos de reajuste na lei de causa e efeito. Por outro lado, o Cristo divino veio instalar o bom combate, aquele que nos liberta o espírito para a ascensão aos planos superiores.

Veio trazer o combate da redenção sobre a terra em uma batalha sem sangue, destinada à iluminação do caminho humano. Entre o sincero discípulo da boa nova e os erros milenários do mundo começa a se travar o combate da redenção espiritual, a guerra essencial que travamos, não dos fuzis, dos mísseis, dos aviões de caça e das bombas. E a paz vai surgir em decorrência dessa luta.

13 de jan de 2013

Cap 31 - A Felicidade e a Espada (2ª edição) - Parte 6


CONTENTAR-SE COM O QUE TEM

“DE SORTE QUE FOMOS SEPULTADOS COM ELE PELO BATISMO NA MORTE; PARA QUE, COMO CRISTO FOI RESSUSCITADO DENTRE OS MORTOS, PELA GLÓRIA DO PAI, ASSIM ANDEMOS NÓS TAMBÉM EM NOVIDADE DE VIDA.” ROMANOS 6:4

“11NÃO DIGO ISTO COMO POR NECESSIDADE, PORQUE JÁ APRENDI A CONTENTAR-ME COM O QUE TENHO. 12SEI ESTAR ABATIDO, E SEI TAMBÉM TER ABUNDÂNCIA; EM TODA A MANEIRA, E EM TODAS AS COISAS ESTOU INSTRUÍDO, TANTO A TER FARTURA, COMO A TER FOME; TANTO A TER ABUNDÂNCIA, COMO A PADECER NECESSIDADE.” FILIPENSES 4:11-12

“12ALEGRAI-VOS NA ESPERANÇA, SEDE PACIENTES NA TRIBULAÇÃO, PERSEVERAI NA ORAÇÃO; 13COMUNICAI COM OS SANTOS NAS SUAS NECESSIDADES, SEGUI A HOSPITALIDADE; 14ABENÇOAI AOS QUE VOS PERSEGUEM, ABENÇOAI, E NÃO AMALDIÇOEIS. 15ALEGRAI-VOS COM OS QUE SE ALEGRAM; E CHORAI COM OS QUE CHORAM;” ROMANOS 12:12-15

A evolução pede incessantemente renovação e renovação não se resume apenas em alteração do caminho. Por quê? Porque encontramo-nos sob as consequências de ajustes e decisões abraçadas por nós mesmos lá atrás, com vistas à melhoria espiritual. Logo, fica claro que renovação é muito mais do que isso.

É a transformação permanente e contínua por dentro, a metamorfose que encerra consigo bastante poder para transfigurar a dificuldade em lição, o medo em coragem, a sombra em luz. É aprender a ver, aceitar as ocorrências diversas e os golpes da estrada tais como se apresentam, aceitar os desafios da prova e as crises da existência, procurando servir mais e melhor no plano de crescimento e trabalho. É também cultivar humildade e ampliar os limites da gratidão.

Você se lembra daquela passagem do evangelho em que João Batista é questionado por soldados? E o que ele responde? "E uns soldados o interrogaram também, dizendo: E nós que faremos? E ele lhes disse: A ninguém trateis mal nem defraudeis, e contentai-vos com o vosso soldo." (Lucas 3:14) O que significa isso? Mostra a necessidade de sabermos nos ajustar ao campo da justiça para podermos usufruir de direitos que a própria vida oferece. É interessante. Vamos cultivar sonhos e propostas, mas também saber nos contentar com o que temos. João não quis dizer que o soldado não possa almejar ser general. Nada disso. Isso ele pode até fazer. No entanto, no momento operacional da vida dele ele tem que se contentar com o que? Com o soldo dele.

E alguém faz uma colocação interessante: "Espera aí, Marco Antônio. Agora você está dizendo que a gente precisa contentar-se com o que tem, mas lá atrás você disse que a vida é para os inconformados, que a inconformação é que projeta o ser. E aí, como é que você explica isso? Pelo que eu imagino, o contentar-se com o que tem e a inconformação são coisas distintas, forças de oposição."

Bem, é isso mesmo. Está certíssimo. Se por um lado nos lembramos do apóstolo Paulo, na colocação da aceitação plena ("já aprendi a contentar-me com o que tenho" Filipenses 4:11), por outro existe o desafio da evolução. Simultaneamente ao contentamento ao que se tem há o imperativo da evolução, uma força de oposição para gerar o crescimento, o que é um desafio para nós.

