26 de fev de 2013

Cap 32 - Ação e Reação - Parte 7


CORRIGENDA E MISERICÓRDIA

A sociedade, bem lá no passado, começou a compreender as suas obrigações e procurou segregar o criminoso como se isola um doente. Sim, isolar, mas buscando auxiliar-lhe a reforma definitiva, mediante todos os meios ao seu alcance.

De fato, a substância do evangelho penetrou o aparelho judiciário de todos os povos e disso não resta a mínima dúvida. Não é difícil entender que os regimes de recuperação e reparação do mundo tem por objetivo a melhoria moral do delinquente, a sua reeducação e consequente readaptação no meio social. A preocupação com o delinquente nas civilizações mais avançadas do planeta é reeducá-lo, por meio das prisões domiciliares, das colônias agrícolas e dos métodos outros que substituem as punições medievais, para que ele se recupere e coopere com a sociedade. A razão suprema de ser das prisões é a reforma do infrator, e não a imposição do sofrimento, da dor física ou moral.

Nos dias atuais, mediante um sistema bem combinado de notas, pela disciplina, pela aplicação aos estudos e dedicação ao trabalho coloca-se a sorte do recluso em suas próprias mãos, estimulando-o de forma a que ele procure alcançar, progressivamente, a melhoria da sua situação e, mais tarde, a sua libertação de forma definitiva. Pode-se dizer que o fim de toda pena é a educação da vontade do delinquente, pois no interior do homem, em sua vontade, reside tanto o fundamento da pena como o fundamento da recompensa.

Quem governa o mundo é Deus, e em razão disso a justiça divina nunca foi exercida sem amor. A lei divina eleva e estrutura-se sobre o perfeito amor. E o objetivo natural dessa justiça é conseguir em cada ambiente cósmico o máximo de equilíbrio. O amor não age com inquietação e nós todos estamos vivendo, embora nem sempre seja fácil perceber, um caos organizado debaixo do plano espiritual. Quando Deus exerce sua justiça não suspende o curso de sua misericórdia, e até mesmo na lei de causa e efeito encontramos a presença do amor.

O criador não repreende e nem castiga, o que existem são leis que funcionam dentro da necessidade de cada um. A lei divina vinga, mas não sob o aspecto de fazer a criatura pagar o que deve, e sim visando um processo reeducacional com vista a um porvir melhor, porque a misericórdia objetiva sempre o mesmo alvo, a evolução das almas. Muitas vezes, atrás de um contexto demorado, entre a causa infeliz e o resgate doloroso, existe uma proposta superior de reeducação do ser. E para além do cumprimento da lei de causa e efeito existe uma lei muito maior: a lei do progresso. Percebeu? E simplesmente em cima do "matou, morreu e pagou o que devia" não haveria progresso algum à criatura.

Dentro dessa linha de misericórdia vigora algo peculiar nesse retorno da lei. Quando nós falamos da lei de ação e reação, que, aliás, é algo muito natural, já que cada ação propõe uma reação, vamos reparar com bastante atenção que na reação já existe alguma coisa acrescentada ao nível de misericórdia. Não se trata de algo comumente observado pela maioria das pessoas, mas a reação traz consigo um componente indutor que nós talvez não consigamos captar de imediato.

Vamos tentar clarear. O que geralmente acontece? Você realiza uma ação, dá um lance, e esse lance sai, faz determinado percurso e depois acaba retornando. Até aí, tranquilo, certo? Todos nós conhecemos a lei do retorno. Agora, o interessante é que quando retorna ele não retorna como saiu de você, retorna acrescido de outros componentes que, às vezes, não foram os mesmos dimensionados na hora da emissão, retorna acrescido de linhas qualitativas que irão trabalhar a sua intimidade de modo a possibilitar novas conquistas. Será que deu para entender, ou eu andei falei grego aqui? Isto é algo da maior importância, porque assim se desenvolve o mecanismo da evolução.

Então, tem muita gente evoluindo pelo retorno do problema. O retorno da lei, o efeito, pode apresentar para o espírito a ele vinculado muita coisa na sua projeção. Às vezes, por exemplo, pode acontecer de termos tripudiado um coração no passado e esse coração pode vir em nosso lar hoje, fechando a linha de ação e reação. Não pode? Aliás, é o que acontece demais. E esse elemento que chega pode nos trazer o conhecimento do evangelho e a nossa abertura para valores espirituais que, até então, eram coisas que passavam despercebidas por nós. Percebeu o sentido que eu falei? Então, a reação traz consigo um componente embutido que representa uma ação da grandeza de Deus e o indivíduo é envolvido por esse tipo de atendimento em nome da misericórdia.

É nesse sentido. De forma que vamos entender que sempre, quando a resposta vem, vem trazendo alguma coisa a mais no campo de crescimento da individualidade.

Não estamos aqui para fazer nenhum tipo de crítica, mas determinadas religiões, ao admitirem o dogma das penas eternas, colocam a justiça divina em um patamar muito abaixo ao da justiça humana. Isso mesmo, por esse ângulo das penas eternas a justiça humana se torna bem superior à justiça divina.

Enquanto a justiça humana tem por objetivo corrigir e reabilitar o infrator, aplicando para isso penas brandas e transitórias, inteligente e caridosamente organizadas, a justiça divina, segundo certas religiões tradicionais, aplica torturas infindas, sujeitando os pecadores a um martírio cruel e bárbaro, com o propósito único de punir e vingar impiedosamente os pecados cometidos durante uma existência que, em relação à eternidade, em termos de tempo, é menos que um segundo. Enquanto a justiça humana busca promover a regeneração do culpado, esforçando-se por lhe despertar os bons sentimentos que, naturalmente jazem adormecidos, uma vez que o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus, a justiça divina limita-se a tiranizar eternamente o pecador, submetendo-o a angústias e sofrimentos que não cessam e se sucedem num desencadear sem fim. Enquanto a justiça humana concebe e admite a comutação, o indulto e até o perdão para os culpados que se tornam humildes e submissos à disciplina, a justiça divina não admite nenhuma modalidade de misericórdia, conservando-se fria, impassível e impiedosa.

