20 de jan de 2013

Cap 31 - A Felicidade e a Espada (2ª edição) - Parte 8


ESPADA, LETRA E ESPÍRITO

“NÃO CUIDEIS QUE VIM TRAZER A PAZ À TERRA; NÃO VIM TRAZER PAZ, MAS ESPADA;” MATEUS 10:34 

“E ELE TINHA NA SUA DESTRA SETE ESTRELAS; E DA SUA BOCA SAÍA UMA AGUDA ESPADA DE DOIS FIOS;” APOCALIPSE 1:16  

“TOMAI TAMBÉM O CAPACETE DA SALVAÇÃO, E A ESPADA DO ESPÍRITO, QUE É A PALAVRA DE DEUS.” EFÉSIOS 6:17  

“PORQUE A PALAVRA DE DEUS É VIVA E EFICAZ, E MAIS PENETRANTE DO QUE ESPADA ALGUMA DE DOIS GUMES, E PENETRA ATÉ À DIVISÃO DA ALMA E DO ESPÍRITO, E DAS JUNTAS E MEDULAS, E É APTA PARA DISCERNIR OS PENSAMENTOS E INTENÇÕES DO CORAÇÃO.” HEBREUS 4:12

“O QUAL NOS FEZ TAMBÉM CAPAZES DE SER MINISTROS DE UM NOVO TESTAMENTO, NÃO DA LETRA, MAS DO ESPÍRITO; PORQUE A LETRA MATA E O ESPÍRITO VIVIFICA.” CORÍNTIOS II 3:6

O evangelho, todo ele, é mensagem direcionada ao espírito. A espada aludida por Jesus Cristo é um símbolo e o que nós precisamos é compreender a representatividade do símbolo, entendê-lo e dele tirar a ressonância para nossa caminhada. Este é o desafio. Só que para entendermos a espada no sentido essencial, que é aquele que nos interessa, temos que inicialmente analisá-la no aspecto literal.

Pois bem, o que é uma espada? Ela é uma arma, e por ser arma é um instrumento para ser utilizado em confronto, em luta, aliás, de curta distância. É constituída de uma lâmina comprida e pontiaguda a qual pode ter um ou dois gumes, que é o seu lado afiado, o que corta. Sendo assim, ela tem uma ampla capacidade de penetração e pode, finalisticamente, propiciar a morte.

Ao compreendermos o sentido literal fica tudo mais fácil. Então, vamos lá. Você se lembra do apocalipse, bem no comecinho dele, antes de entrar nas cartas direcionadas às igrejas, quando o evangelista João visualiza aquele emissário do plano superior, e ao descrevê-lo menciona que da boca desse representante divino saía uma espada de dois fios? ("E ele tinha na sua destra sete estrelas; e da sua boca saía uma aguda espada de dois fios" Apocalipse 1:16) Pois bem, vamos analisar juntos. Da boca sai espada? Cá prá nós, da boca não sai espada. Pelo que sabemos o que sai da boca é palavra. Primeiro ponto.

E Paulo nos diz: "Tomai também o capacete da salvação, e a espada do espírito, que é a palavra de Deus". (Efésios 6:17) Repare aqui, de novo a espada é palavra. "Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito." (Hebreus 4:12) Daí podemos concluir com tranquilidade que espada, efetivamente, é a palavra.

A espada que nós avocamos, de forma consciente, é a palavra divina que chega até nós, integrante universal da nossa caminhada. Porque sem a palavra fica praticamente impossível a distribuição do conhecimento. E a espada de Jesus define o símbolo do conhecimento interior pela revelação divina para que o homem inicie a batalha do aperfeiçoamento de si mesmo. Consubstanciada no conjunto de seus ensinamentos é o conhecimento que nos visita o entendimento, elemento apto a promover, quando bem dirigido, a fortaleza interior.

É componente essencial para enfrentarmos os inimigos de nossa paz, uma vez que a paz não é atributo de coletividade, e sim conquista individual, que tem o seu preço coberto pela luta, pelo esforço e pela reeducação. Em contraposição ao falso princípio considerado no mundo, o Cristo não trouxe a paz pronta, trouxe os meios para cada um obtê-la no íntimo, trouxe o mecanismo para a instauração da luta que aperfeiçoa, burila, regenera.

"O qual nos fez também capazes de ser ministros de um novo testamento, não da letra, mas do espírito." (2 Timóteo 4:7). Preste atenção, é fácil entender que a letra não é a essência, o espírito é que é. Mas se a letra não é a essência, no entanto, ela faz um papel importantíssimo, ela aponta e direciona uma mensagem que está contida em seu interior. Deu para entender? Não tem jeito de se encaminhar uma essência sem um instrumento de natureza extrínseca que a direcione. Não dá. Sendo assim, a letra é o elemento que traz as revelações.

Ela é a forma, é a embalagem que traz em seu íntimo o conteúdo, consiste na expressão periférica, o invólucro, o instrumento material, o veículo, o componente exterior. É o objeto que temos que usar para decodificar a mensagem que nos chega. A letra é a responsável pelo encaminhamento, pela veiculação, pelo direcionamento da essência que se encontra dentro de si mesma.

É o canal, o instrumento comunicador. Ela canaliza e direciona para uma essência contida em seu íntimo, pois não se pode obter uma essência sem a letra que a transporte, que a canalize. Está percebendo? Todo mecanismo de evolução visa a essência e sempre os valores de revestimento, os valores estruturais da vida, os que nos garantem e propiciam movimento, são suscetíveis de alteração. Compõem-se e decompõe-se, porque na natureza tudo se transforma.

O espírito é a essência, é o componente vivificante. Se a letra, de certa forma, é o instrumento didático, o espírito é o conteúdo, o aprendizado. As escrituras em seus livros tem aspectos literais, que é a parte exterior, como também tem aquelas partes de profundidade, de característica espiritual na intimidade delas. Ou seja, a parte de fora do evangelho é a letra, e o que nós estamos tentando é ver o que tem dentro da letra. É por isto que interpretar é pegar a letra e ver o que tem lá dentro. A letra não realiza o trabalho propriamente, o que ela faz é nos conduzir de forma aprofundada. Ela nos leva, nos encaminha, funciona como enxada abrindo o solo a um tesouro que é de nossa iniciativa pessoal.

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