Sem dúvida, é a inconformação que está nos trazendo aqui. Agora, se essa inconformação transformar-se em uma tônica na nossa vida nós vamos começar a trabalhar de modo negativo na intimidade, querendo dar o passo além daquele que nos é competente e vamos criar uma verdadeira escola de desajustados. E pela lei de causa e efeito quedas virão a seu tempo. Então, vamos observar que inconformados nós estamos, mas de certo modo temos que estar coerentes, ajustados com aquilo que o mecanismo da vida está nos encaixando, nos oferecendo na atualidade.

O que tem que ficar para nós, referente a essa lição de Paulo, não é contentamento naquela acepção que a gente comumente considera. Contentar é estar satisfeito com aquilo que se tem, só que não significa que tenhamos que ficar acomodados, fazendo a mesmice de sempre, e nos manter nessa situação sem nos projetarmos. Não, não é por aí. Observe o próprio Paulo. Quem conheceu dele sabe que ele era exatamente o contrário disso. Uma pessoa que não via obstáculos, que caminhou sem cansaço por estradas incontáveis. Viajou muito, enfrentou barreiras e venceu muitas dificuldades. Exatamente mostrando para nós que ele não estava satisfeito com aquilo que já tinha feito.

Percebeu aonde eu quero chegar? E além de nutrir uma ambição muito grande, no sentido dele próprio ir, fazer, ensinar e instituir novas igrejas, ele tinha uma pretensão, resultado de uma condição de não estar satisfeito com o projeto. Ele tinha um desejo e entusiasmo grande, que até conseguiu sensibilizar Lucas para fazer aquilo que ele gostaria que fizesse. Então, a gente nota que ele sentia uma necessidade e um desejo de fazer mais, mas ao mesmo tempo observamos que ele era satisfeito com aquilo que tinha, vivia contente com aquilo que a vida apresentava para ele, apresentava um contentamento amplo com a providência.

Sendo assim, o soldado pode ter a aspiração de ser general, todavia, tem que se contentar com o seu soldo. Para evitar o quê? A precipitação e a incoerência, aqueles atropelos no campo da jornada. Porque tudo tem o seu tempo.

O tempo passa, o relógio da vida não descansa e continuamos buscando um componente chamado felicidade, confiança, harmonia, equilíbrio e segurança. Se antes acreditávamos que esse encontro se dava mediante a apropriação de componentes materiais, objetivos, tangíveis, lógicos, hoje sabemos que o estado de paz reside principalmente na estabilidade interior do ser. Em uma estabilidade obtida não apenas pelo conhecimento, mas também pela capacidade de operar. Isso é algo essencial de ter-se em conta. O que vai realmente garantir felicidade é a vida que levamos a nível mental e operacional.

Conclusão? Não adianta reclamar do mundo, e também já não dá mais para ser feliz fazendo apenas o que se é exigido. Vida, na acepção que o evangelho sugere, é a ação nossa, a atividade, o dinamismo empregado no dia a dia. Hoje não há como ter a desejada estabilidade no cumprimento da lei apenas. É preciso que cada qual trabalhe o seu próprio mundo íntimo. Vamos entender a felicidade dentro da nossa condição, que é o que importa, desde que nos situemos embasados numa proposta nova, trocando reclamação pela operacionalização. Cada qual operando, óbvio, na faixa em que é competente.

Não se trata de nenhuma fórmula mágica. O que ocorre é que a felicidade só pode ser alcançada mediante a assimilação da verdade, e a verdade está com o Cristo.

A felicidade surge com a ingestão de valores novos e, concomitantemente, a ampliação de novos campos de ação, ou seja, apropriamos a verdade e procuramos nos aperfeiçoar. E a felicidade surge como um resultado natural desse aperfeiçoamento.

Todo mundo pode transformar a sua existência em condições mais abertas, mais agradáveis, sem tantos atropelos, sem tantas nuvens carregadas sobre a cabeça, à partir do momento em que adquire a capacidade de exercitar de forma mais autêntica aquilo que conhece. Está percebendo? Não é discurso vão este. Os problemas transformam-se em sofrimento quando nós entramos numa luta entre o que sabemos e o que fazemos. Veja bem, quanto mais você consegue realizar no campo prático aquilo que você sabe intelectivamente, quanto mais você alcança o exercício daquilo que você arregimentou, quanto mais a compatibilidade do seu fazer com o seu saber, mais harmonia você tem, mais equilíbrio e mais segurança. Quanto mais a nossa vida reflete o que sabemos menos problemas temos, menos impactos recebemos, menos tristeza e agressões sentimos.

