16 de jan de 2013

Cap 31 - A Felicidade e a Espada (2ª edição) - Parte 7


A ESPERA PELA PAZ

“NÃO CUIDEIS QUE VIM TRAZER A PAZ À TERRA; NÃO VIM TRAZER PAZ, MAS ESPADA;" MATEUS 10:34

A grande busca de todos os seres humanos sem dúvida é a paz. O anseio pelo reconforto íntimo é imenso e de século a século a procura se intensifica. As aspirações da alma são sempre as mesmas em toda parte e a esperança de atingir a paz divina com felicidade inalterável vibra no íntimo das criaturas. A procura é diversificada e muitos acreditam que ela possa vir embutida nos padrões exteriores.

O fato é que tantas vezes essa paz não é encontrada em sua forma legítima, com aquele preenchimento na intimidade, e a pergunta ainda ecoa sobre onde buscar esse espírito de alma. Considerável percentual de indivíduos meditam vez por outra sobre onde encontrar os supremos interesses da vida. Questionam sobre onde encontrar a ambicionada paz espiritual que, às vezes, não conseguiram encontrar em décadas de experiência terrestre. O assunto é abrangente.

Quantos companheiros continuam trazendo nos corações hoje os mesmos sonhos e aspirações íntimas que mantinham a anos atrás? Quantos não são detentores de títulos de prestígio nos círculos sociais, e que chegam até mesmo a tomar importantes decisões na vida de outros? No entanto, permanecem sem entusiasmo, sem alegria, sem brilho, como se desertos lhes povoassem as almas, sentindo aquela sede de fraternidade com os homens e uma intraduzível fome de conhecimento espiritual. Circulam pelos mais diversos ambientes como se estivem exaustos, dilacerados, oprimidos. Chegam a dar conselhos a muitos em normas elevadas de conduta pessoal e, todavia, não conseguem esclarecer a si próprios. Passam a vida quase inteira desapercebidos dos valores eternos. Ocupados demais em buscar usufruir os valores transitórios, após os primeiros sintomas da velhice do corpo reagem magoados contra a extinção das energias orgânicas. Muitos desses, inclusive, frequentam igrejas e núcleos espirituais, mas sem se aterem à iluminação íntima. Vez por outra dúvidas lhes pairam na mente a respeito de enigmas da morte. 

É grande o número de pessoas que se perturbam ante a afirmativa do mestre de que Ele não veio trazer paz ("não cuideis que vim trazer a paz à terra; não vi trazer paz, mas espada" Mateus 10:34). Na visão delas parece que o texto chama a atenção por uma aparente contradição. Não entendem como Jesus, o governador espiritual do orbe, e príncipe da paz, pode oferecer uma proposta de paz fundamentada na violência. Sim, porque espada é um instrumento de luta.

Alguns chegam a dizer que nesse ponto há algo errado na bíblia. E por aí vai. E isso ocorre porque o conceito de paz entre os homens, desde muitos séculos, foi notadamente viciado. Na expressão comum, ter paz significa haver atingido garantias exteriores dentro das quais possa o corpo vegetar sem cuidados.

Os homens falam de uma paz que é ociosidade do espírito e de resignação que é vício do sentimento. E na mentalidade acomodatícia costumam sonhar, ainda, com a felicidade conquistada sem esforço. Pensam muito em si mesmos e dificilmente abrem mão dos seus pontos de vista. Ao longo dos dias, vivem continuamente em busca dos prazeres e satisfações mais generalizadas e esquecem que tudo na vida tem seu preço. A verdade é que buscar a mentirosa paz da ociosidade é desviar-se da luz, fugindo à vida e precipitando a morte.

Os homens falam da paz que é preguiça do espírito e Jesus, de forma alguma, poderia endossar uma tranquilidade dessa natureza. À primeira vista, todos aguardavam a sua vinda trazendo paz à terra, mas trazendo uma paz pronta, definida, pré-fabricada, sem ônus, que não exigisse das criaturas qualquer atitude diversa da simples aceitação. O anseio desse sentimento íntimo por parte de todos é imensa e o filho de Maria define que não veio trazer a paz da forma como gostaríamos, da maneira como imaginamos, que não veio trazê-la ao mundo sob o caráter esperado. Não veio trazer paz ao mundo exterior, não veio oferecer uma proposta de paz inerte, preguiçosa, de ordem parasitária ou beatífica. Por esta razão, é fundamental não confundirmos a paz do mundo com a do Cristo. Não há discussão, a paz de Jesus o mundo não dá. E ponto final!

Jesus não veio trazer a tranquilidade imediata para nós. De forma alguma. A harmonia não é realização que se improvise, ela é efeito, não é outorgada de fora para dentro, é conquista de cada um. Não tem paz recebida de graça e não existe mudança sem luta. O mestre divino veio trazer o componente que deflagra a guerra e ele mesmo foi o primeiro a inaugurar o testemunho pelos sacrifícios supremos. A paz é por nossa conta e o nosso desafio é a luta íntima, porque só existe paz em cima da guerra, a paz se principia na luta interior. O evangelho vem e cria luta dentro da gente. Nação contra nação é referência a essa luta interior e a paz alcançada pela luta tem a expressão irradiadora do amor.

Paulo diz: "combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé". É que nas lides da evolução há combate e bom combate, e um é bem diferente do outro. No combate visamos inimigos externos, brandimos armas, criamos ardis, usamos astúcias, idealizamos estratégia e, por vezes, saboreamos a derrota dos adversários entre alegrias falsas, ignorando que estamos dilapidando a nós mesmos.

O combate chumba-nos o coração à crosta do planeta em aflitivos processos de reajuste na lei de causa e efeito. Por outro lado, o Cristo divino veio instalar o bom combate, aquele que nos liberta o espírito para a ascensão aos planos superiores.

Veio trazer o combate da redenção sobre a terra em uma batalha sem sangue, destinada à iluminação do caminho humano. Entre o sincero discípulo da boa nova e os erros milenários do mundo começa a se travar o combate da redenção espiritual, a guerra essencial que travamos, não dos fuzis, dos mísseis, dos aviões de caça e das bombas. E a paz vai surgir em decorrência dessa luta.

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