31 de jan de 2013

Cap 31 - A Felicidade e a Espada (2ª edição) - Parte 11 (Final)


AS DUAS ESPADAS

O evangelho tem indicado que não precisamos mais sofrer para aprender o caminho de crescer. Ele tem ensinado e está nos projetando a uma didática nova em cima do aprende e faz.

Porque se antes aprendíamos pelo impacto da justiça, debaixo do mecanismo da dor, a boa nova nos projeta para aprendermos sob a tutela do amor. No aprende e faz nós caminhamos na linha vertical do amor a Deus, e na horizontal pela caridade ao próximo. E as dissensões que a escritura nos indica se dão pelo descendente contra o ascendente. Isso aí, o homem contra o seu pai, porque quem vai envergar a espada é o filho contra o homem velho; a filha contra a sua mãe, nos terrenos do sentimento; e a nora contra a sua sogra em uma descendência contra a ascendência no campo das relações.

Não dá para ter dúvida. A espada de Jesus é a única capaz de promover a paz interna, uma paz que é saúde e alegria do espírito. E ela só pode ser avocada por um processo de dentro para fora. Sempre a avocamos de forma consciente e a morte decorre da luta, da aplicação dela em uma postura pessoal de testemunho. O evangelho propõe para nós que a melhor maneira de sanear numa terapia eficiente é pela laboração em cima dos padrões positivos que se nos abrem hoje.

E também é imperioso reconhecer que a paz legítima resulta do equilíbrio entre os nossos desejos e os propósitos do Senhor na posição em que nos encontramos. A questão fundamental é saber se vivemos no Cristo tanto quanto ele vive em nós, porque não existe tranquilidade real sem a sua presença, sem a adaptação do nosso esforço de aprendizes humanos ao impulso renovador do mestre divino. Do contrário, ao invés de paz teremos sempre uma renovada guerra dentro do coração. Quando o quarto permanece sombrio somos nós quem desatamos o ferrolho da janela para que o sol nos visite. Se objetivamos a redenção espiritual somos convocados a um piso de harmonia e paz no momento oportuno, conquista gradativa e constante no espaço e no tempo. Paz não é conquista da inércia, é fruto do equilíbrio entre a fé no poder divino e confiança em nós mesmos, serviço pela vitória do bem, com humildade, disciplina, trabalho e perseverança. Basta que dediquemos algum esforço à graça da lição para que a lição nos responda com as suas graças.

Agora, quando não agimos no sentido de usar a espada na luta anterior, quando não aceitamos vivificar o espírito pela luta interna com essa espada seletiva, mecanismos externos atuam sobre nós, a espada da lei chega e passa a agir de fora para dentro. Ao invés de usarmos a espada do Cristo e desarmarmos o coração, a espada da lei, representada pelas circunstâncias da vida, passa a agir de fora para dentro exercendo uma pressão na linha da individualidade.

Ou seja, circunstâncias externas visam agir sobre aquele que não edificou a si próprio.

O resultado é que a realidade muitas vezes esfacela a ilusão. A dor chega sem anúncio prévio. O acontecimento exterior chega e corta o barato da criatura, o exército da realidade maior vem para convidar ao redirecionamento, colocando os valores em ordem para a reparação, recomeço, submissão e aprendizagem. Não são poucas as ocasiões em que se dá uma proposta de fora para dentro a fim de podermos ativar, de dentro para fora, uma nova posição diante da vida. Não é preciso ir longe, observe em sua volta e notará inúmeras expressões de comunicação de fora para dentro definindo esse chamamento.

Toda disciplina imposta externamente é caminho, até  que a individualidade encontra a capacidade de realizar o plano disciplinador de dentro para fora, sob o parâmetro do amor. O ensinamento é profundo: aquele que não se despertou ainda está caminhando para problemas de sofrimento e lágrimas amanhã.

E não fique triste. Faz parte da vida. Precisamos é entender é que a resposta da lei tem caráter de espada. A dor faz um papel extraordinário chamando a gente e muitos irmãos de humanidade precisam naturalmente ser trabalhados pelos processos tristes e violentos da educação do mundo. É preciso calma nos momentos de dificuldade, porque existem muitos envolvidos pelas dores e aflições maiores que encontram-se sob a tutela da lei, estão debaixo da necessidade de se despertarem para determinados ângulos. São mecanismos ou circunstâncias do mundo cerceando caracteres extrínsecos do ser com um grande poder de penetração nos escaninhos da alma. A espada da lei busca direcionar o ser para a empunhadura e utilização da espada de Jesus para crescer.

E para concluirmos este capítulo vamos dizer o seguinte. A espada não é a palavra? Então, devemos, com atenção, avaliar como a temos utilizado no cotidiano. Qual a natureza do que temos verbalizado e lançado no terreno do destino.

Porque em qualquer tempo e em qualquer ambiente sempre recebemos segundo aquilo que exteriorizamos. E como instrumento que avocamos conscientemente a espada também é algo que pode nos machucar muito no campo cármico das responsabilidades evolutivas, quando a usamos indevidamente de modo a ferir, machucar, menosprezar e constranger o nosso semelhante.

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