Há uma maneira bacana de medirmos o grau de nossa felicidade, saber se somos efetivamente felizes. Não é um teste, mas uma forma interessantíssima de saber. É avaliando o quanto somos capazes de nos alegrar com a alegria dos outros. Só que eu estou falando de uma alegria sincera, não é aquela alegria que traz embutida em si uma ponta do sentimento de inveja ou despeito.

Sabe por quê? Porque para conseguir sentir a alegria íntima com o regozijo alheio é preciso trazer suficiente amor puro no coração. Pense no assunto. Para dar um pouco do pão que nos sobra ao faminto que esmola, ou um sorriso da nossa alegria ao que transita sem esperança, é algo fácil que podemos fazer sem grande dificuldade. É fácil chorar com os que choram, difícil mesmo é alegrar-se com os que se alegram. Continuemos estudando e assimilando. Quando aprendermos a sorrir com a alegria do outro é porque já encontramos em nós próprios a feição da alegria genuína.

9 de jan de 2013

Cap 31 - A Felicidade e a Espada (2ª edição) - Parte 5


NÃO HIPERVALORIZAR OS PROBLEMAS

Você já parou para pensar que de certa forma nós não sofremos tanto pelos fatos, mas sim pela avaliação que fazemos desses mesmos fatos? Que o problema muitas vezes não são os fatos, mas as opiniões nossas acerca deles?

Sim, porque existem fatos e existem estados de alma, e o fato de certa forma revela o estado de alma. Por exemplo, alguém pode chegar perto de você e dizer assim: "Puxa vida, perdi o meu emprego hoje. Fui demitido. Você não imagina, estou arrasado!" Bem, vamos lá. Perder o emprego e ser demitido não é nada bom, é sempre um acontecimento desagradável. Mas cá para nós, se é um fato que ele perdeu o emprego, é apenas a opinião dele que ele está arrasado.

Está entendendo onde eu quero chegar? O problema do sofrimento não é tanto o campo concreto do acontecimento, é a faixa vibracional que nós implementamos diante do fato. Invariavelmente nós sofremos muito mais pelo que a mente sugere do que pelo que o fato propriamente representa. Nem tanto pelo fatos, mas pelas nossas opiniões acerca deles. Porque não é o acontecimento em si que pesa, é a dimensão que nós damos ao processo ou ao agente a que estamos vinculados. É preciso analisar a forma como estamos encarando os acontecimentos. Não podemos mais deixar que as emoções estejam na ponta deles.

Por mais duros que sejam, sempre podemos amenizar a intensidade dos efeitos. Trata-se de algo importante demais. Você pode dizer que o campo mental sozinho não faz milagre, que sozinho ele não vai resolver. Certo, concordo, e em nenhum momento eu disse o contrário, todavia, é preciso a gente ter em conta que ele, sozinho, é capaz de redirecionar, aliviar e dar forças para que a gente possa chegar a bom termo. E o nosso trabalho aqui tem exatamente a finalidade de fixar pontos de referência a nível das linhas mentais.

O que acontece é que muitas vezes alguém fica analisando na contingência do cotidiano de sua vida e, então, começa a somar certos acontecimentos do dia a dia que justificam o seu estado de alma menos feliz. Não tem disso? Às vezes, surgiu um fato desagradável e o que acontece? Esse fato desagradável deveria ser visto como algo isolado, provisório, mas não. A criatura acaba lhe dando maiores dimensões, transformando esse componente isolado em algo ampliado. Ela começa a fazer avaliações em cima de um contexto relativo e acaba por jogar o absoluto dentro do relativo. Percebeu? Isso acontece demais.

Tem gente que vive um problema hoje e costuma reclamar desse problema daqui a seis meses, como verdadeiro saudosista: "Sabe, até hoje eu tenho as marcas daquele acontecimento." Uma outra pessoa sofreu aquele mesmo problema, naquele mesmo dia, naquele mesmo horário, de noite fez uma prece e, pronto. Resolvido, saiu dele.

