13 de jan de 2013

Cap 31 - A Felicidade e a Espada (2ª edição) - Parte 6


CONTENTAR-SE COM O QUE TEM

“DE SORTE QUE FOMOS SEPULTADOS COM ELE PELO BATISMO NA MORTE; PARA QUE, COMO CRISTO FOI RESSUSCITADO DENTRE OS MORTOS, PELA GLÓRIA DO PAI, ASSIM ANDEMOS NÓS TAMBÉM EM NOVIDADE DE VIDA.” ROMANOS 6:4

“11NÃO DIGO ISTO COMO POR NECESSIDADE, PORQUE JÁ APRENDI A CONTENTAR-ME COM O QUE TENHO. 12SEI ESTAR ABATIDO, E SEI TAMBÉM TER ABUNDÂNCIA; EM TODA A MANEIRA, E EM TODAS AS COISAS ESTOU INSTRUÍDO, TANTO A TER FARTURA, COMO A TER FOME; TANTO A TER ABUNDÂNCIA, COMO A PADECER NECESSIDADE.” FILIPENSES 4:11-12

“12ALEGRAI-VOS NA ESPERANÇA, SEDE PACIENTES NA TRIBULAÇÃO, PERSEVERAI NA ORAÇÃO; 13COMUNICAI COM OS SANTOS NAS SUAS NECESSIDADES, SEGUI A HOSPITALIDADE; 14ABENÇOAI AOS QUE VOS PERSEGUEM, ABENÇOAI, E NÃO AMALDIÇOEIS. 15ALEGRAI-VOS COM OS QUE SE ALEGRAM; E CHORAI COM OS QUE CHORAM;” ROMANOS 12:12-15

A evolução pede incessantemente renovação e renovação não se resume apenas em alteração do caminho. Por quê? Porque encontramo-nos sob as consequências de ajustes e decisões abraçadas por nós mesmos lá atrás, com vistas à melhoria espiritual. Logo, fica claro que renovação é muito mais do que isso.

É a transformação permanente e contínua por dentro, a metamorfose que encerra consigo bastante poder para transfigurar a dificuldade em lição, o medo em coragem, a sombra em luz. É aprender a ver, aceitar as ocorrências diversas e os golpes da estrada tais como se apresentam, aceitar os desafios da prova e as crises da existência, procurando servir mais e melhor no plano de crescimento e trabalho. É também cultivar humildade e ampliar os limites da gratidão.

Você se lembra daquela passagem do evangelho em que João Batista é questionado por soldados? E o que ele responde? "E uns soldados o interrogaram também, dizendo: E nós que faremos? E ele lhes disse: A ninguém trateis mal nem defraudeis, e contentai-vos com o vosso soldo." (Lucas 3:14) O que significa isso? Mostra a necessidade de sabermos nos ajustar ao campo da justiça para podermos usufruir de direitos que a própria vida oferece. É interessante. Vamos cultivar sonhos e propostas, mas também saber nos contentar com o que temos. João não quis dizer que o soldado não possa almejar ser general. Nada disso. Isso ele pode até fazer. No entanto, no momento operacional da vida dele ele tem que se contentar com o que? Com o soldo dele.

E alguém faz uma colocação interessante: "Espera aí, Marco Antônio. Agora você está dizendo que a gente precisa contentar-se com o que tem, mas lá atrás você disse que a vida é para os inconformados, que a inconformação é que projeta o ser. E aí, como é que você explica isso? Pelo que eu imagino, o contentar-se com o que tem e a inconformação são coisas distintas, forças de oposição."

Bem, é isso mesmo. Está certíssimo. Se por um lado nos lembramos do apóstolo Paulo, na colocação da aceitação plena ("já aprendi a contentar-me com o que tenho" Filipenses 4:11), por outro existe o desafio da evolução. Simultaneamente ao contentamento ao que se tem há o imperativo da evolução, uma força de oposição para gerar o crescimento, o que é um desafio para nós.

Sem dúvida, é a inconformação que está nos trazendo aqui. Agora, se essa inconformação transformar-se em uma tônica na nossa vida nós vamos começar a trabalhar de modo negativo na intimidade, querendo dar o passo além daquele que nos é competente e vamos criar uma verdadeira escola de desajustados. E pela lei de causa e efeito quedas virão a seu tempo. Então, vamos observar que inconformados nós estamos, mas de certo modo temos que estar coerentes, ajustados com aquilo que o mecanismo da vida está nos encaixando, nos oferecendo na atualidade.