Ora, ora, para aqueles que apresentam olhos de ver fica claro que a justiça de Deus não pode ser a pregada por determinadas religiões, visto como essa justiça, aos olhos dessas igrejas, chega a ser muito inferior à justiça da Terra. A esperança é um agente bem mais poderoso do que o temor e deve ser mantida continuamente diante do condenado e Jesus disse que "se a vossa justiça não for superior à dos escribas e fariseus não entrareis no reino de Deus."

Para a sabedoria superior nem sempre o que errou é um celerado, como nem sempre a vítima é pura e sincera, e o criador não vê apenas a maldade que surge à superfície do escândalo, mas conhece o mecanismo sombrio das circunstâncias que provocaram o crime. Todos nós temos, sem exceção, débitos e créditos representados por nossas ações desenvolvidas no passado e precisamos nos lembrar que as ressonâncias desses acontecimentos, os efeitos, surgem ao nosso terreno de ação dentro de uma linha inteligente da espiritualidade.

A proposta da misericórdia divina não é machucar e punir, e sim fazer o ser avançar, libertar e integrar-se nas faixas expressivas do amor. Isto é algo que a gente precisa compreender quando estiver sofrendo ou deparar-se com o sofrimento de outrem. A misericórdia divina não preceitua que o infrator seja flagelado com extensão indiscriminada de dor expiatória. Os tribunais divinos são invariavelmente regidos pela equidade soberana e entre os espíritos superiores, diante dos soberanos códigos, é mais importante reparar que expungir em lágrimas, reedificar que aprisionar nos limites estreitos da impiedade vingativa.

E preceitua a misericórdia de Deus que o mal seja suprimido de suas vítimas com a possível redução do sofrimento. A lei objetiva o retorno do equilíbrio, mas com respeito aos direitos alheios e dentro da mínima quota de pena. Logo, nada de apavoramento diante das dificuldades que estiverem nos envolvendo, precisamos estar com os corações abertos para recolhermos a vontade de Deus.

23 de fev de 2013

Cap 32 - Ação e Reação - Parte 6


A REPARAÇÃO

A roda do tempo gira, invariavelmente, e a paciência divina é eterna. 

Se estamos falando de réus da vida imortal percebemos que a severidade do castigo é proporcional à gravidade da falta. Então, observe uma coisa: aqueles que abusaram da riqueza material ontem se encontram hoje destituídos da mesma. E as mãos que continuamente se levantaram para ferir os semelhantes podem vir a ser cortadas.

O pai não dá, de pronto, um vestido mais bonito à filha rebelde que estragou propositadamente o que recebera na noite anterior. Tampouco dispensa recursos mais amplos àqueles filhos que desperdiçaram o anterior sem proveito algum. Assim se inicia o processo da regeneração, sempre que o homem infringe esse ou aquele preceito da lei torna-se réu consciente. Do delito praticado, com pleno conhecimento de causa, resulta a responsabilidade e, consequentemente, o sofrimento. O determinismo impulsiona para que todos mudem para melhor, e quanto aos recalcitrantes no erro, dia virá em que as torturas e as dores serão tais que a qualquer preço desejarão fazê-las cessar.

A vida é um laboratório de sementeira e colheita, onde o bem semeia a vida e o mal semeia a morte. A alma, aqui ou eu qualquer lugar, recebe sempre de acordo com o trabalho de edificação de si mesma e o próprio espírito inventa seu inferno ou cria as belezas do seu céu. Se o bem é movimento na escala ascensional para Deus, o mal é estagnação, constrangendo a paradas de reajuste. Nem tudo são flores em nossa estrada e situamo-nos sob pontos fechados da lei, e não adianta bater o pé. Afinal, cada qual, como efeito do que plasmou, tem a sua cruz, e o retorno da lei tem que ser aceito com muita paciência.

Sempre que lesamos alguém, quem quer que seja, lesamos a estrutura de equilíbrio que vigora no universo, e abrimos uma conta resgatável em tempo certo, porque não existem males ocultos na terra. Guarde isto: ninguém ilude a justiça divina e todos os crimes e falhas humanas se revelam algum dia, em algum lugar.

Antigamente usava-se falar que a justiça vinha à cavalo. Hoje é outro tempo. Ela vem mais rápida, e pode colocar rápida nisso. Na prestação de contas a Deus muitas vezes não é preciso alguém desencarnar para receber os resultados da lei, não é preciso morrer na carne para conhecer a lei das compensações.

Não é preciso muito para vislumbrarmos essa verdade, basta repararmos na rotina diária da luta vulgar e nos exemplos bem próximos. O homem que vive a indiferença pelas dores do próximo acaba por receber dos semelhantes a indiferença pelas dores que lhe são próprias. E basta nos afastemos do convívio social para que solidão deprimente se torne para nós a resposta do mundo.

Por nosso comprometimento diante das leis divinas, em qualquer idade de nossa vida responsável, impomo-nos o resgate de nossas obrigações em qualquer tempo. Não é para ficarmos espantados, mas a sepultura não finda nada, ela apenas derruba o muro da carne, porquanto continuamos tão vivos depois dela quanto antes, quanto respirávamos na atmosfera do mundo. Mais importante é compreendermos que toda reparação à lei divina defraudada realiza-se em termos de vida eterna, e não segundo a vida fragmentária que conhecemos na presente encarnação humana. As reparações podem ser transferidas no tempo, mas são sempre fatais. As dívidas cármicas, assim denominadas por se filiarem a causas infelizes plasmadas no destino, são perfeitamente transferíveis de uma existência para outra, como no caso das dívidas financeiras, que podemos efetivar o pagamento em meses posteriores. Tendo em conta o esquecimento mnemônico, que tem efeito terapêutico, o fruto que plantarmos nesta vida e não colhermos aqui colheremos na próxima etapa.

Quando ferimos os outros na essência ferimos a obra de Deus, e pelas leis soberanas nos fazemos réus infelizes reclamando quitação e reajuste. Não dá para desconsideramos esta questão, tampar os ouvidos e tentar passar despercebidos por ela. Não funciona dessa forma. A questão é bem séria e profunda. 

