9 de jan de 2013

Cap 31 - A Felicidade e a Espada (2ª edição) - Parte 5


NÃO HIPERVALORIZAR OS PROBLEMAS

Você já parou para pensar que de certa forma nós não sofremos tanto pelos fatos, mas sim pela avaliação que fazemos desses mesmos fatos? Que o problema muitas vezes não são os fatos, mas as opiniões nossas acerca deles?

Sim, porque existem fatos e existem estados de alma, e o fato de certa forma revela o estado de alma. Por exemplo, alguém pode chegar perto de você e dizer assim: "Puxa vida, perdi o meu emprego hoje. Fui demitido. Você não imagina, estou arrasado!" Bem, vamos lá. Perder o emprego e ser demitido não é nada bom, é sempre um acontecimento desagradável. Mas cá para nós, se é um fato que ele perdeu o emprego, é apenas a opinião dele que ele está arrasado.

Está entendendo onde eu quero chegar? O problema do sofrimento não é tanto o campo concreto do acontecimento, é a faixa vibracional que nós implementamos diante do fato. Invariavelmente nós sofremos muito mais pelo que a mente sugere do que pelo que o fato propriamente representa. Nem tanto pelo fatos, mas pelas nossas opiniões acerca deles. Porque não é o acontecimento em si que pesa, é a dimensão que nós damos ao processo ou ao agente a que estamos vinculados. É preciso analisar a forma como estamos encarando os acontecimentos. Não podemos mais deixar que as emoções estejam na ponta deles.

Por mais duros que sejam, sempre podemos amenizar a intensidade dos efeitos. Trata-se de algo importante demais. Você pode dizer que o campo mental sozinho não faz milagre, que sozinho ele não vai resolver. Certo, concordo, e em nenhum momento eu disse o contrário, todavia, é preciso a gente ter em conta que ele, sozinho, é capaz de redirecionar, aliviar e dar forças para que a gente possa chegar a bom termo. E o nosso trabalho aqui tem exatamente a finalidade de fixar pontos de referência a nível das linhas mentais.

O que acontece é que muitas vezes alguém fica analisando na contingência do cotidiano de sua vida e, então, começa a somar certos acontecimentos do dia a dia que justificam o seu estado de alma menos feliz. Não tem disso? Às vezes, surgiu um fato desagradável e o que acontece? Esse fato desagradável deveria ser visto como algo isolado, provisório, mas não. A criatura acaba lhe dando maiores dimensões, transformando esse componente isolado em algo ampliado. Ela começa a fazer avaliações em cima de um contexto relativo e acaba por jogar o absoluto dentro do relativo. Percebeu? Isso acontece demais.

Tem gente que vive um problema hoje e costuma reclamar desse problema daqui a seis meses, como verdadeiro saudosista: "Sabe, até hoje eu tenho as marcas daquele acontecimento." Uma outra pessoa sofreu aquele mesmo problema, naquele mesmo dia, naquele mesmo horário, de noite fez uma prece e, pronto. Resolvido, saiu dele.

Tem gente perdendo até o sabor da vida com esse tipo de coisa. "Ai, o meu problema. Fazer o quê? Ele é meu! Aprendi que é intransferível." Está correto isso? Essa forma de viver? A gente telefona para uma pessoa que está em dificuldade e pergunta: "E aí, fulana, como é que vai?" E ela já vai logo dizendo: "Nossa, você não imagina. Sabe aquele caso que você conhece? Pois é, está cada vez pior." Pensamento dessa natureza se dá principalmente com pessoas que acreditam que tem que dar conta do recado da forma como ele veio.

Quantos estão vivendo assim? Não tem tempo para nada, nem para olhar uma pessoa amiga. Mal se pergunta algo e logo começa: "Blá, blá, blá,...." E não para. Ela vive sem tempo. Deu um espaço e ela já entra direto no mesmo assunto. Vai passando a vida amarrada. Não cumprimenta ninguém porque não tem tempo. E acaba ficando insensibilizada. Por quê? Porque na ótica dela razões existem, e razões suficientes. Faz um dimensionamento de natureza íntima e hiper valoriza o problema e realmente encontra um argumento para a sua vida.

Desencarna depois, chega no plano espiritual e diz: "Olha, lá embaixo eu não tive tempo. Porque eu fiquei por conta disso." É, tem razão, ficou por conta mesmo. Alegou tanto que não tinha tempo, e vai ver depois que tinha e vai ser uma grande decepção. Ora, quem somos nós para julgarmos as avaliações e decisões dos outros. Esse tipo de coisa fica a critério de cada qual. Porém, está certo que cada qual tem o seu problema, e que o problema é individual, mas vem cá, deixar o problema inteirinho ocupar toda a nossa estrutura, está errado.

Temos que começar a trabalhar o terreno. Começar a operar uma terraplanagem ou coisa parecida e também começar a desativar o grito que o fato promove para nós.

Nós ainda somos vulneráveis em determinadas facetas da personalidade. Quantos casos de pessoas em sofrimentos, dentro dos lances das doenças que vigoram na atualidade, que estão visitadas por determinadas patologias e determinados transtornos!? Por quê? Estão desencorajadas de fazer, de atuar, de lutar, de persistir. Não querem pagar o preço. Preferem se entregar, acomodam-se.

Agora, existem estratégias que podemos avocar para nos auxiliar nos encaminhamentos. Quando existir em sua órbita de vida um problema sério, não deixa esse problema fechar o circuito em sua mente, não. À medida que conseguirmos abrir novos lances os fatores de sofrimento vão ficando bem comprimidos e mais rápidos. É interessante melhorar o estado de alma que vigora nas ações, nas decisões.

O êxito depende muito da luta. Desarmar o coração, fazer as coisas com naturalidade. Começar a trabalhar determinadas questões de frente, na proporção em que somos dotados da coragem de encarar e enfrentar. Manter a capacidade de esquecer, de compreender, de entender e não ficar se lamentando.

Por enquanto a gente analisa determinados ângulos pela nossa maneira de reagir, pelas nossas emoções. Mas tudo começa a melhorar quando começamos a comentar nossos problemas com os outros ao nível de positividade, trocando ideias com equilíbrio. E logo que começamos a reduzir a hiper valorização do processo, passamos a esquecer mais das nossas dores e dificuldades e passamos a dispensar um tempinho maior para os momentos felizes e bons da vida.

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