Tem gente perdendo até o sabor da vida com esse tipo de coisa. "Ai, o meu problema. Fazer o quê? Ele é meu! Aprendi que é intransferível." Está correto isso? Essa forma de viver? A gente telefona para uma pessoa que está em dificuldade e pergunta: "E aí, fulana, como é que vai?" E ela já vai logo dizendo: "Nossa, você não imagina. Sabe aquele caso que você conhece? Pois é, está cada vez pior." Pensamento dessa natureza se dá principalmente com pessoas que acreditam que tem que dar conta do recado da forma como ele veio.

Quantos estão vivendo assim? Não tem tempo para nada, nem para olhar uma pessoa amiga. Mal se pergunta algo e logo começa: "Blá, blá, blá,...." E não para. Ela vive sem tempo. Deu um espaço e ela já entra direto no mesmo assunto. Vai passando a vida amarrada. Não cumprimenta ninguém porque não tem tempo. E acaba ficando insensibilizada. Por quê? Porque na ótica dela razões existem, e razões suficientes. Faz um dimensionamento de natureza íntima e hiper valoriza o problema e realmente encontra um argumento para a sua vida.

Desencarna depois, chega no plano espiritual e diz: "Olha, lá embaixo eu não tive tempo. Porque eu fiquei por conta disso." É, tem razão, ficou por conta mesmo. Alegou tanto que não tinha tempo, e vai ver depois que tinha e vai ser uma grande decepção. Ora, quem somos nós para julgarmos as avaliações e decisões dos outros. Esse tipo de coisa fica a critério de cada qual. Porém, está certo que cada qual tem o seu problema, e que o problema é individual, mas vem cá, deixar o problema inteirinho ocupar toda a nossa estrutura, está errado.

Temos que começar a trabalhar o terreno. Começar a operar uma terraplanagem ou coisa parecida e também começar a desativar o grito que o fato promove para nós.

Nós ainda somos vulneráveis em determinadas facetas da personalidade. Quantos casos de pessoas em sofrimentos, dentro dos lances das doenças que vigoram na atualidade, que estão visitadas por determinadas patologias e determinados transtornos!? Por quê? Estão desencorajadas de fazer, de atuar, de lutar, de persistir. Não querem pagar o preço. Preferem se entregar, acomodam-se.

Agora, existem estratégias que podemos avocar para nos auxiliar nos encaminhamentos. Quando existir em sua órbita de vida um problema sério, não deixa esse problema fechar o circuito em sua mente, não. À medida que conseguirmos abrir novos lances os fatores de sofrimento vão ficando bem comprimidos e mais rápidos. É interessante melhorar o estado de alma que vigora nas ações, nas decisões.

O êxito depende muito da luta. Desarmar o coração, fazer as coisas com naturalidade. Começar a trabalhar determinadas questões de frente, na proporção em que somos dotados da coragem de encarar e enfrentar. Manter a capacidade de esquecer, de compreender, de entender e não ficar se lamentando.

Por enquanto a gente analisa determinados ângulos pela nossa maneira de reagir, pelas nossas emoções. Mas tudo começa a melhorar quando começamos a comentar nossos problemas com os outros ao nível de positividade, trocando ideias com equilíbrio. E logo que começamos a reduzir a hiper valorização do processo, passamos a esquecer mais das nossas dores e dificuldades e passamos a dispensar um tempinho maior para os momentos felizes e bons da vida.

6 de jan de 2013

Cap 31 - A Felicidade e a Espada (2ª edição) - Parte 4


ADMINISTRANDO AS DIFICULDADES

É engraçado, mas nós temos por norma achar que tudo o que é obstáculo na nossa vida tem que ser retirado. Crescemos assim e mantemos essa ótica até que alcançamos uma visão mais abrangente do próprio mecanismo evolutivo.

Analisando com profundidade a gente aprende que o processo nem sempre é resolver a dificuldade, tirar a dificuldade do caminho, porque a dificuldade nós sabemos que é instrumento para crescer. Tem muito problema se realizando hoje e que não tem necessariamente que ser eliminado fisicamente. A questão é obtermos forças e condições para a administração das situações, sabermos administrar o sistema de vida, sabermos administrar a vida e nos contentar com aqueles aspectos que, às vezes, não são tão favoráveis e expressivos como a gente gostaria que fosse.