Pelo mal aos semelhantes praticamos o mal contra nós mesmos e os crimes que alguém comete pratica-os contra si próprio. E o mais importante de tudo: é da lei divina que o homem receba em si mesmo o fruto da plantação que realizou. As transgressões deliberadas às leis apresentam corrigenda na individualidade do próprio infrator. Isto é imprescindível de ser levado a sério e entendido.

Cada alma conduz consigo o inferno ou o céu que edificou no âmago da consciência, uma vez que a justiça começa invariavelmente em nós mesmos sempre que lhe defraudamos os princípios. Não tem essa de justo pagar pelo pecador. O justo não paga pelo pecador, cada um responde pela sua ação. Expiar o mal que se fez, para depois repará-lo, é impositivo da justiça divina ao alcance de todos. Por isso, muitas vezes nós penetramos forçosamente no inferno que criamos aos outros para experimentarmos o fogo com que afligimos o próximo.

As circunstâncias atuais que envolvem a nossa vida representam reflexos de situações mais ou menos felizes que semeamos em um passado mais próximo ou mais distante.

Tudo o que nos ocorre se dá em conformidade às nossas carências pessoais. O campo exterior em que se manifesta determinado problema é tão somente a instrumentalidade didática, o desafio no campo exterior não é o problema, porque o problema é íntimo.

Por isto, se analisarmos somente os fatores externos em vez de nos atermos ao ponto frágil da nossa intimidade que possibilitou a queda, nós valorizamos a instrumentalidade e esquecemos a linha vibracional que motivou determinado acontecimento. Porém, saibamos que mesmo diante dos pontos fechados que deparamos na caminhada encontramos diversas oportunidades para orar e refletir, e sempre podemos amenizar as suas ressonâncias dentro de nós.

E como consertar é sempre mais difícil do que fazer, não podemos contar com o favoritismo na obra laboriosa do aprimoramento individual, nem provocar a solução pacífica e imediata para os problemas que gastamos longo tempo a entretecer.

Em todos os ângulos do universo o trabalho de reajustamento próprio é artigo de lei irrevogável. Logo, ninguém suplique protecionismo a que não fez jus, nem flores de mel às sementes amargas que semeou em outro tempo. Quem atravessa um campo sem organizar a sementeira necessária ao pão, e sem proteger a fonte que sacia a sede, não pode voltar com a intenção de abastecer-se. A prece ajuda, a fé sustenta, o entusiasmo revigora e o ideal ilumina, no entanto, só o esforço próprio na direção do bem representa a base da realização.

19 de fev de 2013

Cap 32 - Ação e Reação - Parte 5


A JUSTIÇA NÃO ESPERA

“54E DIZIA TAMBÉM À MULTIDÃO: QUANDO VEDES A NUVEM QUE VEM DO OCIDENTE, LOGO DIZEIS: LÁ VEM CHUVA, E ASSIM SUCEDE. 55E, QUANDO ASSOPRA O SUL, DIZEIS: HAVERÁ CALMA; E ASSIM PROCEDE. 56HIPÓCRITAS, SABEIS DISCERNIR A FACE DA TERRA E DO CÉU; COMO NÃO SABEIS ENTÃO DISCERNIR ESTE TEMPO? 57E POR QUE NÃO JULGAIS TAMBÉM POR VÓS MESMOS O QUE É JUSTO?” LUCAS 12:54-57

O amor espera. Ele tem que aguardar. Mais precisamente ele espera a manifestação de dentro para fora, uma vez que ninguém pode ser obrigado a amar.

A justiça é o contrário. Quando chega, porque semeamos inadequadamente no terreno do destino, não pede licença. Vem! Ela não diz a alguém assim: "Olha, você se prepara porque eu vou chegar. Sabe, porque lá atrás, num tempo tal você fez isso, ou aquilo..." Não, não tem nada disso. Ela é irreverente. Se de um lado o amor emerge de dentro para fora, a justiça impõe de fora para dentro. Ela vem e pega mesmo. Pode precipitar acontecimentos. Não espera pedir.

Na hora que tem que bater, bate, porque tem que se cumprir a lei. Cumpriu o período, venceu a promissória, a pessoa enfrenta, com choro ou sem choro. Isto é justiça, e ela pode tranquilamente entrar em um processo de equações e projeções matemáticas.

Os resultados não se fazem esperar. Ninguém pode trair o tempo ou enganar o espírito de sequência da natureza. A seu tempo cada qual acabará ceifando, pois existe o tempo de plantar como existe o tempo de colher. E parâmetro de tempo, numa visão ampliada e acertada, não é aquele em que a vida se inicia no berço e finda no túmulo. Não, este é parâmetro para materialista. O parâmetro para conhecedor do evangelho é bem mais abrangente, abre-se antes do berço e coloca-se após o túmulo. Assim, é muito comum um fato visitar determinada criatura na vida e ela nem saber explicar o porque daquela situação.

E até mesmo chegar a questionar o porque daquilo estar lhe acontecendo. Bem, é coisa dela do passado. Algo que ocorreu, passou, venceu a etapa da encarnação anterior e agora surgiu essa encarnação e pegou mesmo, e pronto. De forma que o fracasso e a desilusão, a esterilidade e a dor vão chegando bem devagar e acordando a alma dormente para as realidades eternas, para  o reajustamento.

Realmente nos situamos dentro daquela linha natural de causas e efeitos a que não podemos fugir. As leis do universo são claras, perfeitas e todos os efeitos presentes já estão calcados, de um lado, em sementes já lançadas no solo do próprio encaminhamento da evolução. É como a questão das profecias. Toda profecia se estrutura em cima das causas, não em cima dos efeitos. Percebeu? Uma vez estruturadas as causas surge o efeito para completar o processo da germinação.

As causas são lançadas de tal modo que teremos sempre o efeito a completar a linha do processo. Toda profecia é calcada em cima do que se fez. Por quê? Porque o que se faz vai redundar em um acontecimento. Agora, a profecia não tem um papel fechado, no sentido de segura a ponta que a coisa vai pegar, não. O sentido da profecia é alertar a cada um de nós quanto ao carma que nós temos, afinal sabemos que aquele que transgride a lei divina de harmonia recebe a consequência, todo o mal que se faz volta, se destruir, merece, a vida é plantar e colher, tanto no bem como no mal o retorno é inevitável ao autor da ação.