O que tem que ficar para nós, referente a essa lição de Paulo, não é contentamento naquela acepção que a gente comumente considera. Contentar é estar satisfeito com aquilo que se tem, só que não significa que tenhamos que ficar acomodados, fazendo a mesmice de sempre, e nos manter nessa situação sem nos projetarmos. Não, não é por aí. Observe o próprio Paulo. Quem conheceu dele sabe que ele era exatamente o contrário disso. Uma pessoa que não via obstáculos, que caminhou sem cansaço por estradas incontáveis. Viajou muito, enfrentou barreiras e venceu muitas dificuldades. Exatamente mostrando para nós que ele não estava satisfeito com aquilo que já tinha feito.

Percebeu aonde eu quero chegar? E além de nutrir uma ambição muito grande, no sentido dele próprio ir, fazer, ensinar e instituir novas igrejas, ele tinha uma pretensão, resultado de uma condição de não estar satisfeito com o projeto. Ele tinha um desejo e entusiasmo grande, que até conseguiu sensibilizar Lucas para fazer aquilo que ele gostaria que fizesse. Então, a gente nota que ele sentia uma necessidade e um desejo de fazer mais, mas ao mesmo tempo observamos que ele era satisfeito com aquilo que tinha, vivia contente com aquilo que a vida apresentava para ele, apresentava um contentamento amplo com a providência.

Sendo assim, o soldado pode ter a aspiração de ser general, todavia, tem que se contentar com o seu soldo. Para evitar o quê? A precipitação e a incoerência, aqueles atropelos no campo da jornada. Porque tudo tem o seu tempo.

O tempo passa, o relógio da vida não descansa e continuamos buscando um componente chamado felicidade, confiança, harmonia, equilíbrio e segurança. Se antes acreditávamos que esse encontro se dava mediante a apropriação de componentes materiais, objetivos, tangíveis, lógicos, hoje sabemos que o estado de paz reside principalmente na estabilidade interior do ser. Em uma estabilidade obtida não apenas pelo conhecimento, mas também pela capacidade de operar. Isso é algo essencial de ter-se em conta. O que vai realmente garantir felicidade é a vida que levamos a nível mental e operacional.

Conclusão? Não adianta reclamar do mundo, e também já não dá mais para ser feliz fazendo apenas o que se é exigido. Vida, na acepção que o evangelho sugere, é a ação nossa, a atividade, o dinamismo empregado no dia a dia. Hoje não há como ter a desejada estabilidade no cumprimento da lei apenas. É preciso que cada qual trabalhe o seu próprio mundo íntimo. Vamos entender a felicidade dentro da nossa condição, que é o que importa, desde que nos situemos embasados numa proposta nova, trocando reclamação pela operacionalização. Cada qual operando, óbvio, na faixa em que é competente.

Não se trata de nenhuma fórmula mágica. O que ocorre é que a felicidade só pode ser alcançada mediante a assimilação da verdade, e a verdade está com o Cristo.

A felicidade surge com a ingestão de valores novos e, concomitantemente, a ampliação de novos campos de ação, ou seja, apropriamos a verdade e procuramos nos aperfeiçoar. E a felicidade surge como um resultado natural desse aperfeiçoamento.

Todo mundo pode transformar a sua existência em condições mais abertas, mais agradáveis, sem tantos atropelos, sem tantas nuvens carregadas sobre a cabeça, à partir do momento em que adquire a capacidade de exercitar de forma mais autêntica aquilo que conhece. Está percebendo? Não é discurso vão este. Os problemas transformam-se em sofrimento quando nós entramos numa luta entre o que sabemos e o que fazemos. Veja bem, quanto mais você consegue realizar no campo prático aquilo que você sabe intelectivamente, quanto mais você alcança o exercício daquilo que você arregimentou, quanto mais a compatibilidade do seu fazer com o seu saber, mais harmonia você tem, mais equilíbrio e mais segurança. Quanto mais a nossa vida reflete o que sabemos menos problemas temos, menos impactos recebemos, menos tristeza e agressões sentimos.

Há uma maneira bacana de medirmos o grau de nossa felicidade, saber se somos efetivamente felizes. Não é um teste, mas uma forma interessantíssima de saber. É avaliando o quanto somos capazes de nos alegrar com a alegria dos outros. Só que eu estou falando de uma alegria sincera, não é aquela alegria que traz embutida em si uma ponta do sentimento de inveja ou despeito.

Sabe por quê? Porque para conseguir sentir a alegria íntima com o regozijo alheio é preciso trazer suficiente amor puro no coração. Pense no assunto. Para dar um pouco do pão que nos sobra ao faminto que esmola, ou um sorriso da nossa alegria ao que transita sem esperança, é algo fácil que podemos fazer sem grande dificuldade. É fácil chorar com os que choram, difícil mesmo é alegrar-se com os que se alegram. Continuemos estudando e assimilando. Quando aprendermos a sorrir com a alegria do outro é porque já encontramos em nós próprios a feição da alegria genuína.

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