A felicidade pressupõe uma capacidade de sabermos adequar e administrar os recursos que temos. "Eu venci o mundo", disse o cordeiro divino. Isto é, eu passei por todas as vicissitudes e não me deixei envolver pelo que o mundo aponta. Fala ao nosso coração da necessidade de administrarmos os recursos em volta, seguirmos a jornada terrestre sem sucumbirmos às influências do mundo, pisar com tranquilidade e serenidade numa trajetória com harmonia e paz.

Um ponto importante a ser considerado é que muito do sofrimento não se dá pelo excesso de peso que carregamos, e sim pela incapacidade nossa de administrar as dificuldades. O maior número de conflitos no campo do psiquismo não é tanto do passado, é o conflito do hoje entre aquilo que o indivíduo sabe que tem que fazer e não faz. Essa grande luta instaurada é campo gerador de grandes dificuldades para o nosso espírito. Muitas angústias, depressões e outras psicopatias reinantes por aí são problemas de instabilidade do ser, embora seja bem mais fácil dizer que é coisa do passado: "Oh, o que eu fiz lá atrás? Estou com uma angústia muito grande, uma depressão tremenda. Meu Deus, como está pesada a luta. O meu carma é muito pesado".

Os carmas e os pontos obscuros na vida das pessoas é fato, porém, às vezes o negócio é de agora. A gente tem que ter essa consciência. E sabe qual é outro agravante? É que para criarmos circunstâncias somos extremamente hábeis. Nisso somos professores, tiramos nota dez, fazemos com naturalidade que é uma beleza. Mesmo que sejam circunstâncias que a princípio nos favoreçam a preço de grave prejuízo próprio depois. Agora, para extrairmos coisas positivas das circunstâncias menos felizes que nos visitam, falhamos enormemente.

A gente está custando a aprender que o painel de problema que nos visita, os problemas diversos, não vão desaparecer. Dificuldade é instrumento didático de aperfeiçoamento. Como esperar evoluir e crescer sem ela? Um aluno pode passar para estágio seguinte sem o desafio da prova? Tem jeito? Pode ocorrer de ficarmos tentando resolver um problema durante longo tempo, e sabe o que acontece? Nós desencarnamos, reencarnamos e estamos aqui até hoje com ele.

Quantas criaturas estão envolvidas em tratamentos hoje, sabe por quê? Porque lá atrás deram um passo na busca de uma felicidade que acabou não chegando. Uma felicidade que pode ter sido trabalhada de fora para dentro e a pessoa caiu em determinado ponto. Não pode acontecer? A mente gera e a vida responde aos anseios e a vida a colocou em determinado ponto. A pessoa não estava habilitada a viver aquilo. Resultado? Houve uma queda e hoje a criatura volta às condições para a retomada do caminho. E volta trazendo as marcas no seu plano psíquico a exigirem terapias demoradas, paciência, recomposição do destino, às vezes longos anos de hospitalização e de reabilitação lenta e dolorosa.

Então, vamos ter em conta que é preciso uma ótica bem segura para pegarmos determinados lances. Quantos ideais nós trazíamos e achávamos que podíamos fazer e não se tratavam de coisas para aquele momento? Era algo para a frente. O êxito nesse envolvimento em inúmeras frentes de ação que nos lançamos vai depender do estado de equilíbrio interior. E também de condições de saber entrar em faixas mais profundas do nosso psiquismo sem nos deixar conspurcar por problemas que serão superados nas experiências do porvir.

Vamos ter esse cuidado. Nós somos avaliados consciencialmente, de dentro para fora, no esforço de buscarmos solucionar os problemas, não na solução efetiva deles.

Se nós mantivermos na marcha da evolução uma postura apática, amanhã com certeza vamos ser cobrados porque fomos muito indiferentes. Se formos ultra ousados, amanhã também poderemos receber os efeitos da precipitação. No início temos a preocupação de respaldar, de querer resolver, e o tempo vai mostrando que não podemos realmente perder o estímulo de querer resolver, este tem que estar presente em nós a cada momento. De forma que cumprir com determinação envolve vigilância e auto observação, lances até de determinação e agressividade conosco mesmo, vez por outra. E é fundamental desativarmos a preocupação de buscarmos resolver as questões de maneira violenta, com a cara fechada, porque dessa forma, além de não resolver a gente não aguenta.