Os próprios acontecimentos que se relacionam com as revelações das escrituras sagradas, fugindo a qualquer ideia de eventualidade, resultam em programações elaboradas nos milênios por aqueles que, em nome do criador, se responsabilizam pelos mecanismos evolutivos. A profecia representa também, em tese, uma visão do que seremos e atingiremos um dia. Não se assustem, mas estamos dando uma de profetas hoje ao dizermos: "Um dia eu vou entender isso, vou melhorar naquilo, vou realizar tal coisa", e por aí adiante.

O mestre Jesus, muito sabiamente, adverte o homem acerca dos perigos que o ameaçam: "E dizia também à multidão: quando vedes a nuvem que vem do ocidente, logo dizeis: lá vem chuva, e assim sucede. E, quando assopra o sul, dizeis: haverá calma; e assim procede. Hipócritas, sabeis discernir a face da terra e do céu; como não sabeis então discernir este tempo? E por que não julgais também por vós mesmos o que é justo?" (Lucas 12:54-57) É fundamental estar atento a este ensinamento. Por uma razão simples. O que ocorre é que todos os males que atingem o homem ou a coletividade humana tiveram os seus prenúncios. A natureza não age aos saltos, seja no plano físico ou moral.

As próprias enfermidades, do corpo ou da alma, são consequências de causas alimentadas por nós durante anos. Essa é a origem das nossas amarguras. No entanto, só depois que nos sentimos atingidos pelos efeitos é que nos despertamos alarmados, chorando, soluçando, gritando, reclamando, bradando em vão. Sim, em vão, porque desde que se produz uma causa, até que se manifestem totalmente os seus efeitos esses hão de persistir até se esgotarem por completo, a despeito de todas as nossas lágrimas, soluços e murmurações. Basta lembramos que a chuva só cessa quando cai a última gota.

Em qualquer região da terra é possível prever as horas de sombra e de luz. Cultivadores orientam as atividades na gleba segundo as estações. Tudo na obra divina se engrena em princípios de harmonia. Se o homem compreender os sinais dos tempos, no que diz respeito aos valores espirituais, como conhece os indícios de tempestades e de certos fenômenos da natureza, pela observação das nuvens e direção dos ventos, poupará inúmera carga de sofrimentos.

A sabedoria está em saber prevenir!

Em cima de valores já lançados nos terrenos da vida, paralelamente ao nível das probabilidades, de certo modo calcadas estas em uma realidade matemática, nem tudo é definitivo e finalístico. Pois a cada minuto alteram-se as ressonâncias do que vai acontecendo, razão pela qual nem toda profecia pode ser registrada de forma absoluta. Isso sem contar que no momento em que uma criatura é sensibilizada e modifica a sua linha íntima, com a visualização, por exemplo, de novos padrões, é como se nessa hora esses valores novos se somassem ao seu psiquismo. A cada dia novas oportunidades surgem a todos que buscam ascender, e sempre podemos mudar o destino.

16 de fev de 2013

Cap 32 - Ação e Reação - Parte 4


A CULPA E O ESCÂNDALO

“AI DO MUNDO, POR CAUSA DOS ESCÂNDALOS; PORQUE É MISTER QUE VENHAM ESCÂNDALOS, MAS AI DAQUELE HOMEM POR QUEM O ESCÂNDALO VEM!” MATEUS 18:7

A consciência é aquela faculdade que o espírito possui e pela qual é capaz de refletir sobre si mesmo acerca da luz da justiça divina.

O fato é que criatura humana alguma foge à lei nem à consciência de si mesmo, pois que Deus aí escreveu os seus soberanos códigos, e cada qual traz consigo o seu juiz. Por princípio de direito cósmico universal arquivamos em nós mesmos as raízes do mal que acalentamos, como tumores de energias profundas na profundidade da alma, e toda queda moral, nos seres responsáveis, opera certa lesão no campo psicossomático. 

Isto ocorre porque qualquer sombra de nossa consciência mantém-se impressa em nossa vida até que a mácula seja lavada por nós mesmos, com o suor do trabalho ou o pranto da expiação.

As menores quedas e as mínimas viciações ficam impressas na alma exigindo retificação e não há uma só infração à lei de Deus que fique sem correspondente punição, para serem extirpadas depois à custa de esforço próprio, na companhia dos que se nos afinam à faixa de culpa. Na evolução para Deus o bem é passagem livre para os cimos da vida superior, ao passo que o mal é sentença de interdição, constrangendo-nos a paradas mais ou menos difíceis de reajuste. Os nossos atos tecem asas de libertação ou algemas de cativeiro para a nossa vitória ou nossa perda. E embora em processo reparador de culpas recíprocas, somos, antes de tudo, devedores da lei em nossas próprias consciências. O homem evita o mal para se eximir da dor, sua legítima consequência, e sofre sempre a consequência de suas  faltas.

Todo indivíduo responsável pela queda de terceiros experimenta em si a ampliação dos próprios crimes. Não raras vezes o doloroso inferno sentido é a aflitiva condenação. O assunto é muito complexo e a culpa somente desaparece quando se liberta aqueles que lhe sofreram o mal. À partir daí é necessário que o agente causador assimile ideias novas pelas quais passe a trabalhar, ainda que lentamente, melhorando a sua visão interior e estruturando o destino. A renovação mental é a renovação da vida e não existe regeneração de fora sem a legítima regeneração estruturada no coração.

A paisagem real do espírito, tanto nos círculos carnais como nos espirituais, é a do campo interior, e cada qual vive com as criações mais íntimas de sua alma.

A gente não tem como fugir da gente. A gente pode fugir dos ambientes, mas da gente mesmo não tem como. Ninguém foge da consciência culpada e os  sofredores trazem consigo, individualmente, o estigma dos erros deliberados a que se entregaram. A morte como fim não existe e os infratores, no corpo ou fora dele, estão algemados às consequências de suas ações. E mesmo com a possibilidade de poder ausentar-se da paisagem do crime o pensamento do infrator se mantém preso ao ambiente e à própria substância da falta cometida. Como se diz na linguagem policial, o criminoso sempre volta ao local do crime.

