5 de fev de 2013

Cap 32 - Ação e Reação - Parte 1


O AMOR E O CÓDIGO UNIVERSAL
  
“ASSIM, TODA A ÁRVORE BOA PRODUZ BONS FRUTOS, E TODA A ÁRVORE MÁ PRODUZ FRUTOS MAUS.” MATEUS 7:17

No mundo em que vivemos as análises e julgamentos são geralmente efetuados na maioria das vezes de forma superficial, com a utilização quase que exclusiva dos sentidos.

Em razão disso, muitos concluem apressadamente que aqui na Terra não vigora a justiça. Apressados de toda ordem declaram em voz alta: "Justiça, que justiça? Neste mundo de contraste e desigualdades ela não passa de uma ilusão". Situações visíveis é o que não lhes faltam para as considerações mais profundas.

Exemplos se mostram aos nossos olhos em todos os cantos: Bem próximo a nós, vemos um marido exemplar, suportando a esposa fútil, desamorável, cheia de caprichos, vaidosa ao extremo e dissimulada. Ali, o oposto: uma esposa dócil, criteriosa e dedicada ao lar, sofrendo por sua vez o convívio de um marido rude, desafeiçoado, estúpido e libertino. Além, temos pais solícitos e bondosos, sacrificando-se por filhos ingratos e maus que os destratam e menosprezam.

Ao lado, deparamos com filhos meigos e respeitosos cujos pais, viciados e preguiçosos, os tratam com desleixo e ignoram sua educação e seu futuro. Mais adiante, vê-se o empresário astuto, poderoso, explorando os pobres funcionários. Ricos orgulhosos maltratando os pobres de boa fé. Mais adiante, o impostor e desonesto triunfando, ao lado dos honestos humilhados. E por aí vai. A virtude abatida ao lado do vício operante, o delinquente impune e a vítima desamparada. A saúde e o vigor deleitando-se nos banquetes da alta sociedade e a enfermidade gemendo no leito das agonias lentas e intermináveis nos hospitais. Os artistas brilhando nos palcos e nas televisões, como estrelas em posição de destaque, e uma legião de problemáticos de toda ordem perambulando desorientados pelas ruas sem fim. O supérfluo e o desperdício de um lado, paralelamente aos miseráveis e famintos sem pão de outro.

A beleza física e os corpos esculturais, que naturalmente atraem sorrisos e simpatias, ao lado de criaturas cobertas de chagas e deformidades que horrorizam. E, finalmente, a lágrima sem consolo junto ao sorriso relapso. A dor e o prazer, um praticamente ao lado do outro. Coisas que fazem a gente pensar. E pensamos. E muitos concluem: "Os apressados tem razão. Cadê a justiça?"

Ora, vamos aprender a analisar com profundidade o que os olhos alcançam. A lei de que se constitui o determinismo divino é a do amor para a comunidade universal. O amor é o legítimo ponto de equilíbrio do universo, é o princípio, é toda estrutura fecundante. Constitui-se o acervo sobre o qual o universo se elabora.

O bem está na extensão universal, e não duvide disso. A visão divina, abrangendo todos os ângulos dos acontecimentos, estabelece diretrizes que facultam o equilíbrio em toda parte. A determinação superior é sempre o bem e a felicidade para todas as criaturas. As leis do universo são estatuídas para dignificar e desenvolver os valores inatos da criatura que traz o anjo dormente na sua estrutura, aguardando para isso tão somente o momento de despertar. E como não há violência na governança do amor todos tem o direito de utilizar do livre-arbítrio, até mesmo para se comprometerem, quando terão ensejo de reparar.

É interessante notar que não existe reação negativa por parte das leis que nos regem. Elas não tem sentido negativo, ainda que machuquem, ainda que sofra a criatura envolvida por elas. As reações da lei não tem um sentido puramente de dizer basta, ou mesmo de mostrar a nossa pequenez. Nada disso. A proposta da misericórdia não é machucar ou punir, é fazer o ser avançar, progredir e integrar-se nas faixas lindas e expressivas do amor. A  própria dor, a própria enfermidade, os próprios desafios da vida, são componentes impulsionadores da evolução, seja no respaldo dos débitos perante a lei, seja na instauração de processos de indução para o crescimento da individualidade.

O pai jamais pune os seus filhos que erram. Corrige-os, perdoando sempre. E existe uma distância considerável entre punir e corrigir, pois quem pune humilha para submeter, ao passo que quem corrige aperfeiçoa para libertar. As reações da lei trazem consigo uma instrumentalidade didática para que a gente descubra o processo e se ajuste a novo caminho. Os nossos momentos difíceis na vida cerceiam, sem dúvida, mas dentro desse cerceamento e da aplicação da lei vigora uma alta dose de investimento superior. A reação da lei traz consigo uma abertura nova chamada amor, recuperação, recomposição do destino, exame da caminhada. De lá para cá, do plano celestial para o nosso, existe o investimento numa oportunidade para que, debaixo do mecanismo da dor e do sofrimento, dentro do processo de quitação e reajuste, a gente se harmonize com as leis soberanas do amor, aprenda e seja muito feliz.

Estamos falando em leis e sabemos que no plano terrestre cada país tem seu código penal, que por sua vez é alicerçado e adequado à capacidade evolucional em que se encontra. Certo? Abrindo o leque, e considerando o universo em sua totalidade como o reino divino, fica fácil perceber que situamo-nos todos sob o império de leis que não podemos trair. E essas leis sábias da vida que regem o universo, todas elas de misericórdia e amor, fundamentam-se em princípios de equilíbrio que não podem ser derrogados sob pena de apresentarem aflições penosas aos infratores. Sendo assim, ninguém pode alegar desconhecimento do propósito divino a nosso respeito. E o que acontece é que confiando em si mais do que em Deus o homem transforma a sua fragilidade em foco de ações contrárias a esse lei, efetuando intervenção indébita na harmonia divina. Dá-se o mal. E com o mal, a necessidade imperiosa de recompor os elos sagrados dessa harmonia. Surge o resgate.

Raros homens se dispõem a respeitar os desígnios de Deus e esquecem, voluntariamente, que as menores quedas e as mínimas viciações ficam impressas na alma, exigindo posterior retificação. A vida é uma sinfonia perfeita e quando procuramos desafiná-la, no círculo das notas que devemos emitir para a sua máxima glorificação, somos compelidos a estacionar em pesado serviço de recomposição da harmonia quebrada. Muitos que tentam enganar a natureza, achando que são extremamente espertos, agem de maneira extremamente equivocada. Todos aqueles que tentam enganar a natureza, quadro legítimo das sagradas leis divinas, acabam por enganar a si mesmos.

Porque ninguém trai a vontade de Deus nos processos evolutivos sem graves tarefas de reparação. Olha, meu amigo, minha amiga, se soubéssemos a fundo o terrível resultado de nosso desrespeito às leis divinas jamais nos afastaríamos do caminho reto. Temos o livre-arbítrio, sim, porém, se não chegamos por nós mesmos a um ponto em que alteramos o rumo da caminhada nós saímos de uma linha de auto-escolha e somos lançados numa linha compulsória.

Quem desarmoniza as obras do criador pode se preparar para a recomposição. Quem lesa o Pai algema o próprio eu aos resultados de sua ação infeliz e, por vezes, gasta até séculos desatando pesados grilhões. Sem dúvida alguma podemos perturbar as obras de Deus com sorriso no rosto. Todavia, seremos forçados a repará-las com o nosso suor e o nosso choro. E hajam lágrimas depois.

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