Nós podemos ingerir no organismo um peso em força, em energia, e ela desaparece em poucos minutos em razão da própria preocupação. O problema que estamos vivendo vai se aliviando na medida em que trabalhamos de maneira acertada, e que, sendo visitados por ele começamos a entender a sua razão, a razão do problema. Ao descobrir a razão dele ele já começa a se desativar perante a gente.

E tem duas outras coisas. A primeira: sorria. Isso mesmo. Esforce-se por sorrir mais que o trabalho fica alegre. Se fechar a cara e ficar mal humorado fica pior. E a outra é que quando for chamado, quando convidado especialmente a cooperar, vai. Quando for chamado, vai! De maneira resoluta e bem humorada, vai. Sabe por quê? Vai aqui um segredinho importante, se a gente não vai a vida vem nos buscar, percebeu? Manda buscar. E sabe como ela manda buscar? Quem é o portador dessa busca? Os problemas em casa, os problemas de saúde, as dificuldades várias que chegam de forma ainda mais contundente.

É preciso saber como anda a nossa consciência especialmente no que se refere à administração do processo. Percebeu? Saibamos ficar atentos para que a gente não fique vivendo das aflições, dos medos, dos dramas e das reclamações. Existe um grande desafio lançado no sentido de aprendermos a administrar os componentes que nos circundam, todos eles, sejam favoráveis ou difíceis.

Estamos tentando aprender algo que tem dado certo. Nos dias atuais, o sucesso para muita gente não é tanto ficar com a cabeça cheia de soluções e buscá-las. Hoje o nosso sucesso é chegar ao final de cada dia e olhar para trás, notar que agimos acertadamente e que não fizemos tanta confusão. Aquele que está querendo montar a todo custo um processo ideal de equacionamento tem vivido frustrado.

3 de jan de 2013

Cap 31 - A Felicidade e a Espada (2ª edição) - Parte 3


MESMO NA DOR

“NÃO SE TURBE O VOSSO CORAÇÃO; CREDES EM DEUS, CREDE TAMBÉM EM MIM.” JOÃO 14:1

“DEIXO-VOS A PAZ, A MINHA PAZ VOS DOU; NÃO VO-LA DOU COMO O MUNDO A DÁ. NÃO SE TURBE O VOSSO CORAÇÃO, NEM SE ATEMORIZE.” JOÃO 14:27

“CHEGADA, POIS, A TARDE DAQUELE DIA, O PRIMEIRO DA SEMANA, E CERRADAS AS PORTAS ONDE OS DISCÍPULOS, COM MEDO DOS JUDEUS, SE TINHAM AJUNTADO, CHEGOU JESUS, E PÔS-SE NO MEIO, E DISSE-LHES: PAZ SEJA CONVOSCO.” JOÃO 20:19

As almas imaculadas não povoam a Terra ainda e cada berço é o início de viagem laboriosa para a alma necessitada de experiência. Sejamos sinceros, criatura humana alguma na experiência terrestre poderá marchar constantemente sob um céu sem nuvens e não passará no mundo sem tempestades e nevoeiros, sem o fel de provas ásperas ou o assédio das tentações.

Mesmo buscando o bem, jornadearemos todos entre pedras e abismos, pantanais e espinheiros. Não é intenção abordarmos o tema felicidade de forma negativa, mas lembremo-nos que o mestre a ninguém prometeu avenidas de sonho e horizontes azuis no planeta. Sabedor de que a tempestade das contradições humanas não pouparia nem a ele próprio, recomendou-nos o "não se turbe o coração." Vamos abrir o coração para recolhermos a vontade do criador, pois o coração puro e destemido é garantia de consciência limpa e reta, e quem dispõe de consciência assim vence toda a perturbação e treva por trazer em si mesmo a luz irradiante para o caminho da vida plena.

A vida é sábia demais e de uma beleza extraordinária. Por mais rude e difícil seja a nossa tarefa no mundo não nos atemorizemos e façamos dela o nosso caminho de progresso e renovação. Embora rujam trovões em torno do teu caminho, tranquiliza o coração, confia e segue em paz na direção do bem maior.

Nada de carregar no pensamento o peso morto da aflição inútil. Não adianta nada e apenas agrava a situação. Por mais sombria a estrada a que seja conduzido, enriqueça-se com a luz do esforço no bem, porque nada existe no mundo, nada mesmo, que não possa transformar-se em respeitável motivo de trabalho e alegria. E ninguém está deserdado de oportunidades em favor de sua melhoria. Ponha algo na sua cabeça, a vida que você está vivendo pode não ser a vida dos seus sonhos, mas ela pode ficar bem melhor do que está, depende de você.