O remorso, aspecto inicial da trilogia da redenção, é a inquietação da consciência pela culpa ou crime cometido, em torno da qual a onda viva e contínua do pensamento passa a enovelar-se em circuito fechado sobre si mesma.

Funciona como uma prisão sem grades, edificada pela culpa, onde a criatura não consegue fugir. A consciência culpada não esquece a ação infeliz e a dívida tem sempre os fantasmas da cobrança. O criminoso nunca consegue fugir da justiça universal, uma vez que carrega o crime cometido em qualquer parte e a consciência pessoal não libera culpado algum sem a conveniente regularização do delito.

Presos a montante de débitos com o passado é da lei que ninguém se emancipe sem pagar o que deve. Não se pode avançar livremente para o amanhã sem solver os compromissos do ontem, sem o devido pagamento das dívidas que contraiu. Sem contar que sempre há cobrador quando existe devedor. Porque na pauta dos processos atuais de evolução do planeta é da lei maior que onde esteja o devedor aí se apresentem a dívida e o cobrador. E entre ambos, o credor e o devedor, vigora sempre o fio espiritual do compromisso.

É preciso pensar com muito acerto e não viver de qualquer jeito. A vida, embora seja uma aventura gostosa, não é brincadeira. Em todos os planos da existência o instituto da justiça divina funciona de forma natural com os seus princípios de compensação. Quanto mais baixo o grau evolutivo dos culpados mais sumário é o julgamento pelas autoridades cabíveis, e quanto mais avançados os valores culturais e morais do indivíduo mais complexo é o exame dos processos de criminalidade em que se emaranham. Não só pela influência com que atuam nos destinos alheios, mas também porque o espírito, quando ajustado à consciência dos seus erros, ansioso de reabilitar-se diante daqueles que mais ama, suplica por si mesmo a sentença punitiva que reconhece como indispensável à elevação de si próprio, objetivando acertar o caminho.

"Ai do mundo, por causa dos escândalos; porque é mister que venham escândalos, mas ai daquele homem por quem o escândalo vem!" (Mateus 18:7)

Com estas palavras o mestre quer dizer que o mundo é um teatro de escândalos. Orbe expiatório, habitado por espíritos atrasados, não é de se admirar que escândalos se sucedam. O mundo é vasta escola de regeneração, onde todas as criaturas humanas se reabilitam da traição aos seus próprios deveres.

E como a lei divina é sábia e justa, e não deixa de operar ceitil por ceitil conforme a causa, cada complicação que nós perpetramos na vida é um fato lamentável catalogado no evangelho como escândalo. Num plano de vida onde quase todos se encontram pelo escândalo que praticaram no pretérito é justo que o mesmo escândalo seja necessário, como elemento de expiação, prova ou aprendizado.

Resultado? Todo aquele indivíduo que se transforma em instrumento de escândalo tem de chorar. Portanto, não se desespere diante da dor, própria ou de outrem. Continue sereno no caminho em que se encontra, auxiliando no que pode. Em cima de certo escândalo está havendo uma necessidade, razão pela qual é necessário que o escândalo venha. Ele  está atendendo aos anseios menos felizes de alguém ou de algum grupo que, por ter criado, recebe.

O escândalo, de certa forma, é a exteriorização das sujidades morais ocultas no interior dos homens. Pode-se dizer que representa a manifestação daquilo que se mantém oculto na intimidade dos corações, aquele lodo contido bem na profundeza da alma humana. Consiste na revelação de um mal existente no indivíduo, que vem à tona pelos atritos ocasionados na vida de relação, pelos conflitos de interesses e de vaidades, ou apenas por simples circunstâncias ocasionais.

De forma que é necessário que haja o escândalo. Pois se o erro nos ensina a regra de acertar, é necessário que os homens se revelem, que mostrem o que realmente são. Provocando o escândalo, e suportando as consequências danosas do mesmo, a individualidade acaba por corrigir-se, mudando de atitude e proceder.

12 de fev de 2013

Cap 32 - Ação e Reação - Parte 3


A CADA UM SEGUNDO AS SUAS OBRAS

“NÃO ERREIS: DEUS NÃO SE DEIXA ESCARNECER; PORQUE TUDO O QUE O HOMEM SEMEAR, ISSO TAMBÉM CEIFARÁ.” GÁLATAS 6:7

“PORQUE O FILHO DO HOMEM VIRÁ NA GLÓRIA DE SEU PAI, COM OS SEUS ANJOS; E ENTÃO DARÁ A CADA UM SEGUNDO AS SUAS OBRAS.” MATEUS 16:27

“VAI E NÃO PEQUES MAIS, PARA QUE TE NÃO SUCEDA ALGUMA COISA PIOR.” JOÃO 5:14

“PORQUE TODOS DEVEMOS COMPARECER ANTE O TRIBUNAL DE CRISTO, PARA QUE CADA UM RECEBA SEGUNDO O QUE TIVER FEITO POR MEIO DO CORPO, OU BEM, OU MAL.” II COR 5:104

Porque o filho do homem virá na glória de seu pai, com os seus anjos; e então dará a cada um segundo as suas obras." (Mateus 16:27) Interessante. A afirmação de Jesus é bastante clara, não deixa dúvida nenhuma. Basta uma primeira leitura para se observar a profundidade. No entanto, a maioria das pessoas passa pela vida ocupada demais para lhe dar atenção. Não está nem aí.

E quando dá atenção, acredita estar livre da sua área de atuação. Supõe estar livre dos acontecimentos negativos que ela anuncia. Imagina que acontecimentos desagradáveis irão alcançar a outros. Muitos indivíduos são assim. Acreditam que fatores externos menos felizes, em razão de sementes lançadas, frutificarão nos terrenos dos outros. E quando colhem situações desagradáveis em suas próprias vidas acreditam que esses fatores lhe são estranhos à conduta. Isso mesmo. O que fizeram para merecer? Consideram determinadas dificuldades como algo injusto e questionam aos quatro cantos: "O que fiz eu para receber isto? Porque tantas dificuldades e desventuras em cima de mim?"

