28 de jan de 2013

Cap 31 - A Felicidade e a Espada (2ª edição) - Parte 10


DOIS FIOS OU DOIS GUMES

“E ELE TINHA NA SUA DESTRA SETE ESTRELAS; E DA SUA BOCA SAÍA UMA AGUDA ESPADA DE DOIS FIOS; E O SEU ROSTO ERA COMO O SOL, QUANDO NA SUA FORÇA RESPLANDECE.” APOCALIPSE 1:16

“PORQUE A PALAVRA DE DEUS É VIVA E EFICAZ, E MAIS PENETRANTE DO QUE ESPADA ALGUMA DE DOIS GUMES, E PENETRA ATÉ À DIVISÃO DA ALMA E DO ESPÍRITO, E DAS JUNTAS E MEDULAS, E É APTA PARA DISCERNIR OS PENSAMENTOS E INTENÇÕES DO CORAÇÃO.” HEBREUS 4:12

É normal se questionar acerca do significado dos dois fios dessa espada. Inicialmente, podemos dizer o seguinte: se os fios são aqueles componentes que vão originar, pelos seus entrelaçamentos, o tecido, e os tecidos formam as vestimentas que agasalham, protegem e aquecem, já tivemos a oportunidade de estudar lá atrás, no capítulo Os Vestidos e os Panos, que esses dois fios dizem respeito às nossas vibrações, em conformidade à natureza íntima que aciona e movimenta a espada. Pois da boca saem palavras que tanto podem bendizer como maldizer.

E em razão da abrangência do símbolo, esses dois fios também sugerem o aspecto bipolar no contraste entre pólos de natureza contrária, tais como o positivo e o negativo, a luz e a treva, o bem e o mau, etc. Caracterizam, ainda, os padrões de razão e sentimento, e indicam planos de elasticidade, ou seja, referência a qualquer território ampliado que envolve um ponto situado entre dois extremos.

E se essa espada tem por finalidade, após a luta, propiciar a morte, o fato é que de certa forma podemos escolher a maneira dessa desativação ser operada. Não podemos escolher? Nós podemos enfatizar essa mudança sob dois parâmetros: ou pelo plano da justiça, não é mesmo? que, aliás, é a maneira mais dolorida, cuja desativação é doída e pode até levar a um processo místico e fanatizante, ou pela assimilação do evangelho, que é bem mais suave.

O mecanismo reeducacional exige um processo de planejamento, estudo e elaboração. E como toda sistemática de crescimento consciente inicia-se por uma possibilidade de escolha, nós temos que crescer na marcha gradativa utilizando essa espada de dois gumes. Entendeu? Nós aprendemos e evoluímos alternativamente, ou concomitantemente, em função do impositivo da justiça, como também em função da revelação do amor. Agora, a questão é saber qual vamos privilegiar mais.

A vida tem ensinado para muitos indivíduos que esse aprendizado vem em cima das expressões de lágrimas, dor, frustração, desilusão e sofrimento. Para outros, os mesmos componentes funcionam como avisos, alertas, padrões revelados. Em outras palavras, ou aprendemos pelo impacto ou aprendemos de modo suave pela capacidade de assimilar, a nível informativo, e incrustar e apropriar o conteúdo ao nível da prática dentro do mecanismo de formação de caracteres.

Mas sempre a revelação, sob a fisionomia do amor, precede o impacto da justiça, e por isso duas leis trabalham conjuntamente. Que vem a ser isso? Todas as vezes que assimilamos a palavra nós passamos a trabalhar com dois componentes, dois valores: o componente da morte e o componente da vida. É assim que o mecanismo evolutivo se desenvolve. A evolução em favor da nossa felicidade caracteriza-se pela luta com essa espada, numa sistemática de ação em que vamos tentando, mediante o conhecimento, realizar dois pontos fundamentais: primeiro, desativar as influências mais intensivas dos reflexos que nós já sentimos são suscetíveis de serem superados e, simultaneamente, arregimentar novos valores para a formação de uma nova personalidade.

É na terra do coração que se trava a verdadeira guerra de melhoria dos sentimentos.

Não tem outra, para levarmos a efeito a edificação sublime necessitamos começar pela disciplina de nós mesmos. O sistema de refreamento é um dos gumes da espada, cerceando a linha que emerge do subconsciente e que objetiva levar-nos a situações tristes e às quedas. A espada é um instrumento de progresso que corta as nossas más inclinações numa postura de intensa batalha íntima pela continências dos nossos impulsos. Eu espero estar sendo claro. Um lado da espada trabalha o não fazer, desativa as influências mais intensivas dos reflexos inferiores que sentimos são possíveis de serem superados.

Aponta aquele ângulo em que a cada dia corta-se uma parcela da complicação, corta aquelas arestas representativas das nossas dificuldades, das nossas falhas e vícios. Em meio às ações e reações nossas do dia a dia nos é dado medir a paz já arregimentada e não triunfaremos no mundo somente em função daquilo que fizermos, mas também pelo que deixarmos de fazer, no âmbito de nossas falsas grandezas. Todos os construtores do aperfeiçoamento espiritual não estão no planeta para vencer no mundo, mas notadamente para vencer o mundo, em si mesmos, de modo a servirem ao mundo sempre mais e melhor.

O outro gume da espada representa o sentido positivo operacional, abrindo caminhos de uma nova proposta de realização, onde a cada dia abre-se um terreno para novos padrões, no intuito de alcançarmos o crescimento consciente. Porque sabemos que não há a possibilidade de desativarmos reflexos unicamente por sistemas mecânicos ou elaborações mentais de periferia.

Estamos todos aqui, sem exceção, tentando recompor e reestruturar nossas vidas, e notamos que essa reestruturação não se dá só pela mudança de postura mental, cerceando ou evitando a manifestação dos reflexos inferiores, mas também sedimentando essas posições através da prática de valores positivos. Percebeu? É bonito e interessante esse sistema, onde há uma sincronia extraordinária. Os dois lados nos apontam que é essa espada que elimina o que há de ruim em nossas experiências e, ao mesmo tempo, nos faz selecionar pensamentos, palavras e ações que garantem a vitória sobre nós mesmos.

E, concomitantemente à linha de refreamento, temos que arregimentar novos componentes na formação de uma nova personalidade. Trabalhar o plano de abrir potenciais para reduzirmos a intensidade daqueles ângulos ou caracteres que podem nos levar a sofrimentos e desequilíbrios. Essa é a forma correta e acertada, pois sabemos que o que sedimenta a morte é o nascimento em um novo ângulo. 

Assim, enquanto a desativação pela justiça estrutura-se em cima do bloqueio e do refreamento, do não fazer, pelo evangelho de Jesus ela é decorrente da ativação de novos padrões. O processo é recolher a informação e operar a informação, aprender e fazer, e isso mata a antiga postura da criatura e a revivifica em outra posição, fazendo a vida deixar de ter aquele sentido de encarnação e desencarnação para ter um sentido de estado íntimo de paz e harmonia.

A espada, no sentido literal, mata, e no sentido essencial, substancial, ressurge na frente com novos caracteres. Mata, sim, de fato tem o objetivo finalístico de aniquilar uma expressão anterior. Funciona para matar a lei e fazer vivificar uma dimensão nova na estrutura do amor. Só que tem um detalhe importante: nem sempre essa morte é imediata, ocorre na hora, naquele instante.

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