O viver de qualquer modo é para todos. É algo corriqueiro, comum, normal, mas o viver em paz consigo mesmo, por outro lado, é diferente, é conquista para poucos. Independente dos objetos de tuas dificuldades e aflições guarda contigo que a paz é a segurança da vida, motivo pelo qual precisamos aprender a não perder a paz. Ela é fundamental, mas tão fundamental em nossa caminhada, que por ocasião do nascimento de Jesus, na manjedoura, as vozes celestiais, após o louvor aos céus, expressaram votos de paz à Terra. E não só isso, mesmo depois da ressurreição, voltando de forma gloriosa ao convívio das criaturas, antes de traçar qualquer plano de trabalho, disse o Cristo aos discípulos espantados, após pôr-se no meio deles: "paz seja convosco".

O que vou dizer agora merece muito destaque. Ante a insegurança, que quer empalidecer os nossos valores, é preciso buscar a luz e a harmonia íntimas para que em meio aos problemas não venhamos perder a alegria futura. Todo caos é resolvido pela misericórdia divina e aquele que deixar ofuscar a luz de amar em função dos problemas vai se defrontar com problemas ainda maiores. Temos que laborar o cotidiano buscando evitar que os momentos infelizes assumam o comando da direção, que as dificuldades assumam a tônica de nossa vida.

Saber administrar e aprender a sorrir ante os padrões que a existência nos oferece é conquista da maior importância. É um desafio para os dias de hoje, precisamos aprender a conviver assim. Esse negócio de reclamar da dor de cabeça, fechar a cara mediante a constatação de um problema, não querer conversar com ninguém quando algo nos aborrece, tem que ser alterado. É procedimento ineficaz que apenas evidencia a nossa fragilidade íntima. Quanto mais a gente consegue entender o mecanismo da evolução, e manter viva a oportunidade de amar e sorrir, mais adquirimos forças para passar pelos impactos. Não estou dizendo que é fácil, mas que temos que exercitar dessa forma. 

Esta é chave da questão, vamos aprender a sorrir com a grandeza e a beleza da vida. Começando a sorrir debaixo das situações menos felizes nós começamos a angariar a felicidade real e aquele que não aprender a sorrir nos momentos de dificuldade dificilmente usufruirá do direito de sorrir com legitimidade.

Em nosso aprendizado terrestre atravessamos dias de inverno ríspido. Caminheiros eternos na estrada da evolução somos espíritos encarnados submetidos a provas que devemos vencer. Obstáculos a gente tem, porém não significa que tenhamos que naufragar dentro daquele ponto ou problema. Os problemas não surgem para nos desanimar, e sim para nos mostrar a grandeza da vida. Nós vencemos uma etapa e outras surgem. E se tirarmos todos os espinhos que nos envolvem acabamos por nos distanciar dos valores espirituais em razão das nossas deficiências. Já parou para pensar nisso? A jornada tem dessas coisas. E mais, sendo pobre ou rico, saudável ou doente, forte ou fraco, toda situação é efêmera e passará como passam todos os dias e todas as noites.

Se temos adversidades, que é normal, o problema é que em grande parte das vezes deixamos que as intempéries empalideçam o nosso brilho e enfraqueçam a nossa energia, e aí fica complicado. Sendo assim, quando surgir um daqueles dias pesados e difíceis em nosso horizonte, compelindo-nos à inquietação e à amargura, não será proibido chorarmos. Vamos chorar, sim, mas também não vamos nos esquecer da divina companhia de Jesus. O mundo é um grande laboratório e longe de expectativas negativas saibamos nos abastecer nos momentos felizes.

A época em que estamos vivendo está muito difícil e complexa e vai haver ocasiões em que é indispensável recorrermos às provisões armazenadas no íntimo, nas colheitas dos dias de equilíbrio e abundância. Portanto, não vamos deixar as paixões nos envolverem tanto nos aspectos da negatividade, nem deixar os momentos importantes que vivemos se perderem. Não vamos deixar o nosso deserto ficar sem um oásis, porque acontece de estarmos tão atribulados, desanimados e tristes e passamos de olhos fechados pelo oásis, de tão preocupados com a etapa a seguir, e não nos dessedentamos. E precisamos desses bons momentos vividos para recompormos o destino e a  força.

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