Consideram inexplicáveis tantos obstáculos e tropeços nos caminhos da vida. Pensam e quebram a cabeça. Sem encontrar explicações procuram, sem êxito, esclarecimento nas filosofias diversas do mundo. Quem sabe algum consolo, algo que apascente a mente atribulada. Cansados e confusos concluem que o melhor é não pensar mais, o mais acertado é desconsiderar, esquecer o assunto.

Deixar prá lá, como se os fatos se solucionassem por si mesmos.  Só que os fatos dos dias e dos momentos se sucedem e incumbem de mantê-los ligados ao campo das cogitações.

Vamos entender a causa como sendo aquilo ou aquele que faz com que uma coisa exista, que determina um acontecimento. É, pois, a razão, o motivo, a origem.

Já o efeito é o resultado de um ato qualquer, a consequência. Sendo assim, em virtude de cada espírito representar um universo próprio, cada um de nós é totalmente responsável pela emissão das forças que lança em circulação nas correntes da vida. A responsabilidade acompanha o espírito em suas várias reencarnações e a imortalidade implica responsabilidade. Somos nada mais, nada menos, do que os arquitetos do nosso destino, e cada espírito deverá a si mesmo a ascensão sublime ou a queda deplorável. Não existe balança de precisão mais delicada e perfeita que a da justiça distributiva.

Deus não tem que intervir nas sanções dos atos humanos, porque cada ato leva em seu interior o prêmio ou o castigo. Trazemos conosco, perfeitamente encadeadas, as causas e os efeitos que determinam tudo o que nos acontece, como a semente traz em seu íntimo, de forma oculta, os caracteres mínimos de onde procede a árvore com os seus ramos, folhas, flores e frutos. Como disse Paulo: "tudo o que o homem semear, isso também ceifará". Afinal de contas, podemos nos esconder dos homens, não de Deus. Não tem como fazer conchavos e negociações com o criador. Ele está presente na imutabilidade da lei.

Cada um colhe aquilo que semeia, e isso nada mais é do que a decorrência natural e intransferível que alcança a todos na esteira do universo, onde tudo se processa mediante leis naturais e divinas que o regem.

É preciso desmistificar a crença ilusória de que muitas coisas podem ser mudadas mediante passes de mágica. A vida é um processo de eleição pessoal (tanto que o evangelho nos propõe trabalhar o componente da semente, não do fruto) e elegemos os tipos de experiência em que nos propomos estagiar, nessa ou naquela fase da evolução. Então, primeiro a semeadura, depois a colheita, e tanto as sementes de trigo como as nocivas, encontrando terra propícia, produzirão a seu modo nas mesma pauta de multiplicação.

Na resposta da natureza ao esforço do lavrador temos simplesmente a lei. E o sofrimento do homem sempre importa no reajustamento do seu passado ao presente.

A infalível justiça divina não admite vítimas. Uma vez que somos todos semeadores, a vida nos retribui igualmente em conformidade ao que lhe exteriorizamos. Não por capricho, mas por simples adequação justa e natural à lei da providência divina. A cada um é dado segundo as suas obras. Toda semente produz no solo do tempo e os resultados são invariavelmente frutos da nossa escolha.

Não há dúvida alguma, seja qual for o resultado da ação de quem a encaminhou para o mal ocorrerá o choque do retorno, ou seja, volve ao agente o efeito da sua realização. Vivemos em mundo onde ao lado de uma proposta reeducacional dos seres existe a presença de elementos definindo, sobre as causas já lançadas no espaço e no tempo, os efeitos, isto é, os resultados a que estaremos sujeitos a recolher em meio a momentos peculiares. De tudo isto fica um enorme aprendizado para cada um de nós: seja qual for a posição em que nos situemos temos invariavelmente a resposta da vida na vida que procuramos.

"E dará a cada um segundo as suas obras" é o mesmo que dizer receberá. Não é simples? Nós todos estamos colhendo o que semeamos. Não importa a época nem as condições em que a sementeira foi feita, o que importa é que cada um colha, onde estiver e como se achar, aquilo que semeou. Assim, a dor ou a alegria, a paz ou a inquietação, o merecimento ou a desvalia, a sombra ou a luz, em nosso caminho, será sempre o resultado de acordo com as nossas próprias obras.

Tudo é consequência do estado particular em que se encontram os nossos espíritos e a solução está, nada mais nada menos, do que em nós mesmos. É evidente que muitas criaturas, mesmo colhendo a dor, continuarão a semeá-la, até determinado momento em que se não for por algum dispositivo da misericórdia, os sofrimentos ampliados os compelirão ao redirecionamento de suas atitudes.

Isso sem contar que muitos podem questionar porque tantos bons sofrem, enquanto os maus, por vezes, desfrutam de tranquilidade e prazeres. Ora, o sofrimento dos bons importa em muito no resgate de culpas passadas. Percebeu? O primeiro grupo está colhendo, ao passo que o segundo está semeando.

Não é possível colher sem haver antes semeado, nem pagar dívidas sem havê-las em tempo contraído. A semeadura precede a colheita, a solvência vem após compromisso.

A vida, exprimindo desígnios do criador, assumirá para contigo atitudes adequadas às atitudes que assumes para com ela. Somos livros vivos de quanto pensamos e praticamos e os olhos cristalinos da justiça divina nos lêem em toda parte. O presente é a consequência natural do passado, como o futuro será o resultado inevitável do presente. Possuímos agora o que ajuntamos no dia de ontem e possuiremos amanhã o que estejamos buscando no dia de hoje.

Lembra o que Jesus disse a um cego sobre não pecar: "Vai e não peques mais, para que te não suceda alguma coisa pior." (João 5:14) Pois é, disse aquilo porque o problema daquela cegueira não era algo aleatório que surgiu do nada, de graça, mas decorrente da sua própria instabilidade. Portanto, não se esqueça de conduzir o tesouro da consciência tranquila em toda a estrada na qual te movimentes, porque um dia surgirá, entre todos os outros dias, em que seremos invariavelmente chamados à prestação de contas nas leis da vida.

E chegado semelhante momento nada nos será perguntado sobre a atividades e causas alheias, mas tão somente sobre nós mesmos. Logo, é razoável procurarmos compreender a substância dos atos que praticamos nas atividades diárias.

Vamos cumprir bem agora o que nos cabe fazer, uma vez que estamos acionando o passado ao nível de experiências e o futuro em nível de paciência e operosidade segura, facilitando o desenvolvimento da lei. Se é da lei de Deus que toda semeadura se desenvolva, haja suficiente cuidado em nós a cada dia, pois o bem ou o mal, tendo si semeados, crescerão junto de nós, segundo as leis que regem a vida.

8 de fev de 2013

Cap 32 - Ação e Reação - Parte 2


TUDO ESTÁ EM EQUILÍBRIO
  
“PORQUE NÓS SOMOS DE ONTEM, E NADA SABEMOS; PORQUANTO NOSSOS DIAS SOBRE A TERRA SÃO COMO A SOMBRA.” JÓ 8:9

A lei se revela entre as causas e os efeitos e tudo o que se sucede neste plano onde nos encontramos é efeito de causas próximas ou remotas. Tudo, sem exceção.

Em toda parte do infinito universal a suprema justiça se cumpre em sua plenitude. Sendo assim, o caos que vez por outra envolve o nosso ambiente de lutas, onde tudo parece confuso, obscuro e desigual, é precisamente a expressão dessa infalível justiça divina que se cumpre. É a expressão de uma perfeita harmonia, surgindo de todas essas desconcertantes desafinações da grande orquestra da vida, cujos esplendores somente podemos ver com olhos da razão.

A verdade é que não existem vítimas no meio de todas as aparentes contrariedades e desigualdades que o mundo apresenta. Quando os olhos do espírito não funcionam os olhos físicos vêem vítimas. E abrindo os primeiros a mais perfeita justiça se revela à luz da razão. Basta abrirmos os olhos espirituais para vermos nas vítimas de hoje os verdugos de ontem. Situamo-nos num planeta de reajustamento, de provas e expiações, onde se conjuga o passado com o presente.

O homem é senhor do futuro, mas escravo do passado, resgata no momento atual a dívida de outrora. E é dessa conjugação que resulta o futuro que nos espera. Não adianta desesperar, tudo se processa sob o império da justiça que nos rege os destinos.

Como disse Jó: "Porque nós somos de ontem, e nada sabemos; porquanto nossos dias sobre a terra são como a sombra". (Jó 8:9) É ilusão querer que os nossos sentidos observem e concluam, vendo uma parte específica como se fosse o todo. A força invisível que distribui bens e males é uma lei e não é possível que essa lei incida no mínimo erro sequer. A sabedoria do espírito, ligando o passado ao presente, abrange a vida na sistemática das múltiplas existências. Estamos longe de fazer apologia ao sofrimento, mas o universo não esmagará sem razão a mais pequenina formiga, e o que nos acontece tem razão de ser.

Ninguém, em sã consciência, vai desconsiderar que vivemos num planeta conturbado. Os fatos em geral, em suas consequências, apontam tanto posição de carinho, trabalho e realização, como respostas tristes, em função das sementes lançadas.

Nos dias de hoje, utopistas se mostram desiludidos com a realidade porque sonham com a igualdade irrestrita das criaturas que não acontece. Todavia, não compreendem que recebendo os mesmos direitos de trabalho e aquisição perante Deus os homens, por suas próprias ações, são profundamente desiguais entre si em inteligência, compreensão, virtude e moral. A harmonia do mundo não tem como vir de decretos políticos. O mecanismo de leis humanas se modifica todos os dias e sistemas de governo vez por outra desaparecem para dar lugares a outros que, também, terão de renovar-se com o tempo.

A conclusão a que chegamos é muito simples: não podemos estranhar nada. Por mais que pareça errado está tudo certo neste mundo de Deus. A vida é bela e sábia demais. Encontramo-nos todos em equilíbrio, possuindo o que conquistamos e à frente dos ideais que almejamos. As ocorrências de hoje procedem dos fatores ocultos do ontem, que desencadearam reações só agora aparecidas.

Muitas situações de natureza negativa nada mais são do que efeitos de ocorrências pretéritas, que o tempo arquivou na memória perispirítica e não chegou a consumir. Como a semeadura traz os resultados positivos ou negativos, segundo a natureza da semente, somos o perfeito reflexo de nós mesmos, colhendo invariavelmente conforme a natureza das nossas ações nos terrenos amplos da vida imortal. Defrontamos no caminho os frutos do bem ou do mal que semeamos num passado mais próximo ou mais distante e cada individualidade apresenta hoje o equilíbrio ou o desequilíbrio pelas obras de ontem. Cada qual se situa no quadro das próprias conquistas ou dos próprios débitos.

5 de fev de 2013

Cap 32 - Ação e Reação - Parte 1


O AMOR E O CÓDIGO UNIVERSAL
  
“ASSIM, TODA A ÁRVORE BOA PRODUZ BONS FRUTOS, E TODA A ÁRVORE MÁ PRODUZ FRUTOS MAUS.” MATEUS 7:17

No mundo em que vivemos as análises e julgamentos são geralmente efetuados na maioria das vezes de forma superficial, com a utilização quase que exclusiva dos sentidos.

Em razão disso, muitos concluem apressadamente que aqui na Terra não vigora a justiça. Apressados de toda ordem declaram em voz alta: "Justiça, que justiça? Neste mundo de contraste e desigualdades ela não passa de uma ilusão". Situações visíveis é o que não lhes faltam para as considerações mais profundas.

Exemplos se mostram aos nossos olhos em todos os cantos: Bem próximo a nós, vemos um marido exemplar, suportando a esposa fútil, desamorável, cheia de caprichos, vaidosa ao extremo e dissimulada. Ali, o oposto: uma esposa dócil, criteriosa e dedicada ao lar, sofrendo por sua vez o convívio de um marido rude, desafeiçoado, estúpido e libertino. Além, temos pais solícitos e bondosos, sacrificando-se por filhos ingratos e maus que os destratam e menosprezam.

Ao lado, deparamos com filhos meigos e respeitosos cujos pais, viciados e preguiçosos, os tratam com desleixo e ignoram sua educação e seu futuro. Mais adiante, vê-se o empresário astuto, poderoso, explorando os pobres funcionários. Ricos orgulhosos maltratando os pobres de boa fé. Mais adiante, o impostor e desonesto triunfando, ao lado dos honestos humilhados. E por aí vai. A virtude abatida ao lado do vício operante, o delinquente impune e a vítima desamparada. A saúde e o vigor deleitando-se nos banquetes da alta sociedade e a enfermidade gemendo no leito das agonias lentas e intermináveis nos hospitais. Os artistas brilhando nos palcos e nas televisões, como estrelas em posição de destaque, e uma legião de problemáticos de toda ordem perambulando desorientados pelas ruas sem fim. O supérfluo e o desperdício de um lado, paralelamente aos miseráveis e famintos sem pão de outro.

A beleza física e os corpos esculturais, que naturalmente atraem sorrisos e simpatias, ao lado de criaturas cobertas de chagas e deformidades que horrorizam. E, finalmente, a lágrima sem consolo junto ao sorriso relapso. A dor e o prazer, um praticamente ao lado do outro. Coisas que fazem a gente pensar. E pensamos. E muitos concluem: "Os apressados tem razão. Cadê a justiça?"

Ora, vamos aprender a analisar com profundidade o que os olhos alcançam. A lei de que se constitui o determinismo divino é a do amor para a comunidade universal. O amor é o legítimo ponto de equilíbrio do universo, é o princípio, é toda estrutura fecundante. Constitui-se o acervo sobre o qual o universo se elabora.

O bem está na extensão universal, e não duvide disso. A visão divina, abrangendo todos os ângulos dos acontecimentos, estabelece diretrizes que facultam o equilíbrio em toda parte. A determinação superior é sempre o bem e a felicidade para todas as criaturas. As leis do universo são estatuídas para dignificar e desenvolver os valores inatos da criatura que traz o anjo dormente na sua estrutura, aguardando para isso tão somente o momento de despertar. E como não há violência na governança do amor todos tem o direito de utilizar do livre-arbítrio, até mesmo para se comprometerem, quando terão ensejo de reparar.

É interessante notar que não existe reação negativa por parte das leis que nos regem. Elas não tem sentido negativo, ainda que machuquem, ainda que sofra a criatura envolvida por elas. As reações da lei não tem um sentido puramente de dizer basta, ou mesmo de mostrar a nossa pequenez. Nada disso. A proposta da misericórdia não é machucar ou punir, é fazer o ser avançar, progredir e integrar-se nas faixas lindas e expressivas do amor. A  própria dor, a própria enfermidade, os próprios desafios da vida, são componentes impulsionadores da evolução, seja no respaldo dos débitos perante a lei, seja na instauração de processos de indução para o crescimento da individualidade.

O pai jamais pune os seus filhos que erram. Corrige-os, perdoando sempre. E existe uma distância considerável entre punir e corrigir, pois quem pune humilha para submeter, ao passo que quem corrige aperfeiçoa para libertar. As reações da lei trazem consigo uma instrumentalidade didática para que a gente descubra o processo e se ajuste a novo caminho. Os nossos momentos difíceis na vida cerceiam, sem dúvida, mas dentro desse cerceamento e da aplicação da lei vigora uma alta dose de investimento superior. A reação da lei traz consigo uma abertura nova chamada amor, recuperação, recomposição do destino, exame da caminhada. De lá para cá, do plano celestial para o nosso, existe o investimento numa oportunidade para que, debaixo do mecanismo da dor e do sofrimento, dentro do processo de quitação e reajuste, a gente se harmonize com as leis soberanas do amor, aprenda e seja muito feliz.

Estamos falando em leis e sabemos que no plano terrestre cada país tem seu código penal, que por sua vez é alicerçado e adequado à capacidade evolucional em que se encontra. Certo? Abrindo o leque, e considerando o universo em sua totalidade como o reino divino, fica fácil perceber que situamo-nos todos sob o império de leis que não podemos trair. E essas leis sábias da vida que regem o universo, todas elas de misericórdia e amor, fundamentam-se em princípios de equilíbrio que não podem ser derrogados sob pena de apresentarem aflições penosas aos infratores. Sendo assim, ninguém pode alegar desconhecimento do propósito divino a nosso respeito. E o que acontece é que confiando em si mais do que em Deus o homem transforma a sua fragilidade em foco de ações contrárias a esse lei, efetuando intervenção indébita na harmonia divina. Dá-se o mal. E com o mal, a necessidade imperiosa de recompor os elos sagrados dessa harmonia. Surge o resgate.

Raros homens se dispõem a respeitar os desígnios de Deus e esquecem, voluntariamente, que as menores quedas e as mínimas viciações ficam impressas na alma, exigindo posterior retificação. A vida é uma sinfonia perfeita e quando procuramos desafiná-la, no círculo das notas que devemos emitir para a sua máxima glorificação, somos compelidos a estacionar em pesado serviço de recomposição da harmonia quebrada. Muitos que tentam enganar a natureza, achando que são extremamente espertos, agem de maneira extremamente equivocada. Todos aqueles que tentam enganar a natureza, quadro legítimo das sagradas leis divinas, acabam por enganar a si mesmos.

Porque ninguém trai a vontade de Deus nos processos evolutivos sem graves tarefas de reparação. Olha, meu amigo, minha amiga, se soubéssemos a fundo o terrível resultado de nosso desrespeito às leis divinas jamais nos afastaríamos do caminho reto. Temos o livre-arbítrio, sim, porém, se não chegamos por nós mesmos a um ponto em que alteramos o rumo da caminhada nós saímos de uma linha de auto-escolha e somos lançados numa linha compulsória.

Quem desarmoniza as obras do criador pode se preparar para a recomposição. Quem lesa o Pai algema o próprio eu aos resultados de sua ação infeliz e, por vezes, gasta até séculos desatando pesados grilhões. Sem dúvida alguma podemos perturbar as obras de Deus com sorriso no rosto. Todavia, seremos forçados a repará-las com o nosso suor e o nosso choro. E hajam lágrimas depois.

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